Publicado por: Letícia Azevedo | maio 30, 2019

CADÊ O BICHINHO QUE ESTAVA AQUI?

É evidente que o ser humano tende a achar que é a espécie que domina o planeta. Talvez isso se dê pela complexidade da mente humana, ou por acharmos que evoluímos mais que outros seres vivos. Entretanto, estudos mostram que, quantitativamente, o número de espécies de Cordados (um grupo que inclui todos os vertebrados juntamente com alguns outros organismos) é cerca de 20x menor que o número de espécies de insetos existentes. Sendo assim, dá pra imaginar que esses pequenos indivíduos muito presentes em qualquer ambiente, no dia a dia, têm algum papel importante na manutenção da vida, né!? 

GRÁFICO DO NÚMERO DE ESPÉCIES CONHECIDAS NO PLANETA E SUAS PROPORÇÕES. 
IMAGEM RETIRADA DO MUSEU DE ZOOLOGIA VIRTUAL. FONTE: Grimaldi & Engel, 2005. 

Os insetos são peças importantíssimas de um sistema que garante equilíbrio em qualquer ecossistema. Eles possuem funções como: compor teias alimentares em variados níveis tróficos, polinização, reciclagem de nutrientes, produção de compostos muito utilizados, controle biológico de outras populações, etc.  Seguindo essa lógica, percebe-se que precisamos manter esses bichinhos em ambientes saudáveis. Contudo, muitas pesquisas têm sido feitas porque as populações de insetos estão declinando. Existem algumas causas para isso, e elas têm relação com a influência antrópica. Dentre elas, destacam-se o alto número de pesticidas na agricultura e o aquecimento global.  

Não há muita divulgação acerca desse assunto tão relevante, mas estima-se que o planeta esteja no rumo da 6º extinção em massa, e a falta desses pequenos, que muitos chamam de pragas e costumam matar, é capaz de causar um colapso. Muito tem se discutido sobre os prejuízos causados pelo sumiço de abelhas. Mas é válido ressaltar que isso está acontecendo em todas as ordens de insetos. É preciso lembrar também que muitos insetos, como alguns coleopteras (besouros) e odonatas (libélulas) passam parte do desenvolvimento da vida na água, sendo assim, são extremamente dependentes do meio aquático. Se há alteração nas populações desses organismos, não só os ecossistemas terrestres são afetados, mas também os aquáticos.  

Esse problema gera um efeito em cascata na interface terra-água, uma vez que tanto o ecossistema terrestre, quanto o aquático desequilibram. A redução nas populações desses indivíduos adultos (terrestres) culmina na redução desses indivíduos imaturos (aquáticos).  

Ambos animais citados acima são predadores. Isso quer dizer que se alimentam de outros organismos aquáticos, e, por isso, são capazes de controlar populações. Tirando uma peça chave da teia trófica aquática, as populações das presas desses bichos tendem a aumentar muito. Odonatas, por exemplo, são predadores de larvas de mosquitos, sendo alguns desses, transmissores de doenças, e nessa ótica, observa-se um exemplo de como são importantes no controle biológico. 

Por outro lado, eles servem como alimento de outros predadores maiores, como alguns peixes, que comem macroinvertebrados aquáticos. Isso quer dizer que, caso deixem de existir, as populações dessas outras espécies passam a declinar, porque faltará alimento. E é preciso lembrar como os peixes são importantes em diversos aspectos. 

LARVA DE COLEOPTERA PREDANDO NINFA DE ODONATA 
Foto por: Letícia Azevedo

Esse distúrbio nas comunidades envolvendo insetos está acontecendo no mundo inteiro. Logo, é um problema global e que precisa de maior destaque, já que, seja de forma direta ou indireta, todos precisamos desses e outros insetos. São primordiais para que haja estabilidade na natureza, tendo em vista suas funções e participação nas cadeias alimentares. Dessa forma, é necessário lembrar que, mesmo sendo pequenos e, muitos estando distantes de nós (como esses que vivem em lagoas/riachos), precisamos nos preocupar com eles e cuidar desse planeta, visto que é o único que temos. 

 

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