Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 18 de junho de 2015

Metacomunidades no Brasil

Meu nome é Melissa Guzman, e recentemente terminei meu primeiro período de coletas no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Não escreverei sobre como é ser um estrangeiro no Brasil, já que Andrew MacDonald, um colega de laboratório, já fez isso, mas darei uma breve descrição do meu trabalho no Brasil e porque eu o considero tão empolgante.

Um conceito recente em ecologia é a ideia de metacomunidades. Ela é baseada na ideia original de Levin sobre metapopulações, em que um conjunto de populações de uma espécie interage via dispersão. Em metacomunidades, várias espécies que interagem também são capazes de dispersa para outras comunidades. Enquanto este tema tem avançado muito rápido no campo teórico, trabalhos empíricos têm avançado a passos lentos.

Os macroinvertebrados que vivem dentro de bromélias são um excelente sistema para estudar metacomunidades, já que invertebrados interagem em uma cadeia alimentar, mas também dispersam de uma bromélia para outra durante suas fases adultas. Por isso, resolvi responder a uma série de perguntas sobre como a dispersão molda esta comunidade.

Bromélias

Bromélias

O primeiro passo para estudar este assunto é saber a que distâncias as espécies se dispersam. Dispersão, tipicamente, tem sido medida por experimentos de marcação e recaptura. Estes têm sido razoavelmente eficientes em medir a dispersão, mas demandam muito tempo e são muito difíceis de fazer para uma teia trófica completa. Então, decidi usar técnicas de sequenciamento e genética de populações para inferir sobre as distâncias de dispersão para algumas espécies que compõe a teia trófica em bromélias.

Durante o meu tempo no Brasil, eu coletei alguns indivíduos em sete pontos ao longo do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba , e segui para o sul até as restingas de Arraial do Cabo, Maricá e finalmente Ilha Bella, totalizando 10 pontos de coleta. Apesar das coletas terem sido muito difíceis devido ao ano muito seco, conseguimos coletar presas e predadores de topo suficientes em todos os locais.

Ecossistema de Restinga

Ecossistema de Restinga

Agora, de volta ao Canadá, vou sequenciar o genótipo de dez indivíduos de cada espécie em cada um dos meus 10 locais de coleta. Para isso, utilizarei uma técnica chamada GBS (genotyping by sequencing). Já que nenhuma das espécies de invertebrados que usarei tem um genoma sequenciado, outras técnicas como microsatélites são bem difíceis de fazer.

No GBS, enzimas de restrição digerem o genoma e a partir destes cortes nos locais de restrição, onde a sequência é conhecida, podemos sequenciar curtas seções do genoma. Depois, para obter os genótipos das populações, comparamos os genótipos de todos os indivíduos dentro daquela população.

Finalmente, para estimar a distância de dispersão entre cada uma das espécies, nós comparamos os genótipos de todas as 10 populações e estimamos a similaridade dos genótipos entre eles. Em teoria, se há dispersão entre as populações, então os genótipos serão mais similares. Por outro lado, se não há dispersão entre populações, os genótipos serão mais diferentes.

Nós esperamos que o tipo de dispersão e o tamanho corporal afetarão a distância de dispersão de cada espécie e, portanto, o papel da dispersão para cada espécie na comunidade.

Gostaria de agradecer a todos os membros do Laboratório de Limnologia, tanto em Macaé quanto no Rio. Sem a ajuda de vocês eu não teria tido uma temporada de campo tão bem sucedida. E fiquem ligados para os resultados finais!
Obrigada por lerem!

Melissa Guzman é aluna de doutorado na Universidade da Columbia Britânica (University of British Columbia – Canadá), orientada por Diana Srivastava. Seus principais interesses são metacomunidades, particlarmente como a dispersão afeta comunidades. Atualmente, ela usa comunidades de invertebrados em Bromélias como sistema modelo.

Este texto foi escrito originalmente em inglês. Leia a versão original clicando aqui.

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