Publicado por: Daniel Farias | abril 4, 2019

O ECO É POP! MAS ELE DE FATO POUPA ALGUÉM? / ECO IS POP! BUT IS A ECO LABEL ENOUGH?

Toda palavra tem uma origem e significado, a palavra Ecologia, por exemplo, vem do grego, representando a junção das palavras Oikos (que pode ser traduzida como “casa”) e Logos (que pode ser traduzida como “estudo”). Ou seja, Ecologia significa “o estudo da casa”, representando o segmento da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e destes com o meio no qual habitam. Mas todas as palavras estão sujeitas a mudanças na sua interpretação ao passar do tempo. O termo “ecológico”, que indica uma referência à Ecologia, com o passar do tempo foi sendo utilizado para designar algo que respeite o funcionamento natural do ecossistema. Entretanto, tem se tornado cada vez mais comum o uso comercial do termo para identificar determinados produtos. Você já deve ter percebido que quando vai às compras, os mercados vão lhe oferecer uma “ecobag”, as lanchonetes estão substituindo seus canudos descartáveis por “canudos ecológicos” e até seus amigos devem ter sugerido que você trocasse a tradicional purpurina do carnaval pelo “ecogliter”. Mas afinal, o que faz um produto ser ecológico?

Teoricamente para um produto ser considerado verdadeiramente ecológico é preciso manter uma cadeia produtiva que não altere o funcionamento dos ecossistemas, além de ser possível sua total degradação após o término de sua vida útil. Essas características são impossíveis de atingir em escala comercial e diversas nomenclaturas e conceitos foram criados e adaptados. Com isso, hoje em dia os produtos podem ser: “ecológicos”, “verdes”, “sustentáveis”, ou simplesmente “eco-amigáveis” (tradução direta de eco-friendly). Embora uma definição específica varie entre os diversos termos, de maneira geral, esses produtos seriam caracterizados pelo maior compromisso com a preservação da natureza e com a redução do impacto no meio ambiente quando comparado a produtos tradicionais, associado a preocupação da preservação dos recursos naturais para as gerações futuras.  Entretanto, a percepção de que um produto não causa, ou mesmo diminua, algum impacto sobre o meio ambiente é convidativa para uma parcela dos consumidores preocupados com as questões ambientais. Sendo assim, algumas organizações buscando lucro, acabam investindo mais tempo e dinheiro anunciando que são eco-amigáveis do que realmente implementando práticas ecologicamente corretas e efetivas. Podemos citar como exemplo a lavagem de toalhas de alguns hotéis: é dada ao hóspede a possibilidade de não ter sua toalha trocada diariamente, mas o processo de lavagem não tem comprometimento com redução do consumo de água e utiliza produtos de limpeza que ao atingir os corpos hídricos impactam o ambiente. O benefício ambiental de não lavar algumas toalhas é muito menor que o lucro obtido pelo hotel, que passa a percepção de beneficiar o meio ambiente. Esse tipo de marketing ficou conhecido “lavagem verde” (tradução livre de Greenwashing). Então, em um mundo mais preocupado com o rótulo e as vendas, ser considerado eco-amigável é suficiente para consumirmos esses produtos sem culpa?

De modo geral, todo consumo está associado a algum impacto ambiental, seja por consumo de matéria-prima para produção do produto, seja por descarte de resíduos. Por esses motivos, cabe a nós compreender isso e adotar práticas que realmente tenham um menor impacto ambiental, ao invés de consumir produtos “eco-amigáveis” indiscriminadamente. Um bom começo é adotar a política dos 5 R’s (Repensar, Reduzir, Recusar, Reciclar, Reutilizar). Repensar seus hábitos de consumo é fundamental para fugir do falso rótulo eco-amigável e de fato alcançar algum benefício ambiental. Antes de tomar uma decisão ou comprar um produto repense levando em conta seus impactos para o meio ambiente, sua utilidade, sua durabilidade e seu descarte. Muitas vezes é o nosso impulso de compra que transforma itens desnecessários em produtos da moda; vide os “canudos ecológicos”; tirando o caso de pessoas com deficiência, a maioria da população poderia beber direto no copo e não incentivar a produção em massa de um produto supérfluo. E por falar em copo, será que precisamos de um novo “ecocopo” todo evento que vamos? Ou podemos reduzir o nosso consumo? Não seria melhor reutilizar qualquer copo que já tenhamos em casa, uma vez que cumpre a função de copo, e não incentivar mais extração de matéria-prima comprando um novo? E se podemos reutilizar objetos, por que não recusar novas sacolas plásticas no mercado e evitar itens com excesso de embalagens? Você sabia que muitas vezes podemos colar a etiqueta do preço direto nos vegetais que compramos. No final também precisamos dar destino adequado aos resíduos que geramos. Nesse sentido podemos reciclar parte do material (reaproveitar parte das matérias primas) que seria descartado no lixo comum e levado a um aterro sanitário. Entretanto, é preciso lembrar que mesmo um produto feito com material reciclado tem uma pegada ambiental (ex. emissão de gases estufa durante o transporte, consumo de água para lavagem, etc.).

O efeito cumulativo do nosso consumo sobre o meio ambiente continuará existindo, mesmo quando optamos por produtos eco-amigáveis. Só não podemos nos deixar levar pelas propaganda das empresas capitalistas que visam o lucro acima de qualquer coisa. O eco é pop, mas sem critério, não poupa ninguém.

5-Rs-da-sustentabilidade-na-moda-min

Diagrama dos cinco Rs (Repensar, Reduzir, Recusar, Reciclar, Reutilizar).
Diagram of the five Rs (Rethink, Reduce, Refuse, Recycle, Reuse).
Imagem adaptada de Bem Trilhado.

Every word has an origin and meaning. The word Ecology, for example, comes from the Greek language, representing the junction of the words Oikos (which can be translated as “house”) and Logos (which can be translated as “study”). Summarizing, Ecology means “the study of the house” and represents the segment of Biology that studies the relations of the living beings between themselves and these with the environment in which they inhabit. But all words are subject to changes in their interpretation over time. The term “ecological”, which indicates a reference to Ecology, has been used over time to designate something that respects the natural functioning of the ecosystem. However, the commercial use of the term to identify certain products has become increasingly common. You may have noticed that when you go shopping, markets will offer you an eco-bag, restaurants are replacing their disposable straws with “eco-straws” and even your friends may have suggested you switch from the traditional glitter to the “eco-glitter “. But after all, what makes a product Eco?
Theoretically, for a product to be considered truly ecological it is necessary to maintain a productive chain that does not alter the functioning of the ecosystems and its total degradation after the end of its useful life must be possible. These characteristics are impossible to achieve on a commercial scale and several nomenclatures and concepts were created and adapted. As a result, products nowadays can be: “ecological”, “green”, “sustainable” or simply “eco-friendly”. Although a specific definition varies among the various terms, in general these products are characterized by a greater commitment to the preservation of natural resources for future generations and the reduction of their impact on the environment when compared to traditional products. However, the perception that a product does not cause, or even diminish, any impact on the environment is inviting to a portion of consumers concerned about environmental issues. Thus, some organizations are seeking to make a profit by advertising that they are eco-friendly, rather than actually implementing environmentally friendly and effective practices. We can cite as an example the washing of towels in some hotels: the guest is given the possibility of not having his towel changed daily, but the washing process has no commitment with reduction of water consumption and uses cleaners that affect the environment when they reach water bodies. The environmental benefit of not washing a few towels is much less, than the profit earned by the hotel with perception of benefiting the environment. This type of marketing is known as “greenwashing”. So, in a world more concerned with labeling and sales, would being considered eco-friendly enough to consume these products without any guilt?

In general, all consumption is associated with some environmental impact, either by consumption of raw material for the production, or by waste disposal. For these reasons, it is up to us to understand this and to adopt practices that actually have a lower environmental impact, rather than indiscriminately consuming “eco-friendly” products. A good start is to adopt the 5 R’s policy (Rethink, Reduce, Refuse, Recycle, Reuse). Rethinking your consumer habits is the key to getting away from the fake eco-friendly label and actually achieving some environmental benefit. Before making a decision or buying a product, rethink taking into account its impact on the environment, its usefulness, its durability and its disposal. Often our buying is what impulse unnecessary items into fashionable products; like the “eco-straws”; apart from people with disabilities, most of the population could drink straight from the cup and not encourage mass production of a superfluous product. Moreover, do we need a new “eco-cup” every event we go? Or can we reduce our consumption? Would not it be better to reuse any cup that we already have at home, since it fulfills the function of cup, and not encourage more extraction of raw material by buying a new one? In addition, if we can reuse objects, why not refuse new plastic bags on the market and avoid items with excess packaging? Did you know that we can often stick the price tag direct on the vegetables we buy. In the end, we also need to give appropriate destination to the waste we generate. In this sense, we can recycle some of the material (reuse part of the raw materials) that would be discarded in the common waste and taken to a landfill. However, it should be remembered that even a product made from recycled material has an environmental footprint (e.g. greenhouse gas emissions during transport, consumption of water for washing, etc.).

The cumulative effect of our consumption on the environment will continue to exist, even when we opt for eco-friendly products. We just cannot get carried away by the propaganda of capitalist enterprises that aim for profit above anything. The Eco is pop, but an Eco label is not enough.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: