Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 23 de janeiro de 2014

Fragmentação de habitats, biogeografia de ilhas e bromélias-tanque

A importância de processos como a colonização e a extinção local de espécies na estruturação das comunidades biológicas é reconhecida desde o clássico trabalho sobre Biogeografia de Ilhas, publicado por MacArthur & Wilson em 1967.

Recentemente a importância das escalas espaciais e temporais, além de características das próprias espécies sobre os processos de imigração e extinção têm sido debatida pela comunidade científica, dada sua importância em compreender melhor os efeitos da fragmentação de habitats na qual muitos ecossistemas estão inseridos.

É nesse contexto que a agora Dr. Fernanda Dall’Ara Azevedo realizou o seu doutorado. Um dos maiores desafios para tal foi encontrar as ‘ilhas’ e ‘arquipélagos’ adequados para o estudo. Mas por que não utilizar bromélias-tanque? Afinal, elas apresentam uma certa similaridade quanto ao conceito de uma ilha – um habitat cercado por uma matriz inóspita (matriz é como chamamos a porção da paisagem na qual está inserido o habitat de estudo). Ilhas oceânicas são uma porção de terra cercada por água, enquanto bromélias-tanque são habitats aquáticos cercados por terra.

Bromélias podem ser vistas como ilhas: habitats aquáticos circundados por terra. Na foto, os 'arquipélagos' utilizados pela Fernanda.

Bromélias podem ser vistas como ilhas: habitats aquáticos circundados por terra. Na foto, os ‘arquipélagos’ utilizados pela Fernanda.

Mais especificamente, a Fernanda buscou avaliar de que forma mudanças no tamanho dos ‘arquipélagos’ formados por bromélias poderiam ter efeito sobre a colonização de espécies que utilizam este habitat e como isto poderia afetar o funcionamento deste pequeno ecossistema.

Fernanda e Aliny coletando em um dos 'arquipélagos'.

Fernanda e Aliny coletando em um dos ‘arquipélagos’.

Ela observou que características próprias de cada espécie, principalmente aquelas relacionadas a capacidade de movimentação, são muito mais importantes para determinar a composição de espécies em um dado ‘arquipélago’ do que o seu tamanho em si. Estes resultados nos mostram que, por vezes, pensar apenas na integridade do habitat de uma espécie não garante a sua chegada e persistência. É preciso pensar na espécie.

Gostou? Tem alguma dúvida? É só escrever para nós que te respondemos!

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