Publicado por: vanessadasilvacordeiro | 30 de abril de 2015

Minha vida como membro do corpo do laboratório de limnologia.

Quando fui convidada para escrever no blog, pensei em descrever as experiências que adquiri ao longo das coletas que participei. Logo pensei na que realizei ao longo da bacia hidrográfica do rio Piabanha, mas pensando bem, achei melhor falar sobre nós. Eu preferi falar sobre o que tenho vivido aqui, como uma parte de um corpo que forma este laboratório. Por isso algumas vezes ao longo deste texto me expressarei no singular quando me referir a minha visão individual e nós quando estiver escrevendo como vejo os membros deste corpo no qual eu faço parte.

A rotina aqui é basicamente a mesma. Estamos sempre buscando respostas para entender o funcionamento dos ecossistemas. Queremos saber por que alguns bichos preferem determinados ecossistemas, ou porque alguns conseguem habitar em um lugar com condições tão precárias e em ambientes tão degradados. Muitas vezes para entendermos melhor como funcionam os ambientes aquáticos realizamos experimentos. Entretanto todo o experimento desenvolvido, seja em campo ou no laboratório possui limitações e é passível de críticas. Se for realizado em campo será menos preciso, pois será difícil isolar a contribuição de cada fator ambiental sobre ele. Se realizá-lo no laboratório, será criticado porque seus resultados não se aplicam perfeitamente a um ecossistema natural, pois na natureza não é possível manter estável todos os fatores ambientais que estão atuando sobre um ecossistema. Quanto mais aprendemos mais conscientes estamos de nossas limitações. E aquilo que eu compreendi neste exato momento, pode ser algo que daqui a pouco tempo pode ser considerado obsoleto e cair em desuso.

Os nossos assuntos estão sempre em torno das atividades de campo, do laboratório ou sobre a análise dos dados de um artigo ou de alguma pesquisa realizada aqui dentro. Estamos sempre aprendendo uns com os outros e debatendo sobre valores, crenças, ideologias, princípios éticos e morais. Uma das maiores lições que aprendi é que na ciência não trabalhamos com uma verdade única e absoluta, mas sim com a verdade que nos oferece o melhor embasamento teórico para respaldar nossas pesquisas. Aliás, segundo Sérgio Antunes, doutor em física pela Louisiana State University System, a verdade absoluta não é um domínio da ciência, trabalhamos apenas com fatos observáveis corroborados por evidências. Aprendi que a ciência é construída por construções mentais que se opõe o tempo todo: Clements x Gleason, Andrewartha x Nicholson, mas que muitas vezes se complementam e se completam.

Todos os dias conversamos com prazer (quando conseguimos realizar o que projetamos), ou com um certo sofrimento (quando nos frustramos) sobre o nosso trabalho. Vivemos sob pressão e com muitos conflitos. Mas porque continuamos? Porque perseveramos em nosso trabalho? Eu acho que é porque somos dotados de um espírito curioso, que tem necessidade de saber o porquê de cada coisa. Porque somos apaixonados pelo que fazemos. Por isso trabalhamos nos feriados, passamos muitas vezes vários dias coletando de baixo de chuva, abrimos mão de horas de sono para entregar relatório e resumos a tempo. Por isso eu tenho prazer em fazer parte desta equipe e me sinto honrada em estar aqui.

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