Publicado por: mgbelarmino | 11 de setembro de 2014

O papel dos ambientes aquáticos litorâneos no sequestro de carbono

Você com certeza já deve ter ouvido falar em sequestro de carbono. Entretanto, pouco se houve falar sobre o papel dos ecossistemas aquáticos litorâneos nesse processo? Sendo assim, é sobre esse tema que iremos discutir um pouco nesta postagem.

O conceito de sequestro de carbono foi consagrado pela Conferência de Kyoto, em 1997, com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, visando à diminuição do efeito estufa antrópico. O sequestro de carbono refere-se a processos de absorção e armazenamento de CO2 atmosférico, com intenção de minimizar seus impactos no ambiente, já que se trata de um gás de efeito estufa. A partir desta ideia, uma variedade de meios artificiais de captura e de sequestro do carbono, assim como processos naturais vem sendo estudados e explorados para mitigar o aquecimento global.

As plantas em crescimento prestam um serviço de captura e fixação de carbono nos componentes da sua biomassa. Esse processo de sequestro de carbono pode ser considerado como uma forma de mitigação das mudanças climáticas. Assim, a quantificação do carbono orgânico presente nas plantas é importante, uma vez que, durante a permanência destas, existe uma grande quantidade de carbono fixado que deixa de estar presente na atmosfera. Por esse fato, torna-se importante o conhecimento sobre o potencial das plantas, inclusive o das plantas aquáticas, de armazenar carbono, uma vez que, a partir dessas informações, podem ser elaborados projetos visando à mitigação das mudanças climáticas e à comercialização de créditos de carbono.

Os ambientes aquáticos costeiros estão entre os ecossistemas mais produtivos do planeta, com taxas de produção primárias (fixação de carbono) semelhantes aos dos estuários e, em alguns casos, maiores que da floresta tropical úmida. Isto se deve principalmente ao fato destes ambientes ser rasos com uma extensa região litorânea que propiciam a ocorrência de elevadas densidades de plantas aquáticas, principalmente as emersas. Além disso, nos sistemas lênticos das regiões tropicais, frequentemente as macrófitas aquáticas encontram condições favoráveis para o desenvolvimento o ano todo, o que lhes assegura elevadas taxas de incorporação de carbono.

Lagoa Jurubatiba, Macaé, Rio de Janeiro, Brasil (foto de Rômulo Campos)

Lagoa Jurubatiba, Macaé, Rio de Janeiro, Brasil (foto de Rômulo Campos)

Existem muitos estudos sobre o sequestro de carbono pelas espécies vegetais florestais, porém são quase inexistentes estudos que investiguem o papel da vegetação dos ambientes aquáticos no sequestro de carbono. Deste modo, devido à alta produtividade dos sistemas costeiros, a alta capacidade de estocar carbono e a ampla distribuição geográfica das macrófitas aquáticas que crescem nestes ambientes, compreender e quantificar o sequestro de carbono proveniente destas plantas é de primordial importância frente às mudanças climáticas globais provocadas pelo excesso da emissão de gases de efeito estufa.

Outra questão importante que devemos considerar é sobre a quantificação do carbono estocado nos ecossistemas. Esse é um tema que tem recebido grande atenção, pois é fundamental para desenvolver estratégias de combate ao Aquecimento Global. Para a quantificação de carbono, a variável biomassa deve ser determinada e estimada de forma fidedigna, caso contrário não haverá consistência na quantificação do carbono fixado nos ecossistemas. O conhecimento dos reais teores de carbono de um bioma é um dos pontos-chave na elaboração de projetos ambientais voltados ao sequestro de carbono. Geralmente é adotado um valor fixo, de 50%, o que pode induzir graves erros de estimativas, pois o valor de carbono fixado varia entre as espécies e entre as condições ambientais que as espécies se encontram. Os trabalhos que existem sobre o teor de carbono das plantas aquáticas têm indicado que estas também poderiam ser utilizadas como espécies modelo para sequestro de carbono, do mesmo modo que as espécies lenhosas terrestres. Portanto, as espécies vegetais aquáticas por muito tempo desconsideradas nos projetos de sequestro de carbono devem ter seu devido reconhecimento neste contexto. Além disso, os ambientes aquáticos costeiros negligenciados nas estimativas globais de estoque e sequestro de carbono devem também ser levados em consideração.

Desse modo, a partir dessas indagações, o laboratório de limnologia tem desenvolvido desde 2011 estudos que procuram avaliar o sequestro de carbono de plantas aquáticas em lagoas costeiras da cidade na Macaé, Rio de Janeiro, Brasil. O objetivo principal destes estudos é quantificar o sequestro de carbono promovido pela espécie Typha domingensis Pers. com a finalidade de obtenção de dados que possam embasar o uso desta espécie de planta aquática como modelo para projetos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. Até o momento já foi produzida uma dissertação de mestrado e outra se encontra em andamento. Os resultados desses estudos serão temas de futuras postagens.

Entre em contato: Maycon Granados Belarmino – mgbelarmino@gmail.com

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