Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 26 de maio de 2016

Oceanos no Sistema Solar – Indícios, Evidências e Perspectivas de Existência

A presença de água no Sistema Solar é bem comum.

Os elementos químicos que compõem a água, Hidrogênio e Oxigênio, são alguns dos mais abundantes existentes no universo.

Astrônomos vêm observando traços de água nas gigantescas nuvens moleculares que permeiam o espaço entre as estrelas em galáxias, em discos no entorno de estrelas jovens que poderão formar planetas e até em atmosferas de gigantescos planetas orbitando outras estrelas.

A observação por telescópios espaciais, por veículos espaciais (sondas) e a utilização de detectores de última geração, portadores dos avanços tecnológicos existentes, têm levado a pesquisa por existência de água nos objetos do Sistema Solar a patamares cada vez mais superiores.

No dia 22 de janeiro de 2014 observações efetuadas utilizando o Telescópio Espacial Hershel da ESA, dotado de instrumentos de detecção no infravermelho distante registrou presença de vapor de água no maior objeto do cinturão de asteroides existente entre Marte e Júpiter, o planeta anão Ceres. Atualmente uma sonda da missão Dawn da NASA se encontra em órbita deste objeto, dela se espera a possível confirmação da existência de água em estado líquido e/ou sólido em seu subsolo. Os cientistas acreditam que Ceres pode conter 25% de água em estado sólido e que uma fração desta quantidade deve estar em estado líquido.

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Na lua de Júpiter, Europa, existe a suspeita da presença de um oceano salgado abaixo da superfície gelada deste objeto. Marés de aquecimento provenientes do planeta devem ser responsáveis pelo estado líquido do oceano e também podem provocar a existência de bolsões de gelo derretido ou mesmo lagos no envoltório gelado de Europa.

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Ganimedes, também uma lua de Júpiter, foi visitada pela sonda Galileu e observada recentemente pelo Telescópio Espacial Hubble. Esta é maior lua existente no Sistema Solar. Os resultados destas observações mostraram que ela possui campo magnético e deve ter em seu interior um oceano de água salgada entre sua crosta gelada e uma manta de gelo que se estende até sua manta rochosa que se encontra acima de seu núcleo ferroso.

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A segunda maior lua de Júpiter chamada Calisto, também deve possuir um oceano líquido em seu interior, logo abaixo de sua crosta gelada e coberta de crateras. Esta evidência foi apresentada em outubro de 1998 através de um release emitido pela equipe de pesquisadores que analisaram dados da sonda Galileu coletados durante sua visita a Calisto.

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No início do ano de 2006, a Sonda Cassini da NASA, em visita a Saturno e seu sistema de discos e luas, encontrou evidências de reservatórios de água em estado líquido fluindo do interior da lua Encelado. Em um comunicado a imprensa em setembro do ano passado, a equipe de cientistas do projeto, utilizando novos dados obtidos pela missão, apresentou um modelo para o referido objeto. A imagem abaixo é uma adaptação do mesmo.

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A lua Titan de Saturno, desde algum tempo vem sendo alvo de estudos relativos à existência de um oceano em sua sub-superfície. Em junho de 2012 a NASA publicou resultados de observações realizadas pela missão Cassini reafirmando a possibilidade de tal objeto conter em seu interior um oceano global e apresentou um modelo baseado nestas descobertas. A imagem abaixo é uma adaptação do modelo apresentado.

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Mimas, satélite de Saturno também deve possuir um oceano global interior, segundo análise de dados e imagens colhidas pela Cassini. Os cientistas que estudam esta lua acreditam que sua superfície cheia de crateras, inclusive com uma bem proeminente, pode estar encobrindo um oceano de água liquida a 25 ou 30 quilômetros desta superfície.

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A lua Triton do último planeta do Sistema Solar, Netuno foi visitada pela sonda New Horizons da NASA, quando de sua passagem em direção ao planeta anão Plutão, onde se encontra em órbita. Uma superfície oceânica pode existir em Triton. Porém, isto ainda não esta confirmado.

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O planeta anão Plutão ainda é pouco conhecido, é um objeto distante e gelado. Os pesquisadores estão estudando dados enviados pela Missão New Horizons que realizou a máxima aproximação de Plutão em 14 de julho do ano passado. Ele deve ter anéis e também um oceano em sua sub-superfície. Resultados sobre estes tópicos dependem da interpretação dos dados da missão em curso.

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Este texto foi produzido pelo Professor Tulio Jorge dos Santos, aposentado do Departamento de Física (ICex-UFMG) e astrônomo do Observatório da Serra da Piedade (UFMG).

As imagens e informações utilizadas neste artigo estão disponíveis nos seguintes sites:

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