Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 24 de outubro de 2013

Ecossistemas aquáticos continentais e sociedade

*Esta é uma contribuição dos alunos da disciplina ‘Ecologia de Águas Doces’, disciplina oferecida pelo professor Francisco de Assis Esteves para os alunos de Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Por se tratar de um recurso essencial à vida, a água doce sempre condicionou a dinâmica populacional dos seres humanos. Desde a pré-história, a busca por água potável influenciou as migrações humanas devido aos problemas relacionados ao estoque e transporte deste recurso.

Após a Revolução Neolítica, a água passou a desempenhar papel fundamental na escolha dos locais designados aos assentamentos humanos. Outros fatores secundários foram a geografia, o clima e a acessibilidade destes locais, que deveriam propiciar abrigo seguro às populações.

Entretanto, com o crescimento desordenado das cidades, o conflito entre o consumo de água e o uso de rios como corpo receptor de efluentes acabou por desencadear a degradação dos ambientes aquáticos e da qualidade de vida nas cidades.

Com isso, os movimentos higienistas ganharam força, sustentados por epidemias de cólera e outras doenças. Nesse contexto, o barão Haussmann, prefeito parisiense de 1853 a 1870, promoveu uma renovação da cidade, com o alargamento das ruas, retificação de rios e criação de redes de água e esgoto. No entanto, suas reformas proporcionaram a periferização da pobreza com uma forte valorização fundiária do centro, gerando alto custo social. Apoiado nos mesmos princípios, o prefeito Pereira Passos promoveu semelhantes transformações no Rio de Janeiro, desencadeando conflitos no uso do solo e, consequentemente, da água.

É interessante observamos como a água é usada no Brasil e no mundo antes de discutirmos os conflitos entre os diferentes atores sociais que fazem uso deste recurso. No Brasil cerca de 81% da água é utilizada no setor de agricultura ou para saciar a sede de animais, enquanto o consumo doméstico (urbano e rural) somam 12% e a indústria conta apenas com 7%. No mundo, o gasto com a agropecuária atinge valores de 69% e em países em desenvolvimento este valor é em média 80%.

Podemos classificar os problemas relacionados à disputa da água em três níveis. São elas: conflitos quanto à destinação de uso, isto é, quando os recursos hídricos de uma mesma região são utilizados de diferentes formas por diferentes setores. Um exemplo é o histórico embate entre pescadores e produtores de cana-de-açúcar em Campos de Goytacazes.

Outra forma de conflito é quanto à disponibilidade qualitativa, ou seja, quando o mau uso da água por uma parcela da sociedade afeta de forma negativa, direta ou indiretamente outras parcelas. Um exemplo seriam as florações de cianobactérias, estimuladas pela eutrofização artificial, e que podem resultar na produção de toxinas que podem contaminar o meio e o homem.

Por fim, há conflitos de disponibilidade quantitativa da água, isto é, quando setores altamente dependentes dos recursos hídricos têm problemas em manejar uma quantidade escassa destes recursos. Isto pode ser observado em regiões áridas e semi-áridas do mundo, como nas disputas entre Israel e a Jordânia pelo controle das nascentes que abastecem os dois países.

Como consequência do baixo aproveitamento, uso sem regulação e desperdício da água, além da falta de preocupação com a questão ambiental, uma série de impactos ambientais e sociais tem assolando a sociedade moderna com maior intensidade.

Poluição por esgoto domésticos e efluentes químicos são os principais problemas por limitarem a quantidade de água em condições de uso disponível e degradar o meio ambiente. A retificação de rios – para uso das terras marginais e diminuir o tempo de navegação – e a contrução de barragens – para usinas hidrelétricas – são também problemas sérios, pois mudam o curso e a velocidade da correnteza. A retenção das águas de um rio pode alterar completamente o ecossistema de um local, prejudicando populações animais matar animais, e resultando no remanejamento de pessoas que moram no local.

Alternativas e possíveis soluções podem e devem ser incentivadas como o reuso da água de chuveiros, pias e máquinas de lavar e captação da água da chuva para uso doméstico, por exemplo. A tentativa de mudança de hábitos e pensamentos da população, através da educação ambiental, também é uma forma de mudar esse quadro. Todos esses projetos tendem a direcionar a sociedade no caminho do ecodesenvolvimento consciente, e da importância dos recursos hídricos.

Contribuição feita por:

Alexa Alves (alexalves.bio@gmail.com)

Deyvid Peres (deyvidperess@gmail.com)

Miguel Bustamante (mg_bustamante@poli.ufrj.br)

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