Publicado por: danimini | 25 de abril de 2013

Expectativas de um mundo novo

carta

* Os textos dessa seção são opiniões pessoais dos autores e não representam a posição do Laboratório de Limnologia

Quando me pediram pra falar sobre o Ciência sem Fronteiras – o programa do governo federal que está enviando milhares de alunos para aperfeiçoamento no exterior –, fiquei completamente perdida. Até ontem não havia me permitido sonhar muito, já que estava insegura sobre o resultado da seleção. Não me considero uma pessoa muito apegada nem saudosista, e desde que entrei na faculdade planejava fazer um intercâmbio em algum momento da minha formação, fosse na graduação ou em uma fase posterior.

Já morei fora do país duas vezes, uma na França e uma na Itália, mas essa é a primeira vez que irei sem minha família. Estou ansiosa com isso, pois nunca morei só e terei que administrar meu dinheiro, lavar roupas, arrumar a casa, enfim, coisas que não fazem parte do meu dia-a-dia hoje. Isso, por si só, já significará um grande aprendizado e amadurecimento.

Além disso, serei uma aluna do curso de biologia da Universidade de Adelaide, por uma temporada de 12 a 18 meses. Neste período terei que cursar 4 matérias em cada semestre, e fazer 6 meses de estágio em um laboratório, como requisito do programa. Na escolha das disciplinas, não me restringi às biológicas, me aventurando em algumas da arquitetura, belas artes e ciências sociais. Um dos pontos fortes das universidades australianas é a oferta de disciplinas, que tratam de temas atuais, aplicados e interdisciplinares.

Já no estágio no laboratório possivelmente trabalharei com o cultivo de microalgas para produção de biodiesel, o que é bem diferente dos meus interesses atuais. Porém acredito que o aprendizado de novas técnicas pode ser incorporado aos meus interesses futuros. Além disso, tenho grandes expectativas quanto à dinâmica do laboratório, meus futuros colegas, o desenvolvimento do meu trabalho e coisas do tipo. Acho que vai ser bem diferente, pois lá há um número grande de pesquisadores que trabalham com diversas áreas. Acho que será bem legal.

Acredito que todos os alunos de graduação deveriam perder seus medos e participar do programa. A língua é sempre uma barreira muito grande e que deve ser vencida. Estou com medo de não entender o “famoso” sotaque australiano, mas ainda assim espero que meu inglês melhore. Ao mesmo tempo sinto uma grande responsabilidade por estar representando meu país no exterior.

Na verdade, meu maior medo atualmente é a volta. Vou viver 1 ano em um lugar novo, que em muitos aspectos parece ser bem melhor que o Brasil, e sei que o impacto da volta será grande. Voltarei formada, com novos sonhos, expectativas e desejos. Não serei mais a mesma e a energia daquele lugar me mudará para sempre. E olha que ainda nem fui. Só acredito quando estiver dentro do avião.

* Os textos dessa seção são opiniões pessoais dos autores e não representam a posição do Laboratório de Limnologia

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