Publicado por: Ricardo Andrade | 15 de setembro de 2016

Carbono, uma história de amor e ódio

O carbono ao longo da gênese do nosso planeta, foi de extrema importância para a geração das primeiras formas de vida, e até hoje ele é indispensável para todos os seres vivos. O carbono é um elemento químico de extrema importância, pois a sua configuração física e química dá a ele capacidade de gerar inúmeros compostos. A química considera o carbono como principal molécula estrutural de compostos orgânicos, ou seja, o ‘pilar’ de sustentação para a construção de inúmeras moléculas. Isto significa que, com o conhecimento atual, vida sem carbono é impossível. Uma das transformações do carbono mais importante é o da molécula de glicose na respiração celular que gera energia na forma de ATP (Adenosina Trifosfato). E é esta energia nos permite fazer qualquer tipo de atividade, seja ela, correr, andar de bicicleta e até mesmo estudar.

E como esse carbono é assimilado pelos organismos? Vivemos em um planeta com uma diversidade enorme de espécies, e essas espécies interagem entre si, parte dessas interações estão relacionadas com base na busca por alimentação e reprodução. Estudiosos no ramo da Ecologia, agregaram essas interações ao conceito de “teia trófica”, onde são analisadas as vias do fluxo energético e dos nutrientes através dos indivíduos. Em uma teia trófica temos os produtores primários, que são os únicos capazes de captar a luz do sol para metabolizar CO2 e H2O em moléculas orgânicas, como por exemplo, a glicose e o amido, liberando O2 para a atmosfera no final desse processo. A maior parte desse carbono se encontra na atmosfera, entretanto, existem reservas de carbono estocado que são utilizados pelos seres humanos na forma de combustível, e também podemos encontrá-lo em lagos e oceanos na sua forma dissolvida. Do carbono assimilado pelos produtores primários, parte fica disponível na sua biomassa, a qual é consumida por herbívoros (consumidores primários) e sucessivamente, os herbívoros são consumidos pelos carnívoros (consumidores secundários), assimilando o carbono disponível em seu alimento.

A partir da descoberta dos combustíveis fósseis (compostos com cadeias orgânicas de alta complexidade) pela humanidade e sua capacidade de gerar energia, inúmeros problemas relacionados ao meio ambiente surgiram, e eles estão contribuindo significativamente para o aumento na concentração de CO2 na atmosfera. Um estudo foi realizado no Havaí onde os pesquisadores registraram entre 1955 e 2005 um aumento significativo das concentrações de CO2 na atmosfera, com alguns picos de baixa devido as altas taxas fotossintéticas (Fig 1).

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Figura 1 – Concentração de CO2 na atmosfera de 1955 até 2005. Estudo realizado em Mauna Loa, Havaí. Fonte: Begon, Ecologia de Indivíduos a Ecossistemas.

Entretanto, a queima de combustível fóssil não é o único vilão dessa história, parte dessa emissão está relacionada a exploração das florestas tropicais, pois as derrubadas são seguidas por queimadas (apesar de que em alguns lugares, as queimadas são um processo natural que podem auxiliar no crescimento de determinadas plantas) que devastam todo e qualquer tipo de vegetação, convertendo a biomassa vegetal em CO2 para a atmosfera. Outra parte está relacionada a pecuária, visto que os bovinos liberam de CH4 (metano) pela digestão, que é considerado o segundo maior colaborador para o aquecimento global. Em lagos por exemplo, a ausência de mata ciliar para protegê-los faz com que exista um aumento do escoamento de águas carregadas de matéria orgânica e nutrientes, causando grande impacto, podendo alterar todo o seu estado atual.

Alguns países possuem uma alta emissão de CO2, China e os Estados Unidos lideram essa lista com 22% e 13% de toda a emissão do planeta respectivamente, o Brasil segue com aproximadamente 4%. Porém aconteceu em dezembro de 2015 uma das Conferências das Partes (COP21) realizada pelas Nações Unidas do Brasil em Paris, onde o objetivo principal era buscar um acordo internacional relacionado ao clima, com o intuito de manter o aumento em menos 2 graus da média anual global, e limitar em 1,5 graus o aumento da temperatura acima dos níveis pré-industriais. Os países envolvidos deverão investir aproximadamente 100 bilhões de dólares ao ano para se adaptar e combater elevadas emissões de CO2 (para mais informações sobre o acordo, acesse (https://nacoesunidas.org/cop21/). De acordo com o a Nasa, os dez anos mais quentes já registrados, aconteceram desde os anos 2000, com exceção de 1998, e que o ano de 2015 estava liderando entre os mais quentes anos já registrados, com uma média anual de 0.87 °C. Esse aumento está totalmente relacionado com as emissões de CO2, acessando o link http://climate.nasa.gov/vital-signs/global-temperature/, podemos assistir uma animação com uma série temporal que nos mostra o aumento do CO2 entre 2002 e 2014.

Devemos levar em conta algumas medidas básicas e importantes para combater esse tipo de degradação. Existem inúmeras ações relacionadas, duas delas destacam-se pela sua eficácia e simples execução. A primeira é o reflorestamento para minimizar o acumulo de CO2 na atmosfera, devido a capacidade dos vegetais sequestrarem e usarem CO2 para a realização da fotossíntese. E a segunda é a reciclagem para evitar novas emissões de resíduos, e consequentemente reduzir ao máximo o acúmulo de materiais no ambiente, como o plástico que usamos no nosso dia a dia, que pode levar alguns séculos para se degradar naturalmente.

Para termos uma ideia da importância das nossas atitudes, o site ‘Pegada Ecológica’ nos dá uma estimativa de nossas emissões e consumo ao longo da vida, e o quanto do nosso planeta seria necessário para o atual estilo de vida, basta acessar o link http://www.pegadaecologica.org.br/2015/index.php. Dependendo do resultado, é uma boa maneira de repensar nas ações e atitudes tomadas até hoje e buscar mudanças, mesmo tendo o conhecimento que o planeta viveria  muito bem sem nós. Devemos protegê-lo pois não temos o direito de destruí-lo, não somos especiais, somos apenas mais uma espécie convivendo entre outras.

 

Referências:

Begon, M., Harper, J.L., Townsend, C.R. 2007. Ecologia: De Indivíduos a Ecossistemas. 4ª edição. Editora Artmed. 752p.

Esteves, F. de A. 2011. Fundamentos de Limnologia. 3ª edição. Editora Interciência.

Ricklefs, R. E. 2010. A Economia da Natureza. 6ª edição. Guanabara Koogan. 546p.

Site da Cop21. Acesso em 17 de agosto de 2016 <https://nacoesunidas.org/cop21/>

Site da Nasa. Acesso em 16 de agosto de 2016 <http://climate.nasa.gov/>

Site da PAPESP. Acesso em 17 de agosto de 2016 <http://agencia.fapesp.br/pesquisa_avalia_emissao_de_metano_por_bovinos/20673/&gt;

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Responses

  1. Ótimo post Ricardo. Muito didático e reflexivo sobre a forma de consumo.
    Muito de discute sobre o carbono, as vezes com o pouquíssimo conhecimento. E voce resumidamente apresentou ao leitor o objeto de estudo e chegou a problemática. Ficou bem legal.
    Esse site da pegada ecológica é ótimo para termos uma dimensão de quantos planetas seriam necessários para suportar nosso estilo de vida.
    No Museu do Amanhã tem uma exposição com uns computadores onde você calcula sua pegada ecológica e compara com o resto do planeta e com os demais participantes.
    No geral o Museu tem quase todas as exposições voltadas para essa questão do consumismo, capacidade do planeta tolerar nossas modificações e como as culturas exercem diferentes impactos sobre o planeta desde a geração de resíduos até o mal uso do solo.
    Sugiro uma visita ao Museu. Sua, caso você ainda nao tenha ido, e dos colegas leitores.
    https://www.museudoamanha.org.br
    Um abraço.
    Rodrigo

    • Desculpe a demora na resposta. Muito obrigado pelo elogio, é muito bom saber que a informação que eu queria passar foi válida. Gostei da sua dica do museu da vida, aliás, eu já estava querendo conhecer esse local, e provavelmente irei sim. abraços


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