Minha experiência com o escotismo começou em 2003 como um jovem amante de atividades ao ar livre, fascinado pela ideia de colocar uma mochila nas costas e sair para acampar rodeado pela natureza. Ao longo desses 15 anos, este jovem não apenas graduou-se como Bacharel e Mestre em Ciências Biológicas, mas também assumiu o compromisso de ser chefe de uma tropa de escoteiros.

Se você não conhece, o Escotismo é um movimento de educação não formal para jovens fundado na Inglaterra em 1907, mas que rapidamente se espalhou pelo mundo. Desde sua fundação o escotismo já foi levado para mais de 200 países e territórios, chegando ao Brasil em 1910. O escotismo mundial tem como atual visão ser o mais importante movimento educacional juvenil do mundo, no qual os jovens inspirem mudanças positivas em suas comunidades, e a sua missão é contribuir para a educação dos jovens, por meio de um sistema de valores baseados na Promessa e na Lei Escoteira. Centrado na ideia de criar um mundo melhor, o escotismo vem evoluindo em seu programa educativo ao longo de seus 110 anos e a parte ambiental tem grande importância.

O próprio código de conduta dos escoteiros, a Lei Escoteira, prevê em seu sexto artigo que “O escoteiro é bom para os animais e para as plantas”, nos dando uma ideia de que o pensamento conservacionista já fazia parte da filosofia escoteira desde sua fundação. Conhecidos por seus acampamentos, é de se esperar que os escoteiros tenham algum treinamento para minimizar os impactos ambientais de suas atividades, incluindo atenção sobre o solo e recursos hídricos ao entorno. Normalmente orientados a deixar o local do acampamento melhor do que foi encontrado, é comum ver os jovens escoteiros preocupados com os resíduos gerados e empenhados a recolhe-los ao final da atividade, dando a estes um destino adequado.

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Figura 1- Cozinha de um acampamento escoteiro. Fonte: Grupo Eescoteiro Tupi-Guarani – 236/RS.

Com um sistema recompensatório de distintivos e insígnias, é interessante ver que os escoteiros possuem um módulo inteiro voltado ao meio ambiente, trabalhando em cinco temas: ar e água, habitats e espécies, substâncias perigosas, melhores práticas ambientais, e riscos ambientais e desastres naturais. Cada tema é abordado em uma das reuniões periódicas na cidade ou em campo, através de jogos, dinâmicas e outras atividades sugeridas nos guias da Insígnia Mundial de Meio Ambiente (IMMA) ou elaboradas pelos chefes escoteiros. Em fases futuras os escoteiros são ainda incentivados a elaborar e executar um projeto ambiental no qual ponham em prática conhecimentos adquiridos em relação a um ou mais dos cinco temas citados, preferencialmente envolvendo os familiares e a comunidade ao entorno de suas sedes.

Além das atividades educacionais relacionadas a IMMA os Escoteiros do Brasil promovem anualmente um Mutirão Nacional de Ação Ecológica (MUTECO). Guiado por um tema que muda anualmente e que no ano passado trabalhou com base no “Escotismo e Desenvolvimento Sustentável”, o MUTECO propõe atividades para serem aplicadas em todo território nacional, visando não apenas a reflexão teórica sobre temáticas ambientais, mas também ações que busquem transformar as comunidades dos jovens escoteiros e seu entorno, incluindo, mas não se limitando a excursões para limpeza de trilhas e atividades de reflorestamento com espécies nativas.

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Figura 2- Montagem de uma horta orgânica durante o MUTECO de 2017. Fonte: Grupo Escoteiro Áquila – 5/SC.

No ano passado o impacto do consumo de itens plásticos sobre o meio ambiente foi o grande destaque. Os Escoteiros do Brasil criaram uma insígnia especial para este ano para condecorar os jovens que, após avaliarem sua pegada ecológica do consumo de plástico, comprometeram-se a reduzir seu consumo pessoal e incentivaram outros a fazer o mesmo.

Inspirado por essa ideia, o chefe escoteiro Rodrigo Padula, de Niterói, idealizou uma ideia legislativa, que tem como principal objetivo a redução do consumo e da produção de plásticos descartáveis, através da proibição da distribuição de canudos e sacolas plásticas, e da produção de cosméticos que usem em sua composição microplásticos. Essa ideia legislativa recebeu apoios de mais de 24.000  pessoas e será transformada em projeto de lei pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.

Para garantir a qualidade das atividades ambientais os Escoteiros do Brasil contam com o apoio dos voluntários em uma Rede Ambiental Escoteira que é um grupo de discussões democrático, formado por pessoas que gostam do tema meio ambiente e profissionais de várias áreas ligadas as ciências ambientais. Esse grupo de voluntários atua no desenvolvimento de fichas técnicas para as atividades ambientais e mutirões, além de auxiliar na produção de literaturas escoteiras de educação ambiental, tornando o escotismo cada vez mais sustentável.

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Figure 3- Distintivos anuais do MUTECO de 2004 até 2017. Fonte: Rede Ambiental Escoteira.

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Non-Formal Education and Environmental Education: A Scout perspective.

My experience with Scouting began in 2003 as a young outdoor enthusiast, fascinated by the idea of ​​putting a backpack on my back and going camping surrounded by nature. During these 15 years, this young man not only graduated as Bachelor and as Master in Biological Sciences, but also assumed the commitment to be a leader for a troop of Scouts.
If you do not know Scouting, I can tell you it is an non-formal educational movement for young people founded in England in 1907, which quickly spread throughout the world. Since its foundation, Scouting has already been taken to more than 200 countries and territories, arriving in Brazil in 1910. The current vision of World Scouting is to be the most important youth educational movement in the world, in which young people inspire positive changes in their communities, and its mission is to contribute to the education of young people, through a system of values ​​based on the Promise and the Scout Law. Focused on the idea of ​​creating a better world, Scouting has been evolving in its educational program throughout its 110 years and the environmental part has a great importance.
The Scout’s code of conduct, the Scout Law, states that “A scout is a friend to animals.” giving us an idea that conservationist thinking was already part of Scout philosophy since its creation. Known for their camp activities, it is expected that Scouts have some training to minimize the environmental impacts of their activities, including attention to the soil and water resources on the surrounding of camping areas. Usually advised to leave the campsite better than it was found, it is common to see the young scouts concerned about the waste generated by then and committed to collect it at the end of every activity, giving the waste a suitable destination.

See “Figura 1”

Figure 1- Kitchen of a scout camp. Source: Scout Group Tupi-Guarani – 236 / RS.

With a rewarding system of badges, it is interesting to see that Scouts have a whole module focused on the environment, working on five themes: air and water, habitats and species, dangerous substances, best environmental practices, and environmental risks and natural disasters . Each theme is addressed in one of the regular meetings in the city or on the field, through games, dynamics and other activities suggested in the World Scout Environment Badge (WSEB) guides or elaborated by the Scout Leaders. In future phases Scouts are also encouraged to design and execute an environmental project in which they put into practice knowledge acquired in relation to one or more of the five themes mentioned above, preferably involving family members and the community around their headquarters.
In addition to the educational activities related to WSEB, the Scouts of Brazil promote a National Activity for Ecological Action (MUTECO). Guided by a theme that changes annually (last year’s theme was “Scouting and Sustainable Development”), MUTECO proposes activities to be applied throughout the Brazilian national territory aiming not only in promoting theoretical reflections on environmental themes, but also in actions to transform the communities and their surroundings. These actions include cleaning trails during excursions and reforestation of native species.

See “Figura 2”

Figure 2- Assembly of an organic vegetable garden during the MUTECO of 2017. Source: Scout Group Áquila – 5 / SC.

Last year, the impact of the consumption of plastic items on the environment was the main highlight. The Scouts of Brasil created a special badge for this year to honor the young people who, after assessing their ecological footprint of plastic consumption, have committed to reduce their personal consumption and encouraged others to do the same.
Inspired by this idea, the Scout Leader Rodrigo Padula, from Niterói, devised a legislative idea, which main objective is to reduce the consumption and production of disposable plastics, by prohibiting the distribution of plastic straws and bags, and the production of cosmetics that use microplastics in their composition. This legislative idea received support of more than 24,000 people and will be transformed into a law by the Commission on Human Rights and Participatory Legislation.
To ensure the quality of environmental related activities, the Scouts of Brazil have the support of volunteers in an Environmental Scout Network, which is a democratic discussion group composed of people who like the environmental theme and professionals from various areas related to the environmental sciences. This group of volunteers acts in the development of technical charts for the environmental related activities and MUTECO, in addition to helping in the production of scout literature on environmental education, making Scouting increasingly sustainable over the years.

See “Figura 3”

Figure 3- MUTECO annual badges from 2004 to 2017. Source: Rede Ambiental Escoteira.

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Minha experiência começa no universo que uma gota de água tem a proporcionar tanto dentro quanto fora dela. Quando dei por mim, estava rodeado por uma gente sorridente e comprometida, que com admirável dedicação em tomar ciência das águas doces alcançam às lagoas e igarapés da Amazônia na Floresta Nacional de Carajás, uma unidade de Conservação Ambiental no sudeste do Pará, na qual estão presentes atividades de exploração mineral.

Conceber educação ambiental em uma unidade de conservação que prevê extração mineral pede primeiramente uma aproximação com o território. Pousamos na Serra de Carajás, localizado às margens do Rio Parauapebas, afluente do rio Tocantins, e da Floresta Nacional de Carajás, região entre os rios Tocantins-Araguaia e Xingu, na região Sul-Sudeste do Pará. O entorno é composto pelos municípios de Parauapebas, Tucuruí, Marabá, Curionópolis, Eldorado dos Carajás, Canaã dos Carajás, Ourilândia do Norte, Xinguara e outros. A região é marcada por ser a mais rica reserva de minério de ferro do mundo e possuir a maior mina de ouro do Brasil. Conhecida como Província Mineral de Carajás, nasceu das entranhas da terra trazida por vulcões e hoje é notada pela diversidade de seus recursos minerais e grandeza das jazidas, singular no planeta.

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Figura 1: Localização da Floresta Nacional de Carajás, com destaque para ao Parque Nacional dos Campos Ferruginosos contempladas: Serra Sul, Serra do Tarzan, Serra Norte (corpos N1, N2, N3, N4, N6, N7, N8)

O conhecimento da sua diversidade é novo se comparada com outras jazidas como da África do Sul ou com o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, descobertas há mais de um século. No entanto, é notada por abrigar a maior jazida de minério de ferro explorada do mundo, além de concentrar grande quantidade de manganês, cobre, ouro e níquel. Desde então, a região e suas adjacências assistem mudanças significativas em sua infraestrutura como a construção da Usina hidrelétrica de Tucuruí, a Estrada de Ferro Carajás e o Porto de Ponta da Madeira, localizado no Porto do Itaqui, em São Luís (MA), para escoamento das riquezas minerais extraídas da região, que são em sua grande maioria exportadas. Assim, Carajás representa a maior área de floresta Amazônica contínua do Sudeste do Pará é também uma das maiores áreas de exploração de minérios do mundo. Avesso a isso, a região é denominada hoje como Mosaico da Província de Carajás, em razão da sua composição por unidades de conservação como: a Área de Proteção Ambiental do Igarapé do Gelado, a Reserva Biológica Tapirapé, a Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri, a Floresta Nacional Itacaiunas, Terra Indígena Xikrin do Cateté e a Floresta Nacional Carajás.

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Figura 2: Mosaico da Província de Carajás e suas unidades de conservação

Nossa aproximação com o território se realiza com o Projeto de Educação Ambiental no âmbito do Programa de Estudos Limnológicos na Flona de Carajás desenvolvido através de um convênio de cooperação técnico-científica com a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológico entre a UFRJ e a Vale. Buscando conhecer a região e os atores locais que desenvolvem ações de Educação Ambiental na região de Carajás, encontramos os educadores ambientais do Centro de Educação Ambiental de Parauapebas que apresentaram interesse por uma formação continuada da equipe. Assim, dentre as muitas vivências do porvir, realizamos a primeira etapa (16h) de um total de três (40h), do Curso de Formação de Educadores Ambientais: “Olhares sobre a Amazônia” proposta pelo nosso Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental e Educação em Ciências da Limnologia.

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Figura 3: Educadores Ambientais em ação

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Figura 4: Educadores Ambientais em ação

Assim, o curso vem se coconstruindo por meio da formação e informação aspirada por nós, educadores ambientais. Mirarmos no bioma Amazônico, especificamente no contexto do Mosaico da Província de Carajás contribui significar como dialogamos, relacionamos e nos posicionamos frente a desafios e potencialidades desse bioma que sofre diversos e complexos conflitos socioambientais, como também, com diferentes conhecimentos, execução dos projetos locais de educação ambiental e pesquisas desenvolvidas na Flona de Carajás.  Dessa forma, almejamos nortear como essa coformação colabora ao relacionar problemas socioambientais a processos educativos em seus conteúdos conceituais, processuais e atitudinais. De modo que, possamos suprir demandas e articular ações com o currículo escolar, buscando a promoção e a integração da educação ambiental.

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Figura 5: Finalização da primeira etapa do curso de formação: Olhares sobre a Amazônia.

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Environmental educators in action: first approach in the Amazon Paraense

My experience begins in the universe that a drop of water has to provide both inside and outside. When I found myself, I was surrounded by a smiling and committed people, who with admirable dedication to take knowledge of the fresh water reach the lagoons and streams of the Amazon in the Carajás National Forest, an Environmental Conservation unit in southeastern Pará, where they are mineral exploration activities.

Conceiving environmental education in a conservation unit that foresees mineral extraction first asks for an approximation with the territory. We land in the Serra de Carajás, located on the banks of the Parauapebas River, a tributary of the Tocantins River, and the Carajás National Forest, a region between the Tocantins-Araguaia and Xingu Rivers, in the South-Southeast region of Pará. Parauapebas, Tucuruí, Marabá, Curionópolis, Eldorado dos Carajás, Canaã dos Carajás, Ourilândia do Norte, Xinguara and others. The region is marked by being the richest iron ore reserve in the world and owning the largest gold mine in Brazil. Known as the Carajás Mineral Province, it was born from the bowels of the earth brought by volcanoes and today is noted for the diversity of its mineral resources and greatness of deposits, unique on the planet.

                The knowledge of its diversity is new compared to other deposits such as South Africa or the Quadrilátero Ferrífero in Minas Gerais, discovered more than a century ago. However, it is already known to house the world’s largest exploited iron ore deposit, in addition to concentrating large quantities of manganese, copper, gold and nickel. Since then, the region and its surroundings have seen significant changes in its infrastructure, such as the construction of the Tucuruí Hydroelectric Power Plant, the Carajás Railroad and the Ponta da Madeira Port, located in the Itaqui Port, in São Luís (MA). mineral resources extracted from the region, which are mostly exported. Thus, Carajás represents the largest area of ​​continuous Amazonian forest in the Southeast of Pará is also one of the largest ore exploration areas in the world. In addition, the region is known today as the Mosaic of the Carajás Province, due to its composition by conservation units such as the Igarapé do Gelado Environmental Protection Area, the Tapirapé Biological Reserve, the Tapirapé-Aquiri National Forest, the Itacaiunas National Forest, Xikrin do Cateté Indigenous Land and the Carajás National Forest.

Our approach to the territory is carried out with the Environmental Education Project within the framework of the Limnological Studies Program in the Flona de Carajás developed through a technical-scientific cooperation agreement with the Foundation Coordination of Projects, Research and Technological Studies between UFRJ and Valley. Seeking to know the region and the local actors that develop Environmental Education actions in the region of Carajás, we find the environmental educators of the Environmental Education Center of Parauapebas who showed interest for a continuous formation of the team. Thus, among the many experiences of the future, we conducted the first phase (16h) of a total of three (40h) of the Training Course for Environmental Educators: “Looks about the Amazon” proposed by our Research Group on Environmental Education and Education in Limnology Sciences.

Thus, the course has been co-building through training and information by us, environmental educators. Looking at the Amazonian biome, specifically in the context of the Mosaic of the Carajás Province, it contributes to how we dialogue, relate and stand in the face of the challenges and potentialities of this biome that suffers from diverse and complex socio-environmental conflicts, as well as, with different knowledge, environmental education and research carried out in Flona de Carajás. Thus, we aim to guide how this co-operation collaborates by relating socio-environmental problems to educational processes in their conceptual, procedural and attitudinal contents. So that we can supply demands and articulate actions with the school curriculum, seeking the promotion and integration of environmental education.

 

Publicado por: casanovacla | maio 24, 2018

A Universidade e a violência

Eu ia falar de Arquimedes, e planejei um post bem “para cima”, com dicas de como se inspirar e dar um novo olhar para os dados da sua pesquisa engavetada – para algumas dessas dicas é só dar uma aqui. Não posso, no entanto, deixar de falar sobre o momento que a Universidade Federal do Rio de Janeiro vive (em especial os campi localizados na cidade do Rio de Janeiro, apesar de talvez não podermos esquecer do campus Macaé, que sofre de alguns problemas similares, e até outros campus também).

UFRJ - foto UFRJ.br

UFRJ – Campus Fundão, Cidade Universitária. Fonte: ufrj.br

UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – é a Universidade mais antiga do Brasil e um dos centros de excelência do ensino e pesquisa na América Latina e no mundo, sendo detentora do reconhecimento mundial de alguns Rankings reconhecidos, como o QS World University Rankings e do Ranking da Folha de São Paulo, entre outros. A UFRJ possui atividade ininterrupta desde 1792, quando ainda fazia parte do complexo da Universidade do Brasil. Oficialmente individualizada e fundada por Epitácio Pessoa em 1920, a universidade, infelizmente, é hoje palco de algumas histórias aterrorizantes de violência.

Se observarmos a ocupação sócio-economômica da cidade do Rio de Janeiro e observamos também a localização dos campi da UFRJ podemos entender como é representativa a presença da Universidade no dia- a- dia dos cariocas. Então, é fácil fazermos a livre associação que a UFRJ vive o que o Rio de Janeiro vive, respira o que o rio de janeiro respira e é o que o rio de janeiro é: “purgatório da beleza e do caos”.

MAPA RIO-UFRJ

Mapa da Cidade do Rio de Janeiro e as localizações dos Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (etiquetas azuis escuras). Imagem: Google Maps

O Rio de Janeiro vive hoje, mais que nunca, em um momento de guerra, que remonta à histórias cinematográficas que mostram um futuro distópico, onde crianças são atingidas por balas perdidas diariamente, creches são fechadas e arrastões são banais. Consequentemente, a sua Universidade é atingida também neste presente maquiavélico e, depois de alguns, e mais alguns, e outros mais, casos de violência contra servidores e alunos, confirmamos como é difícil ensinar e pesquisar (…e sobreviver) em “uma universidade pública de qualidade” no Brasil.

É neste cenário que chegou a nossos ouvidos mais dois (dos inúmeros) casos de sequestro dentro do Campus do Fundão só nesta última semana. Um deles foi noticiado aqui e o outro aqui, ambos ao lado do CCS (Centro de Ciências da Saúde), de onde escrevo este texto. Não me atentarei em narrar o que a mídia e redes sociais já nos mostraram: o descaso com universidade do brasil –  e a pesquisa, ensino e extensão dentro dela realizados – deixou de ser apenas político e econômico e tomou corpo e voz, de vítima acuada frente aos seus usurpadores.Diante desta realidade, por vezes banalizada, por outras vezes velada, calada e silenciada continuamos na luta diária, reivindicando ações que são por hora atendidas ou prometidas. (Hoje a reitoria anunciou medidas para aumentar a segurança no Fundão).

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Manifestação contra a violência no Campus da UFRJ no dia 23 de Maio. fonte: Clarice CN 

Por fim, esse texto é apenas para situar em que momento o Laboratório de Limnologia e todos os demais laboratórios, departamentos, institutos e centros  permacem presentes e operantes. Fazendo, com pouco estímulo – mas ainda com aquele ávido e continuo desejo de desenvolver e transmitir o conhecimento -, a universidade caminhar, sem cantar, mas seguindo aquela canção.



(Texto em inglês informado pela autora)

The University and the violence

I was going to talk about Archimedes, and I even planned for this post to be ‘”upbeat” and with helpful tips on how to get inspired and give a brand new look to the data of your shelved research – for these tips just have a quick look in here.
I can not, however, not mention the moment that the Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – is currently living (especially the campuses located in the city of Rio de Janeiro, although we shouldn’t forget about the Macaé campus, which suffers with some similar problems ).
UFRJ is the oldest university in Brazil and one of the centers of excellence in teaching and research in Latin America and in the world. This university has worldwide recognition of QS World University Rankings and Ranking of Folha de São Paulo, among others. History wise, the university has uninterrupted activity since 1792, when it was still part of the University of Brazil complex. Officially individualized and founded by Epitacio Pessoa in 1920 the university, unfortunately, is today the center of attention and place of some terrifying stories about violence.

If we look at the social and economic occupation of the city of Rio de Janeiro and observe the location of UFRJ’s campuses, we can understand how representative the presence of the university is in Rio de Janeiro’s day-to-day life. So it is easy to make the free association that UFRJ lives what Rio de Janeiro lives, breathes what Rio de Janeiro breathes and is what Rio de Janeiro is: the “purgatory of beauty and chaos.”

Thus, Rio de Janeiro lives today, more than ever, in a moment of war, which goes back to cinematic stories that depict a dystopic future, where babies are hit by bullets daily, day care centres are closed and trawlers (‘arrastões’) are ordinary. Consequently, his university is also affected in this Machiavellian present and, after some, and some others, and others, cases of violence against employees and students, we confirm how difficult it is to teach and research (and survive) in the “quality public university”.

It is in this scenario, it has come to our ears two more (of the countless) cases of kidnapping within the Fundão Campus this past week alone. One of them was reported here and the other here, both alongside the CCS (Health Sciences Center), where I write this text from. I will not attempt to narrate what the media and social networks have already shown us: the disregard of the University of Brazil – and the research, teaching and extension within – ceased to be only political and economic and is impersonated ( body and voice) as a quiet victim standing in front of its usurpers.
Faced with this reality, sometimes trivialized, sometimes veiled, silent and silenced, we continue in the daily struggle, demanding actions that are at times fulfilled or promised in short an long terms commitments. (Today the Reitoria has announced measures to increase security in Fundão).

Finally, this text is only to place at what moment the Laboratory of Limnology and all other laboratories, departments, institutes, and research centers, remain present and operative. Making, though with little encouragement – but still with that avid and continuous desire to develop and transmit knowledge -, the university walk, without singing, but following that old sad tune.

English version at the end

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Iniciaba este intercambio como un caso nuevo que inclusive en la embajada no entendían que visa darme, primero tenía la participación en el WEEC (como ya lo explique anteriormente en otro post), segundo como estudiante de investigación visitante en el Instituto de Investigación en Educación para la Sustentabilidad (The Sustainability Education Research Institute-SERI), y tercero como estudiante en el centro de idiomas (Language Centre). Este intercambio se dió como resultado de una escuela de verano realizada en el 2016 en la Universidad de Cambridge, en donde conocí a la profesora Marcia Mckenzie quien trabaja cuestiones de educación ambiental crítica y política en temas educativos y ambientales. De ahí que surgió mi interes en participar de su grupo de investigación, en este sentido, les explico que  mi visita fue en el SERI el cual es un centro de investigación dentro de la Facultad de Educación de la Universidad de Saskatchewan. Por otro lado, por sugestión de la profesora debía mejorar mi nivel de ingles, claramente, sobre todo despues de estar aproximadamente 2 años y medio entre portugues y el español. Así que decidí inscribirme en el centro de idiomas de la universidad.

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Y esta experiencia fue un intercambio realmente cultural! En su mayoría, tanto en el SERI como en el Language Centre eran extranjeros, dándome otra experiencia de vida. Porque aquí en RÍo de Janeiro, en su  mayoría mis compañeros de estudio e investigación son brasileños, con su vida ya estable, con familia, amigos de toda una vida. En cambio allí, todos estábamos solos, generando otro tipo de relación más fraternal. Viví con una familia canadiense maravillosa, quienes me hicieron sentir confortable y siempre estuvieron ahí para mí, así que tengo darles las gracias a Amanda, Landon y Bela por ello. Y que decir de mis compañeros tanto del SERI como del Langue Centre, personas maravillosas de todas las

imag3partes del mundo, entre ellas Angeles y María (México), Paola y Andres (Ecuador), Ingrid (Brasil), Lenin  (India), Lucas y Andrea (Italia), Zafer fueron las personas que siempre estuvieron conmigo y fueron como mi familia en Canada, así que gracias por tantos buenos momentos que tuvimos juntos.  Y muchas personas más con quien aprendí de su cultura Pako, Hinata, entre otras, personas de Nigeria, Estados Unidos China, Japon, Pakistan, Bangladesh, Rusia, Corea, y muchos otros lugares.

 

En el SERI, realice un trabajo independiente y objetivo, claramente siempre direccionada por mi supervisora, a quien le agradezco la oportunidad de recibirme y orientarme. Educacion ambiental, sustentabilidad, relaciones entre política y educación ambiental, relaciones entre investigadores y formuladores de políticas, análisis de discurso, metodologías; eran parte de debates y discusiones. Lo que se convirtió en un artículo titulado “Analysis of National Policy of Environmental Education of Colombia: A discursive Approach to identifying relations between researchers and policy makers”, el cual está actualmente sometido en Environmental Education Research Journal.

Por otro lado, seminarios y discusiones en grupo fueron parte de mis actividades en el SERI, por lo que tuve la oportunidad de participar de las conferencias organizadas por el SERI del profesor Alan Reid de la Universidad de Monash títuladas: “Better Teaching, Better Learning: The Need for Critical Conversations

image4and Agreeing Priorities” y “Environmental and Sustainability Education Scholarship: Knowing and Risking What Counts”. Permitiendome conocer los avances a nivel de trabajo universitario como un colectivo, tecnologico, entre otros de la Universidad de Monash. Por otro lado, tuve la oportunidad de discutir mi proyecto de investigación y recibir algunas sugerencias literarias.

En el anterior post que realice en el blog, finalice afirmando que había identificado mucho interes por resaltar el reconocimiento indigena en Canadá, y fue en el curso de inglés que descubrí la razón de este tipo de trabajos. Y es que los países desarrollados también han tenido sus fallas en los sistemas políticos, económicos y educativos. Solamente, que no es tan público, como los defectos de nuestros paises latinoamericanos, en cambio se hace otro tratamiento de la información.

Un poco de historia…

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    Residential schools

Canadá tuvo escuelas residenciales abiertas en 1796 y cerradas hasta 1996 para niños nativos americanos, para “reeducarlos” con una cultura occidental, es decir, ellos debían adoptar la religión cristiana y hablar inglés o francés, lo cual fue establecido por parte del gobierno canadiense británico canadiense. En muchos casos, tomaron los niños por la fuerza de sus padres, y los introdujeron en escuelas donde cada niño nativo americano debía olvidar sus creencias, y todo aspecto cultural. Sin embargo, sólo en 2008 el gobierno realiza una disculpa pública. Pero Por qué?.

Pues a través de los años descubrieron, que los estudiantes vivían en malas condiciones, tanto de abuso físico como emocional, por ejemplo abuso sexual, experimentos, que en algunos casos llevo a la muerte. Tanto así, que hablan de los sobrevivientes de las escuelas residenciales. Fueron tantas las atrocidades, que dicen que los campos de concentración Nazi, fueron basados en las escuelas residenciales.

  1. Segregación social.

Pues si, a pesar que Canadá es un país amigable, y que fue una de las primerasimag6 características que percibí al llegar aquí, con el paso de los días, me di cuenta que no es con todo el mundo. Como resultado de las escuelas residenciales, muchos nativos americanos viven en condiciones de pobreza, por tanto, viven bajo el consumo de drogas, y cometiendo delitos. Saskatoon es una ciudad pequeña, sin embargo, pude percibir que en su mayoría los indígenas viven después del centro, y en un tipo de edificios conformados por apartamentos, (los otros barrios son casas), este tipo de edificios son considerados de las personas “pobres”, además que la zona donde quedan ubicados, están distinguidas como zonas peligrosas, elemento que explican en la introducción a todos los estudiantes extranjeros que llegan a la ciudad. Y sin hablar de Vancouver, donde percibí muy pocos indígenas, sino en su mayoría inmigrantes asiáticos, y en la Universidad de Saskatchewan en una pequeña proporción.

Y sin capacidad de hablar de racismo hacia otro tipo de razas como la latina, árabes u otros, o que algunas personas (según ellos) consideraban como sospechoso de terrorismo, porque no lo viví. Todo lo escrito aquí, es con base a la experiencia, a historias de amigos y profesores que tuve durante mi estancia allí. Porque a nivel personal no viví ningún tipo de racismo, siempre fueron abiertos conmigo, de hecho interactúe con todo tipo de personas e incluso algunos nativos durante el recorrido del bus, (en un caso, una chica me dice que vivía triste porque ella sentía el preconcepto que tenían de ella), y por tanto me parecieron los canadienses personas super amables, alegres, abiertos, muy diferentes a otros lugares que ya visite, porque la diferencia de amabilidad la percibi desde el avión.

imag7Concluyendo…

Educación ambiental es en todo momento! aprendemos desde el diálogo con otras culturas, en el debate, en el reconocimiento histórico y su influencia en eventos del presente. En la lucha contra el colonialismo, la reivindicación de las culturas, en el debate político, en la búsqueda de una justicia socioambiental.

 

 

 

 


A Cultural Exchange a look of a Doctorate Student: Experiences and Discoveries as a Visiting Research Student.

When I started the cultural exchange, it was such an unusual case that even the Brazilian Embassy did not know what kind of visa to give me. To begin with, I was to participate in the WEEC (as I explained in an earlier post). Secondly, I was a visiting research student in the Sustainability Education Research Institute-SERI and thirdly I was to be a student in the language center. This exchange was the result of a summer school held in 2016 at the University of Cambridge, where I had met Professor Marcia Mckenzie, who works in critical environmental education and politics in educational and environmental issues. This was why I was so interested in participating in their research group. My visit was in the SERI which is a research center within the Faculty of Education of the University of Saskatchewan. However, since Prof. Mckenzie suggested I improve my English, after spending approximately 2 and a half years with Portuguese and Spanish speaking people, I decided to enroll in the University´s language center.

And this experience was a real cultural exchange! For the most part, most of students in both the SERI and the Language Center were foreigners, giving me another life experience. Here in Rio de Janeiro, most of my study and research colleagues are Brazilian and had stable lives with family and long-time friends. On the other hand, there, we were all alone, which developed another type of bond; it was easier to form a close relationship. I lived with a wonderful Canadian family, who made me feel comfortable and they were always there for me, so I have to thank Amanda, Landon, and Bela for it. And what can I say about my colleagues from both the SERI and the Langue Center! I met wonderful people from all over the world: Angeles and María (Mexico), Paola and Andres (Ecuador), Ingrid (Brazil), Lenin (India), Lucas and Andrea (Italy), Zafer (Syrian). They were always with me and were like my second family in Canada. So, thank you for so many good times we had together. And many more people from whom I learned about their Pako and Hinata culture among others: people from Nigeria, the United States, China, Japan, Pakistan, Bangladesh, Russia, Korea, and many other places.

In the SERI, I performed an independent and objective work, clearly always directed by my supervisor, to whom I thank you for giving me this opportunity; receiving and guiding me. Environmental education, sustainability, the relationship between politics and environmental education, the relationship between researchers and policymakers, discourse analysis and methodologies. These subjects were part of debates and discussions and became an article entitled “Analysis of National Policy of Environmental Education of Colombia: A Discursive Approach To Identifying Relations Between Researchers And Policymakers”, which is currently submitted in the Environmental Education Research Journal.

In addition, seminars and group discussions were part of my SERI activities. So I had the opportunity to participate in the conferences organized by the SERI of Professor Alan Reid of the University of Monash entitled: “Better Teaching, Better Learning: The Need for Critical Conversations and Agreeing Priorities” and “Environmental and Sustainability Education Scholarship: Knowing and Risking What Counts” allowing me to understand the level of advancement at the University of Monash with regard the personnel, technology, and several other aspects. On top of all this, I had the opportunity to discuss my research project and receive valuable literary suggestions.

In my previous post I made on this blog, I ended up saying that I had identified a lot of interest in highlighting the indigenous recognition in Canada, and it was in the English course that I discovered the reason for this type of work. The reason is that that developed countries have also had their failures in political, economic and educational systems. The difference is that it is not as well-known as the defects of our Latin American countries; the issue is managed differently.

A little history…

  1. Residential schools

Canada had residential schools opened in 1796 and closed until 1996 for Native American children, to “re-educate” them with a Western culture, that is, they had to adopt the Christian religion and speak English or French, which was established by the British Canadian government. In many cases, they took children from their parents by force and put them in schools where every Native American child had to forget their beliefs and cultural identity. However, it was only in 2008 that the government made a public apology. But why?

For over the years they discovered that students lived in poor conditions, both physical and emotional abuse, for example, sexual abuse, experiments, which in some cases led to death. So much so, that they talk about the survivors of residential schools. There were so many atrocities, which say that the Nazi concentration camps were based on residential schools.

  1. Social segregation.

Canada is a friendly country and this was one of the first characteristics that I perceived when I arrived here. However, with each passing day, I realized that it is not the case with everyone. Social segregation does exist. As a result of residential schools, many Native Americans live in poverty and drug abuse and crime is not uncommon. Saskatoon is a small city, however, I could perceive that most of the indigenous people live outside the center, and in apartment-type buildings (the other neighborhoods are houses), the type of buildings is considered as “poor”. In addition to this, the areas where they are located are distinguished as dangerous areas. It´s something that is included as a warning in the introduction given to all foreign students arriving in the city. In Vancouver too, I noticed very few indigenous people, rather mostly Asian immigrants, and the University of Saskatchewan in a small proportion.

And I can´t speak about racism towards other groups such as Latino, Arab and others, or other groups that certain people consider terrorist threats because I haven´t experienced it myself. Everything written here is based on my experience, the stories from friends and teachers that I had during my stay there. On a personal level, I did not experience any kind of racism. They were always open to me. In fact, I interacted with all kinds of people and even some natives on my bus rides to and from the university. In one case, a girl told me that she was sad because she felt peoples´ stereotypes wherever she went. In my experience, however, right from the moment I stepped off the plane, I found Canadians people super friendly, happy, open and very different from other places I had visited.

To conclude, environmental education is important at all times! We learn through conversation and dialogue with other cultures, through debate, in historical recognition and its influence on current events as much as in the fight against colonialism, the vindication of different cultures and in political debate, and finally, in the search for socio-environmental justice.

English reviewer: Alison Rebello.

Publicado por: Leandro T. Sabagh | maio 11, 2018

Ciência & Cerveja: juntando o útil ao agradável.

English version at the end

 

Inspirado pelo Pint of Science, evento de divulgação científica regado a uma cervejinha que ocorre ao redor do mundo na próxima semana, resolvi fazer um caminho inverso e falar sobre algumas outras interações entre ciência e cerveja, em especial ecologia e afins. Além de mais detalhes do evento, é claro, neste post vocês verão como foi solucionada uma das maiores gafes biogeográficas de uma popular cervejaria brasileira e como a indústria cervejeira influenciou nas suas aulas de bioestatística.

O Evento:

O evento consiste em pequenas palestras que cientistas – professores e pesquisadores – apresentam em bares, naquele antigo objetivo de unir o útil ao agradável. A ideia surgiu de dois pesquisadores Michael Motskin e Praveen Paul, ambos atualmente neurocientistas renomados. Michael e Praveen promoveram eventos de divulgação de seus trabalhos para a sociedade trazendo-a para dentro da Universidade (no caso Imperial College London). Eles gostaram tanto da experiência que decidiram ultrapassar os muros da instituição e encontrar as pessoas nos lugares onde elas normalmente frequentam, no caso, em Londres, pubs. Assim, em maio de 2013 nasceu o Pint of Science.

pintofscience5NOVOSobre Pubs e Pints

Pub é uma corruptela da palavra inglesa Public House. É um estabelecimento conhecido por vender bebidas alcoólicas em países com influência britânica, mas muito comum em todo o velho continente. Na cultura europeia em geral e britânica em particular, o Pub é um local de encontro das pessoas, principalmente em vilarejos e cidades pequenas.

Pint é um tipo de copo para comportar o precioso líquido. Sua capacidade varia de acordo com o país. No Brasil é de 500ml, na Inglaterra por exemplo é de 568ml.

Porque Pint of Science e não Science in Pub?

A ideia de apresentar ciência para o público geral  não é nova, nem de apresentá-la em locais como Pubs. Apesar da fama, a aparente originalidade do Pint of Science é falseada em uma breve pesquisa na internet. Este tipo de evento provavelmente surgiu independentemente em distintos locais por iniciativa de diferentes pesquisadores, inclusive encontrei um evento chamado Science in Pub que ocorreu pelo menos 13 anos antes do Pint of Science. Porém, como a intenção é mesmo divulgar, não tenho conhecimento de nenhuma acusação de plágio, patente ou direito autoral pelo evento. Já na ciência…

Pint of Science 2018

Neste ano serão 21 países participantes e o Brasil também estará presente com 56 cidades participantes. Não será o primeiro ano que participamos. Nossa estreia foi na edição de 2015. Entre no site oficial do evento e confira a programação completa: https://pintofscience.com.br/. Há também uma página do evento no facebook: https://www.facebook.com/pintofscience/ e o site internacional do evento https://pintofscience.com/

Slide1Ursos polares na Antártica

Se você achou estranho o subtítulo acima parabéns. Poucos percebem o sutil erro biogeográfico. Você já viu Ursos Polares como garotos propagandas de bebidas como a Coca-Cola principalmente por eles trazerem uma ideia de frio e refrescância. Brasileiros, de forma geral, apreciam que suas cervejas estejam (beeem) geladas, mesmo não sendo sua temperatura ideal de consumo. Desta forma, referências a animais polares é uma boa forma de fazer a associação com o frio. Nomes como Glacial®, Polar®, Antárctica® também parecem apropriados para batizar uma cerveja que espera-se consumir bem gelada.

A cervejaria Antárctica®, por exemplo, se apropriou deste conceito e utiliza pinguins como logotipo em seu rótulo desde 1935. Conveniente, mas nem sempre foi assim. Nos anos iniciais de sua produção, o “garoto propaganda” da cervejaria Antárctica® era um Urso Polar. Acontece que Ursos Polares não tem distribuição na Antártica, apenas no Ártico. Antártica inclusive é uma palavra da fusão de “Anti” e “Ártico” justamente por estarem em extremos opostos. Uma baita gafe biogeográfica que foi corrigida em tempo e apagada da história desta marca. Recordo aqui a identidade visual da cervejaria utilizada na época (com urso polar) e outra da atualidade (com pinguim).

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Cervejaria Antarctica®: (A) Parece que alguém está sentindo muito frio ou muito calor nesta antiga publicidade (de colecionador) da Antárctica®. (B) Logo tipo atual da Cervejaria Antarctica®.

Gostando mais de estatística:

Na Irlanda, mais especificamente em Dublin, reside uma das cervejarias mais famosas do mundo: a Guinness®. Mesmo que você não seja um apreciador de cerveja, certamente já ouviu este nome associado a um tal livro que registra recordes muitas vezes sem sentido. Pois bem, o livro é uma das várias estratégias de marketing desta cervejaria dentre outros que influenciem sua vida e talvez você nem saiba.

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Foto feita na Guinness Storehouse: Livro Guinness dos recordes mundiais e os tucanos, um dos símbolos da Guinness. Tucanos na Irlanda?!?!

A Guinness foi uma cervejaria inovadora contratando cientistas para otimizar seu processo de produção. Um destes cientista foi William Sealy Gosset (1876-1937), formado em algo intermediário no que hoje seria química-matemática. Mas de que forma um químico-matemático pôde influenciar tanto na ecologia? Na verdade sua influência foi significativa em toda a ciência, revolucionando a estatística como conhecida em sua época. Por não ser um acadêmico, sua contribuição para a ciência (total de 21 publicações) se torna ainda mais significativa.

Gosset entrou para o hall-da-fama da ciência com o pseudômino “Student”. Sim, esse mesmo do teste T de Student, apresentado para a ciência em seu segundo e mais importante artigo. A empresa Guinness, devido a problemas que teve no passado por vazamento de receitas, tinha como política que seus funcionários não poderiam publicar trabalhos. Gosset não tinha interesse em perder seu emprego, que o remunerava satisfatoriamente para a época. Por influência de proeminentes estatísticos como Ronald Fisher e Karl Pearson, Gosset decidiu publicar seus trabalhos e escolheu o sugestivo nome de Student para assinar seus trabalhos. Parênteses de fofoca científica: Pearson e Fisher se odiavam e Gosset, aparentemente, foi um importante mediador entre estes dois grandes gênios e revolucionários da ciência moderna. Mais um ponto para Gosset e para sua cerveja que, pelo menos, amenizam guerras. Ou alguém aqui fez amigos bebendo leite?

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Segundo e mais relevante artigo de Gosset sob o pseudônimo de Student no periódico Biometrika (A) e uma de suas biografias (B).

Se você é uma daquelas pessoas que não suporta estatística, pense pelo lado que ela colaborou bastante para aumentar a qualidade de sua cerveja. Quem sabe agora você não as vejam (cerveja e estatística) com outros olhos (e paladar).

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Taí um diploma do qual me orgulho! “Tirador de chopp Guinness”. Coloquei até no Lattes!

O Ministério da Ciência e Tecnologia Adverte:

Está tudo muito bem, divertido e engraçado, mas estudos comprovam que o abuso de álcool diminui a produtividade científica de pesquisadores. Isso fica claro se você for um ecólogo que trabalha com aves na República Tcheca! Em 2008 Thomas Grim publicou um polêmico trabalho no periódico Oikos sobre o consumo de cerveja e a produtividade destes eco-ornitólogos.

O autor chegou à conclusão que quanto maior o consumo de cerveja, menor a produtividade do cientista. Não quero entrar muito nesta seara, mas me parece claro que o uso excessivo de álcool atrapalha a produtividade científica, assim como interferirá negativamente em qualquer outro aspecto da vida. Por outro lado, há  estudos que comprovam benefícios para a saúde, sociabilidade e a criatividade pelo consumo moderado do álcool.

Um parênteses interessante sobre a República Tcheca é que o país representa uma importante escola cervejeira, não só por ser o de maior consumo per capita, mas também por ter inventado o estilo mais consumido ao redor do mundo, o Pilsner.

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Consumo de cerveja e métricas de produtividade em dois distintos anos (círculos abertos e fechados). Maiores informações em Grim (2008).

Agora sim o Ministério da Saúde:

Para muitos de nós a cerveja é um atrativo. Mas você sabia que para mosquitos também? Um trabalho de Lefèvre e colaboradores (2010) descobriu que o consumo de cerveja por seres humanos é capaz de aumentar a atratividade de mosquitos vetores da Malária (Anopheles gambiae). Apesar das evidências experimentais, o mecanismo que ativa esta preferência ainda não está claro.

Esse dado gerado na África, mesmo que empírico, é assustador pois nos faz imaginar o risco que podemos estar expostos, especialmente em países tropicais como o Brasil com muitos mosquitos vetores de inúmeras doenças. O verão, época mais propícia para tomar aquela gelada, acaba sendo também o período de maior reprodução dos mosquitos e elevadas taxas de doenças como dengue, zika e chikungunya. Tomem cerveja, mas tomem cuidado também.

Então, não se esqueçam: Pint of Science 2018, de 14 a 16 de maio em um bar próximo de você.

Se for dirigir não beba e se beber, passe repelente!

Saúde!

Referências:

Grim, T. (2008). A possible role of social activity to explain differences in publication output among ecologists. Oikos117(4), 484-487.

Lefèvre, T., Gouagna, L. C., Dabiré, K. R., Elguero, E., Fontenille, D., Renaud, F., … & Thomas, F. (2010). Beer consumption increases human attractiveness to malaria mosquitoes. PloS one5(3), e9546.

Paul, P., & Motskin, M. (2016). Engaging the public with your research. Trends in immunology37(4), 268-271.

Salsburg, D. (2009). Uma Senhora Toma Chá… como a estatística revolucionou a ciência no século XX. Zahar Editora.

Santos, S.P. (2004). Os Primórdios da Cerveja no Brasil. 2a Ed. Ateliê Editorial.

 

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SCIENCE & BEER: JOINING THE USEFUL TO THE PLEASANT.

Inspired by the “Pint of Science”, a scientific event with some beer to drink that takes place around the world next week, I decided to go the other way and talk about some other interactions between science and beer, especially ecology and the like. In addition, in this post, you will see how it was solved one of the biggest biogeographic faux pas of a popular Brazilian brewery and how the brewing industry influenced its biostatistics classes as example.

The Event:

The event consists of small lectures that scientists – professors and researchers – present in bars in that old goal of joining the useful to pleasant. The idea came from two researchers Michael Motskin and Paul Praveen, both currently renowned neuroscientists. Michael and Praveen promoted events to publicize their work to society by bringing it into the University (Imperial College London). They enjoyed the experience so much that they decided to go beyond the walls of the institution and meet the people in the places where they normally attend, in this case of London, in pubs. Thus, in May of 2013 was born the Pint of Science.

About Pubs and Pints

Pub is derived from the English word Public House. It is an establishment known to sell alcoholic beverages in countries with British influence, but very common throughout Europe. In British culture, the Pub is a meeting place for people, mainly in villages and small towns.

Pint is a type of glass to put the precious liquid. Their capacity varies by country. In Brazil it is 500ml, in England for example it is 568ml.

Why Pint of Science and not Science in Pub?

The idea of presenting the science for the general public is not new, neither the idea of present it in places like Pubs. Despite the fame, the apparent originality of the Pint of Science is misrepresented in a brief internet search. This type of event probably arose independently in distinct locations on the initiative of different researchers. I even found an event called Science in Pub that took place at least 13 years before the Pint of Science. However, as the intent is even to divulge, I am not aware of any charges of plagiarism, patent or copyright by the event.

Pint of Science 2018

This year there will be 21 participating countries and Brazil will also be present with 56 participating cities. It will not be the first year in Brazil. The debut was in the 2015 edition. Enter the official website of the event and check out the complete schedule: https://pintofscience.com/. There is also a page of the event on facebook: https://www.facebook.com/pintofscience/ and the international event website

Polar bears in Antarctica

If you think the subtitle strange, congratulations. Few people realize the subtle biogeographical mistake. You probably seen Polar Bears drink Coca-Cola mainly because they bring an idea of coolness and refreshment. Brazilians, in general, appreciate that their beers very chilled, even though it is not the ideal temperature of consumption. So, to associate polar animals is a way of marketing for many beverages. Names such as Glacial, Polar, Antarctica also seem appropriate for baptizing a beer that is expected to consume very chilled.

The Antarctic brewery, for example, has appropriated these concepts and uses penguins on its label since 1935. Suitable, but not always so. In the early years of its production, the icy-animal of a beer called Antarctica was a Polar Bear. It turns out that Polar Bears has no distribution in Antarctica, only in the Arctic. Antarctica is a word of the fusion of “Anti” and “Arctic” precisely because they are at opposite ends. A little biogeographic gaffe that was corrected in time and erased from the history of the brand, but that I remember for you here, including with a visual identity of the brewery used of the time (with polar bear) and another one of the actuality (with penguin).

How to like more the statistics:

In Ireland, more specifically in Dublin, lies one of the most famous breweries in the world: Guinness. Even if you are not a beer connoisseur you have probably heard this name associated with such a book about stranges accomplishments often meaningless. Well, the book is one of several marketing strategies of this brewery among other things that influence your life and you may not even know it.

Guinness was an innovative brewery hiring scientists to streamline its production process. One of these scientist was William Sealy Gosset (1876-1937), formed in something intermediate in what today would be chemical-mathematical. But how could a chemist-mathematician influence so much in ecology? In fact his influence was significant throughout science revolutionizing statistics as it was known in his day. Because he is not an academic, his contribution to science (total of 21 publications) becomes even more significant.

Gosset entered on hall of fame of science with the pseudonym “Student”. Yes, that same Student’s T test, presented for science in his second and most important paper. The Guinness Company, due to problems it had in the past by revenue leakage, had as policy that its employees could not publish jobs. Gosset had no interest in losing his job. Influenced by prominent statisticians like Ronald Fisher and Karl Pearson, Gosset decided to publish his works and chose the suggestive name of Student to sign his works. Parentheses of scientific gossip: Pearson and Fisher hated each other, and Gosset was apparently an important mediator between these two great geniuses and revolutionaries of modern science. One more award for Gosset and his beer that at least ameliorate wars. Or did anyone here make friends drinking milk?

If you are one of those people who does not like statistics, think for the perspective that she has done a lot to increase the quality of your beer. Who knows now you do not will see them (beer and statistics) with other eyes (and taste).

The Ministry of Science and Technology warns:

This is all very well and funny, but studies prove that alcohol abuse lowers the scientific productivity of researchers. This is clear if you are an ecologist who works with birds in the Czech Republic! In 2008 Thomas Grim published a controversial paper in Oikos journal about the consumption of beer and the productivity of these eco-ornithologists.

The author concluded that the higher beer consumption, lower the productivity of the scientist. I don’t known, but it seems clear to me that overuse of alcohol disrupts scientific productivity as well as negatively interfere with any other aspect of life. On the other hand, there are many studies that prove the benefits to health, sociability and creativity by moderate alcohol consumption.

Another interesting parenthesis: Czech Republic is a country represents an important brewing school, not only because it is the largest per capita consumption, but also because it invented the most consumed style around the world, the Pilsner.

Now the Ministry of Health

For many of us the beer is attractive. But did you know that for mosquitoes the beer is attractive too? A study by Lefèvre et al. (2010) found that the consumption of beer by humans is capable of increasing the attractiveness of these to Malaria vector mosquitoes (Anopheles gambiae). Despite the experimental evidence, the mechanism that triggers this preference is unclear.

This data from Africa, even if empirical, is frightening because it makes us imagine the risk that we may be exposed, especially in tropical countries like Brazil with many mosquito vectors of numerous diseases. It should be noted that during the summer, the best time to take the cold beer, coincides with the breeding season of mosquitoes and high rates of diseases such as dengue, zika and chikungunya.

So, do not forget: Pint of Science 2018, from May 14 to 16 in a pub near you.

If driving do not drink and drink, pass repellent!

Cheers!

Publicado por: Joseph Ferro | maio 10, 2018

Por falar em doutorado, vamos dançar carimbó?

English version at the end

 

Quando recebi uma proposta para escrever para o blog me veio à cabeça várias coisas interessantes que eu gostaria de falar. Claro que a primeira delas foi contar um pouco sobre o meu doutorado. Como o assunto central da minha tese é mudanças climáticas, eu poderia evidenciar como a diminuição de chuvas pode comprometer a biodiversidade de uma lagoa rasa amazônica e o reflexo disso nas relações tróficas. Certamente mostraria o desenho experimental e explicaria como montamos as estruturas que simularam as “mini-lagoas” para testar as minhas hipóteses. Além disso, poderia também expressar o quanto estou esperançoso por bons resultados, mas preferi deixar tudo isso para um outro momento. Decidi então falar sobre o que me proporcionou essa oportunidade de realizar um experimento durante cinco meses nesse cantinho maravilhoso do país.

Tive a imensa oportunidade de conhecer um município paraense muito especial, Parauapebas, localizado na região sudeste do Pará, próximo à Marabá, Curionópolis e Canaã dos Carajás. Aqui em Parauapebas, mais precisamente na Serra de Carajás, encontra-se uma das maiores concentrações de minério de ferro do mundo. A empresa VALE possui a concessão para extrair esse ferro e outros minérios na Serra dos Carajás, atraindo pessoas de diversas regiões do Brasil. Isto torna a população de Parauapebas muito miscigenada, com mineiros, piauienses, goianos, capixabas e, principalmente maranhenses, que chegam à região através de uma ferrovia que liga os dois estados desde que a mineração foi implantada.

Apesar deste município possuir muita influência de outras regiões do país, me surpreendi com o pouco da cultura regional ao qual eu tive acesso. Reparei que o paraense é apaixonado pelo Pará. Isso fica muito bem expresso nas letras das músicas do Carimbó, um estilo musical que pode ser dançado em roda ou dois a dois. Durante a dança as mulheres usam saia rodada com muitas cores que gira ao vento, seguindo o movimento da dança. Algumas delas dançam exibindo cestas e peneiras, que são utensílios utilizados principalmente na colheita da mandioca e para preparar os subprodutos da mesma. O cavalheiro, na dança, tem o papel de exaltar ainda mais a figura da mulher paraense.

Carimbó

Imagem ilustrando dois dançarinos de carimbó. Imagem retirada de <http://site.dancaempauta.com.br/carimbo-patrimonio-cultural-imaterial-do-brasil/&gt; em 06 de maio de 2018

Não tem como falar de Carimbó sem falar de Pinduca, o rei do Carimbó, que nos apresentou a garota do tacacá. Muito menos de Dona Onete que, com a sua simpatia e alegria, nos arrebata para o meio do Pitiú da feira do Ver-o-Peso. E se você acha pouco, ainda tem o “carimbó que segue a ginga do (…) rodado” de Lia Sophia! Algo que é muito nítido nas letras do carimbó é que elas estão muito voltadas para a realidade do povo paraense, contando histórias engraçadas evidenciando um povo alegre e divertido, além de exaltar a culinária.

À esquerda, Pinduca, o rei do carimbó e à direita, Dona Onete. Dois grandes cantores de carimbó.

E por falar em culinária…encontrei aqui uma infinidade de pratos típicos, sabores e misturas que jamais alguém pensaria que poderia dar certo. Vou começar pelo açaí. Se você está pensando naquele sorvete, extremamente doce, onde você coloca chantilly, paçoca, jujuba, granulado de chocolate etc, você está enganado. Isso não é açaí! Paraense toma açaí fresco, e quanto mais fresco estiver, melhor. Geralmente colocam uma colher de açúcar para deixar levemente adocicado. Alguns misturam com granola, farinha de mandioca ou tapioca em flocos. Pode ser tomado sozinho, mas quando está acompanhado com peixe o que era bom fica muito melhor!

Açaí

Imagem ilustrando a felicidade de um carioca ao se deliciar com o açaí paraense.

É impossível falar de Pará e não falar da castanha-do-pará. As castanheiras são árvores de grande porte, com cerca de 50 metros de altura. As castanhas ficam dentro de um fruto que se assemelha a um côco, chamado popularmente de ouriço. Com um alto teor de gorduras e proteínas, as castanhas são grandes fontes de vitaminas e sais minerais. Muitas famílias vivem da coleta de castanhas fazendo desta atividade uma das suas principais fontes de renda. Porém, na Serra de Carajás os únicos que podem coletar esta semente são os índios da etnia Xikrin.

A mandioca (Manihot esculenta) é um dos grandes tesouros da terra. Da mandioca é extraída a farinha, a tapioca, o tucupi (líquido que escorre da mandioca ralada ao ser prensada) e até mesmo as folhas da mandioca são utilizadas. Todos esses subprodutos da mandioca estão presentes em diversos pratos. O Tacacá, por exemplo, é feito com o caldo do tucupi, camarão seco e jambú (Acmella oleracea), uma erva típica da região norte que tem como característica principal adormecer a boca, dando um paladar diferenciado à comida. A Maniçoba, outro prato regional, é conhecida como a feijoada paraense, mas ao contrário do que você possa imaginar, nessa feijoada não tem feijão. Nela o feijão é substituído pelas folhas da mandioca trituradas e cozidas por 7 dias para retirar o ácido cianídrico (uma substância altamente tóxica) e, então é misturada com carnes bovinas e suínas. Essas são poucas das iguarias do Pará, mas ainda há outras, como o pato no Tucupi, o arroz paraense, o vatapá etc.

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Flores e folhas do jambú (Acmella oleracea) que possuem propriedades de adormecer as mucosas bucais ao serem ingeridas. Esta erva é muito utilizada em diversos pratos da região. imagem retirada de <http://www.mundoboaforma.com.br/13-beneficios-do-jambu-para-que-serve-propriedades-e-dicas/&gt; em 06 de maio de 2018.

Tacacá

Tacacá, uma das muitas iguarias culinárias do Pará. Imagem retirada de <https://hridiomas.com.br/origem-da-palavra-tacaca/&gt; em 06 de maio de 2018

Apesar de Parauapebas ser muito diferente de outros locais onde a cultura paraense é mais forte, fiquei muito feliz e impactado por conhecer uma pequena parte desse maravilhoso Estado. Todas essas delícias regionais, toda a alegria do povo, todo o charme da dança e a criatividade das letras das músicas mostram o quanto o Pará é rico, belo e acolhedor.

Como diz  uma das letras de Pinduca: “Chegou no Pará, parou! Tomou açaí, ficou! ”. Pará é isso! Não é apenas um lugar de passagem, é um lugar de apreciação. Não é somente um “ficar” para comer o açaí. Porém é parar, apreciar, compreender e, somente então, “ficar” por tudo o que torna o esse lugar único. Um lugar onde a riqueza não está somente nos minérios, mas também na biodiversidade, na cultura e principalmente em um povo que tem muito orgulho de dizer: Ééééégua!


Talking about my PhD, let’s dance Carimbó?

When I was invited to write to the blog, I thought in many interesting things to talk about. Of course, I could to write about my PhD – climate change is the main topic of it. Therefore, I would love to talk about how I expect that decreases in rainfall could affect the biodiversity of an Amazonian shallow lagoon, and the trophic relationships therein. I would also certainly describe the experimental design and explain how we assembled the structures that simulated the “mini-ponds” to test my hypotheses, as well as my hopeful desire for good results. Instead, I preferred to leave all this for another moment, and rather to talk about what gave me this opportunity and allowed me to live for five months in this wonderful part of our country.

I had a great opportunity to meet a very special municipality, called Parauapebas, located in the southeast region of Pará State, near Marabá, Curionópolis and Canaã dos Carajás. Here in Parauapebas, more precisely in the Serra de Carajás, lies one of the highest concentrations of iron in the world, with the company VALE having the concession to extract this and other minerals from the place, which attracts people from several regions of Brazil. This makes the population of Parauapebas very well-mixed, with people from other States, such as Minas Gerais, Pauí, Goiás, Espírito Santo and, mainly, Maranhão, where people leave their State through a railroad that connects the two states ever since the mining was implanted.

Although this municipality is very influenced from other regions of the country, I was surprised by the regional culture presented to me. I realized that the people of Pará loves Pará so much! The lyrics of the songs of Carimbó express this very well – Carimbó is a musical style that can be danced as a group or in pairs. During the dance, women wear long colorful skirts that turn in the wind, following the movements of the dance. Some of them dance displaying baskets and sieves, which are utensils used in the manioc harvesting and used to prepare their byproducts. Men, in the dance, exalt even more the figure of the paraense woman.

There is no way to speak of Carimbó without mentioning Pinduca, the king of Carimbó, who introduced us to the “Tacacá’s Girl”. Much less than Dona Onete who, with her sympathy and joy, snatches us into the Pitiú of the Ver-o-Peso fair. In addition, there is still the “carimbó that follows the ginga of (…) round skirt” of Lia Sophia! Something that is very clear in Carimbó is that the lyrics focus of in the reality of Paraense people, telling funny stories about a joyful and fun people. Another interesting thing is that the lyrics exalt their cuisine too much.

Talking about cuisine …I found here an infinity of typical dishes, tastes and mixtures that no one would ever think could work. I will start with açaí. If you are thinking about that extremely sweet ice cream, where you fill up with chantilly, paçoca, jujube, chocolate granules etc, you are very mistaken. This is not açaí! Paraense appreciates fresh açaí, and the fresher it is better. They usually put a spoon full of sugar to make it slightly sweet. Some pleople mix açaí with granola, manioc flour or tapioca in flakes. You can eaten açaí without any side dish or accompanied with others dishes. Açaí with fish is even better!

It is impossible to talk about Pará and not talk about Brazilian nuts. The Pará nuts come very high trees, about 50 meters. The nuts are inside a fruit that looks like a coconut, popularly called an urchin. With a high content of fats and proteins, nuts are great sources of vitamins and minerals. Many families survive from the collection of nuts making this activity one of their main sources of income. However, in the Serra de Carajás, the only people who can collect the Brazil nut are the Indians of the Xikrin ethnic group.

Manioc (Manihot esculenta) is one of the great treasures of the earth. From the manioc is extracted the flour, the tapioca, the tucupi (liquid that flows from the grated manioc when it is pressed). Even the manioc leaves are used. All these manioc byproducts are present in several dishes. For example, Tacacá is prepared with the tucupi, dry shrimp and jambú (Acmella oleracea), a typical herb of the northern region whose main characteristic is to numb the mouth, giving a different taste to food. Maniçoba is another regional dish, called by paraense people bean stew. However, contrary to what you can imagine, this bean stew has no beans. These are replaced by the manioc leaves crushed and cooked for 7 days to remove the hydrocyanic acid (a highly toxic substance) and then mixed with beef and pork. These are few of the delicacies of Pará, but there are still others, like the duck in the Tucupi, the paraense rice, vatapá etc.

Although Parauapebas is very different from other counties where Pará’s culture is stronger, I am very happy and impressed by knowing this small part of this wonderful State. All these regional delights, all the people’s joy, all the charm of the dance and the creativity of the lyrics of the songs show how much Pará is rich, beautiful and welcoming.

Pinduca says: “You have arrived in Pará, so stop! You have eaten açaí, you stayed! “. Pará is it! It is not just a pass by place; it is a place of appreciation. It is not a “stay” only for the açaí, but it is stopping to appreciate, to understand and only then to “stay” for everything that makes this place unique. A place where wealth is not only in minerals, but also in biodiversity, culture and especially in a people that are very proud to say: Ééééégua!

Publicado por: Lohana Mello | maio 3, 2018

Educação Ambiental e Movimentos Sociais

English version at the end

 

Olha para os lados, e vê que tudo está um tanto nublado.
Os dias se estendem, se anulam, param no tempo.
E depois de longos pesarosos dias,
sente novamente o prazer do som do riso de uma criança,
a maciez dos pelos de um gato da casa vizinha,
as rodas de um patins antigo que voltam a riscar o chão.
E quando menos perceber,
se lembra do que já foi motivo de rir até a barriga doer,
volta a resistência em desistir,
volta a sonhar os seus sonhos,
a esperança e o amor a vida
a fé
e uma nova melhor versão de si

Dentro do Laboratório de Limnologia da UFRJ há o Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental e Ensino em Ciências – GPEAEC, onde há a discussão semanal de artigos escolhidos de acordo com os interesses dos alunos participantes do grupo, abrindo também oportunidade para a participação de outros alunos interessados nessas reuniões, além das possibilidades de receber convidados que queiram discutir com o grupo algum tema relevante para ambos.

Em abril foi discutido um artigo de minha escolha: “Educação Ambiental e Movimentos Sociais: reflexões e questões levantadas no GDP”. O artigo trata de levantamentos de possíveis temas para pesquisas com relação a Educação Ambiental e movimentos sociais, discutido durante o evento “Encontro de Pesquisa em Educação Ambiental – EPEA’. Como explicitado logo no resumo do artigo, o grupo teve a finalidade de contribuir com: “a identificação das principais questões de pesquisa, o diálogo entre educadores e educadoras ambientais e militantes de movimentos sociais e a promoção de estudos que salientam e reconhecem a importância de tal relação no contexto histórico e sócio-político contemporâneo”.

Por que escolhi esse artigo

O interesse em discuti-lo no grupo veio através da vivência que tive em um movimento social voltado para a luta em prol do saneamento e meio ambiente. Mas o que é um movimento social? É a organização de grupos sociais em busca de libertação e superação de alguma forma de opressão, atuando na produção de uma sociedade modificada. Uma ação em grupo voltada para a realização dos mesmos objetivos, sob orientação de princípios comuns e sob uma organização diretiva mais ou menos definida. (SCHERER-WARREN,1987).

E esse movimento tem também como objetivo a sensibilização ambiental, e por isso há a possibilidade de relacioná-lo com a educação ambiental.

Minha relação com o movimento social

Dentro do movimento social, eu pude ter a oportunidade de aprender muito sobre como as decisões políticas podem refletir na qualidade do meio ambiente e na qualidade de vida das pessoas, e isso me motivou também a atuar nas ações do próprio movimento, buscando motivar a participação e a troca de experiências das pessoas nas atividades. A primeira atividade realizada foi de um evento na praça do bairro, para a sensibilização dos moradores com relação à coleta seletiva, que consistiu em coletar materiais recicláveis, de forma simbólica, durante uma manhã, o que me permitiu sentir que as mudanças pela própria população é possível, porque de alguma forma estávamos despertando uma curiosidade pela novidade da atuação. Mesmo com todos os atos públicos feitos durante minha vivência no movimento social, não foi possível captar o interesse das pessoas de participarem do movimento social, apesar de ser possível observar que já havia interesse pelo assunto nas pessoas, já havia uma noção da necessidade de mudança, mesmo sem exatamente saber o porquê. A atuação do movimento acaba sendo mais impactante quando constrói um relacionamento com outros grupos, outras organizações sociais e mesmo moradores de forma individual.

Essa falta de feedback ou de iniciativa por parte de algumas das constantes organizações com as quais o movimento mantém diálogo foi um dos motivos do meu interesse em pensar como aumentar o interesse dessas pessoas ou organizações sociais. Passaram a surgir questões sobre como melhorar a ‘imagem’, a abordagem inicial do movimento social, para seduzir o interesse dessas e novas organizações; A reflexão sobre diferentes estratégias de abordagens iniciais que o movimento poderia utilizar nos atos públicos ou de menos frequência para tentar sensibilizar ambientalmente através de assuntos que o movimento sempre trabalha; E como identificar e cultivar interesses com relação a justiça ambiental nas pessoas, de forma que não necessitem do movimento social para realizar qualquer ação, mas para que o movimento seja um catalisador de novos grupos, novos movimentos que atuam autonomamente, e passem a enxergá-lo como um parceiro, uma motivação, e não um grupo para se tornarem dependentes.

Atuando ainda no movimento, meus questionamentos ficaram cada vez mais intensos, me guiando em busca de otimizar a atuação do movimento nos diferentes espaços em que se envolvem. O movimento segue resiliente, da forma que podem agir na sua realidade, se adaptando efetivamente as mais diversas situações em que o movimento é colocado. E ao acompanhar suas ações, me permitiu observar que mesmo estando ou não conscientes de suas fragilidades em agregar novas pessoas ao movimento, ou na sensibilização dos indivíduos, eles continuam engajados, sempre em busca de novos conhecimentos e novas soluções, e a união genuína desses interesses em comum, com a ajuda da troca de experiências com outros movimentos, possibilita uma base frutífera para a geração de soluções criativas e cada vez mais sensíveis à realidade de suas limitações.

A relação do movimento social com a Educação ambiental

O movimento percorre um caminho no sentido de uma formação política e ambiental de seus membros, através da participação em eventos universitários, de outros movimentos sociais, grupos, coletivos ou mesmo eventos políticos, que tem como principal objetivo o diálogo sobre o meio ambiente, desenvolvimento urbano, conjuntura política e social, e a troca de experiências sobre as diversas estratégias de enfrentamento de grupos de cidadãos organizados. Essa troca permite a auto-avaliação constante de suas ações, assim como a elaboração de novas estratégias para as lutas das quais o próprio movimento está engajado.

Eles se reúnem periodicamente para discutir e avaliar o andamento das ações planejadas, e novas possibilidades de ações. Dessas reuniões, sempre surgem novas ideias que tornam-se novos objetivos a serem almejados, sempre pesando uma atuação contínua nos espaços já abertos ao movimento, e a procura por novos espaços de diálogo.

Há a utilização dos conhecimentos aprendidos nos eventos, somado com os conhecimentos adquiridos com suas próprias lutas, e abrem oportunidades para ministrar palestras, oficinas e rodas de conversa que possibilitem o diálogo e a troca de conhecimentos com diversas organizações sociais no bairro, como ONGs, igrejas, escolas e associação de moradores. Nesses espaços, tentam fazer um resgate de uma cidadania cada vez mais participativa, e um grande esforço em sensibilizar ambientalmente através da exposição sobre a atuação do movimento e suas descobertas com relação aos problemas ambientais e políticos e suas consequências para a vida de todos.

Das organizações sociais que o movimento dialoga, percebe-se que não há limite de idade, sendo desde crianças à idosos. E foi esses diferentes públicos com que o movimento tenta construir relações que contribuiu para que eu sentisse a necessidade de haver a reflexão do movimento sobre diferentes abordagens para a Educação Ambiental que realizam.

E apesar dos resultados das ações do movimento vir gradualmente, também não significa que os resultados serão mantidos, ou que serão possíveis de serem percebidos pelo movimento. Mas o movimento com certeza está indo na direção certa quando vemos que ele foi capaz de estimular a coleta seletiva com alguns moradores e organizações através da mediação com cooperativas de reciclagem. É um trabalho minucioso, onde importa mais para o movimento a continuidade desses relacionamentos e sua profundidade nos diálogos do que a expansão da coleta seletiva no bairro.

Contribuições do artigo para entendimento da educação ambiental no movimento social

Analisando a atuação do movimento social pelas visões contribuídas no artigo, o movimento se pauta principalmente na busca de oportunidades de manter relações e ações contínuas, gerando confiança, realizando práticas educativas não-formais que promovem uma cultura de resiliência e de questionamento das estruturas sociais impostas, estando para além do movimento ser capaz de acumular conhecimentos e repassá-los. A verdadeira Educação Ambiental ‘está em se manter a procura de uma libertação autêntica, na práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo’ (FREIRE, 1988).

Não há como dissociar a Educação Ambiental deste movimento, sendo um de seus principais alicerces a procura de espaços para promovê-la. O movimento, que é em prol do meio ambiente, é constituído por professores, universitários, moradores do bairro, promove a educação ambiental através das mais variadas formas, ao fazer uso de modelos universitários para repasse de conhecimento, como palestras, oficinas, rodas de conversa em roda, e atividades lúdicas feitos com os conhecimentos levantados pelo movimento.

Pode ser pensado que os movimentos sociais, pela facilidade de abrir diálogos com diversas pessoas e organizações sociais, são bem relevantes para a pesquisa, diálogo e atuação conjunta com educadores ambientais quando seu objetivo central é a discussão sobre o meio ambiente. Ele abre um leque de infinitas possibilidades para os educadores ambientais colocarem em prática seus conhecimentos, e testar novas formas de passar esse conhecimento por poderem atuar nos mais variados espaços informais, fazendo com que tenham mais tranquilidade ao se expressarem, tendo o apoio e motivação de todo o movimento social em cada ação.

Também há a identificação desse tipo de movimento social como sendo decisivo para a construção de sociedades sustentáveis que garantam a preservação da diversidade cultural e biológica, para os que adotam a perspectiva da totalidade natural e da práxis humana (LOUREIRO, 2008).

Referências Bibliográficas

SCHERER-WARREN, Ilse. Movimentos Sociais. 2a. ed. Florianópolis: UFSC, 1987. 150p. (Série Didática) – Disponível em:  http://www.institutosouzacruz.org.br/groupms/sites/INS_8BFK5Y.nsf/vwPagesWebLive/DO8RAPEU?opendocument

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 18 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

LOUREIRO, Carlos Frederico B. Educação Ambiental e Movimentos Sociais: reflexões e questões levantadas no GDP. Pesquisa em Educação Ambiental, São Paulo. v. 3, n.1, p. 187 – 201. 2008

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Environmental Education and Social Movements

look to sideways, and see that everything is somewhat cloudy.
The days stretch, annul, stop in time.
And after long sorry days,
feels again the pleasure of the sound of a child’s laughter,
the softness of the hairs of a cat from the neighboring house,
the wheels of an old rollerblades that scratch the floor again.
And when you least notice,
remembers what was already reason to laugh until the belly ache,
returns the resistance in not giving up,
back to dreaming your dreams,
hope and love life,
faith,
and a new better version of you

Within the Laboratory of Limnology of UFRJ there is the Environmental Education and Science Teaching Research Group – GPEAEC, where there is the weekly discussion of articles chosen according to the interests of the students participating in the group, also opening opportunity for the participation of other students interested in these meetings, in addition to the possibility of receiving guests who want to discuss with the group some topic relevant to both.

In April, an article of my choice was discussed: “Environmental Education and Social Movements: reflections and issues raised in GDP”. The article deals with surveys of possible topics for research related to Environmental Education and social movements, discussed during the event “Environmental Education Research Meeting – EPEA ‘. As explained in the summary of the article, the group aimed to contribute to: “the identification of the main research questions, the dialogue between environmental educators and activists and the promotion of studies that focus on and recognize the importance of such relationship in the contemporary historical and sociopolitical context “.

 

Why do I chose this article

The interest in discussing it in the group came from an experience in a social movement focused on the struggle for sanitation and the environment. But what is a social movement? It is an organization of social groups in search of freedom and overcoming some form of oppression, acting in the production of a modified society. One group action directed to the achievement of common goals, under the orientation of common principles and under a more or less defined directive organization. (Scherer-Warren, 1987).

And this movement also aims the environmental awareness, and that’s why there is a possibility of relating to an environmental education.

 

My relationship with the social movement

Within the social movement, I have had the opportunity to learn a lot about how political decisions can reflect on the quality of the environment and people’s life quality, and this motivated me also to act on the movement steps, seeking to motivate participation and the exchange of experiences of people in the activities. The first activity was an event in the neighborhood square to raise awareness among residents about selective collection, which consisted of collecting recyclable materials symbolically during one morning, which allowed me to feel that changes by the population itself is possible, because somehow we were arousing a curiosity for the novelty of the performance. Even with all the public acts done during my experience in the social movement, it was not possible to capture people’s interest in participating in the social movement, but it was possible to observe that there was already an interest in the subject in people, there was already a notion of the need for change, even without exactly knowing why. The performance of the movement ends up being more impacting when it builds a relationship with other groups, other social organizations and even individual residents.

This lack of feedback or initiative on the part of some of the constant organizations with which the movement maintains dialogue was one of the reasons for my interest in thinking how to increase the interest of these people or social organizations. Questions have arisen about how to improve the ‘image’, the initial approach of the social movement, to seduce the interest of these and new organizations; The reflection on different strategies of initial approaches that the movement could use in the public acts or of less frequency actions; And how to identify and cultivate interests concerning to environmental justice in people, so that they do not need the social movement to take any action for them, but for the movement to be an encouraging example for new groups, new movements that act autonomously, as a partner, a motivation, not a group to become dependent.

Still acting in the movement, my questions became more and more intense, guiding me in search of optimizing the performance of the movement in the different spaces in which they are involved. The movement follows resilient, in the way that they can act in their reality, adapting effectively the most diverse situations in which the movement is placed. And by accompanying theirs actions, they allowed me to observe that, whether or not they are aware of their weaknesses in adding new people to the movement, or in the environmental awareness of individuals, they remain engaged, always in search of new knowledge and new solutions, and the genuine interests, with the help of the exchange of experiences with other movements, provides a fruitful basis for generating creative solutions that are increasingly sensitive to the reality of their limitations.

The relationship of the social movement with environmental education

The movement moves along a path towards a political and environmental formation of its members, through participation in university, other social movements, groups, collective or even political events, whose main objective is the dialogue about the environment, urban development, political and social conjuncture, and the exchange of experiences on the different coping strategies of organized citizens groups. This exchange allows the constant self-evaluation of their actions, as well as the elaboration of new strategies for the struggles of which the movement itself is engaged.

They meet periodically to discuss and evaluate the progress of planned actions, and new possibilities of actions. From these meetings, new ideas are always emerging and become new goals to be aimed, always relying more on a continuous action in the spaces already open to the movement, and the search for new spaces of dialogue.

There is the use of the knowledge learned in the events, along with the knowledge gained from their own struggles, and they open up opportunities to teach lectures, workshops and round of conversations that allow dialogue and exchange of knowledge with various social organizations in the neighborhood, such as NGOs, churches, schools and residents’ association. In these spaces, they try to make a rescue of an increasingly participatory citizenship, and a great effort to raise environmental awareness through the exhibition of the movement’s action and its findings regarding environmental and political problems and their consequences for the lives of all.

Of the social organizations that the movement dialogues, it is noticed that there is no limit of age, being from children to the elderly. And it was these different publics with which the movement tries to build relationships that contributed to feeling a necessity to have the movement’s reflection on different approaches to Environmental Education that they carry out.

And while the results of the actions of the movement come gradually, it also does not mean that the results will be maintained, or that they will be possible to be perceived by the movement. But the movement is certainly going in the right direction when we see that it was able to stimulate selective collection with some residents and organizations through mediation with recycling cooperatives. It is a meticulous work, where the continuity of these relationships and their depth in dialogues are more important to the movement than the expansion of selective collection in the neighborhood.

Contributions of the article to understanding environmental education in the social movement

Analyzing the work of the social movement through the visions contributed in the article, the movement focuses mainly in search opportunities to maintain relationships and continuous actions, generating confidence, performing non-formal educational practices that promote a culture of resilience and questioning imposed social structures, that it beyond of it’s capability to accumulate knowledge and to pass it on. The true environmental education ‘It is to maintain the search for an authentic freedom, in the praxis, that implies the action and the reflection of the men on the world to transform it’ (FREIRE, 1988).

There is no way to dissociate Environmental Education from this movement, being one of its main foundations the search for spaces to promote it. The movement, which is in favor of the environment, is made up of teachers, university students, neighborhood residents, promotes environmental education in a wide variety of ways, through the use of university models for passing on knowledge, such as lectures, workshops, talk, and playful activities made with the knowledge raised by the movement.

It may be thought that social movements, for the ease of opening dialogues with various people and social organizations, are relevant for research, dialogue and joint action with environmental educators when their central objective is the discussion about the environment. It opens a range of infinite possibilities for environmental educators to put their knowledge into practice, and to test new ways of passing this knowledge through being able to act in the most varied informal spaces, making them feel more relaxed in expressing themselves, having the support and motivation of the whole social movement in every action.

There is also the identification of this type of social movement as being decisive for the construction of sustainable societies that guarantee the preservation of cultural and biological diversity, for those who adopt the perspective of natural totality and human praxis (LOUREIRO, 2008).

Bibliographic References

SCHERER-WARREN, Ilse. Movimentos Sociais. 2a. ed. Florianópolis: UFSC, 1987. 150p. (Série Didática) – fonte: http://www.institutosouzacruz.org.br/groupms/sites/INS_8BFK5Y.nsf/vwPagesWebLive/DO8RAPEU?opendocument

LOUREIRO, Carlos Frederico B. Educação Ambiental e Movimentos Sociais: reflexões e questões levantadas no GDP. Pesquisa em Educação Ambiental, v. 3, n.1, pp 187 – 201.,  

 

Publicado por: João Victor Vieira | abril 26, 2018

Por que as Reservas Biológicas são tão importantes para a sociedade?

English version at the end

 

Geralmente, a primeira coisa que vem na nossa mente ao pensarmos em Reservas Biológicas é um lugar natural intocado, com uma flora bem diversa, onde os animais podem viver sem a perturbação da exploração humana, mas existe um pouco mais de profundidade nesse assunto, que envolve uma série de situações. Uma Reserva Biológica tem como objetivo a preservação da fauna e flora, assim como outros atributos naturais, que estão presentes em seus limites. Nestas, não é permitida a interferência humana direta, exceto em casos de recuperação de ecossistemas afetados e em ações de preservação da diversidade biológica e processos ecológicos naturais, que só podem ser executadas por órgãos competentes com as devidas autorizações e seguindo a legislação prevista.

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Foto: Flickr | Reprodução

Tendo em mente o objetivo de preservar os diversos biomas nacionais, o governo brasileiro criou a Reserva Biológica, uma das modalidades de Unidades de Conservação Ambiental, instituídas pela Lei SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação, no dia 18 de julho de 2000, pela Lei n° 9.985. As áreas particulares em sua extensão, são devidamente desapropriadas dentro da lei. Além disso tudo, a visitação pública às áreas da reserva tornam-se proibidas, exceto nos casos de visitas com objetivo educacional, respeitando uma certa regulamentação, e de pesquisas científicas, geralmente feitas por universidades, órgãos públicos ou centros de pesquisa. Escolas, por exemplo, podem promover excursões para estas áreas, com autorização dos órgãos responsáveis, para ensinar sobre as características do meio ambiente, além de estimular o desenvolvimento da consciência ecológica em seus alunos.

 

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Figura 1:  Unidades de Conservação Ambiental pelo Brasil

Por se tratarem de unidades de proteção é proibido o uso de seus recursos naturais para mineração, extração e caça. De acordo com a legislação, qualquer dano causado ao ecossistema de áreas de reserva biológica são crimes, e o autor julgado, passível de multa e prisão.

É claro que tantas regras não seriam necessárias se o assunto não fosse realmente importante e não trouxesse nenhum retorno à humanidade, entre os quais podem ser citados:

Conservação de nascentes: com as nascentes preservadas, ocorre o abastecimento de córregos e rios, permite o aproveitamento das águas das chuvas e evita o assoreamento e, consequentemente, a seca dos recursos hídricos;

Desenvolvimento sustentável: a preservação ambiental, juntamente ao crescimento econômico e à justiça social, permite e garante a sobrevivência e a qualidade de vida das futuras gerações;

Equilíbrio ambiental: preservando as áreas naturais e o ecossistema dos biomas, a manutenção do equilíbrio ambiental do planeta é garantida;

Inclusão social: a existência de áreas protegidas pode trazer benefícios sociais à região, porque se forem bem gerenciadas, muitas iniciativas podem gerar emprego e renda para a comunidade local.

A existência dessas reservas é muito importante para a preservação do patrimônio ambiental, e por consequência, para a humanidade. Somente entendendo e mantendo uma relação equilibrada com a natureza e seus recursos é que a raça humana, como um todo, conseguirá garantir a presença de futuras gerações no planeta Terra, bem como a qualidade de vida destas mesmas. Somente respeitando a natureza, e reconhecendo seus recursos como finitos, é que poderemos prosperar futuramente.


Why are Biological Reserves so important to society?

Generally, the first thing that comes to mind when we think about Biological Reserves is a pristine natural place with a very diverse flora, where animals can live without the disturbance of human exploration, but there is a little more depth to this subject, which involves a number of situations. A Biological Reserve aims at the preservation of fauna and flora, as well as other natural attributes, which are present in its limits. In these, direct human interference is not allowed, except in cases of recovery of affected ecosystems and in actions to preserve biological diversity and natural ecological processes, which can only be performed by competent bodies with the proper authorizations and following the envisaged legislation.

Keeping in mind the objective of preserving the various national biomes, the Brazilian government created the Biological Reserve, one of the modalities of Environmental Conservation Units, instituted by the SNUC – National System of Conservation Units, on July 18, 2000, by Law No. 9,985. The particular areas in their extension are properly expropriated within the law. In addition, all public visits to the areas of the reserve are prohibited, except in cases of visits for educational purposes, respecting certain regulations, and scientific research, usually done by universities, public bodies or research centers. Schools, for example, can promote field trips to these areas, with the permission of the responsible bodies, to teach about the characteristics of the environment, as well as to stimulate the development of ecological awareness among its students.

Because they are protected units, the use of their natural resources for mining, extraction and hunting is prohibited. According to the legislation, any damage caused to the ecosystem of biological reserve areas are crimes, and the author judged, subject to fine and imprisonment.

Of course, so many rules would not be necessary if the subject were not really important and brought no return to humanity, among them they can be cited:

Preservation of springs: with preserved springs, supply of streams and rivers, allows the use of rainwater and prevents silting and, consequently, drought of water resources;

Sustainable development: environmental preservation, together with economic growth and social justice, enables and guarantees the survival and quality of life of future generations;

Environmental balance: preserving the natural areas and the ecosystem of biomes, maintaining the planet’s environmental balance is guaranteed;

Social inclusion: the existence of protected areas can bring social benefits to the region, because if they are well managed, many initiatives can generate employment and income for the local community.

The existence of these reserves is very important for the preservation of the environmental part, and consequently, for humanity. Only by understanding and maintaining a balanced relationship with nature and its resources can the human race, as a whole, be able to guarantee the presence of future generations on planet Earth, as well as their quality of life. Only by respecting nature, and recognizing its resources as finite, can we prosper in the future.

Referências/References:

BRASIL 2000. Lei Federal Nº 9.985 de 18/07/2000. Regulamenta o artigo 225 da Constituição Federal e institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e da outras providências.

BRASIL. Lei 9.605 de 1998: Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. (Lei dos Crimes Ambientais). 1998.

http://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/descubra-o-que-e-uma-reserva-biologica-e-como-ela-contribui-com-conservacao-ambiental/  – Acesso em 31/03/2018

https://uc.socioambiental.org/prote%C3%A7%C3%A3o-integral/reserva-biol%C3%B3gica – Acesso em 04/04/2018

https://www.suapesquisa.com/ecologiasaude/reserva_biologica.htm – Acesso em 04/04/2018

https://www.infoescola.com/ecologia/reserva-biologica/ – Acesso em 04/04/2018

https://www.estudopratico.com.br/reserva-biologica-legislacao-e-reservas-biologicas-no-brasil/ – Acesso em 19/04/2018

http://geografia675.blogspot.com.br/2015/10/ – Acesso em 22/04/2018

Publicado por: Juliana Leal | abril 19, 2018

Mestres e Doutores em distúrbios psiquiátricos


English version at the end

 

Nas últimas semanas, fomos bombardeados por notícias veiculadas em websites de grandes revistas científicas, como Nature e Science, sobre problemas de ansiedade e depressão enfrentados por alunos de mestrado e doutorado. As notícias veiculadas são baseadas nos artigos científicos publicados nas revistas Nature Biotechnology e Research Policy. O primeiro estudo em questão foi baseado em respostas dadas por estudantes do mundo inteiro e aponta que alunos de pós-graduação são cerca de 6 vezes mais propensos a terem depressão ou ansiedade que o restante da população. O segundo foi realizado com alunos de doutorado belgas, mostrando que cerca de um terço dos estudantes estão tendo ou desenvolvendo distúrbios psiquiátricos – principalmente, depressão. Se você convive no meio acadêmico, sabe muito bem que esse problema não surgiu no último mês, junto com as notícias. Neste texto, pretendo unir a minha experiência pessoal, enquanto portadora do Transtorno de Ansiedade Generalizada e aluna de doutorado da melhor universidade do Brasil (segundo o ranking universitário da Folha de 2017), às causas apontadas pelos estudos prévios para tentarmos entender o que há de “tão especial” na vida acadêmica e o que está por trás desse padrão.

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Ilustração: Pedro Hamdan/ SAÚDE é Vital

I) O perfil do aluno de pós-graduação

            Pessoas que escolhem fazer mestrado e/ou doutorado tendem a ser aquelas com a imagem do “bom aluno”, preocupando-se com os estudos, com suas notas e em alcançar os objetivos estabelecidos pelos professores. Esse tipo de comportamento, geralmente, vem associado com uma característica que pode ser devastadora para a saúde mental de uma pessoa: a auto-cobrança. Quando exigimos demais de nós menos, tornamos-nos mais propensos à falha. Numa simples analogia, pensemos em um atleta de salto com vara. Nessa modalidade, os competidores usam uma vara para alcançar maior altura e passar por cima de uma barra. Quanto mais baixo a barra estiver, mais fácil será ultrapassá-la. Agora, quando a barra está em seu nível máximo, quantas vezes você vai fracassar até conseguir passar por cima dela? Inúmeras vezes ou talvez nem mesmo consiga! Esse é o problema de quem se cobra demais. Quando o seu nível de exigência em relação ao seu rendimento acadêmico está alto demais, mais difícil será alcançar os seus objetivos e, com isso, mais propenso às frustrações nós ficamos. As frustrações podem vir acompanhadas por desestímulo e tristeza, fazendo com que percamos as esperanças em nós próprios e em nossas capacidades. Acredite, existe um limite saudável para a sua “barra de exigências”.

II) O relacionamento com o orientador

            Um dos estudos citados no início deste texto aponta que, cerca da metade dos alunos acometidos com ansiedade ou depressão, discordam que seus orientadores de fato os orientem ou que os apoiem. Para quem conversa com alunos de outros laboratórios ou de outros Programas de Pós-Graduação, sabe que essa é uma realidade bem comum. Teoricamente, o  orientador existe, mas não cumpre com o real significado da palavra que o designa. A verdade é que, caso os alunos não precisassem do auxílio de alguém mais experiente para tocarem suas dissertações e teses, o papel de orientador simplesmente não existiria! Como essa não é a nossa realidade, pressupõe-se que os alunos de Pós-Graduação não executem seus respectivos trabalhos desassistidos.

            Resolvi fazer uma busca em um grupo do Facebook de alunos de Pós-Graduação, buscando pela palavra “orientador” nas postagens mais antigas. Dentre as publicações mais relevantes, as considerações dos alunos variaram, mas, a maioria, com opiniões negativas sobre os mesmos. Como alguns exemplos dos resultados da busca, estão situações em que o orientador não lê o trabalho do aluno antes da defesa e não responde aos seus e-mails, ou seja, a maioria das publicações tendem a ser voltadas ou para o perfil do “orientador que não orienta”. Pelo visto, essa parece ser uma realidade bem comum à maioria dos estudantes de mestrado e doutorado no Brasil.

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III) Instabilidade financeira e não-reconhecimento da profissão

            Alunos de mestrado e doutorado, muitas vezes, são restringidos a se ocuparem exclusivamente das suas dissertações e teses, mantendo-se fora do mercado de trabalho formal, por exigência dos órgãos de fomento à pesquisa que bancam as bolsas de estudo. Assim, cada vez que se finda um ciclo da pós-graduação, vem aquele medo do “e agora, vou fazer o quê?”. Além disso, não somos reconhecidos como profissionais, e sim, como estudantes. Questionamentos do tipo “quando você vai parar de estudar e achar um emprego?” ou “quando você vai ter um emprego de verdade?” são muito comuns na nossa rotina. Infelizmente, ainda vivemos em um país onde o trabalho intelectual é pouco compreendido. Pregar parafuso é um trabalho, mas estudar um assunto não. De fato, muitas pessoas são pressionadas por suas famílias a terem “um emprego de verdade”, tendo que levar a Pós-Graduação sem o apoio de seus familiares.

            Quando se iniciaram os debates sobre a Reforma da Previdência, resolvi fazer a simulação da idade com a qual eu me aposentaria. Percebi que era melhor eu desistir de pensar em me aposentar e começar a pensar em trabalhar até a morte, afinal, só me aposentaria aos 75 anos!

IV) Relação trabalho-vida pessoal

            Em um dos artigos citados anteriormente, 56% dos alunos acometidos com ansiedade severa ou moderada discordaram da frase “Eu tenho um bom equilíbrio entre a minha vida pessoal e profissional”. A verdade é que a auto-gestão do tempo é uma “faca de dois gumes” para os pós-graduandos. Por um lado, temos a liberdade de escolher quando e onde trabalharemos em determinada coisa, mas, por outro, pequenos deslizes na gestão do tempo pode fazer com que não consigamos executar as tarefas previstas. Não necessariamente a não-realização de atividades é gerada por procrastinação ou desleixe do aluno. Por mais que planejemos o dia, sempre pode haver um imprevisto – como, por exemplo, um colega de laboratório que pede ajuda em uma determinada atividade -, faça com que, ao final do dia, a nossa lista de afazeres não seja completada. Assim, vamos para casa com a sensação de que não fizemos tudo que devíamos e, então, começamos a utilizar horários “alternativos”, como os finais de semana, para realizá-las.  A questão é que, se você trabalha nos horários em que você teria disponível para estar com a sua família ou se divertindo com os amigos, você simplesmente passa a não ter mais esses horários de lazer. Todos sabemos dos prejuízos que a falta de interação social e diversão podem trazer para a nossa saúde mental, mas, o fato é que quem quem atua na área acadêmica dificilmente consegue chegar ao final do dia, desligar seu computador e se desligar completamente de seu trabalho até o dia seguinte.

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E agora?

            Acredito que os primeiros passos a serem dados são por nós mesmos, integrantes da comunidade acadêmica. Como todos nós bem sabemos, as políticas das Universidades públicas são implementadas em passos lentos e carregados de burocracia. Para que essas estatísticas não se tornem ainda mais “deprimentes” daqui a alguns anos, precisamos ressignificar as relações humanas nos Programas de Pós-Graduação e em nossos laboratórios. Devemos pensar no acolhimento e integração dos estudantes recém-ingressados e acredito que as coordenações das Pós-Graduações deveriam, de alguma forma, estarem dispostas a ouvirem  a opinião dos alunos em relação aos seus orientadores e ponderá-las. Independentemente das possíveis soluções que podemos discutir, um importante avanço está sendo dado nesse momento, no qual estamos discutindo um assunto que, por muito tempo, foi silenciado no ambiente acadêmico. Somente a partir do reconhecimento dos problemas é que podemos pensar nas soluções.

            E você, em quais possíveis soluções você apostaria para que mudemos o panorama da saúde mental dos alunos de Pós-Graduação? Será um prazer receber o seu comentário!

 


MSc and PhD in Psychiatric disorders

In the last few weeks, we have been inundated by news on websites of major scientific journals, such as Nature and Science, about anxiety and depression problems faced by Master’s and Doctoral students. They are based on scientific articles published in the journals Nature Biotechnology and Research Policy. The first study was based on answers given by students worldwide and points out that graduate students are about 6 times more likely to have depression or anxiety than the rest of the population. The second was conducted with Belgian doctoral students, showing that about a third of students are having or developing psychiatric disorders – mainly depression. If you live in the academic world, you know very well that this problem did not come up in the last month, along with the news. In this text, I intend to join my personal experience, as a Generalized Anxiety Disorder patient and a Ph.D. student at the best university in Brazil (according to the Brazilian Universities ranking in 2017), and the causes pointed out by previous studies to try to understand what is “so special” in academic life and what lies behind that pattern.

I) The Profile of graduate student

People who decide to get masters and /or doctorates degrees usually tend to be those considered as “good students,” worrying about their studies, their grades, and achieving the goals set by teachers. This type of behavior usually comes with a characteristic that can be devastating to a person’s mental health: self demand. When we demand too much of ourselves, we become more likely to failure. In a simple analogy, let’s think of a pole-vaulting athlete. In this sport, competitors use a stick to reach higher height and move over a bar. The lower the bar is, the easier it will be to overtake it. Now, when the bar is at its maximum level, how many times will you fail until you can get over it?

Countless times or maybe never! And that is the problem of a person that demands too much. When your level of demand for your academic achievement is too high, it will be harder to achieve your goals and thus more likely to frustration. Frustrations can be accompanied by discouragement and sadness, causing us to lose hope in ourselves and in our abilities. Believe me, there is a healthy limit to your “bar of requirements”

II) The relationship with the advisor

One of the studies cited at the beginning of this text points out that about half of students with anxiety or depression disagree that their advisors do indeed orient or support them. For those who talk with students from other laboratories or other Graduate Programs, know that this is a typical reality. Theoretically, the advisor exists, but does not play the real role that the word definition is supposed to.  The truth is, if students did not need the help of someone more experienced to deal with their dissertations and theses, the role of na advisor simply would not exist! Since this is not our reality, it is assumed  that the graduate students do not develop their respective tasks unassisted.

I decided to check out a Facebook group of graduate students by searching for the word “advisor” in older posts. Among the most relevant publications, the students’ considerations varied, but most of them had negative opinions about it. For example, there are situations where the advisor does not read the student’s work prior to the defense and does not respond to their e-mails, which means that most publications point to the “non-advisor” profile. Apparently, it seems to be very common for most Masters and Doctoral students in Brazil.

 

III) Financial instability and professional non recognition

Masters and doctoral students are often restricted to deal exclusively with their dissertations and theses, keeping out from formal job market as required by the research funding agencies that fund scholarships. So, every time a graduate cycle ends, that fear of “and now, what will I do?” appears. Besides, we are not reconized as professionals but as students and questions such as “ when will you stop studying and get a real job?” are often in our everyday life. Unfortunatelly we live in a country that intelectual work is poorly understood. Hammer a nail is a job but study a certain subject isn’t.  Indeed, many people are pressured by their families to get a “real job” and have to face their graduate course without family support.

When the debates on Pension Reform began, I decided to simulate the age at which I would retire. I realized I’d better give up thinking about retiring and start thinking about working till death, after all, I would only retire at age 75!

IV) Life-work relationship

In one of the articles cited above, 56% of students with severe or moderate anxiety disagreed with the phrase “I have a good balance between my personal and professional life.” The truth is that self-management of time is a “double-edged sword” for post-graduates. On the one hand, we have the freedom to choose when and where we will work on a certain thing, but, on the other, small slips in time management can disturb the execution of the planned tasks. Not necessarily, not performing the daily activities is due to student procrastination or sloppiness. No matter how we plan the day, there can always be an unforeseen event – such as a laboratory colleague asking for help in a particular activity -, so that at the end of the day our to-do list is not completed. So we go home feeling like we did not do everything we should, and then we start using “alternative” schedules like weekends to do them. The point is, if you work at times when you would be available to be with your family or having fun with friends, you simply do not have those leisure times anymore. We all know the damages that lack of social interaction and fun can bring to our mental health, but the fact is that those who work in the academic field can hardly reach the end of the day, turn off their computer and completely disconnect from their work until the next day.

And now?

I beleive that we, members of the academic community, should take the first steps. As we all know, the policies of public universities are implemented in slow and bureaucratic steps. To avoid making these statistics even more “depressing” in a few years, we need to re-signify human relationships in the Graduate Programs and in our labs. We must think about the reception and integration of new students and I believe that the co-ordinations of the Programs should somehow be available to listen to the students’ opinions about their advisors and consider them. Regardless of the possible solutions that we can discuss, an important advance is being made at this time, in which we are discussing a subject that for a long time has been silenced in the academic world.

Only by recognizing problems we can think of solutions.

And you, which possible solutions would you suggest to change the mental health scenery of graduate students? We look forward to hearing from you!

 

 

Publicado por: molisanimm | abril 16, 2018

Por dentro do 8° Fórum Mundial da Água 2018

English version at the end.

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O Fórum Mundial da Água (FMA) aconteceu pela primeira vez em um país do hemisfério sul, tendo como tema o “Compartilhamento da Água”. O FMA trouxe ao Brasil (e a Brasília) chefes de Estado, representantes de entidades governamentais e não governamentais, empresas multinacionais, entre outros, totalizando 10 mil congressistas e 45 mil visitantes, promovendo o encontro de interesses institucionais, políticos, técnicos, acadêmico e de âmbito comercial e da sociedade civil em âmbito global.

Em paralelo ao FMA, ocorreram outras atividades como o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), a Vila Cidadã e a Feira de Exposições. Nesta feira ocorreram a apresentação e negociação de produtos, serviços e soluções tecnológicas para a gestão das águas. Na Vila Cidadã foi uma área aberta ao público, principalmente crianças, que entrou em contato com diversas experiencias que envolve o tema água, indicando a importância do desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental visando a preservação da água.

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Vila Cidadã: espaço gratuito e aberto ao público do FMA

Já o FAMA questionou a legitimidade do FMA como espaço político para promoção da discussão sobre os problemas relacionados ao tema em escala global, envolvendo governos e sociedade civil, apontando a falta de independência, representatividade e legitimidade do conselho organizador, por estar comprometido com empresas que têm como objetivo a mercantilização da água. Isso significa um conflito entre interesses econômicos e o direito fundamental e inalienável à água. Sendo a má distribuição e a escassez agravadas pela apropriação da água para fins comerciais pelas grandes corporações, que promovem um processo de mercantilização da água nos moldes usuais do mercado global: lucrar e distribuir dividendos a um reduzido grupo de investidores. No FAMA podemos ver relatos ocorridos, por exemplo, na região sul do estado do Piauí, onde extensas áreas estão sendo desmatadas, a biodiversidade sendo extinta, rios secando e o poder público fechando escolas e postos de saúde. E obrigando a população a migrar para os grandes centros urbanos, e deixando extensas áreas que estão sendo compradas por grupos privados internacionais, que “esquentam” a terra comprando a preços módicos e vendendo a empresas internacionais para a exploração de água. Na abertura do FAMA, a Procuradora do Ministério Público Federal, Raquel Dodge fez uma participação afirmando o papel da MPF na defesa dos interesses da população, inclusive citando um grupo de trabalho específico do MPF para a proteção da água em terras indígenas. De uma maneira geral, as questões relacionadas a água estão no conflito pela captação pela população local e as grandes empresas, na redução do acesso a água pela poluição hídrica gerada pelas empresas, e pela formação de comitês de bacias hidrográficas (CBHs) “chapa branca” dominados por entidades de usuários e do governo, deixando, de fora a participação da sociedade civil, o que vem acarretando na criação de CBHs alternativos, somente com a participação popular.

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Procuradora do Ministério Público Federal, Raquel Dodge, no FAMA.

Por fim, o FMA como evento não deliberativo indica caminhos a serem tomados, através da Declaração Ministerial do FMA, Declaração dos Juízes, Declaração do Ministério Público Federal, Declaração da Autoridades Locais e Regionais, Declaração da Sustentabilidade, Declaração Parlamentar.  A declaração final do FMA faz um chamado urgente para uma “ação decisiva sobre a água”, reconhecendo que todos os países precisam tomar medidas urgentes para enfrentar os desafios relacionados à água e ao saneamento, estabelecendo algumas ações consideradas prioritárias. O documento aponta também que as parcerias formadas durante o FMA são fundamentais para implementar a declaração. A cooperação em todos os níveis e em todos os setores e partes interessadas, incluindo o compartilhamento de conhecimento, experiências, inovação e, quando apropriado, soluções. É fundamental para promover a gestão sustentável da água e explorar sinergias com os diversos aspectos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável relacionados à água, apontando o papel fundamental das Nações Unidas na promoção da cooperação internacional da água em nível global. Os esforços e as iniciativas tomadas em todos os níveis devem promover a participação adequada e inclusiva de todas as partes interessadas relevantes, em particular, os mais vulneráveis e incluindo as comunidades locais, os povos indígenas, os jovens, as meninas e as mulheres e aqueles afetados pela escassez de água. O ciclo hidrológico global, os processos geológicos, o clima, os oceanos e os ecossistemas são altamente interdependentes e todos eles devem ser levados em consideração na adoção de abordagens interdisciplinares, integradas e sustentáveis para a gestão da água.

Por fim, lendo todas as declarações e as atividades do FMA fica a impressão de que já ouvimos toda esta história antes e o que realmente transparece do FMA são as negociações sobre o futuro da água no Planeta, feitas por uma elite política, econômica e intelectual, que sabendo que a água é um recurso natural em vias de escassez e em processo drástico de poluição, propõe soluções (ou compartilhamentos) que envolve tecnologia, recursos financeiros e uma legislação cada vez universal para tratar dos conflitos relacionados a água, que estão (e serão) cada vez mais frequentes.


 

Inside the 8th World Water Forum 2018

The World Water Forum (WWF) was held for the first time in a country from the south hemisphere, with the central theme “Water Sharing”. The WWF brought to Brazil (and Brasilia) heads of governments, non-governmental and governmental representative, multinational companies, and others, summing about ten thousand congressmen/woman and forty-five thousand visitors, promoting a global meeting of the interests of institutions, politics, technicians and academics, commercial purposes and civil society.

Simultaneously to the WWF, occurred other activities, including the World Water Alternative Forum (WWAF), the Citizen Village and Exposition Market. In the Exposition Market occurred the presentation and negotiation of products, services and technological solutions for water management. The Citizen Village was an open-access area for people, mainly kids, that were put in contact to a variety water-related experiences, showing the importance of the environmental education activity development focusing on water preservation.

On the other hand, the WWAF questioned the WWF legitimacy as a political ground to promote the discussion about global water-related themes, and pointed out the lack of independency, representativeness and legitimacy of the organization council, because it is compromised to the water commercialization corporations. Overall, this mean a conflict between the economic interest and the fundamental and inalienable human right water access, and consequently the unequal water distribution and shortage, intensified by the water misappropriation for commercial purposes by the large economical corporations, that promote the water merchandising like of usual global markets: to profit and payment dividends to a small private investor group. In the WWAF, we kept in contact to many people that told studies cases such as in the southern region of the State of Piauí where extensive areas have been deforested, the biodiversity extinctic, the rivers drying up, and the public authorities closing schools and health clinics which forced people to leave their home place and migrate to urban centers wherein they will pay for water. Such vast areas have been purchased by international private groups for small prices and this “heat up of the land” occurs to be once again be purchased to multinational groups with interested in the groundwater water exploration. In the WWAF’s opening ceremony, the Brazilian Federal Public Ministry, Raquel Dodge spoke and affirmed the FPM concern to protect the people, including mentioned the specific FMP’s workgroup creation to protect water in the indigenous land. In conclusion, water-related questions pointed out to conflicts about the water withdrawal between local people and companies, the reduction of water access by pollution emitted from such economic activities, and the formation of watershed committee dominated by large water users (economics) and politics, setting aside the civil representation which has leading the formation of alternative watershed committee with only the popular participation and with the purpose of supervise and pressure the official watershed committees.

At the end, the WWF as a non-deliberative event, only guiding paths to be taken, represented by the WWF’ Ministerial Declaration, Judges Declaration, Brazilian Federal Public Ministry Declaration, Local and Regional Authorities Declaration, Sustainability Declaration, Parliamentary Declaration.  The concluding remarks of the WWF was an urgent call for a “decisive action for water”, recognizing that all countries have to be taken urgent measures to tackle the water related challenges such as domestic and economic waste treatment. The document highlights the importance of partnership created during the WWF to share knowledge, experiences, innovations, and solutions for sustainable management practices and explore synergies of the diverse aspects of the 2030 Agenda for the Water Sustainable Management. In addition, the document discussed the importance of the United Nations to promote the global water cooperation. The efforts and initiatives have been taken in all levels to promote the proper participation in all relevant parties, mainly the more vulnerable people such as local and indigenous people, kids, women and everyone highly affected by water shortage. The global hydrological cycle, geological processes, the climate, oceans and ecosystems are interdependent and all have to be considered in an interdisciplinary approach for integrated and sustainable water management.

In conclusion, by reading all WWF’s declarations and activities, we have the feeling that we already saw all these statements before, and what really stayed from the WWF participation was the negotiations about the water future on planet made by a political, economic and intellectual elite that realize that water is a natural but scarce and soon-to-be highly polluted resource and this elite propose solutions based on high technology, financial budgets and increasing global law legislation to solve water-related conflicts that are (and will) be more frequent on planet.

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