Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 5 de dezembro de 2013

O outro lado da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – Impressões de uma monitora

A Semana Nacional de Ciências e Tecnologia, que ocorreu entre os dias 21 e 25 de outubro, teve como tema o “Corpo em foco: a ciência e a ressignificação do ser” e buscou integrar diferentes campos do saber em projetos de extensão elaborados por estudantes da UFRJ.

O laboratório de Limnologia da UFRJ, com a atividade “Caminhos das águas”, trouxe o tema água em suas diferentes perspectivas, partindo do pressuposto de que a água é elemento essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos. O objetivo do trabalho foi divulgar a ciência limnológica utilizando atividades práticas e lúdicas. Buscamos também explorar diferentes sentidos como paladar, tato, visão e audição para que todos os visitantes pudessem ser contemplados em participar das atividades assim como aprender diferentes assuntos do tema água em torno de conhecimentos nas áreas de saúde, ecologia e gestão ambiental. Além disso, buscamos despertar o pensamento crítico dos visitantes sobre as principais questões que atravessam as discussões mundiais sobre sustentabilidade, uso de recurso, poluição e políticas públicas.

Parafernália científica? Um experimento simples apresentado pelo Laboratório de Limnologia na SNCT.

Parafernália científica? Um experimento simples apresentado pelo Laboratório de Limnologia na SNCT.

A dinâmica partiu de um circuito, no qual os visitantes discutiram em cada ponto a estrutura e propriedades da água, os micro-organismos presentes e temas de promoção à saúde e gestão de águas.

O primeiro ponto abordou a estrutura molecular da água e suas propriedades. Durante esta atividade, os visitantes puderam montar a estrutura molecular da água com jujuba e observar a mudança do estado físico da água a partir de um destilador. A partir dos conhecimentos adquiridos, completaram um quadro com o ciclo da água, entendendo a relação ecológica do ciclo com os seres vivos.

O segundo ponto consistiu na observação dos micro-organismos em lupas e microscópios. Amostras dos organismos foram preparadas previamente e disponibilizadas em lupas e microscópios. O jogo apresentou um dado com os organismos, seguido da observação. Nessa dinâmica, o visitante jogava o dado e deveria achar o micro-organismo com o auxílio do monitor. O objetivo desta atividade era trabalhar conhecimentos científicos como morfologia e taxonomia, além de permitir que os visitantes pudessem ter contato com instrumentos de pesquisa, comumente encontrados nas universidades.

A terceira e última atividade abordava a temática de promoção à saúde e gestão de águas a partir da exploração dos sentidos, onde o visitante deveria adivinhar que objeto estava dentro da caixa e o monitor abordava curiosidades em relação ao consumo de água para a fabricação do objeto. A última atividade dessa etapa era um jogo da memória, composto por figuras que representavam diferentes temas relacionados à água como saúde, lazer, doenças, hidratação, higiene, poluição, uso de recursos e gestão de políticas públicas.

A dinâmica elaborada nesse trabalho permitiu que o visitante pudesse perceber a água nas suas diferentes formas, desde a molecular até sua importância socioambiental, aprendendo um pouco mais sobre a estrutura da água e suas propriedades e conhecendo como esse recurso é utilizado pelo homem. Dessa forma, o individuo percebe que a água é elemento essencial para a vida dos organismos no planeta.

Durante a Semana Nacional de Ciências e Tecnologia, cerca de 2000 alunos passaram pelo stand Caminhos das Águas, sendo a maioria estudantes de escolas públicas. Os visitantes foram bastante receptivos e estavam muito curiosos com as atividades propostas. Como a dinâmica estava organizada na forma de um semicírculo, chegavam alunos de todas as partes da feira, atraídos, principalmente, pelas jujubas, pelo destilador, pelos microscópios e pelas caixas de adivinhação. Foi notório observar o interesse em querer manipular os microscópios e lupas para poder observar os micro-organismos, uma vez que tais instrumentos não fazem parte da rotina desses alunos. Isso ocorre porque “a escola não os possui ou porque faltam técnicos para manipulá-los”, nas palavras de uma professora que conversou um pouco com os monitores.

Um dos momentos de maior contemplação foi à chegada de um grupo de estudantes surdos. Como já dito, o objetivo do trabalho era explorar os 5 sentidos e por conta disto, as atividades não foram prejudicadas e os visitantes puderam participar de toda a dinâmica com o auxílio de uma tradutora. Foi muito gratificante perceber que não existem fronteiras para o conhecimento e que o aprendizado é uma via de mão dupla, onde não só o aluno aprende, mas também ensina muito ao professor.

Sem dúvidas foi muito prazeroso entrar em contato com esses estudantes e poder transmitir um pouco do conhecimento que adquirimos na faculdade, principalmente acerca de uma questão socioambiental, como a água, que norteia discussões em todo o mundo. A experiência adquirida na SNCT marcará nossa trajetória como professores ou pesquisadores e servirá como lição para que possamos melhorar nossas atividades a cada ano e poder despertar nos visitantes o pensamento crítico acerca de um dos nossos maiores bens: a água.

Contudo, o projeto de extensão tem como um dos objetivos aproximar o que é produzido na universidade com a escola. A participação em projetos como esse só enriquece nossa formação acadêmica como docente, pois possibilita que possamos lidar com diferentes públicos, de diferentes idades e que tracemos diferentes estratégias didáticas para alçar os diferentes perfis escolares, contemplando também os alunos com deficiência.

Por Bianca Miceli, estudante de graduação, programa de Iniciação à Extensão Universitária

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Responses

  1. Bianca,
    excelente texto. Partilho das suas colocações e embora tenha estado apenas um dia lá, o que observei me deixou muito satisfeito com o que foi desenvolvido. Demos, enquanto laboratório de limnologia, um grande salto qualitativo na nossa compreensão e prática da ciência. Proponho que criemos alguma oportunidade do grupo conversar sobre esta experiência.


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