Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 9 de janeiro de 2014

Lago Batata em franca recuperação

Parceria da MRN com pesquisadores tem resultados positivos na recuperação de ecossistemas aquáticos.

O trabalho de recuperação dos ecossistemas aquáticos na área do Lago Batata, na região oeste do Pará, no rio Trombetas, mostra resultados cada vez mais positivos, indicativos do sucesso de uma parceria firmada pela Mineração Rio do Norte com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Os dados coletados mostram que o ecossistema aquático, que sofreu impactos com o lançamento do rejeito da bauxita no início das operações de mineração, quando a legislação ambiental da época ainda permitia,  tem tido um incremento bastante acentuado e acelerado de matéria orgânica. O lago já apresenta algumas estruturas de metabolismo, comunidades de microrganismos, comunidades de outros invertebrados que usam essa área como zona de reprodução e alimentação. A informação é animadora para a empresa e para os pesquisadores, já que é resultado de um trabalho de recuperação iniciado em 1987, muito antes das exigências legais.

Os pesquisadores constataram que não só a matéria orgânica estava reestabelecida sobre a camada estéril, como o nível de transparência da água está cada vez maior. Quanto mais transparente for a água, maior será a incidência de luz solar, o que dará condições ao processo de fotossíntese e levará ao crescimento na produção dos organismos aquáticos que estão na base da cadeia alimentar, como por exemplo, algas, crustáceos, peixes de pequeno porte como lambaris, entre outros.

“Observamos espécies de zooplânctons, invertebrados, como crustáceos e outros, que se alimentam dessa matéria orgânica e servem de alimento para outros peixes. Observamos também a recuperação da cadeia alimentar do ambiente aquático, o que garante não somente o equilíbrio ecológico, mas também o equilíbrio social, uma vez que essas espécies de peixes fazem parte da cultura alimentar dos ribeirinhos dessa região”, disse o Professor João Leal, do Instituto Federal do Rio de Janeiro.

Os fatos que contribuíram para esse resultado são dois: primeiro o curso das marés, as enchentes do rio permitem a entrada das águas do lago nas áreas de igapó e de lá trazem uma parcela importante de matéria orgânica para esse incremento. O segundo processo é uma intervenção da equipe de pesquisa com o objetivo de melhorar e maximizar essa recuperação da área de igapó através do estímulo do crescimento de arroz, uma planta aquática encontrada na região, em larga escala, tem um crescimento grande, aumenta a produção de matéria orgânica e viabiliza o equilíbrio ecológico.

A qualidade dos peixes do Lago Batata é boa, garantem os pesquisadores. Na atividade de mineração da bauxita não são usados metais pesados ou outros produtos químicos no processo. Na região do Alto Trombetas, independentemente da atividade de mineração, a quantidade de alumínio encontrada nos platôs é relativamente alta e com a grande ocorrência das chuvas, o alumínio é lixiviado, o que em uma linguagem mais popular significa “arrastado” ou “lavado”, espalhando esse material na floresta de forma natural, mas sem prejudicar a cadeia alimentar e o equilíbrio social. “Fazemos pesquisas com as comunidades ribeirinhas para saber que tipo de pescado é consumido por eles ou os que são capturados com maior frequência porque isso vira dado qualitativo para gerar relatórios”, cita João.

A parceria da MRN com as instituições científicas gera benefícios que vão além do equilíbrio ambiental. As comunidades do entorno são envolvidas na realização do projeto, gerando renda, conhecimento e perspectiva. “Às vezes as pessoas das comunidades trabalham conosco dentro do projeto, exemplo disso é quando vamos a campo e temos vários cooperados de comunidades como Boa Vista, Moura, Batata e Sapucuá. Uma ex-aluna da Fundação Vale do Trombetas, que fez pós-graduação em gestão ambiental, entrou em contato comigo por e-mail e me pediu material para ajudar a elaborar o trabalho dela de conclusão de curso. Pra mim foi uma surpresa muito gratificante e importante ver o resultado do estímulo das nossas pesquisas”, diz João Leal.

As pesquisas e monitoramentos serão realizados enquanto durar a mineração de bauxita na região. Outro aspecto importante desse projeto é a formação humana, o Projeto de Limnologia já recebeu alunos de graduação e pós-graduação que hoje atuam como professores nas universidades da região Norte, na Universidade Federal do Pará (UFPA) e na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). O objetivo das pesquisas é gerar informação científica, interagir com as comunidades locais e mitigar os impactos no meio ambiente para que os ecossistemas naturais permaneçam naturais e que seja possível usufruir dos recursos hídricos de forma sustentável.

Histórico

Durante dez anos, o rejeito da bauxita minerada em Porto Trombetas foi depositado no Lago Batata. Esse material, mesmo não sendo tóxico, criou uma camada de sedimento novo no lago, composta por silicato, alumínio, ferro, argila e areia fina. Isso provocou o isolamento do solo natural com o ambiente aquático. A partir dos estudos sobre o isolamento, as pesquisas foram realizadas no intuito de recuperar o lago através de ações corretivas e de monitoramento.

Anúncios

Responses

  1. […] de diferentes rios, nas bacias do Rio Madeira (de águas brancas), Rio Negro (águas pretas) e Rio Trombetas (águas claras). O encontro das águas às vezes ocorria entre rios semelhantes – os dois de […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: