Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 3 de dezembro de 2015

A qualidade do detrito de macrófitas aquáticas e a disponibilidade de sulfato moldam as curvas de produção de metano em uma lagoa costeira distrófica

Publicações do laboratório

* Agora, o blog Limnonews conta com uma seção chamada “Publicações do Laboratório”. Aqui traremos um resumo de artigos publicados por membros do laboratório de Limnologia/UFRJ, escrito em uma linguagem acessível. Assim você fica por dentro de nossas pesquisas!

 

Aquatic Macrophytes Detritus Quality and Sulfate Availability Shape the Methane Production Pattern in a Dystrophic Coastal Lagoon

Detrito de Macrófitas Aquáticas e Disponibilidade de Sulfato Moldam os Padrões de Produção em uma Lagoa Costeira Distrófica

 

André Luiz dos Santos Fonseca, Cláudio Cardoso Marinho, Francisco de Assis Esteves

 

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Lagoa Comprida, onde foi realizado o estudo

Qual a relação entre o efeito estufa e as lagoas costeiras? A resposta está no fato de que as lagoas costeiras emitem naturalmente gases causadores do efeito estufa para a atmosfera. Vale ressaltar que as emissões naturais de gases não devem ser consideradas uma ameaça ao clima. O metano (CH4) é um desses gases e sua emissão do ecossistema lacustre depende de um balanço entre os processos de produção e de consumo desse gás no ambiente. Por essa razão, é importante conhecer esses processos para compreender a dinâmica do CH4 em lagoas costeiras. O CH4 tem origem na decomposição da matéria orgânica (MO) no sedimento pela ação de microorganismos denominadados metanogênicos, que são anaeróbios estritos. Os metanogênicos utilizam um grupo restrito de substratos em seu metabolismo, necessitando que a MO seja previamente metabolizada por outros microoganismos no sedimento. Alguns microorganismos podem competir por substratos com os metanogênicos, como é o caso das bactérias sulfato-redutoras. Isso ocorre quando não há MO suficiente para a ocorrência dos dois processos e quando há a disponibilidade de sulfato (SO42-) no ambiente. Uma das principais fontes de MO nas lagoas costeiras é a comunidade de macrófitas aquáticas. Isso porque a maioria desses ambientes é raso, permitindo o amplo desenvolvimento dessas plantas. A MO proveniente das macrófitas aquáticas é constituída de detritos de plantas mortas e de exsudatos de raiz, que são substâncias produzidas pelas plantas e liberadas no ambiente através das raízes. Pela proximidade com o mar, as lagoas costeiras são também ambientes sujeitos à entrada de SO42- pelo aporte marinho. Dessa forma, as lagoas costeiras reunem características que as tornam ambientes peculiares para o estudo da dinâmica do metano. O objetivo desse estudo foi analisar a produção de CH4 em um estande de macrófitas aquáticas localizado na borda da lagoa (região litorânea) e na região afastada da borda (região limnética), caracterizada pelo que poderia se chamar de “água aberta” de uma lagoa costeira, a Lagoa Comprida (Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, Rio de Janeiro), avaliando a influência da quantidade e da qualidade do carbono orgânico e da disponibilidade de SO42- sobre a produção de CH4 no sedimento. Observamos que a presença de macrófitas aquáticas beneficiou a metanogênese, não só pelo acúmulo de detritos, mas particularmente pela liberação de exsudatos de raiz. A variação na quantidade e qualidade do carbono orgânico foi o principal fator controlador da produção de CH4 ao longo do tempo, determinando a forma das curvas de produção, ou seja, o quanto a produção de CH4 aumenta ou diminui no decorrer do tempo. A disponibilidade de SO42- apresenta um papel secundário, sendo importante na região limnética, onde, provavelmente, a MO não é suficiente para a ocorrência da metanogênese e da sulfato-redução simultaneamente.

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Lagoa Comprida, onde foi realizado o estudo

Se interessou em ler o texto inteiro? Clique aqui para baixá-lo (apenas se você tiver acesso aos periódicos CAPES).

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