Publicado por: eldersodre | 15 de agosto de 2013

Diversidade funcional: entendendo o funcionamento dos ecossistemas a partir de uma nova abordagem

Aquecimento global, destruição de hábitats, sobrepesca são problemas ambientais que estão levando a uma perda alarmante de biodiversidade. Essa perda normalmente é medida como a quantidade de espécies. Porém, o simples número de espécies (riqueza) é uma medida eficaz da diversidade biológica?

A resposta é: nem sempre. Cada vez mais é usada uma outra abordagem para entender o papel da biodiversidade: a diversidade funcional. Esta é uma medida que incorpora os atributos (características) das espécies. Esses atributos são chamados de funcionais, por serem importantes para os processos ecossistêmicos. Desta forma, a diversidade funcional é uma medida de biodiversidade que, por isso, explica melhor o funcionamento dos ecossistemas.

Dentro deste contexto, um conceito interessante é a redundância funcional. Quando, em uma comunidade biológica, há diversas espécies ecologicamente similares (alto grau de sobreposição de nicho, usando termos técnicos), diz-se que há redundância funcional. Isto significa que se uma espécie desaparecer, sua função ecológica não estará perdida, pois há outros organismos que podem desempenhar esta função. Redundância funcional indica a existência de filtros ambientais, ou seja, as espécies são similares porque o ambiente seleciona as espécies com características que possam sobreviver em suas condições ambientais.

O contrário (baixa ou nenhuma redundância) também pode acontecer. Normalmente, isso acontece por causa da competição entre as espécies, o que tende a torná-las mais diferentes entre si no uso de recursos. Consequentemente, nesses casos, a diversidade funcional é maior que a esperada ao acaso.

Existem diferentes formas de quantificar a diversidade funcional. Uma delas é o uso de grupos. Ou seja, as espécies são divididas em grupos de espécies que tem uma função similar no ecossistema. Outra forma é o uso de índices, que são um valor numérico obtido a partir dos valores dos atributos funcionais das espécies. Este valor dos índices pode ser usado em análises estatísticas, para comparar diferentes comunidades.

E você, tem algum interesse sobre a diversidade funcional? Se tiver fale com a gente! Deixe seus comentários!

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Responses

  1. Olá. Achei muito interessante a diversidade funcional e filogenética. E estou muito interessado em ampliar os meus conhecimentos nessa vertente da diversidade funcional e filogenética.

    E gostaria de ter alguns artigos para melhor entender.

    • Olá. Tem diversos trabalhos explorando diversos aspectos da diversidade funcional, e cada vez mais artigos são publicados. Selecionei abaixo alguns artigos publicados nos últimos anos que podem ser interessantes para quem está começando a aprender sobre o tema.

      Díaz, S., Cabido, M., 2001: Vive la différence : plant functional diversity matters to ecosystem processes. – Trends Ecol. Evol. 16: 646–655.
      Petchey, O.L., Gaston, K.J., 2002: Functional diversity (FD), species richness and community composition. – Ecol. Lett. 5: 402–411. doi:10.1046/j.1461-0248.2002.00339.x
      Mason, N., Mouillot, D., Lee, W., Wilson, J., 2005: Functional richness, functional evenness and functional divergence: the primary components of functional diversity. – Oikos 1: 112–118.
      McGill, B.J., Enquist, B.J., Weiher, E., Westoby, M., 2006: Rebuilding community ecology from functional traits. – Trends Ecol. Evol. 21: 178–85. doi:10.1016/j.tree.2006.02.002
      Petchey, O.L., Gaston, K.J., 2006: Functional diversity: back to basics and looking forward. – Ecol. Lett. 9: 741–58. doi:10.1111/j.1461-0248.2006.00924.x
      Violle, C., Navas, M.-L., Vile, D., Kazakou, E., Fortunel, C., Hummel, I., Garnier, E., 2007: Let the concept of trait be functional! – Oikos 116: 882–892. doi:10.1111/j.2007.0030-1299.15559.x
      Villéger, S., Mason, N.W.H., Mouillot, D., 2008: New multidimensional functional diversity indices for a multifaceted framework in functional ecology. – Ecology 89: 2290–2301.
      Mouchet, M.A., Villéger, S., Mason, N.W.H., Mouillot, D., 2010: Functional diversity measures: an overview of their redundancy and their ability to discriminate community assembly rules. – Funct. Ecol. 24: 867–876. doi:10.1111/j.1365-2435.2010.01695.x
      Chleuter, D.S., Aufresne, M.D., Assol, F.M., 2010: A user ’ s guide to functional diversity indices. – Ecol. Monogr. 80: 469–484.
      Cadotte, M.W., Carscadden, K., Mirotchnick, N., 2011: Beyond species: functional diversity and the maintenance of ecological processes and services. – J. Appl. Ecol. 1079–1087. doi:10.1111/j.1365-2664.2011.02048.x
      Rosado, B., Dias, A., Mattos, E. de, 2013: Going Back to Basics: Importance of Ecophysiology when Choosing Functional Traits for Studying Communities and Ecosystems. – Nat. Conserv. 11: 15–22.
      Mouillot, D., Graham, N. a J., Villéger, S., Mason, N.W.H., Bellwood, D.R., 2013: A functional approach reveals community responses to disturbances. – Trends Ecol. Evol. 28: 167–177. doi:10.1016/j.tree.2012.10.004
      Mason, N.W.H., De Bello, F., 2013: Functional diversity: A tool for answering challenging ecological questions. – J. Veg. Sci. 24: 777–780. doi:10.1111/jvs.12097
      Laureto, L.M.O., Cianciaruso, M.V., Samia, D.S.M., 2015: Functional diversity: An overview of its history and applicability. – Nat. e Conserv. 13: 112–116. doi:10.1016/j.ncon.2015.11.001

      Espero ter ajudado!

  2. Estou começando a ler sobre o assunto, mas ainda tenho diversas dúvidas relacionadas ao conceito, bem como distinguir e interpretar os diversos índices. Teriam algum artigo que possa me auxiliar no entendimento desses assuntos?

  3. […] outra abordagem, que tem sido usada cada vez mais, é a diversidade funcional. Ela considera diferentes características de cada espécie que possam afetar a forma como seus […]

  4. […] “Tópicos em diversidade funcional: entendendo o funcionamento dos ecossistemas a partir de um…, ministrado pelos alunos de mestrado Rayanne Setubal e Elder […]

  5. Eu acho que a questão da diversidade funcional merece um debate muito extenso. Por exemplo: Alta diversidade funcional é necessariamente fruto de competição passada? Existe relação entre diversidade funcional e diversidade filogenética? Qual é o tipo desta relação? Positiva ou inversa? E esses índices, qual é a especificidade deles? Podemos aplicar aos indivíduos? Como os calculamos? Eles devem ser calculados a priori ou a posteriori a partir da análise do funcionamento do ecossistema? Muitas perguntas legais para serem abordadas nesta temática…muito profícua com certeza pois os caras mais produtivos da Ecologia mundial trabalham exatamente com isso. Temos que explorar mais essas questões!


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