Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 27 de janeiro de 2017

O que aconteceu com a Mata Atlântica?

Muitos sabem que a Mata Atlântica corre perigo. Mas sabia que você pode estar fazendo parte disso?

A Mata Atlântica, historicamente, é uma área de forte ocupação populacional. Desde a colonização do país, as áreas onde predominavam este bioma sofrem com a ocupação desordenada e irresponsável.Chamamos a ação humana no meio ambiente de antropização. Estima-se que originalmente a Mata Atlântica possuiria uma área correspondente a 16 % do território nacional, e que hoje possua uma área remanescente de aproximadamente 7% do território original (figura 1), isso tudo porque as maiores concentrações populacionais do Brasil estão presentes justamente nas áreas onde a Mata Atlântica é predominante (70% da população brasileira vive na região da Mata Atlântica).

Com tamanha ocupação humana, ocorrem alguns impactos causados exclusivamente por nós, além de outros que ocorrem naturalmente e que são acelerados com nossas ações. Entendendo esses impactos, é possível repensar nossas ações para que os mesmos sejam amenizados. Aqui, listaremos alguns dos principais impactos e como ocorrem.

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Figura 1. Cobertura original (amarelo) e atual (verde escuro) da Mata Atlântica no Brasil.

Perda e Fragmentação de Habitats

A maior causa de perda de espécies no mundo todo é a perda de hábitats, o que não poderia ser diferente para a Mata Atlântica. Isso ocorre porque a maioria das espécies não é capaz de viver em qualquer ambiente, muito menos em ambientes antropizados. Elas necessitam de certos recursos, como alimento, e de áreas com tamanho adequado para que possam crescer e reproduzir.

É notório que a perda e fragmentação de hábitats é uma consequência direta da mudança do uso do solo, seja para construção de cidades ou para o loteamento de terras agropastoris. Estima-se que atualmente na região de mata atlântica existam aproximadamente 233.000 fragmentos florestais que possuem área maior que 3 campos de futebol e apenas 18.400 dos quais possuem áreas maiores que 100 destes. Portanto, é notável o prejuízo que esta perda traz para a biodiversidade deste bioma, já que principalmente os animais de grande porte, como grandes mamíferos os quais necessitam de grandes áreas de vida, tem cada vez menos áreas para viver, além da sub-divisão de populações, o que hoje em dia é uma realidade para as áreas de mata atlântica. O Rio de Janeiro é o estado com maior conservação da Mata Atlântica e mesmo nele é possível visualizar alta fragmentação (figura 2).

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Figura 2. Mapa de fragmentação florestal no estado do Rio de Janeiro.

Mudanças climáticas

A Terra está esquentando! A emissão de gases como o gás carbônico (CO2) e o metano (CH4) e seu consequente acúmulo na atmosfera têm impedido que os raios solares sejam refletidos de volta ao espaço, aumentando a temperatura no planeta. Esses gases já existiam no planeta antes mesmo da nossa existência, porém têm sido emitidos de forma descontrolada principalmente pela queima de combustível fóssil e o uso indevido da terra, que já citamos anteriormente. Ou seja, ações individuais como a queima da gasolina do carro contribuem para a intensificação das mudanças climáticas.

Atualmente, para a Mata Atlântica, observa-se uma tendência de migração e perda de espécies gerada pelas mudanças climáticas. O IPCC (órgão responsável por reunir e divulgar conhecimento sobre mudanças climáticas) divulgou um estudo referente a espécies de Mata Atlântica sob duas situações: a temperatura da Terra se mantém (cenário otimista); ou a temperatura continua subindo (cenário pessimista). Assim, foi modelada a área de ocorrência de espécies da Mata Atlântica, indicando migração, em maioria, para o polo sul além de redução drástica nessas áreas. Isso ocorreria inclusive para espécies que só existem na Mata Atlântica, como o palmito-juçara, que está ameaçado de extinção (figura 3).

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Figura 3. Cenários otimista e pessimista aplicados ao palmito-juçara (Euterpe edulis).

Introdução de espécies exóticas

Outro fator de impacto presente fortemente no bioma citado é a introdução de espécies exóticas, ou seja, espécies que não seriam naturalmente encontradas em certo local ou região. Mas qual seria o problema de adicionar mais espécies em um ambiente natural?

Quando uma espécie exótica chega num ambiente com fauna e flora bem consolidados, ela pode passar a competir por alimento ou espaço com as espécies originais, eventualmente obtendo sucesso. Além disso, uma espécie exótica pode se alimentar de várias espécies nativas, aumentando sua população enquanto as nativas diminuem. As espécies exóticas na Mata Atlântica são desde pequenos peixes de riacho a grandes mamíferos pastadores. O temido mosquito da dengue (Aedes aegypti) também consta na lista de espécies exóticas na Mata Atlântica, sendo levado do Egito para o continente americano por meio dos navios negreiros no período colonial.

Um fator agravante para a mata atlântica é que a mesma é conhecidamente um ambiente impactado, ou seja, não conserva sua estrutura e estado originais, facilitando desta forma a perpetuação deste tipo de espécies. Você pode ajudar a diminuir as práticas de introdução de espécies exóticas com a simples atitude de não soltar animais ou plantar sementes, cuja origem você não conhece, na natureza, inclusive aqueles peixes de aquário que você não deseja mais ter.

Conscientizar é ganhar

Grandes impactos como as mudanças climáticas e a fragmentação de hábitat parecem estar em uma escala inalcançável para nós enquanto indivíduos. Porém, a conscientização coletiva é um passo indispensável para melhorarmos a situação da meio ambiente quanto aos impactos. Você conhecia esses impactos? Sabia como eles são causados? Sabia da atual situação da Mata Atlântica? Já esperava tamanha destruição mostrada nesses mapas? Sabia que ainda existem pessoas com pouca noção de tudo isso? Não quebre essa corrente! Continue se informando e divulgando.

Nós humanos não convivemos com a natureza como se fosse algo separado, nós fazemos parte dela. Não estamos acima de nenhuma outra espécie. Assim como temos potencial para destruir os outros seres que compõem a natureza, temos potencial para preservá-los. A escolha é nossa.

Texto apresentado, com um dos métodos de avaliação na disciplina Ecossistemologia (UFRJ) no segundo semestre de 2016, ministrada pelo professor Dr. Vinicius Fortes Farjalla.

Autores:

Gabriel Assumpção Ferreira Pereira

Pedro Paulo Santos de Aguiar

Ramón Gonzalez de Almeida 

Yuri Azevedo

Wallace Pires de Carvalho Júnior

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