Publicado por: victorvieiraj | 11 de agosto de 2017

O QUE OS MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS PODEM NOS DIZER SOBRE A QUALIDADE DE ÁGUA DOS RIACHOS?

As reservas hídricas são de extrema importância para a manutenção da vida humana e a importância em preservá-las é indiscutível, mas para tal, é importante identificar com precisão possíveis ameaças ao grau de preservação dessas reservas. Nas últimas décadas, as ações antrópicas sobre as paisagens naturais têm afetado em demasia a qualidade da água dos riachos, pois todas as alterações significativas na estrutura da paisagem são refletidas na estrutura dos seus riachos. Desmatamento das encostas e das matas ciliares e o mau uso do solo são apenas alguns exemplos de ações que contribuem para a diminuição do volume e qualidade de água. No entanto, nem sempre é fácil diagnosticar uma ameaça aos corpos hídricos sem uma investigação mais profunda, e é ai que nossos amigos macroinvertebrados bentônicos podem nos ajudar. E ajudam.

Os macroinvertebrados bentônicos são ótimos indicadores biológicos de qualidade de água, uma vez que a presença de determinada espécie está atrelada a uma ou mais condições ambientais. Através da composição da comunidade desses invertebrados em um riacho, podemos levantar a intensidade dessas condições, e assim diagnosticar o que está acontecendo nas matas ao redor e também o que está acontecendo em áreas mais perto da nascente.

Mayfly larva

Fig. 1: Ephemeroptera. Exemplo de macroinvertebrado bentônico

Para acessar essas informações, é necessário coletar os macroinvertebrados nos riachos e para isso geralmente se usa uma técnica chamada kicking, que consiste resumidamente em posicionar uma rede contra a correnteza e causar perturbações no sedimento para suspender os invertebrados, que caem na correnteza e ficam retidos da rede. Também se usa peneiras para coletas na margem dos riachos. Os indivíduos coletados (a assembléia) são identificados taxonomicamente e então temos os dados pra diagnosticar a qualidade de água do riacho.

surbersampler

Fig. 2: Rede para kicking

Agora que temos dados sobre a comunidade de macroinvertebrados, podemos usar esses dados para calcular alguns índices de diversidade e também inferir métricas e índices multimétricos (MMIs). As métricas biológicas servem pra quantificar as características das assembleias e identificar distúrbios naturais e humanos, e os índices multimétricos são índices feitos a partir da seleção de métricas específicas para responder a uma questão ambiental. MMIs têm apresentados muita eficácia nas pesquisas de biomonitoramento e se tornaram indispensáveis no meio científico. Aplicando os dados das assembleias nos índices multimétricos podemos chegar a diversas respostas para os distúrbios nos riachos que não são perceptíveis inicialmente. A abundância de determinadas famílias que respiram oxigênio aéreo pode indicar baixa quantidade de oxigênio dissolvido, a de outras famílias tolerantes a altas concentrações de íons de cloro pode indicar que efluentes domésticos estão sendo despejados no riacho. Algumas famílias tolerantes a sulfato podem indicar despejos de metais pesados por mineradoras, e por ai vai. Para trabalharmos na preservação da água nos corpos hídricos e suas nascentes, os macroinvertebrados bentônicos são aliados indispensáveis. Basta sabermos como ouvir o que eles nos tem a dizer.

Referências:

Déborah R.O. Silva, Alan T. Herlihy, Robert M. Hughes, Marcos Callisto. (2017) An improved macroinvertebrate multimetric index for the assessment of wadeable streams in the neotropical savanna. Ecological Indicators 81, 514-525.

Stoddard, J.L., Herlihy, A.T., Peck, D.V., Hughes, R.M., Whittier, T.R., Tarquinio, E.. (2008) A process for creating multimetric indices for large-scale aquatic surveys. J. North Amer. Benth. Soc. 27, 878–891.

Yuan, L. L. & S. B. Norton. (2003) Comparing responses of macroinvertebrate metrics to increasing stress. Journal of the North American Benthological Society 22: 308–322.

Importância da preservação dos rios e nascentes

Macroinvertebrados bentônicos e Pokémons: Quando a arte imita a vida… e o que o futuro nos guarda.

Mayfly – Ephemeroptera

 

 

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