Publicado por: thibenevides | 18 de julho de 2014

O tempo da natureza: Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD)

Atualmente a velocidade vem sendo cada vez mais valorizada em nossa vida cotidiana. Computadores mais rápidos, dispositivos eletrônicos que agilizem o nosso dia a dia, pagamentos de contas pela internet e a própria internet são exemplos de tecnologias que nos tornam cada vez mais velozes nos nossos afazeres.  Mas apesar de toda a nossa avidez por velocidade, a natureza não altera o seu curso e nem o seu ritmo.

É nesse contexto, onde muitos processos ambientais ocorrem de forma lenta e gradativa, em que se inserem muitas pesquisas científicas, em especial as pesquisas ecológicas. E é por esse motivo que algumas pesquisas desse tipo necessitam de séries históricas de dados e um acompanhamento sistêmico e integrado de variáveis ambientais para que possam ser formuladas hipóteses sobre o funcionamento dos ecossistemas e para que se obtenha uma compreensão sólida sobre a dinâmica dos mesmos. Na verdade, diversos tipos de pesquisa científica necessitam de muito tempo para gerarem resultados consistentes como, por exemplo, as pesquisas relacionadas com a busca de fármacos para determinadas doenças. Mas no momento, vamos falar apenas das pesquisas ecológicas de longa duração.

Ainda que o termo “Pesquisa Ecológica de Longa Duração” (PELD) e sua definição possa gerar muita discussão, como levantado por Barbosa (2013), existe algum consenso em aceitar como “longa duração” estudos onde as respostas para determinados processos no ambiente somente sejam percebidas em período  maior que 10 anos.

Pesquisas Ecológicas de Longa Duração

 Com base na percepção de que muitas respostas em relação a processos ecológicos só poderiam ser obtidas em pesquisas de “longa duração” foi que, em meados da década de 1990, surge no Fórum Nacional de Coordenadores de Cursos de Pós-Graduação em Ecologia a proposta de criação do “Programa Integrado de Ecologia” (PIE). Esse programa foi submetido ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aprovado no ano de 1998. O PIE contava em estrutura com dois subprogramas: “Capacitação e Pesquisa”, que visava a elaboração de síntese dos avanços nas pesquisas ecológicas de curta duração; e o “Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração” (PELD) (BARBOSA, 2013).

Atualmente o PELD possui 36 sítios de pesquisas, ou seja, áreas representativas de ecossistemas brasileiros nos quais são realizadas as pesquisas de longa duração. De forma mais específica, o sítio 5 do PELD, corresponde ao PELD das Restingas e Lagoas Costeiras do Norte Fluminense (RLAC) e é nesse sítio onde atua o Laboratório de Limnologia – UFRJ, realizando pesquisas nas lagoas costeiras do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.

Embora as atividades no Sítio 5 tenha tido seu início formal no ano 2000, a região já contava com um histórico de cerca de três décadas de pesquisa científica, principalmente nos campos da Limnologia e da Ecologia Vegetal (SCARANO; ESTEVES, 2013). Mas como o nosso assunto aqui é água, vamos olhar o PELD de dentro das lagoas costeiras da região norte fluminense, onde um dos objetivos do PELD neste sítio é o entendimento da relação entre o ciclo hidrológico e os fluxos, transformações e estocagem de carbono nos ambientes lacustres.

Mapa de sítios do PELD no Brasil

Uma série de dissertações, teses e artigos científicos foram produzidos no contexto do estudo do elemento carbono (C) e sua dinâmica nas lagoas costeiras no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (SCARANO; ESTEVES, 2013).

Um dos produtos mais recentes do PELD consiste no estudo realizado pelo mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais e Conservação (PPG-CiAC) do NUPEM (UFRJ), Rodrigo Weber Félix. Nesse estudo Rodrigo buscou compreender a dinâmica da emissão de carbono em duas lagoas costeiras do PARNA da Restinga de Jurubatiba. Para isso o mestrando investigou a emissão de metano (CH4) e de dióxido de carbono (CO2) nestas lagoas.

Como continuidade dessa investigação se insere o meu projeto de doutorado, o qual consiste em uma tentativa de avaliar todas as entradas e saídas de carbono de uma lagoa costeira do PARNA da Restinga de Jurubatiba. Dessa forma pretendo estimar o balanço de carbono em uma lagoa costeira e responder a seguinte questão: lagoas costeiras funcionam como sumidouros ou fontes de carbono para a atmosfera?

Ciclo do carbono em lagos

Algumas vias de entrada, saída e processamento de carbono em lagos e lagoas costeiras. Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2011/01/lagos-e-rios-no-ciclo-de-carbono

E aí? Ficou curioso(a) para saber mais sobre projetos ecológicos de longa duração no Brasil? Consulte o livro “PELD-CNPq: dez anos do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração no Brasil: Achados, Lições e Perspectivas”. Ansioso(a) por saber mais sobre a dinâmica do carbono nas lagoas costeiras do norte fluminense? Acompanhe as publicações do nosso blog!

Grande abraço a tod@s!

Para saber mais:

BARBOSA, F.A.R. Uma breve história do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD-CNPq) do Brasil: da semente ao fruto. In: Tabarelli, M.; Rocha, C.F.D. da; Romanowski, H.P.; Rocha, O.; Lacerda, L.D. de (Ed.). PELD-CNPq: dez anos do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração no Brasil: Achados, Lições e Perspectivas. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2013. p. 13-29.  
 
SCARANO, F.R.; ESTEVES, F. de A. Restingas e Lagoas Costeiras do Norte Fluminense. In: Tabarelli, M.; Rocha, C.F.D. da; Romanowski, H.P.; Rocha, O.; Lacerda, L.D. de (Ed.). PELD-CNPq: dez anos do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração no Brasil: Achados, Lições e Perspectivas. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2013. p. 115-147.  
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