Publicado por: mgbelarmino | 19 de fevereiro de 2015

Visita técnica do Laboratório de Limnologia à ETE do Mutum em Macaé

No dia 21 de janeiro de 2015 o Laboratório de Limnologia realizou uma visita técnica à Estação de Tratamento de Esgoto do Mutum, em Macaé.  A visita técnica se iniciou às 9h, onde alguns alunos de iniciação científica e de pós-graduação do Laboratório de Limnologia puderam conhecer todas as etapas do tratamento de efluentes operadas pela ETE.  Inicialmente ao percurso pelas instalações foi explicado o processo de sua criação da ETE, seu funcionamento e algumas normas gerais de segurança. Durante a visita os alunos foram acompanhados pelo biólogo Eduardo Soares que explicou todos os processos envolvidos no tratamento de esgoto durante a andança pelos módulos de tratamento. Ele foi extremamente solicito e atendeu a todas as perguntas e comentários dos alunos.

Featured image

Alunos de iniciação científica e de pós-graduação em visita à ETE do Mutum.

A ETE do Mutum é localizada na Rodovia Amaral Peixoto, na Fazenda Mutum, fazendo parte do Subsistema Mutum, um dos quatro grandes subsistemas em que foi dividido o município de Macaé, visando o tratamento do esgoto. Esses subsistemas são Mutum, Centro, Aeroporto e Lagomar e atendem à meta de universalização da captação e tratamento do esgoto da cidade. Por enquanto, apenas o subsistema Mutum está em operação. Ele vem sendo operado pela empresa Odebrecht Ambiental através de uma Parceria Público Privada firmada com a Esane (Empresa Pública Municipal de Saneamento) e a Prefeitura de Macaé. A ETE do Mutum atualmente é responsável pelo tratamento do esgoto dos bairros Mirante da Lagoa, São Marcos, Morada das Garças, Praia do Pecado, Jardim Guanabara e Vale dos Cristais.  Os efluentes destes bairros eram lançados anteriormente in natura na Lagoa de Imboassica o que contribuiu por muitos anos para o seu avançado estado de degradação ambiental.

A estação do Mutum é composta pelos módulos de tratamento de efluentes e um prédio que abriga a área administrativa, a sala de controle da estação, sala de reuniões, banheiros e um laboratório para análise do efluente. O efluente que passa pela ETE recebe tratamento terciário e segundo o biólogo Eduardo Soares, a capacidade da ETE do Mutum é de 40 litros/segundo com uma eficiência de tratamento superior a 90%.

Durante a visita técnica toda a planta operacional da ETE foi visitada. A visita começou pelo pré-tratamento composto por um sistema de gradeamento que retém partículas sólidas que vem junto com o esgoto. Depois o efluente passa pelo tratamento primário composto por caixas de areias e separadores de óleos e gorduras. A partir daí, o efluente é bombeado para o tanque principal onde começa o tratamento secundário composto de uma fase anaeróbica e outra aeróbica. Nesta etapa, a maior parte da matéria orgânica é eliminada, assim como quantidades consideráveis de compostos nitrogenados e fosfatados. No processo terciário, o esgoto recebe raios ultravioletas, eliminando todos os agentes patogênicos. Em seguida o líquido vai para um canal que desemboca na Lagoa de Imboassica.

Featured image

Vista à etapa de pré-tratamento.

Featured image

Alunos ouvindo as explicações do biólogo Eduardo Novaes sobre os processos que ocorrem durante a fase anaeróbica e aeróbica do tratamento.

Os alunos também visitaram a sala de controle e o laboratório de análise de efluentes. No laboratório a responsável técnica explicou as principais análises e métodos utilizados. A visita técnica se mostrou muito produtiva e foi um importante passo no estreitamento de laços entre o Laboratório de Limnologia e a Odebrecht Ambiental, responsável pela operação do tratamento de esgoto de todo o município de Macaé. Segundo o aluno de pós-graduação Rodrigo Felix a experiência foi ótima. “Solucionamos parte das dúvidas que tínhamos em relação ao delineamento do projeto de mestrado de um dos alunos do laboratório;  trocamos contatos e informações importantes sobre o acesso aos dados de monitoramento ambiental da empresa; e também sobre a localização do ponto de análise de água que a empresa faz ao longo do canal artificial que desemboca na Lagoa de Imboassica.”  “Essas informações somadas aos nossos dados de monitoramento e parte das pesquisas que o Laboratório de Limnologia faz podem apontar estratégias de mitigação dos impactos provocados pelo lançamento de efluentes não tratados durante muitos anos na Lagoa”, completa Mariana Huguet.

Featured image

Os alunos puderam observar como o efluente sai após o tratamento.

Segundo a empresa que opera a ETE do Mutum, com a captação e o tratamento do esgoto das comunidades situadas próximas à Lagoa de Imboassica, Macaé dá um importante passo na despoluição desse importante manancial. Com o funcionamento da ETE do Mutum, menos esgoto in natura vai deixar de ser lançado na Lagoa de Imboassica, avançando no processo de sua recuperação.  A aluna Maria Silvina Bevilacqua  lembrou ainda que “a população do entorno tem grande responsabilidade nesse processo ao ligar seu esgoto residencial no sistema coletor que leva até a ETE evitando seu lançamento direto na Lagoa.”

A Lagoa de Imboassica vem sofrendo com o descaso de governos passados e da própria população chegando a ter por muitos anos suas águas com balneabilidade imprópria. O Laboratório de Limnologia há mais de 20 anos vem monitorando esse manancial e foi testemunha de seu processo de degradação por todos esses anos. Espera-se que a diminuição da entrada de efluentes não tratados aliada aos resultados dos projetos de pesquisa que o Laboratório tem na Lagoa sejam importantes nas estratégias de restauração desse sistema.

Texto de autoria de Maycon Granados Belarmino, contato: mgbelarmino@gmail.com

Anúncios

Responses

  1. Essa visita levanta o ânimo se tratando na busca pela recuperação da lagoa de Imboassica. Falta agora o poder publico municipal fiscalizar as residencias que ainda não se ligaram a rede de esgoto.
    Não adianta nada ter a rede e o tratamento de esgoto funcionando se as casas continuam jogando o esgoto “in natura” em ligações clandestinas na lagoa….

  2. Temos que lembrar sempre que a poluição dos nossos corpos hídricos é o principal responsável pela Crise da Água que o país enfrenta. Tomemos como exemplo São Paulo, uma cidade cortada por dois grandes rios e mesmo assim, vivendo com falta d´água. Assim, entre as estratégias para contornar a crise atual é cuidar e restaurar os nossos mananciais e isso perpassa pelo tratamento do esgoto.

  3. Muito interessante! Divulgação fantástica!!!

  4. Muito interessante a visita! Nesses tempos em que as pessoas se preocupam tanto com a falta de água, não podemos nunca nos esquecer do tratamento da água que já foi usada por nós e virou esgoto.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: