A palavra vírus remete normalmente à algo negativo. Experimente buscar por “vírus” no Google e os primeiros resultados obtidos serão basicamente associadas à dois tópicos: doenças graves, como HPV, HIV e Zika, ou os indesejáveis vírus de computador (programas malware), que obviamente não são biológicos e foram batizados com o termo vírus, emprestado da biologia, devido ao seu caráter infeccioso. De fato, em ambos contextos os vírus causam sérios danos e essas são questões que devemos estar frequentemente preocupados, mas será que os vírus representam sempre um problema e por isso deveriam ser eliminados da face da terra?

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A resposta é não. Primeiramente porque seria uma tarefa impossível uma vez que em toda biosfera estima-se que existam cerca de 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (10³¹) partículas de vírus (ufa!), que podem ser encontrados nos quatro cantos do planeta Terra, inclusive em ambientes extremos! Para se ter uma ideia da dimensão desse número, ele é impressionantemente comparável ao número de estrelas (4×10²²) em todo o Universo! O leitor há de concordar que todos esses vírus no mundo não poderiam existir infectando apenas uma população humana de 7,5 bilhões (109) de indivíduos.

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Os vírus e as estrelas: números e imagens semelhantes. À esquerda imagem de vírus e bactérias sob microscopia de epifluorescência (por Nathan Barros) e à direita imagem de um céu estrelado (fonte: https://wallpapersafari.com)

Na realidade, os vírus infectam células dos mais diversos tipos de organismos, desde bactérias até baleias. Mas por qual motivo os vírus infectam células hospedeiras? Simplesmente porque dependem do aparato celular dos seus hospedeiros para se replicarem. Quando encontrados fora de células hospedeiras, os vírus são apenas pacotes de material genético (DNA ou RNA) envolvido por uma capa proteica e por isso não são capazes de se locomover ativamente, dependendo de encontros aleatórios com seus hospedeiros para que ocorra a infecção. Devido à essa característica infecciosa, os vírus podem desempenhar funções ecológicas importantes tanto em ambientes terrestres como em aquáticos, mas aqui focarei nos ambientes aquáticos.

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Ciclo lítico e ciclo lisogênico da replicação viral. No ciclo lisogênico os vírus infectam a célula hospedeira e controlam o processo de divisão celular. Com a divisão, uma célula bacteriana infectada dá origem a duas células bacterianas também infectadas. No ciclo lítico os vírus se multiplicam no interior da célula hospedeira e rompem a membrana celular. Após esse rompimento os vírus são liberados para o ambiente para então infectar outras células. Com a ruptura celular também são liberados compostos orgânicos para o ambiente (por Nathan Barros).

Desde meados da década de 1960, sabe-se que bactérias e algas são infectadas por vírus, porém, apenas no final dos anos 1980 cientistas descobriram que vírus são extremamente numerosos em ambientes como lagos, rios e oceanos. Este fato atraiu a atenção de pesquisadores a estudar os vírus sob uma perspectiva ecológica.

Uma das principais funções ecológicas dos vírus é o controle de populações. Da mesma forma que os vírus podem controlar a população humana por meio de algumas doenças potencialmente fatais, eles são muito eficientes no controle de populações microscópicas dos ecossistemas aquáticos. Em média, 10% da mortalidade de algas e 40% da mortalidade de bactérias são causadas pela infecção viral. Desta forma, os vírus exercem um importante controle das bactérias dominantes, facilitando uma alternância de espécies e promovendo a diversidade. No caso das comunidades fitoplanctônicas, estudos apontam que os vírus podem também controlar o desenvolvimento de florações de algas potencialmente tóxicas.

Mas não é só isso! O rompimento da parede celular dos seus hospedeiros acarreta também na liberação de todo o conteúdo que antes estava no citoplasma (material interno) da bactéria. Desta forma, a ação viral redisponibiliza nutrientes essenciais para vida como carbono, nitrogênio e fósforo para a coluna d’água. Esse curto-circuito causado pela ação viral é chamado na literatura científica de “alça viral” e atua desviando nutrientes de níveis tróficos superiores para a base da teia trófica microbiana.

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Esquema simplificado mostrando como a “alça viral” causa impactos no fluxo de nutrientes em teias tróficas de ecossistemas aquáticos. Os vírus (A) causam a ruptura celular de seus hospedeiros, principalmente bactérias (B) e fitoplâncton (C), liberando carbono, nitrogênio e fósforo (CNP) de fácil assimilação na coluna d’água. Desta forma, a alça viral desvia uma parcela do carbono que alcançaria níveis tróficos superiores, como microzooplâncton (flagelados e ciliados – D), macrozooplâncton (rotíferos, cladóceros e copépodos – E) e predadores (ex.: peixes – F) e o redisponibiliza para a base das teias tróficas aquáticas representadas por bactérias e fitoplâncton (B e C). As setas pretas indicam o fluxo regular de carbono nas teias tróficas, enquanto que as setas vermelhas indicam os fluxos mediados por vírus. A largura das setas vermelhas representa grosseiramente a magnitude destes fluxos (adaptado de André Amado).

O conhecimento sobre a ecologia dos vírus em ecossistemas aquáticos avançou muito ao longo das últimas duas décadas. Sabemos por exemplo que fatores ambientais como substâncias húmicas, salinidade, concentração de nutrientes, entre outros, podem afetar a densidade de vírus. No entanto, ecossistemas aquáticos continentais, como rios, lagos e lagoas, ainda são relativamente pouco estudados, em especial aqueles localizados em regiões tropicais. Os ambientes tropicais são, sob diversos aspectos, muito diferentes dos ambientes temperados. A maior parte dessas diferenças está relacionada à maior irradiação solar incidente nos trópicos, o que afeta diretamente as variáveis ambientais, que por sua vez afetam a atividade bacteriana e acabam afetando indiretamente os vírus. Então, quais e de que maneira as variáveis ambientais estariam impactando a abundância e atividade viral em ecossistemas tropicais?

Meu trabalho de mestrado, conduzido no Laboratório de Limnologia (UFRJ) e em colaboração com o Laboratório de Hidrobiologia (UFRJ), teve como objetivo principal cobrir esta lacuna no conhecimento científico. Nós utilizamos 20 lagoas costeiras localizadas no estado do Rio de Janeiro como ecossistemas modelo para testar quais fatores ambientais eram mais determinantes para abundância e produtividade viral em sistemas tropicais. Dentre várias variáveis ambientais, descobrimos que a salinidade é o mais forte dos fatores ambientais determinando positivamente a abundância viral e bacteriana. Em outras palavras, quanto mais salino o ambiente, maior a abundância dos microrganismos. Contudo, não encontramos maior produção viral (quantidade de vírus produzido por unidade de tempo) em ambientes mais salinos. Diante deste aparente paradoxo, nossa hipótese é que este padrão ocorreu por dois motivos principais relacionados com as condições estressantes de ambientes hipersalinos:

1) vírus e bactérias estão livres da pressão de predação pois a alta concentração de sal impede a presença dos seus predadores;

2) a diversidade bacteriana é muito menor pois a alta salinidade dificulta a vida da maior parte das bactérias, assim, os poucos grupos adaptados a estas condições dominam o ambiente. Com o aumento da abundânca bacteriana, também há um aumento dos seus vírus específicos.

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Quanto maior a salinidade, maior a abundância de vírus na coluna d’água.

Muitos ambientes aquáticos estão atualmente sofrendo processo de salinização devido à alterações nos padrões de chuvas ligadas às mudanças climáticas, além de outras atividades humanas (ex.: irrigação). Neste contexto, os resultados deste estudo indicam que ambientes aquáticos suscetíveis ao aumento da salinidade tenderiam a ter redes tróficas mais simplificadas com maior abundância de vírus e bactérias.

Além destas descobertas, com a ajuda de metodologias modernas, também pudemos encontrar uma alta atividade viral, confirmando sua importante contribuição para os ciclos biogeoquímicos nestas lagoas. Este e outros resultados deste trabalho foram publicados recentemente na revista científica Microbial Ecology sob o título “Salinity Drives the Virioplankton Abundance but not Production in Tropical Coastal Lagoons”.

meu artigo

Quem se interessar mais sobre a ecologia dos vírus em águas tropicais, além deste trabalho pode também checar mais dois trabalhos (este e este) conduzidos por pesquisadores da UFJF e UFRJ em ambientes amazônicos. Boa leitura!

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Publicado por: thaispimentaalmeida | 7 de setembro de 2017

Governança Ambiental e perspectivas para Políticas de Mudanças Climáticas no Brasil

Os impactos das mudanças climáticas e as respostas a estes impactos são cada vez mais conspícuos, sobretudo quando no que tange ambientes urbanos, os quais abrigam pelo menos 54% da população mundial (UN-HABITAT, 2016), além de uma diversidade de relações sociais, econômicas, políticas e ecológicas, que possuem, frequentemente, uma relação conflitiva em si. Para um impasse complexo e multifatorial, como as mudanças climáticas, são requeridos planejamentos e estratégias igualmente complexos, cuja interação e participação de diferentes segmentos societais e atores sociais faz-se necessário (BETSILL; BULKELEY, 2006). Nesse sentido, dialogar sobre as fundamentações, estruturação e papel do Estado e da Governança, principalmente uma governança ambiental, torna-se relevante para a formulação, implementação e efetividade de políticas, inclusive políticas ambientais e climáticas (DUIT et al., 2015).

O termo “Governança” apresenta sentidos próprios e polissêmicos, sendo associado não somente às vertentes das ciências políticas e sociais, mas também nos setores administrativos e corporativos. Embora apresente uma grafia semelhante à palavra “governo”, ambas as expressões tem acepções distintas. De acordo com Gonçalves (2011), tanto governança quanto governo estão envolvidos com os processos de poder e de autoridade ao longo de uma hierarquia de níveis de ação, no entanto não devem ser tratadas como sinônimos. A utilização do vocábulo “Governança” é, ainda, tão antiga quanto a de governo. Peters (2000) endossa que no século XIV, na França, era utilizada para fazer menção aos funcionários da corte. Com o passar dos séculos sua significação e utilização adquiriu refinamento, estreitando-se às ciências políticas, no que diz respeito à gestão de poder. Não obstante, foi a partir da segunda metade do século XX, sobretudo nos anos 1980, que o estudo e pesquisa acadêmica acerca desta temática foram desenvolvidos e aprimorados (PETERS, 2000). Segundo Brunnengraeber et al. (2006) se no início do novo milênio fosse realizada uma pesquisa com termos científicos mais usados, certamente “Governança” assumiria uma das primeiras posições, dado o seu destaque nos discursos acadêmicos e populares, além de assumir um interessante grau de interdisciplinaridade.

A mobilidade disciplinar e de aplicação da governança implica na multiplicidade de definições que são dadas a esta palavra. O trabalho de Weiss (2000) apresenta pelo menos oito destas definições, que refletem também uma mudança histórica e de concepções, sugerindo novas abordagens sobre descentralização política, direitos humanos, capital social e bens públicos. De forma genérica, embora as definições apresentadas tenham suas particularidades, fica evidente que alguns elementos-chave repetem-se. Logo, a governança traria arraigada a si, a gestão de poder e o controle sob a distribuição e uso de recursos – sejam eles econômicos, sociais ou naturais –;  a institucionalização dos meios pelos quais um governo é  dividido e exercido dentro da sociedade, com vistas ao fortalecimento da democracia, da participação social e da transparência nas decisões; os arranjos formais e informais entre Estado e diversos segmentos da sociedade, que culminam na administração pública; e, por fim, nos trâmites que envolvem a formulação e aplicação de políticas públicas, direitos e deveres civis (PETERS, 2000; WEISS, 2000).

A partir da segunda metade da década de 1960, através das manifestações de preocupação com as questões ambientais e ecológicas, representadas através da Conferência da Biosfera (1968), Conferência de Ramsar (1971), da criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Convenção sobre o Meio Ambiente Humano, ambas em 1972, inicia-se o questionamento sobre Governança Ambiental. Consoante Fonseca e Bursztyn “Quando o conceito de governança é estendido à esfera do desenvolvimento sustentável e das políticas ambientais, emprega-se a expressão governança ambiental. Trata-se, na verdade, apenas de uma delimitação temática do conceito”. (FONSECA; BURSZTYN, 2009, pág. 20).

No cenário brasileiro, os preceitos de governança ambiental foram modificados conforme alguns eventos históricos. Um dos marcos principais ocorreu após da Lei n° 6.938/1981 (BRASIL, 1981), também conhecida como Política Nacional do Meio Ambiente. A partir desta lei, instituíram-se as diretrizes e os instrumentos acerca da ocupação, uso e manejo de recursos naturais. Assegurou-se ainda, a implementação de instituições nos níveis federal, estadual e municipal, responsáveis por fazer a gestão e fiscalização dos recursos e atividades potencialmente poluidoras. Outras características desta legislação, como a tentativa de aumentar a participação e envolvimento de diferentes segmentos da sociedade nos processos decisórios e o caráter de comando e controle dos instrumentos políticos geram ainda discussões, seja pela dificuldade ou negligência na aplicabilidade, seja pela pouca eficiência ou excesso de burocracia de seus mecanismos (WEISS, 2000; ZHOURI, 2008). A década de 1990 foi marcada por grandes modificações econômicas que repercutiram com intensidade nos cenários político e social, redesenhando o papel e atuação do Estado (RIBEIRO, 2003). Os decênios seguintes são marcados por esta mesma tendência, fortalecimento da economia e de seus representantes em detrimento à questão ambiental, utilizando-se do engodo de que o desenvolvimento econômico deveria ser prioridade, e, para isto, seria preciso sobrepor alguns interesses à morosa legislação ambiental.

Embora o escopo de governança do Brasil seja conflitivo, sobretudo no tocante ao equacionamento entre recursos naturais, economia e interesses sociais (VAN DER HOFF et al., 2015), os gestores políticos, orientados pela comunidade científica observaram uma lacuna quanto à gestão de mudanças climáticas (NUNES et al., 2016). As primeiras iniciativas institucionais no país foram implementadas em 1994, através da Comissão Interministerial de Desenvolvimento Sustentável. Em 1999, a fim de legitimar acordos climáticos discutidos em âmbito global, formou-se a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima. Nos anos 2000, a criação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climática reforçou estes objetivos, otimizando o diálogo entre governo, metas estabelecidas e instrumentos políticos (VIOLA, 2002). Estimulou-se ainda, a participação civil e os diálogos setoriais, enfatizando uma característica já fortemente sugerida dentro dos mecanismos de governança ambiental internacionais (JACOBI; SULAIMAN, 2016). O aprofundamento nesta temática suscitou no Plano Nacional sobre Mudança do Clima (2008) e da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), regida pela Lei n° 12.187/2009 (BRASIL, 2009).

Não obstante a Política Nacional sobre Mudança do Clima pareça ser otimista e visionária, ela é por demais ampla e deficiente. É possível tecer várias críticas quanto à maneira como esta política articula-se com outras de hierarquia menor, na integração de planos setoriais ou mesmo quanto às abordagens no retardo às mudanças climáticas. Embora alguns dos princípios que norteiem a PNMC sejam aqueles já sugeridos no âmbito internacional (BRASIL, 2009), há casos de divergência entre as propostas desta política e o plano de desenvolvimento nacional, intensificando os questionamentos acerca do real interesse na tentativa de conciliar estas áreas. Muitas das lacunas observadas estão ligadas não somente a problemas de planejamento e integração, bem como ao curto período de vigência da legislação – que ainda não completou dez anos – e à fase de desenvolvimento e readequação de muitos mecanismos (BICHARA; LIMA, 2012). É evidente que a instituição da PNMC, ainda que com todos os reveses, pode ser entendida como um considerável marco na governança ambiental brasileira, que se propôs a refletir e dialogar sobre as mudanças climáticas. Cabe, agora, à bancada competente, aprimorar metas, planos, fiscalização, bem como fomentar a articulação com governos estaduais e municipais.

Bibliografia Citada

BETSILL, M. M.; BULKELEY, H. Cities and the Multilevel Governance of Global Climate Change. Global Governance, v. 12, p. 141–159, 2006.

BICHARA, J. P.; LIMA, R.l A. Uma análise da política nacional sobre mudança do clima de 2009. Cadernos de Direito, v. 12, n. 23, p. 165-192, 2012.

BRASIL Lei n° 6.938. Lei da Política Nacional do Meio Ambiente. 1981. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm&gt;. Acesso em: 24 ago. 2017.

BRASIL Lei n° 12.187. Política Nacional sobre Mudança do Clima. 2009. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm >. Acesso em: 24 ago. 2017.

BRUNNENGRAEBER, A.; DIETZ, K.; HIRSCHL, B.; WALK, H. Interdisciplinarity in Governance Research. GARNET Working Paper: n. 08/06, 2006.

DUIT, A.; FEINDT, P. H.; MEADOWCROFT, J. Greening Leviathan: the rise of the environmental state? Environmental Politics, v. 25, n. 1, p. 1-23, 2016.

FONSECA, I. F.; BURSZTYN, M. A banalização da sustentabilidade: reflexões sobre governança ambiental em escala local. Sociedade e Estado, v. 24, n. 1, p. 17-46, 2009.

GONÇALVES, A. F. Regimes internacionais como ações da governança global. Meridiano 47, v. 12, n. 125, p. 46, 2011.

JACOBI, P. R.; SULAIMAN, S. N. Governança ambiental urbana em face das mudanças climáticas. Revista USP, n. 109, p. 133-142, 2016.

NUNES, F.; RAJÃO, R.; SOARES-FILHO, B. Boundary work in climate policy making in Brazil: Reflections from the frontlines of the science-policy interface. Environmental Science & Policy, v. 59, p. 85-92, 2016.

PETERS, G. Governance and comparative politics. In J. Pierre (ed.). Debating Governance. Oxford: Oxford University Press, pp. 36–53.

RIBEIRO, M. R. R. Um cenário da gestão pública no Brasil. In: Congreso Internacional del clad sobre la reforma del estado e de la administración pública, 8, oct. 2003, Panamá, p. 28-31.

UN-HABITAT. World Cities Report 2016, Urbanization and Development: Emerging Futures. Nairobi: 2016. Disponível em: <http://wcr.unhabitat.org/wp-content/uploads/2017/02/WCR-2016-Full-Report.pdf >.  Acesso em: 26 jul. 2017.

VAN DER HOFF, R.; RAJÃO, R.; LEROY, P.; BOEZEMAN, D. The parallel materialization of REDD+ implementation discourses in Brazil. Forest Policy and Economics, v. 55, p. 37-45, 2015.

VIOLA, E. O regime internacional de mudança climática e o Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 17, n. 50, p. 25-46, 2002.

WEISS, T. G. Governance, good governance and global governance: conceptual and actual challenges. Third world quarterly, v. 21, n. 5, p. 795-814, 2000.

ZHOURI, A. Justiça ambiental, diversidade cultural e accountability. Desafios para a governança ambiental. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 23, n. 68, p. 97-107, 2008.

Publicado por: Laboratório de Limnologia/UFRJ | 31 de agosto de 2017

Participamos do CBLimno2017, como foi? Uma visão dos alunos do laboratório de Limnologia da UFRJ.

A participação de alunos de graduação e pós-graduação, assim como professores em congressos científicos é de extrema importância não só devido ao conhecimento adquirido em palestras, mas também pela oportunidade de conhecer e expor experiências que tais eventos proporcionam aos alunos e docentes acerca de um tema, assunto ou linha de pesquisa. Neste sentido, iremos expor neste post algumas de nossas experiências sobre o XVI Congresso de Limnologia que ocorreu dos dias 24 a 27 de julho de 2017. Este evento é realizado bianualmente desde 1986, sendo que neste ano a cidade sede foi o Rio de Janeiro, cujo tema foi “Recursos hídricos em crise: sustentabilidade, biodiversidade e integração de conhecimentos face a mudanças globais”. O Congresso Brasileiro de Limnologia é um evento de grande referência para os limnólogos do país, e este ano, o tema abordado possui grande relevância para a sociedade em geral, pois, busca entender os fatores causadores da crise hídrica, assim como quando ela surgiu de fato. Desta forma, convidamos a vocês a saberem mais sobre as experiências resultantes da participação de alguns alunos do Laboratório de Limnologia, no Congresso de Limnologia realizado em julho deste ano.

Sendo o primeiro congresso de alguns alunos do laboratório foi uma experiência proveitosa, pois estando a pouco tempo inseridos nessa grande área de pesquisa, puderam observar novos projetos em diferentes áreas, ampliando seu “pool” de conhecimento. Além da participação desses alunos como congressistas, contribuíram também como monitores voluntários, percebendo a complexidade do seu funcionamento, aprendendo e tendo uma maior integração com o grupo do laboratório e outros grupos de pesquisa.

A cada dia, um grupo de alunos apresentavam seus pôsteres para o grande público participante do congresso, durante a sessão de pôsteres diárias, tendo a oportunidade de conversar com diversas pessoas de diferentes áreas, gerando novas ideias e visando o aprimoramento dos trabalhos. Além disso, todos foram avaliados e os melhores trabalhos foram premiados durante o encerramento do congresso.

O Congresso sendo multidisciplinar, abordou diferentes perspectivas sobre a área de limnologia, para isso tiveram diversas sessões especiais temáticas que juntaram grupos por suas áreas mais específicas de trabalho, como a sessão temática “Zooplâncton Neotropical”,  que colaborou para a criação de uma reunião temática intitulada “Diversidade Funcional”, nessa reunião, muito proveitosa e cheia, surgiu o grupo de trabalho “Limnólogos Funcionais” que irá aumentar a rede de contatos para todos os grupos de pesquisa ou indivíduos que trabalham com esse tema, com esse objetivo foi criada uma página no Facebook e um grupo de e-mail! Outra sessão foi a “Vulnerabilidade e Adaptação de Ecossistemas Aquáticos às Mudanças Climáticas”, organizada pelo professor Vinícius Farjalla (UFRJ) também pesquisador do laboratório de Limnologia da UFRJ. Nessa sessão podemos ver a diversidade de trabalhos nessa área dando um panorama geral do tema.

As mesas redondas, onde diversos pesquisadores de uma mesma área afim, puderam apresentar suas expertises e discutir com entusiastas da área suas experiências, dificuldades e perspectivas futuras. Como exemplo, podemos destacar a mesa redonda “Primming Effect”, uma área nova na limnologia mundial havendo um grande debate sobre como irão dar continuidade à pesquisa, preenchendo suas lacunas!

É comum em congressos de grandes áreas, como a Limnologia, convidar palestrantes que estão a muitos anos em suas áreas de pesquisa, sendo grandes referências para diversos trabalhos a nível mundial. Para isso, as Plenárias são proferidas por pesquisadores de renome nacional e internacional. Como exemplo, Gwenäel Abril da Universidade de Bordeaux apresentando “Wetlands in the inland water Carbon budget: the need for an update of the active pipe concept” e a Odete Rocha da UFSCar com “Integrando conhecimentos na Limnologia do Brasil face a mudanças globais”.

No primeiro dia, domingo, houveram diversos mini-cursos na UNIRIO com diversos temas introdutórios dentro da Limnologia.

Podemos perceber que o congresso pôde mostrar a Limnologia como uma área altamente multidisciplinar, buscando soluções sólidas para problemas contemporâneos, havendo um diálogo entre os diferentes grupos de pesquisa. Além disso, foi possível observar que a sociedade vem ganhando cada vez mais destaque dentro do cenário da limnologia. Ver o ser humano levado em consideração dentro da pesquisa cientifica representa um amadurecimento construído ao longo de muitos anos de trabalho. Por isso, todo profissional de sua área específica, estudantes de Limnologia e áreas afins, deveriam participar desses encontros, pois além do evento em si, as conversas informais são enriquecedoras e motivadoras para todos. Vamos juntos, nos encontrar, crescer e celebrar a limnologia! Rumo ao próximo em Florianópolis, Santa Catarina!

http://www.cblimno2017.com.br/

O convívio com igualdade de direitos para diferentes grupos sociais ainda está longe do seu ideal. Essa é uma luta mundial. E no Brasil não é diferente. Talvez a educação fosse um caminho mais fácil para minimizar estas desigualdades, pois a Constituição prevê que:

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Mas historicamente podemos observar que a educação também funciona como mecanismo de exclusão. Por isso, discussões sobre educação inclusiva vem ganhando espaço, reconhecendo que educação inclusiva requer reconhecer que os indivíduos possuem necessidades específicas, em função das diferenças pessoais. Sendo assim, as instituições de ensino devem estar preparadas para atender a estas demandas. Alguns aspectos são importantes como a estrutura física, o material adotado e a formação dos profissionais envolvidos.

No caso do ensino de ciências, um outro fator relevante é a linguagem científica. Muitas das palavras utilizadas apresentam um significado específico dentro da área científica, diferente do seu uso coloquial. Além disso, são utilizados termos com origem no latim ou grego. Esta já é uma dificuldade para qualquer aluno de ciências. Vamos pensar agora no caso de pessoas com deficiência auditiva. Muitas delas não utilizam a linguagem oral. Existe neste caso uma nova barreira, pois muitos termos utilizados na ciência ainda não possuem representação em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais – segunda língua oficial brasileira, através da Lei 10.436, de 24 de abril de 2002). E no caso das pessoas com deficiência visual? Como apresentar os conceitos científicos para este grupo de alunos? O mundo dos átomos e das moléculas, por exemplo. Com relação as pessoas que apresentam deficiência intelectual, devemos vencer as barreias com relação aos aspectos cognitivos. Estes são apenas alguns exemplos dos desafios com relação ao estudo das ciências.

E quanto ao ensino universitário? Estamos fora desta discussão, ou melhor dizendo, Inclusão? Não, claro que não. Essa barreira já foi quebrada através de vários exemplos isolados de estudantes que apesar de toda adversidade conseguiram ingressar e concluir um curso de Graduação, ou Pós-Graduação. Além da presença no quadro das universidades de professores e técnicos administrativos, que apresentam algum tipo de deficiência. Mas, agora através da Lei Nº 13.409, de 28 de dezembro de 2016, onde dispõe sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos cursos técnico de nível médio e superior das instituições federais de ensino, este acesso será incrementado. Já neste ano de 2017, na UFRJ, ingressou o primeiro grupo de alunos através desta reserva de vagas. Através do Fórum Permanente de Acessibilidade da UFRJ, estes novos alunos foram recepcionados na Universidade:

“A Universidade recebe pela primeira vez estudantes com deficiência por meio de ações afirmativas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). São esperadas 83 matrículas de alunos com algum tipo de deficiência, que vai de auditiva, visual e de locomoção a problemas cognitivos. O Fórum Permanente de Acessibilidade foi responsável pela acolhida dos estudantes, fazendo o mapeamento das necessidades individuais e apresentando-os às ações da Universidade”.

acessibilidade

Com o objetivo de sensibilizar e informar sobre como tornar a Universidade mais acessível, foi realizado o 1º Encontro de Sensibilização UFRJ pela Acessibilidade (16 e 17 de agosto de 2017). Neste Encontro, fomos informados que estão ingressando no segundo semestre de 2017 mais de 200 pessoas com deficiência .  Participaram deste encontro membros de toda a comunidade universitária, onde foram apresentadas algumas recomendações, como:

“Falar mais pausadamente, apresentar-se com nome e sobrenome, perguntar como é possível ajudar. Medidas simples, mas que fazem muita diferença quando o interlocutor não enxerga, por exemplo”.

sensibilizacao

 

Para atendermos estas demandas, é imperioso a busca pelas ferramentas necessárias. Com certeza, a Universidade não está preparada para receber tais alunos, e suas diferentes especificidades. Mas acredito que esta seja uma oportunidade ímpar para discutirmos acolhimento nas Universidades. Pois algumas questões não afetam apenas os alunos que apresentam algum tipo de deficiência, mas toda comunidade em geral. Um exemplo do cotidiano: um carro estacionado na calçada, será um obstáculo tanto para uma cadeira de roda como para um carrinho de bebê. Por isso, além de possibilitar o acesso com igualdade de direitos, o exercício do convívio possibilitará um aprendizado para todos os alunos, em função da vivência com alunos que apresentem diferentes tipos de deficiência.

O número de alunos que apresente algum tipo de deficiência vai aumentar consideravelmente nas comunidades Universitárias. E naturalmente, baterão a porta dos laboratórios em busca de uma vaga para sua Iniciação Científica. Devemos buscar soluções que de fato sejam inclusivas no exercício pleno da atividade científica, pautando pela segurança e dignidade destes alunos, futuros pesquisadores. Além disso, não podemos esquecer dos encontros científicos. Simpósios e Congressos deverão disponibilizar recursos para a participação de forma plena destes cientistas. Possibilitando que eles apresentem seus trabalhos, assim como sua participação nas discussões científicas. Observando tais desafios, devem ser intensificados estudos com relação a Acessibilidade e Inclusão destes alunos na comunidade acadêmica, tornando possível, não apenas seu ingresso, mas também sua permanência. Temos um longo processo, para que através do Acolhimento, possamos tornar a ciência Acessível, para que de fato ela seja Inclusiva.

Referências:

http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0ahUKEwjbvcKOyPDVAhVHGpAKHTcsBZwQFgg4MAE&url=http%3A%2F%2Fbooks.scielo.org%2Fid%2Fg5q2h%2Fpdf%2Fnardi-9788579830044-09.pdf&usg=AFQjCNEuU7lejOqyOhGo5XHGFD9lcA4oBg

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:0Msx3UKxgjYJ:www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/pages/arquivos/anais/2013/AT01-2013/AT01-014.pdf+&cd=10&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

https://www.imprensaoficial.com.br/downloads/pdf/Constituicoes_declaracao.pdf

www.camara.gov.br/sileg/integras/821803.pdf

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13409.htm

https://ufrj.br/noticia/2017/07/20/acao-afirmativa-para-pessoas-com-deficiencia-chega-ufrj

https://www.youtube.com/watch?v=F3RUqW0rg48

As reservas hídricas são de extrema importância para a manutenção da vida humana e a importância em preservá-las é indiscutível, mas para tal, é importante identificar com precisão possíveis ameaças ao grau de preservação dessas reservas. Nas últimas décadas, as ações antrópicas sobre as paisagens naturais têm afetado em demasia a qualidade da água dos riachos, pois todas as alterações significativas na estrutura da paisagem são refletidas na estrutura dos seus riachos. Desmatamento das encostas e das matas ciliares e o mau uso do solo são apenas alguns exemplos de ações que contribuem para a diminuição do volume e qualidade de água. No entanto, nem sempre é fácil diagnosticar uma ameaça aos corpos hídricos sem uma investigação mais profunda, e é ai que nossos amigos macroinvertebrados bentônicos podem nos ajudar. E ajudam.

Os macroinvertebrados bentônicos são ótimos indicadores biológicos de qualidade de água, uma vez que a presença de determinada espécie está atrelada a uma ou mais condições ambientais. Através da composição da comunidade desses invertebrados em um riacho, podemos levantar a intensidade dessas condições, e assim diagnosticar o que está acontecendo nas matas ao redor e também o que está acontecendo em áreas mais perto da nascente.

Mayfly larva

Fig. 1: Ephemeroptera. Exemplo de macroinvertebrado bentônico

Para acessar essas informações, é necessário coletar os macroinvertebrados nos riachos e para isso geralmente se usa uma técnica chamada kicking, que consiste resumidamente em posicionar uma rede contra a correnteza e causar perturbações no sedimento para suspender os invertebrados, que caem na correnteza e ficam retidos da rede. Também se usa peneiras para coletas na margem dos riachos. Os indivíduos coletados (a assembléia) são identificados taxonomicamente e então temos os dados pra diagnosticar a qualidade de água do riacho.

surbersampler

Fig. 2: Rede para kicking

Agora que temos dados sobre a comunidade de macroinvertebrados, podemos usar esses dados para calcular alguns índices de diversidade e também inferir métricas e índices multimétricos (MMIs). As métricas biológicas servem pra quantificar as características das assembleias e identificar distúrbios naturais e humanos, e os índices multimétricos são índices feitos a partir da seleção de métricas específicas para responder a uma questão ambiental. MMIs têm apresentados muita eficácia nas pesquisas de biomonitoramento e se tornaram indispensáveis no meio científico. Aplicando os dados das assembleias nos índices multimétricos podemos chegar a diversas respostas para os distúrbios nos riachos que não são perceptíveis inicialmente. A abundância de determinadas famílias que respiram oxigênio aéreo pode indicar baixa quantidade de oxigênio dissolvido, a de outras famílias tolerantes a altas concentrações de íons de cloro pode indicar que efluentes domésticos estão sendo despejados no riacho. Algumas famílias tolerantes a sulfato podem indicar despejos de metais pesados por mineradoras, e por ai vai. Para trabalharmos na preservação da água nos corpos hídricos e suas nascentes, os macroinvertebrados bentônicos são aliados indispensáveis. Basta sabermos como ouvir o que eles nos tem a dizer.

Referências:

Déborah R.O. Silva, Alan T. Herlihy, Robert M. Hughes, Marcos Callisto. (2017) An improved macroinvertebrate multimetric index for the assessment of wadeable streams in the neotropical savanna. Ecological Indicators 81, 514-525.

Stoddard, J.L., Herlihy, A.T., Peck, D.V., Hughes, R.M., Whittier, T.R., Tarquinio, E.. (2008) A process for creating multimetric indices for large-scale aquatic surveys. J. North Amer. Benth. Soc. 27, 878–891.

Yuan, L. L. & S. B. Norton. (2003) Comparing responses of macroinvertebrate metrics to increasing stress. Journal of the North American Benthological Society 22: 308–322.

Importância da preservação dos rios e nascentes

Macroinvertebrados bentônicos e Pokémons: Quando a arte imita a vida… e o que o futuro nos guarda.

Mayfly – Ephemeroptera

 

 

Publicado por: alejaaguilarcb | 27 de julho de 2017

EDUCACIÓN AMBIENTAL EN AMÉRICA LATINA

mapa america atina

Este escrito tiene como objetivo mostrar algunas de las principales características del proceso de establecimiento de la Educación Ambiental (EA) en Latinoamérica y como nuestra diversidad socio-cultural, historicidad y lucha por la colonización de nuestras tierras (por los europeos, después por el capitalismo y países desarrollados) llevaron a la construcción de diferentes visiones sobre el papel de la EA en cada uno de los países que componen nuestra hermosa América Latina. Antes de caracterizar la EA en Latinoamérica presentaré a ustedes un breve relato de los inicios de la EA en el mundo:

Inicios de la Educación Ambiental

Los años sesenta y setenta marcaron el inicio y difusión de la EA en el mundo, este inicio tuvo con un claro tinte conservacionista, pues las crecientes preocupaciones por las alteraciones ecológicas y la crisis ambiental llevaron a buscar acciones desde diferentes campos del conocimiento para la conservación del ambiente. Es así como se expresa en la Carta de Belgrado (1976) y en la Declaración de Tbilisi (1978), pues surge como una necesidad de respuesta ante los impactos del progreso moderno. Como lo menciona Sauvé (1999), en sus inicios la EA se plantea como una educación reformista, pues trataba de resolver y prevenir los problemas causados por el impacto de la actividad humana en los sistemas biofísicos sin entender, tal vez, el problema del sistema de producción de capital implementado hace tres siglos como paradigma socio-económico de la sociedad moderna.

Estas diferentes declaraciones y encuentros sobre el papel de la educación en el enfrentamiento de la crisis ambiental respondieron a una visión de educación socialmente trascendental para el cambio de nuestra sociedad, separándose de la necesidad de lograr cambios en otras esferas de la sociedad, por lo que pareciera que basta solo con educar a la población para modificar cualitativamente el estado de cosas. Es así que se concibe una educación acorde con la visión de la problemática ambiental del mundo industrializado; es decir, entendida como problemática puramente ecológica y no social. (GAUDIANO, 2001)

No obstante, estas crecientes reflexiones llevaron a que se reconociera que para el enfrentamiento de las problemáticas ambientales era necesario un cambio profundo en la organización del conocimiento dado que, el ambiente como área de investigación implica un diálogo de saberes en los cuales intervienen procesos de diferentes racionalidades, una transformación y una crítica al modelo de racionalidad científica actual (ciencia positivista) (LEFF, 2011; PHILIPPI JR et al, 2013).

Educación Ambiental en la región Latinoamérica.

Antes de entrar de lleno en los inicios de la EA en esta región, es importante destacar las diferentes y variadas influencias (por no decir antagonistas) que recibió, en materia educativa, la región latinoamericana. Por una parte estaba la propuesta de pedagogía libertaria y popular de Paulo Freire (corriente contrahegemónica), y por otro lado, estaban el positivismo y la racionalidad técnica o instrumental, donde se plantea que la “educación debería operar a favor del dominio y control del ambiente” (MERINO, 2000). Esto llevo, a que se construyeran una trama de pensamientos y una articulación particular en tema de educación en cada uno de los países, y lo mismo sucedió con el campo de la EA y su proceso de establecimiento en la región.

La aparición de la EA en nuestra región, como menciona Gaudiano (2001), fue fuertemente influenciada por las improntas de cada década: en los setenta, los serios problemas político-militares; en los ochenta, el rezago económico; y en los noventa, la globalización y las variadas crisis que caracterizan hasta este momento actual.  En consecuencia, en varios encuentros internacionales se criticó abiertamente el modelo de desarrollo dominante de los países industrializados, y se avanzó en la búsqueda de modelos alternativos para la región que combatieran las desigualdades sociales de dicho desarrollo a partir del reconocimiento de las características culturales, socioeconómicas y ecológicas de cada país.

Así mismo, se entendió que las problemáticas ambientales de nuestra región no provenían de la abundancia y el consumo excesivo de recursos, sino de la insatisfacción de necesidades básicas y de la falta de participación de todos los individuos en las decisiones sociales, ya que aquí la problemática ambiental es vista más como problemática socioeconómica, política y cultural que como problemática ecológica (visión de los países industrializados). Esto contribuyó a avanzar hacia otro concepto de desarrollo y a una educación ambiental desde un enfoque crítico, participativo y transformador. (SOLÍS, 2006; GAUDIANO, 2001)

CARITAS TC

Para el entendimiento de lo anterior quisiera resaltar el encuentro Subregional de Educación Ambiental para la Enseñanza Secundaria que se celebró en Chosica, Perú, en 1976, donde se abordaron reflexiones y visiones que consolidaron la EA desde una perspectiva sistémica en su contexto social, político e histórico en nuestra región. En este encuentro se definió la EA como.

“la acción educativa permanente por la cual la comunidad educativa tiende a la toma de conciencia de su realidad global, del tipo de relaciones que los hombres establecen entre sí y con la naturaleza, de los problemas derivados de dichas relaciones y sus causas profundas. Ella desarrolla mediante una práctica que vincula al educando con la comunidad, valores y actitudes que promueven un comportamiento dirigido hacia la transformación superadora de esa realidad, tanto en sus aspectos naturales como sociales, desarrollando en el educando las habilidades y aptitudes necesarias para dicha transformación” (TEITELBAUM, 1978, p. 51 APUD GAUDIANO, 2001).

 

 Ya para los años noventa, las acciones de EA llevadas a cabo en nuestra región tuvieron como resultado varios logros pero también algunas debilidades que aún estamos tratando de superar. Uno de los logros fue la inserción de la educación ambiental en los diversos niveles de la educación (básica, primaria y secundaria), y la ampliación del interés universitario; además del surgimiento de programas de pregrado y de postgrado en algunos países como Brasil y México, así como diferentes programas públicos y privados de educación ambiental en un contexto de educación no formal. Pero, a pesar de los diferentes esfuerzos en torno a la EA, aún existen unos desaciertos como

 “el escaso impacto de las acciones educativas, la baja calidad de las propuestas en la educación formal, la poca preparación del profesorado, las preocupaciones ante la irreductible permanencia de la MONODISCIPLINARIEDAD y fragmentación del conocimiento en las universidades, y de la cerrada oposición a abrirse a un verdadero cambio de paradigmas” (SOLÍS, 2006).

No obstante, el pensamiento ambiental latinoamericano sigue abriendo su propio camino hacia otras etapas. En 1992, a raíz de la Cumbre de Río, de la Agenda 21 y otros acuerdos clave, se crearon grandes expectativas para el fortalecimiento de la EA hacia una visión y acción basada en valores para la transformación social y desde una perspectiva multidimensional, sistémica y de diálogo de saberes que lleven a el entendimiento del ambiente desde una reflexión crítica y visión de complejidad.

A modo de Conclusión

En suma, la historia de la educación ambiental en América Latina es singular respecto de lo ocurrido en otras regiones del mundo, pues se fue constituyendo a partir de experiencias de educación popular, de educación comunitaria y participativa, y de la educación ecológica o conservacionista, surgiendo así, diversas corrientes de pensamiento y prácticas determinadas por raíces ideológicas y una estructura social que ellas mismas sustentan, procurando así caminos vistos como sustentables. (GAUDIANO, 2001, 2009)

En la actualidad las tareas que aborda la educación ambiental latinoamericana son múltiples, y buscan fortalecer compromisos de cambio junto con las necesidades de apertura a las diferentes expresiones de la vida y de la cultura de los diversos pueblos que configuran la región (SOLÍS, 2006). Así mismo, aunque se han intentado implementar diversas propuestas  de participación comunitaria con enfoques en nuestra biodiversidad, en la recuperación y valorización de nuestras culturas ancestrales y saberes comunitarios, pero muchas veces son simplemente propuestas diferentes, “construidas en los márgenes, no sólo de una educación ambiental dominante sino de una pedagogía institucional cerrada en sí misma que no dejó lugar a la valoración de la relación sociedad-ambiente” (GAUDIANO, 2001).

COLOMBIA TC

 

 

Referencias Bibliográficas

GAUDIANO, E.G. Otra lectura a la historia de la educación ambiental en América Latina y el Caribe. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 3, 2001.

GAUDIANO, E. G; LORENZETTI, L. Investigação em Educação Ambiental na América Latina: mapeando tendências. Educ. rev. [online]. vol.25, n.3, pp.191-211. ISSN 0102-4698, 2009.

LEFF, E. Complexidade, interdisciplinaridade e saber ambiental-DOI: 10.5212/OlharProfr. v. 14i2. 0007. Olhar de professor, v. 14, n. 2, 2011. p. 309-335.

MERINO, E. S. V. De la racionalidad instrumental a la racionalidad comunicativa en el mundo de la educación. Agora digital, 2000.

MUÑOZ, G. Principales tendencias y modelos de la educación ambiental en el sistema escolar. Revista Iberoamericana de educación, 11, 1996. p. 13-74.

PHILIPPI JR, A et al. Desenvolvimento sustentável, interdisciplinaridade e Ciências Ambientais, 2013.

SOLÍS, E.T. Algunos elementos del proceso de construcción de la educación ambiental en América LatinaRevista Iberoamericana de educación, 2006, no 41, p. 69-81.

 

    Olá caros leitores, gostaria de compartilhar com vocês minha experiência em vivenciar um evento científico sobre recuperação de áreas degradadas (RAD). Ao meu ver essa área está intimamente relacionada com o mundo da limnologia e diversas outras áreas de ecologia aplicada. Especialmente nos últimos 30 anos para cá em escala nacional, um dos maiores desafios dos profissionais ligados à área de ciências ambientais, tem sido identificar e solucionar problemas ambientais devido as fortes alterações ecossistêmicas provocadas pelas atividades antrópicas. Tudo isso diante do amadurecimento mundial frente às modificações da qualidade dos recursos naturais e da alarmante perda de biodiversidade. Afinal, fora a importância ecológica, onde nem todos os setores têm interesse, o estado do planeta e a disponibilidade de recursos naturais são fundamentais para a manutenção da vida humana e o andamento dos processos econômicos em um cenário ambiental semelhante ou melhor que o de hoje para as gerações atuais e futuras.

    No entanto, como vivenciei o congresso junto com a Maria Silvina, também doutoranda do laboratório onde realizo meu doutorado, gostaria de convidá-la para, através de um formato de diálogo escrito e descontraído, expressarmos nossos diferentes olhares sobre a participação no simpósio.

MOTIVOS QUE NOS LEVARAM AO SIMPÓSIO

       RODRIGO: Diante da necessidade de mudar meu enfoque no doutorado, devido a dificuldades orçamentárias para realizar o plano anterior, encontrei um novo desafio junto com meu orientador Prof. Marcos Paulo e o pequeno e recente grupo de estudo de RAD do qual fazemos parte em Macaé. O novo desafio girava em torno das possíveis soluções, inicialmente em escala experimental, para um acidente ambiental ocorrido em um empreendimento próximo a uma área de monitoramento e consultoria ambiental dos laboratórios de limnologia e ictiologia da UFRJ. O novo desafio proposto pelo Prof. Reinaldo, diante de seu olhar experiente a respeito de ações que podíamos desempenhar em parceria com outros colegas acadêmicos e com a empresa responsável pelo empreendimento, caracteriza-se como um trabalho onde devemos unir diferentes saberes e métodos eficazes para desenvolver um trabalho de recuperação de um pequeno riacho degradado devido a atividades de mineração. Sendo assim, achei a proposta do simpósio de RAD ótima para tirar dúvidas sobre modelos matemáticos, que inicialmente pensamos em aplicar, aguçar meu pensamento crítico sobre o tema, e trazer novas ideias eco-amigáveis para enriquecer nossas discussões internas. Acho que foi mais ou menos isso, e você Silvina, o que te motivou?

       SILVINA: Inicialmente, gostaria de comentar que meu projeto de doutorado se baseia no desenvolvimento de um índice multimétrico como instrumento para subsidiar programas de biomonitoramento de riachos (igarapés) amazônicos, utilizando a comunidade de macroinvertebrados bentônicos para tal fim. Dentro deste contexto, vejo o meu trabalho mais orientado para a ecologia aplicada que para a ecologia teórica devido a proposta do mesmo, gerar como resultado, uma ferramenta importante para fazer uma avaliação rápida e eficaz destes ambientes. Porém, esta mesma ferramenta poderia ser útil como indicadora de acompanhamento das possíveis mudanças atingidas por técnicas usadas em RAD nestes ambientes. Assim, os temas relacionam-se, onde técnicas de recuperação de ambientes aquáticos podem ser muito beneficiadas por indicadores de acompanhamento que facilitem avaliar estas mudanças. Neste sentido, é essencial poder entender o que são os trabalhos de RAD e como podemos inserir estas ferramentas nos mesmos. Sendo assim, concluo que foi importante comparecer no simpósio sobre esta temática, com proposta bem distinta dos eventos científicos que participei até o dia de hoje. Após três Congressos Brasileiros de Limnologia (CBL), entre outros, nos permitimos explorar uma nova área, mais aplicada, mais voltada para a resolução de problemas que a entender o problema. É uma área à qual não podemos fugir, porque é aí que hoje podemos encontrar a maioria dos olhares desejosos por soluções que consigam dar uma resposta a muitos os erros cometidos no passado, sendo que alguns continuam no presente e se estenderão para o futuro. Os programas de RAD, na minha perspectiva, estão sendo algo como a máquina do tempo de “De Volta para o Futuro”, numa tentativa incansável de atingir o que uma vez já foi, ou uma condição semelhante.

FORMATO E PARTICIPANTES DO SIMPÓSIO

       RODRIGO: O formato do simpósio no âmbito de sessões de pôster, apresentações orais de palestrantes convidados, mini palestras de estudantes e cursos de curta duração com ementas relacionadas ao tema do evento, foi semelhante ao que já vi em outros eventos científicos. A qualidade do material apresentado e o conhecimento técnico dos palestrantes foram excelentes. O que ficou um pouco a desejar foi a organização do tempo para tudo fluir de forma harmoniosa, mas mesmo assim, insuficiente para estragar os pontos positivos do evento.

         Tenho que destacar uma característica que me chamou muito a atenção, e eu diria que talvez tenha sido o maior diferencial deste evento em relação aos outros eventos científicos que já participei. Foi a respeito da distribuição de palestrantes para o setor da academia, de empresas de consultoria ambiental, empresas de setores variados em busca de soluções para seus problemas ligados ao meio ambiente e de órgãos públicos ambientais. Os acadêmicos com diversas linhas de pesquisa interessantes voltadas à problemas que demandam atenção ambiental a nível nacional, como aqueles originados das áreas de agropecuária, mineração, óleo e gás, e urbanização. As empresas de consultoria apresentaram técnicas eficazes e experiências em situações diversas frente a ecossistemas degradados. As grandes empresas e grupos exploradores de recursos naturais mostraram suas inovações nos campos de pesquisa e aplicação de medidas de prevenção, recuperação e suas demandas por mais conhecimento frente a seus constantes desafios ambientais. Já os órgãos públicos, destacaram seus desafios com acidentes ambientais em relação a redução na qualidade dos solos, do ar e principalmente da água e a manutenção destes recursos para o uso humano e para a preservação da biodiversidade. Estas características de diferentes partes interessadas, tornou as discussões extremamente ricas e complementares a respeito da conservação de ecossistemas e a respeito da identificação, diagnóstico e solução de acidentes ambientais.

NOSSOS INTERESSES ESPECÍFICOS

       RODRIGO: Meus principais interesses neste evento científico foram: i) procurar subsídios para realizar a modelagem de escoamento superficial e assoreamento na minha área de estudo do doutorado; e ii) ter um contato orientado e mais profundo com as técnicas de engenharia natural. Meu primeiro interesse foi sanado através de uma palestra e uma importante conversa com pesquisadores da UNB, o que me levou a repensar sobre este capítulo na tese. Acho que o maior esclarecimento para mim, foi ter a sensibilidade de entender que com nossa escassez de dados históricos no desafio de propor formas de avaliação de impacto na minha área de estudo, eu não poderia prosseguir com a elaboração do modelo. E sim…, um evento científico serve para nos dar asas e também para colocar nossos pés no chão. O que é excelente em relação ao amadurecimento científico.

         No entanto, em relação ao segundo interesse, minha recompensa me deixou muito entusiasmado através de um minicurso sobre bioengenharia, ministrado pela pesquisadora e doutoranda Rita Sousa, do grupo de pesquisas em engenharia natural da UFSM. Percebi que é possível fazer um projeto de RAD através da manipulação de elementos naturais (pedras e vegetais) como material de construção e estabilização geotécnica e hidráulica de riachos e taludes degradados. Entendi que estes elementos podem ser utilizados ainda como enriquecedores de habitats, tornando-os mais heterogêneos ou possibilitando recuperar a heterogeneidade de habitats em ecossistemas que a perderam. E finalmente descobri que, apesar da escassez de trabalhos sobre isso no Brasil, no nosso país existem alguns grupos que trabalham com isso há anos e que podem ser potenciais colaboradores numa pesquisa desta natureza. Sem dúvida, acho que foi o divisor de águas para elaborar o projeto de doutorado de forma mais ajustada ao ambiente que vou lidar junto ao meu grupo de pesquisa, com o problema ambiental que estamos enfrentando e com o que podemos fazer em colaboração com outros pesquisadores. O networking com a palestrante e com outros alunos foi muito interessante e sugiro a leitura do livro dos professores Miguel Durlo e Fabricio Sutilli (2012) intitulado Bioengenharia – Manejo Biotécnico de Cursos de Água. E você Silvina, o que extraiu daquele curso bacana voltado para área de legislação e áreas contaminadas?

          SILVINA: O meu interesse no congresso foi, principalmente, entender os projetos de RAD desde sua base. Por isso, além de participar da maioria das palestras, apresentação de pôster e trabalhos orais, decidi também participar de um dos minicursos, o qual estava baseado na temática “Gerenciamento de Áreas Contaminadas em Áreas de Mineração”. Partindo do princípio que os riachos amazônicos nos quais baseio o meu estudo de doutorado recebem o impacto direto e/ou indireto de atividades de mineração, no escopo de dois projetos de biomonitoramento para avaliar a influência das minerações sobre estes ambientes, achei muito pertinente a realização deste minicurso. É essencial conhecer o marco da legislação brasileira em relação à exploração dos recursos minerais no país. Saber quais são as normativas e leis federais que regulamentam esta atividade, quais são as medidas a serem tomadas em casos de degradação ambiental decorrente da própria atividade ou de acidentes que possam vir a acontecer, e quais são as grandes lacunas em relação a estes temas dentro da legislação. Tudo isso é de grande importância para quem trabalha e desempenha atividades em ambientes sob atividades de mineração. Outro detalhe é que o curso foi ministrado pelo membro de uma empresa de consultoria ambiental especializada na área de planejamento territorial, licenciamento e gestão ambiental de empreendimentos e gerenciamento de áreas contaminadas, o que me passou uma visão bem completa e estratégica do nosso papel como biólogos na área voltada ao mercado privado.

CIDADE DO EVENTO: CURITIBA

         SILVINA: O congresso foi realizado na cidade de Curitiba (PR), mais especificamente na Universidade Federal do Paraná. Mas nem tudo quando vamos para um congresso é participar do congresso, né? É importante aproveitar estes encontros para conhecer o local onde estamos, a história e a cultura do mesmo. Conhecer e aprender de tudo aquilo que possa nos enriquecer, não só em nível de conhecimento, senão também de espírito. Então além de irmos todo dia para o congresso e assistirmos as melhores palestras e mesas redondas, também fizemos um pequeno tour pela linda Curitiba.

      Para quem não conhece Curitiba, esta é a capital do Estado de Paraná, e a mesma possui grandes belezas naturais e arquitetônicas para serem visitadas e admiradas. Na cidade podemos encontrar o seu famoso cartão postal, o Jardim Botânico com seu jardim europeu e a estufa de vidro, cheio de plantas no seu interior. Além disso, visitamos a Ópera de Arame, um teatro de três andares feito só de canos e arames (por isso de “arame”), que se encontra rodeada por um lago artificial, sobre o qual passa uma ponte para poder ingressar na Ópera. Também visitamos o famoso e interessante museu do “olho”, desenhado pelo famoso arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, e tentamos entender várias das exposições que estavam acontecendo. Outro ponto visitado na cidade, já menos turístico, mas de grande interesse para um sulino, foi o Museu Paranaense ou também conhecido como “Museu do Mate”, que no seu interior não tem só mate, senão a vasta história de uma das famílias mais importantes de Curitiba. E como não podia faltar para dois biólogos, visitamos o Zoológico de Curitiba, e debatemos a necessidade (ou não) dos mesmos para a educação ambiental da sociedade. Mas isso não foi tudo, também visitamos outras áreas da UFPR, fora as salas do simpósio, e descobrimos e apreciamos essa linda universidade, com uma história única e muito reconhecida em muitas das suas áreas, principalmente por alguns cursos como Engenharia Florestal, também envolvida fortemente com os projetos RAD.

        RODRIGO: Adorei o clima e organização de Curitiba. O transporte público funciona de forma muito eficiente, sem atrasos, sem superlotação, um exemplo de governança neste sentido. As vias muito bem preservadas e sinalizadas, pelo menos no centro histórico, nos arredores do Jardim Botânico e do Zoológico, e no caminho para o aeroporto. O tratamento do curitibano em vários serviços da cidade é fantástico, me pareceu um povo muito cortês e solícito. Sobre o tour na cidade, além de ter adorado os passeios que a Silvina já mencionou, também achei excelente a oportunidade de visitar o Museu Paranaense com uma história riquíssima e com um destaque muito interessante para tribos indígenas da região. Foi uma viagem excelente do ponto de vista profissional e cultural.

       Aproveito para agradecer todo o apoio do laboratório e estímulo dos professores para participarmos do evento. Agradeço a você leitor pela sua atenção e estamos aguardando ansiosamente seu comentário. Um abraço e até logo.

Publicado por: casanovacla | 6 de julho de 2017

Carbono… Carbono…Carbono

Você sabia que o ciclo do carbono (C) é um dos mais importantes ciclos biogeoquímicos da natureza, né? Não, e não é só devido ao fato de ser nesse ciclo que se engloba a regulação do gás carbônico (CO2). Dentro deste complexo ciclo biogeoquímico há um pequeno grande compartimento onde a matéria orgânica, rica em C, é metabolizada pelo compartimento biótico, gerando produtos mais ou menos lábeis e reativos. Nos ambientes aquáticos, um destes produtos é o carbono orgânico dissolvido (COD) e suas frações, igualmente importantes para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos.

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Figura ilustrando o ciclo do carbono em ambientes aquáticos. Modificado de Esteves et al. (2011) e disponibilizado por André Amado

Em um espectro ainda mais amplo, a importância do ciclo do carbono é um aspecto- chave da estruturação de teias alimentares e do fluxo de energia em ecossistemas aquáticos (Moss 1980). A ciclagem de carbono por compartimentos planctônicos, por via direta ou indireta (via microbial-loop – Azam et al., 1983) afeta a transferência de energia entre os níveis tróficos. O metabolismo destes compostos orgânicos dissolvidos, provindos de fontes autóctones e alóctones, domina os fluxos de matéria e energia, e devido ao seu preponderante (porém lento) uso, estes recursos fornecem estabilidade inerente ao ecossistema (Wetzel 2001).  Um dos constituintes majoritários do COD são as substâncias húmicas (SH), elas podem ser citadas como uma fração majoritária (50-80% da matéria orgânica dissolvida) em ecossistemas de água doce (Wetzel 2001). Embora historicamente as SH terem sido consideradas ecologicamente inertes, essas substâncias orgânicas atualmente são consideradas “forças” ecológicas, atuando desde o nível individual até o nível ecossistêmico (Steinberg et al. 2006).

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Estrutura proposta de uma molécula de ácido húmico. Disponível aqui

Efeitos diretos e indiretos destes compostos são esperados na coluna d’água, como redução do pH, sombreamento e alteração da teia alimentar. E, sabe-se ainda, que as SH interferem com as vias bioquímicas de compostos de interesse, como proteínas, carboidratos e lipídios (Steinberg 2003). E, embora o consumo por organismos heterotróficos (via alça microbiana) seja um papel ecológico importante (Farjalla et al. 2009), as evidências de que as SH são absorvidas por organismos e interagem com os constituintes bioquímicos e suas vias de sinalização (Steinberg et al. 2006; Suhett et al. 2011) são constantes e factuais.

Dentro dos lipídios, os ácidos graxos (AG) são importantíssimos na nutrição do zooplâncton (organismos chave na cadeia alimentar aquática). Uma vez que o zooplâncton pode ser limitado pelo conteúdo energético de seus alimentos, os lipídios (especialmente os AG), com seu alto teor calórico, merecem atenção especial por serem fonte de energia preferencialmente compondo reservas em organismos planctônicos (Goulden & Place 1990). Os ácidos graxos (AG) são ácidos carboxílicos que têm uma longa cadeia alifática e são um grupo muito heterogêneo.  Assim, AG particulares têm diferentes formas de obtenção e papéis específicos no metabolismo dos consumidores primários (MüllerNavarra, 1995).

Novas e excitantes pesquisas foram conduzidas nos últimos anos relacionando o uso de AG biomarcadores e as respostas das dietas de organismos aquáticos às diferentes condições ambientais. Revisões atuais, como de Twining et al. (2016), dão atenção intensiva especificamente sobre a pesquisa de AG altamente insaturados (HUFAs), visando o uso desta metodologia e o que resta ainda conhecer.

É na junção destes aspectos importantes – a nutrição de organismos planctônicos, qualidade do recurso disponível para consumidores aquáticos e o efeito do COD e sua fração, as SH – que foi desenvolvida a tese intitulada “ORIGEM E QUALIDADE DO CARBONO DISPONÍVEL NO SESTON PARA A COMUNIDADE ZOOPLANCTÔNICA AO LONGO DE GRADIENTES HÚMICOS: UMA ABORDAGEM EXPERIMENTAL E DE CAMPO”. A tese desenvolvida por mim ao longo dos últimos 4 anos (e meio) foi orientada pelo Prof. Reinaldo Bozelli da UFRJ e co-orientada pela Profa. Dörthe Müller-Navarra da Universidade de Hamburgo, na Alemanha. Defendida no dia 29 de maio de 2017, a tese buscou identificar os principais efeitos do COD para consumidores primários aquáticos, tanto por meio experimental quanto pela análise de dados de campo, provindos das lagoas costeiras do PARNA de Jurubatiba.

De modo a testar a hipótese de que com o incremento da concentração de COD alteraria a qualidade (medida como concentração e composição de AG) do alimento disponível ao zooplâncton, a tese foi exposta em três capítulos: o primeiro, uma revisão bibliográfica que ressalta a ausência de estudos em ambientes com altas concentrações de carbono e a falta de informação relacionada à qualidade nutricional do alimento e às concentrações de COD. O segundo capítulo, empiricamente, demonstra os efeitos diretos do COD sobre a quantidade e composição de AG em consumidores primários (Daphnia pulex) quando alimentados com duas fontes alimentares com qualidade distintas. E, o terceiro, procura elucidar a relação entre qualidade do alimento disponível no seston e variáveis ambientais ao longo de um gradiente natural de COD em ambientes costeiros.

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Imagem do ambiente Atoleiro estudado no capítulo 3 da tese – cor escura da água ilustra altíssimas concentrações de COD

De maneira geral, os resultados alcançados por esta pesquisa possibilitaram ilustrar que o COD e as SH são responsáveis por moldar comunidades aquáticas, ora agindo diretamente (como agente estressor), ora agindo indiretamente (alterando o meio físico e químico circundante) sobre os diferentes compartimentos bióticos.

Frente aos resultados, devemos então ponderar que: para melhor entendermos como alterações no uso da terra e cenários previstos de mudanças climáticas irão alterar processos ecossistêmicos e cadeias alimentares aquáticas, devemos nos atentar também aos efeitos singulares de recursos terrestres e alterações na qualidade e quantidade destes recursos disponíveis para consumidores aquáticos. Baseado no que foi apresentado, a falta de informação acerca de ecossistemas tropicais é preocupante enquanto procuramos buscar teorias unificadoras de processos regulatórios.

Se interessou?? Quer trocar uma idéia? É só me procurar por aqui mesmo 😉

Publicado por: marianabruck | 22 de junho de 2017

As atividades desenvolvidas durante o curso de formação de professores

De junho a agosto de 2016, o grupo de pesquisa em Educação Ambiental e Ensino de Ciências (GPEAEC) do laboratório de limnologia e orientado pela professora Laísa Freire, realizou o curso de formação de professores “Mudanças climáticas na pesquisa em ecologia e no ensino de ciências”, em que buscávamos por meio dos processos de diálogo uma formação de professores críticos, participativos e capazes de construir sua identidade por meio de espaços de discussão em relação ao meio científico e suas práticas em sala de aula.

O curso gerou um encontro entre pesquisadores em ecologia, pesquisadores em ensino de ciências, professores do ensino de ciências da Rede Pública do Ensino de Macaé e licenciandos em ciências biológicas de diferentes instituições públicas, em uma relação dialógica para a compreensão, aprofundamento do tema das mudanças climáticas e estabelecimento de relações entre pesquisa e ensino.

O curso de formação de professores teve duração de 20 horas presenciais e foi desenvolvido em cinco encontros. Durante o curso foram realizadas atividades teóricas e práticas, de modo a estabelecer trocas entre licenciandos/professores, e dos mesmos, com os pesquisadores. Estas atividades tiveram como objetivos: discutir os desafios da questão ambiental e das causas consequências das mudanças climáticas; discutir sobre as controvérsias sociocientíficas das mudanças climáticas e apresentar as relações entre educação ambiental e educação em ciências; discutir sobre as mudanças climáticas no contexto escolar e ao final elaborar uma sequência didática para tratamento didático do tema mudanças climáticas na escola básica.

Enfatizamos aqui as atividades realizadas em cada encontro e seus respectivos objetivos:

1º encontro)

  •  Atividade da teia: promover o conhecimento mútuo entre os participantes (pesquisadores e professores);
  • Atividade do aquário: possibilitar que os participantes (professores e pesquisadores) discutissem sobre o diálogo e a importância da interação entre professores-pesquisadores para processos formativos;
  • Introdução ao tema das mudanças climáticas: introduzir conceitos sobre as mudanças climáticas por meio de uma apresentação expositiva;

2º encontro)

  • Atividade do júri simulado: promover a discussão sobre as controvérsias sóciocientíficas no tema mudanças climáticas entre os participantes (pesquisadores e professores);
  • Atividade da trilha e cartografia social: sensibilizar os participantes sobre as diferentes interpretações e configurações do mundo e como de forma participativa de intercâmbio e diálogo se pode construir um conhecimento integral do território e as realidades sócio ambientais;

3º encontro)

  • Dinâmica de grupos sobre a questão ambiental no contexto das mudanças climáticas: criar espaço para que os participantes em grupo possam dialogar sobre a questão ambiental e as causa-consequências relacionadas com as mudanças climáticas;
  • Atividade textual sobre as mudanças climáticas na pesquisa em Ecologia: estimular os professores a expressarem o que compreenderam sobre as mudanças climáticas na pesquisa em Ecologia;

4º encontro)

  •  Atividade de diálogo sobre as mudanças climáticas no contexto escolar: possibilitar o diálogo entre pesquisadores e professores sobre as mudanças climáticas no contexto escolar;
  • Construção conjunta da sequência didática sobre as mudanças climáticas no contexto escolar: promover a construção conjunta entre pesquisadores e professores (assim como de um grupo só de professores e só de licenciandos) de uma sequência didática sobre o tema mudanças climáticas no contexto escolar;

5º encontro)

  • Construção conjunta da sequência didática sobre as mudanças climáticas no contexto escolar: Finalização da elaboração e apresentação da sequência didática.

 

 

 

Destacamos que o curso de formação de professores foi uma proposta pedagógica para o desenvolvimento de duas pesquisas de mestrado, as quais são integrantes de um projeto maior do laboratório de limnologia, “Questões socioambientais na sociedade contemporânea: implicações e significados na formação docente em ciências”.

Acreditamos que o curso de formação de professores e as duas dissertações desenvolvidas a partir do cenário empírico do curso, serviram como um ponto de partida para o debate das mudanças climáticas dentro do ensino de ciências, uma vez que podemos considerar que as mudanças climáticas é um tema bastante discutido no meio científico e muitas vezes apresentada pela mídia nos rádios e televisões, porém ainda se encontra pouco debatida no ensino de ciências, tanto no que diz respeito à formação inicial, quanto na formação continuada de professores.

 

Referências:

BENAC, R. M. Diálogo de saberes sobre o tema Mudanças Climáticas: Uma proposta de interação entre docentes em ciências e pesquisadores em ecologia na perspectiva da Educação Ambiental. 2017. 130 f. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Macaé, 2017.

GONÇALVES, M.B. Concepções de licenciandos de ciências biológicas e professores de ciências sobre mudanças climáticas: relacionando educação ambiental e educação em ciências a partir da abordagem de controvérsias sóciocientíficas. 2017. 90 f. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Saúde, Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.

Publicado por: amandavitrio | 16 de junho de 2017

Uma breve reflexão sobre como as pessoas veem as plantas no dia de hoje

Todos nós sabemos da imensa importância que as plantas têm para a nossa sobrevivência. Elas constituem as florestas, proporcionam condições para o estabelecimento de outras espécies vivas e são nossa principal fonte de alimentos, medicamentos e inclusive respiramos por conta delas. Eu poderia ficar três dias listando o quanto as plantas são importantes para a nossa vida, mas muito além disso, as plantas também são parte da nossa história e cultura.  Porém, atualmente, devido a intensa e acelerada urbanização ocorrente nos últimos anos, nós cada vez mais estamos perdendo o contato com as plantas, e assim apagando uma parte muito importante da história do nosso desenvolvimento.

Poucas pessoas sabem, mas existe uma ciência que estuda justamente esta questão de como a humanidade se relaciona com as plantas, cujo termo é etnobotânica. Segundo, Heinrich et al. (2004) a etnobotânica é a ciência que estuda a relação entre humanos e plantas em toda sua complexidade, e é baseada geralmente na observação detalhada e estudo do uso que uma sociedade faz das plantas, incluindo as crenças e práticas culturais associadas com este uso.

Atualmente não vemos mais as plantas com os olhos do passado e sim com os olhos do futuro. Mas que futuro é este? Um futuro dominado por um presente chamado indústria. Devido a intensa urbanização e modificação da cultura, fortemente influenciada pela expansão da indústria, as plantas passaram a ser vistas pela grande maioria da população como produtos e não mais como seres vivos. O nosso olhar sobre as plantas atualmente é limitado, principalmente nos grandes centros urbanos. Elas são vistas como princípios ativos para a produção de medicamentos pela indústria farmacológica e cosmética, e fontes lucrativas para a indústria alimentícia. Exemplos disso são que é cada vez mais comum conhecermos o efeito do princípio ativo de uma planta, e não reconhecermos a mesma. Vemos os vegetais picados cheios de agrotóxicos em embalagens bonitas no supermercado, mas não relacionamos à uma planta. E isso cada vez mais tem causado a perda cultural em cima das mesmas, além de danos biológicos sobre a sua diversidade, que além do mais, é um tema bastante interessante para discutirmos posteriormente.

Mas voltando ao foco do post de hoje, historicamente, devido à grande influência da religião, nós ocidentais nunca tivemos um vínculo muito aprofundado com a natureza como outras culturas. Mas é inegável que apesar disso, nossa relação com as plantas já foi mais próxima do que é atualmente. Hoje em dia, perante a grande parte da sociedade as plantas são invisíveis ou objetivadas. Perderam o cheiro e o sabor e foram colocadas em comprimidos, ou passaram a ser vendidas em embalagens caras nos supermercados. Enquanto no passado, nossos avós cultivavam hortas e plantas medicinais para curar as dores do corpo.

A verdade é que as plantas não perderam a importância. Elas ainda são a base fundamental para a nossa sobrevivência, porém, cada vez mais, o sistema capitalista investe em meios de torná-las produtos e nós aceitamos e alimentamos isso cada vez mais. Está é a grande diferença entre a nossa relação com as plantas hoje e a relação que tivemos em tempos atrás. Enfim, posso estar pensando demais, mas quem é que sabe onde é que isso vai nos levar?

Autora: Amanda Batista Vitório

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