Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 21 de novembro de 2013

Aquecimento global: Impactos nos ambientes aquáticos

*Esta é uma contribuição dos alunos da disciplina ‘Ecologia de Águas Doces’, disciplina oferecida pelo professor Francisco de Assis Esteves para os alunos de Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O clima de uma região é definido como o conjunto de fenômenos meteorológicos ocorrendo na atmosfera ao longo do tempo. Atualmente estão ocorrendo mudanças climáticas globais, que tem impulsionado pesquisas à cerca do efeito do clima sobre os ecossistemas. Duas visões distintas permeiam os principais debates: A visão de que as ações antrópicas contribuem para o aumento das emissões de gases estufa na atmosfera e consequente aquecimento do planeta; e de que o aquecimento global é parte de um processo natural cíclico da Terra. Além disso, existe uma vertente de pensamento que acredita no aumento da temperatura média do planeta como indicador do início de uma nova Era Glacial.

Muitos estudos indicam que este aquecimento está causando efeitos negativos, como o desgelo das calotas polares e geleiras continentais, aumento do nível do mar, alterações nas correntes marítimas, maiores taxas de evaporação e precipitação, secas e tempestades mais intensas, perda de biodiversidade, dentre outros. É sabido também que estes efeitos influenciam a dinâmica das comunidades biológicas podendo levar a ruptura de algumas interações ecológicas importantes. Tais interações, em estado natural, ajudariam a manter o bom funcionamento dos ecossistemas, porém o comprometimento das mesmas atua levando à instabilidade destes.

Em se tratando de águas continentais (lagos, lagoas, rios, banhados, etc.) observamos que estas respondem ao aumento da temperatura seguindo certos padrões. Estudos têm demonstrado que o aumento da temperatura leva à diminuição da concentração de oxigênio dissolvido, causando mortandade de diversos organismos aquáticos e eutrofização, com a proliferação de algas – em sua maioria cianofíceas, algumas das quais produzem toxinas nocivas à saúde humana e ao próprio sistema. Em estudo realizado no lago Balaton, Hungria, após programa de restauração com redução significativa da carga de fósforo, ocorreu um bloom de uma espécie potencialmente tóxica de cianofícea, pois esta se beneficiou da temperatura elevada e da reduzida carga de fósforo que conseguia captar no sedimento. Naturalmente esta espécie só floresce em anos excepcionalmente quentes, os quais tornam-se mais comuns em um cenário de aquecimento global.

Com a degradação dos corpos hídricos há um aumento dos conflitos pelo uso da água, uma vez que apenas 0,7% de toda a água do planeta pode ser utilizada para consumo humano e esta não está disponível da mesma forma para todos. Ainda assim, muitos continuam pensando que a água é um recurso infinito, especialmente em lugares onde ela é abundante, como no Brasil (que sozinho pode conter até 16% de toda a água doce disponível no mundo). Com o atual estado de degradação dos corpos hídricos, talvez já seja hora de encararmos a disponibilidade de água como algo finito. Algumas medidas podem ser tomadas para contornar o problema, as quais deveriam envolver a implementação de mais redes de tratamento eficazes e mais investimentos para desenvolvimento de novas tecnologias para tratamento, fiscalização rigorosa do descarte de efluentes e do uso racional da água e restauração de áreas já degradadas devido ao mau uso no passado.

Contribuição feita por:

Jéssica Ribeiro Alves (jessicaribalves@gmail.com)

Thiago Fonseca de Barros (tod_barros@yahoo.com.br)

Verônica Amado Reis (veronicaaereis@gmail.com)

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