Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 23 de maio de 2014

Diversidade funcional, lagos amazônicos e zooplâncton

A biodiversidade é um componente muito importante dos ecossistemas. Caracteriza-la e compreender como ela é influenciada pelo ambiente – e como influencia o mesmo – tem sido alvo de diversas pesquisas científicas. Hoje são usados, por exemplo, diversos métodos para medir a biodiversidade, seja simplesmente somando o número total de espécies de determinada comunidade – a riqueza – ou utilizando os chamados índices de diversidade, que levam em consideração não apenas a quantidade total de espécies, mas também a abundância dos indivíduos de cada uma delas. Outra medida ainda seria a diversidade filogenética, que busca avaliar quão diferentes ou similares são as espécies analisadas.

Rotifera

Uma outra abordagem, que tem sido usada cada vez mais, é a diversidade funcional. Ela considera diferentes características de cada espécie que possam afetar a forma como seus indivíduos se relacionam com outras espécies e com seu meio. Algumas características usadas, por exemplo, podem ser o tipo de alimentação, de habitat ou até mesmo de reprodução. Espécies que compartilham características similares podem ser reunidas em grupos funcionais. Um grupo funcional existente em um riacho poderia ser composto por macroinvertebrados bentônicos que vivem em áreas de remanso e são predadores, por exemplo. A caracterização de acordo com grupos funcionais pode ser muito útil, especialmente para entender os efeitos de alterações ambientais sobre a comunidade.

Há diferentes índices de diversidade funcional, como o CWM e o Fdis. Embora tenham sido utilizados com sucesso para vários grupos de organismos aquáticos, como fitoplâncton, há muito ainda em que avançar, especialmente em comunidades menos estudadas sob esta ótica, como o zooplâncton. Este foi o tema da dissertação de mestrado entitulada “Diversidade funcional da comunidade zooplânctonica em um lago de planície de inundação”, defendida pelo aluno Elder Sodré na última terça-feira.

Defesa Dissertação

Este trabalho foi realizado no Lago Batata, localizado na Bacia do Rio Trombetas, no Pará. O Lago Batata recebeu rejeito de bauxita entre os anos de 1979 e 1989, e desde então vem passando por um intenso processo de recuperação. O rejeito pode afetar o zooplâncton de diferentes formas, seja através do aumento da turbidez da água, seja depositando-se no aparelho filtrador de cladóceros e prejudicando sua alimentação. Este efeito pode variar intensamente ao longo do ano, uma vez que o pulso de inundação exerce um efeito significativo na estruturação do lago, assim como ocorre em vários ecossistemas aquáticos amazônicos.

Lago Batata no período de águas altas com Rio Trombetas ao fundo

Lago Batata no período de águas altas com Rio Trombetas ao fundo

Dentre os objetivos da dissertação, buscou-se definir os grupos funcionais para a comunidade zooplanctônica do lago e usar essa abordagem de forma integrada a um índice de diversidade funcional. Além disso, a diversidade funcional foi utilizada como ferramenta para compreender os efeitos do pulso de inundação sobre os organismos zooplanctônicos.

Quer saber mais? Leia a dissertação “Diversidade funcional da comunidade zooplânctonica em um lago de planície de inundação”.

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Responses

  1. […] Diversidade funcional, lagos amazônicos e zooplâncton […]

  2. Onde encontro a dissertação do Élder?


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