Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 14 de novembro de 2013

Encontro entre a universidade e a gestão ambiental pública na escola

por Erica Steagall e Kelly Vidal
GPEAEC – Grupo de Estudos em Educação Ambiental e Ensino de Ciências

A APA do Sana é uma unidade de conservação de uso sustentável localizada na região serrana de Macaé. Sua criação como unidade de conservação data de 2001, resultado da confluência da pressão popular da comunidade residente, vontade política, e o aporte de verbas advindas do licenciamento ambiental de uma unidade termelétrica em instalação na região de Macaé naquela época.  A localidade tem entre seus moradores nativos oriundos da colonização europeia advindos de Nova Friburgo, no século XIX e de residentes vindos das grandes cidades preocupados com a qualidade de vida local e preservação ambiental.

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A localidade do Sana enfrenta como principais questões ambientais as ocupações nas margens do Rio Sana e seus afluentes, a falta de saneamento e o turismo desordenado apenas para citar alguns dos inúmeros problemas ali recorrentes.

Um dos desafios da gestão ambiental pública está na rejeição da comunidade do Sana à implantação e funcionamento da estação de tratamento de esgoto (ETE Sana) e o conhecimento acerca de seu funcionamento.

Com o pequeno grupo de estudos do qual fazemos parte pensamos em uma dinâmica para os alunos de uma escola do Sana no intuito de aproximar os conhecimentos da universidade da gestão ambiental publica através do trabalho na Empresa Publica Municipal de Saneamento de Macaé – ESANE, detentora da gestão da ETE Sana.

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Na busca por materiais para uma aula/palestra para os alunos do 9º ano da Escola Municipal que demonstrasse principalmente os impactos da presença humana nos ambientes naturais do Sana, utilizamos uma dinâmica proposta no caderno de Vivências em Ecologia, contribuições à pratica docente, atividades com professores desenvolvidas durante os 26 anos do Projeto Ecolagoas em Macaé.

A sugestão foi utilizarmos material já disponível denominado LAGOINHA, desenvolvido durante as dinâmicas do curso de Vivencias. O desafio era convencer a turma da escola a se transportar para aquele local imaginário fazendo as conexões com sua realidade local o Sana, seus rios e suas matas.

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Fomos recebidas na escola pelo diretor e pela turma do 9º ano além do professor de português que acompanhava o grupo. A primeira impressão é a que fica: um grupo de jovens barulhentos, alegres, porem serenos e até que interessados na proposta que iríamos apresentar. Iniciado o jogo de colocar com palitos as características ambientais bióticas na lagoinha falamos da presença do homem naquele local e das modificações que ele causa ao adentrar um ambiente natural. Eles foram se interessando e discutindo e ao falarmos sobre uma estação de tratamento de esgoto para a região da lagoinha eles imediatamente reagiram negativamente falando que isso não funciona e que seria muito melhor terem o tratamento somente por fossas em suas próprias casas.

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A reação dos jovens é a mesma de parte da população moradora do Arraial do Sana, pequeno núcleo urbano, mais densamente ocupado por casas, pousadas, restaurantes, posto de saúde, escolas e comércios diversos. Como percebemos na sala de aula as informações que os alunos têm são em parte equivocadas sobre a eficiência da estação e em parte verdadeiras sobre o fato da mesma parar de funcionar vez por outra por falta de equipamentos e manutenção adequada. O uso do material da Lagoinha nos auxiliou a dirimir estas falsas impressões e a esclarecer os alunos sobre a importância do saneamento em aglomerações urbanas e a dinâmica de cada aluno em se levantar e ir até a lagoinha colocar uma construção e ter que retirar algum elemento natural faz com que aos poucos os discursos se modifiquem e a rejeição a ETE embora ainda muito presente vá se tornando menor diante da percepção de sua necessidade naquele local de aglomeração urbana.

Ações como esta de troca entre os saberes dos alunos, da empresa pública de saneamento e a universidade podem contribuir para o esclarecimento quanto a presença humana nos ambientes naturais e desmistificar imagens equivocadas de uma natureza intocada e preservada em seu estado original.

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Responses

  1. Da próxima vez quero ir também! E proponho que façamos a atividade do riozinho, que se parece com a da lagoinha e talvez permita explorar outros aspectos que também interessam à questão do saneamento do Sana. Parabéns!


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