Publicado por: rbozelli | 11 de março de 2013

E na Escola, como lidamos com as mudanças climáticas?

Prezados Amigos do Blog da Limnologia UFRJ,

Olha eu aqui de novo. Vocês já devem estar se perguntando se será toda semana assim, uma defesa de dissertação ou tese para anunciar. Quem dera, afinal são estes jovens empolgados e determinados que estão produzindo este conhecimento novo tão necessário a entender e lidar com o mundo de hoje.

Quero anunciar-lhes a defesa da dissertação de mestrado da Gabriela Maia, aluna que orientei no PPGCIAC, com a ajuda do Prof. Luiz Couceiro, antropólogo do NUPEM. A Gabriela e o seu trabalho significam muito para mim e por tabela, julgo que também para nosso Laboratório. Os mais velhos compreenderão de súbito, mas os mais novos precisam de algumas palavras sobre esta simbologia toda embutida no provocante trabalho da Gabriela, uma geógrafa formada pelo IFF de Campos, onde fez sua monografia em escolas de Macaé, sob a orientação do José Maria Miro.

O Zé Maria, hoje professor do IFF, foi aluno e técnico da UFRJ, e por um tempo administrador do NUPEM. Participou das Fichas dos Seres 1, junto com o Alexandre Lopes, esteve envolvido intensamente com os primeiros passos da Educação Ambiental do NUPEM, arrastando centenas de crianças pelas areias quentes de Jurubatiba. A Gabriela é nossa primeira aluna que defende um trabalho de pós-graduação naquela casa que pusemos de pé, materializando um sonho que cultivamos com suor e luta durante anos. Nunca esquecemos que era preciso fazer mais por aquela região. Logo virão outras tantas defesas, a solidificar este edifício que não é só matéria, mas conhecimento para a transformação, o respeito ao ambiente, a equidade social. Orgulhem-se que os frutos do trabalho de nós todos estão aparecendo, e não são pouco, e não são comuns.

Sou suspeito para falar do trabalho da Gabriela, mas vamos lá: A dissertação é intitulada “Uma investigação da abordagem sobre mudanças climáticas em uma escola de Macaé-RJ”. Com a competente ajuda do Prof. Couceiro, Gabriela fez um curioso, instigante e provocante mergulho etnográfico na realidade de uma escola. Ao viver intensamente a rotina da Escola Municipal Maria Letícia, em Novo Cavaleiros, Gabriela se propôs a identificar elementos da construção de conhecimento acerca deste tema de grande relevância internacional, em uma turma do ensino fundamental.

Através da observação etnográfica foram levantados elementos que estruturam as relações sociais daqueles estudantes e da própria escola pesquisada. Para subsidiar teoricamente a prática em campo, a dissertação explora a bibliografia acerca do tema, com o intuito de deixar claro o cenário de incertezas e de discussões intensas entre alguns cientistas e o órgão responsável pela divulgação dos dados: o IPCC.

Para nortear a sua vivência na escola, a Gabriela apoiou-se em teóricos das ciências sociais e antropológicas, no sentido da observação do grupo investigado, assim como na identificação de conceitos das relações sociais estabelecidas no campo. Dessa forma trata-se de uma pesquisa de cunho interdisciplinar pelo fato do tema central ser as mudanças climáticas e o aquecimento global, uma abordagem ambiental e o método de pesquisa ser a etnografia, uma ferramenta das ciências sociais.

Pouco foi identificado sobre o assunto no cotidiano escolar, mas devido à observação diária foi possível levantar dados que contribuem para facilitar a abordagem na escola e os fatos que dificultam o aparecimento dessas discussões no ambiente escolar. Na banca estarão o Prof. Rodrigo Rosistolato, etnógrafo e educador da Faculdade de Educação da UFRJ e o Prof. Gustavo Camargo, filósofo do NUPEM, alguma dúvida de que será interessante e simbólico.

Em tempo, Gabriela é professora da rede municipal de ensino de Macaé. Querem mais simbologia?

Abraços a todos!

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Responses

  1. A defesa da Gabriela foi algo muito forte para mim. E toda a simbologia se fez emoção, mas a razão guiou até o fim. Depois de tudo finalizado, claro que elas se misturaram. Não havia como ser diferente. Hoje se defende dissertação no NUPEM, e naquela casa, professoras do município como a Gabriela tem acesso. Colocamos mais um elo nesta cadeia, mais uma peça neste sistema, mais um pedaço neste mosaico. Com conhecimento, com ciência estamos mais fortes para enfrentar tanto desmando, tanta insensibilidade, tanto crime ambiental. Vocês nem imaginam como tremi nesta banca, mais que a candidata, afinal, era uma banca de filósofo, antropólogo e ecólogo e geógrafa defendendo. A segunda dissertação do PPGCIAC foi de fato um trabalho interdisciplinar, analisado e julgado desta forma. UFA!

  2. O Zé Maria vive!!!!! Esse post já veleu a pena! Mas falando sério essa é uma abordagem fantástica. Extremamente preciosa na contrução de uma sociedade mais interessada em ciência de forma geral. Uma excelente e “cutting-edge” fonte sobre aquecimento global pode ser obtida semanalmente neste blog: http://tamino.wordpress.com . É um blog muito bom sobre evidência do aquecimento global balizadas em rigorosas análises estatísticas de evidências que surgem todos os dias. É um ótimo local pra aprender estatística também. Um blog voltado para um público mais acadêmico em contrapartida.

    • Ei Rafael,

      valeu pela dica. Um dos caminhos apontados pela Gabriela já diz que precisaremos nos envolver mais, falta informação, falta ciência, falta material de qualidade para dar ao professor a tranquilidade para ele poder penetrar no mundo complexo das mudanças climáticas. Certamente que espaços da internet como este que você sugere tornam-se apoio importante, senão para eles diretamente, talvez para nós avançarmos na interação com eles. Este mundo ainda anda muito assombrado pelos demônios!

  3. Parabéns a Gabriela pelo trabalho realizado. Tenho certeza que dará mais bons frutos!


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