Publicado por: María Angélica Mejía Cáceres | julho 30, 2020

Dicas para o uso de máscaras

Para ouvir este artigo.

Dicas para o uso de máscaras através de uma discussão entre Ambiente y Cotidianidad (podcast) com Lilia Maria Nieva.

Por que é importante usar as máscaras?

Temos Máscaras de Pano / Médicas / Cirúrgicas: as mais comuns, para uso público e são identificadas pelas dobras.

Máscaras do tipo FFP, como a N95, que são especializadas, pois filtram pequenas partículas do meio ambiente e são usadas pela equipe e familiares em contato direto com os infectados, como casos positivos de Covid-19.

Nesta seção, falaremos sobre máscaras médicas / cirúrgicas / de tecido, pois agora são de uso público e diário, e sua importância é LIMITAR a disseminação de doenças respiratórias, como a Covid-19. Porque eles servem como uma barreira para contato com fluidos (grandes gotas de tosse ou espirro) e filtram a saída para o exterior das partículas do usuário, mas não filtram as partículas do exterior. Portanto, seu uso não é suficiente para evitar que nós nos infectemos.

Nesse caso, é imperativo cumprir rigorosamente outras medidas de prevenção, como a higiene correta das mãos e o distanciamento social.

Como usá-lo e como não usá-lo?

Uso correto:

  • Para colocá-las, devemos lavar as mãos.
  • A máscara deve cobrir a ponta do nariz e a boca e ser ajustada para ficar confortável.
  • Devemos trocá-la quando estiver molhada, pois sua duração máxima é de 24 horas. Recomendando-se troca-la cada 4 horas quando a usamos constantemente, ou depois de retirada para beber ou comer. Deve ser retira por trás sem tocar a parte de frente, coloca-la em um recipiente com tampa e higienizar as mãos inmediatamente.

Uso incorreto:

Erros são cometidos quando você se preocupa ou se cansa da máscara, colocando-a em posições erradas, como sob o nariz ou completamente fora do rosto, descansando sob o queixo.

Você a usa solta, deixando parte do queixo ou nariz exposto, ou a reutiliza independentemente das restrições. Essas ações expõem você a um risco maior de contágio.

Tratamento após o uso:

As máscaras cirúrgicas ou médicas não são reutilizáveis; portanto, elas devem ser removidas quando molhadas ou quando você mudar de local, por exemplo, de um local público para a casa, e devem ser removidas por trás (sem tocar na frente). Devemos depositá-lo em um recipiente com tampa e imediatamente realizar a higiene das mãos.

No caso da máscara de pano, que obedece aos protocolos de elaboração das entidades de saúde e que são utilizadas por um curto período de tempo, por exemplo, quando precisamos sair para a vinícola ou a farmácia. Eles podem ser lavados, desinfetados, colocados ao sol e ferro.

Este é o espisódio 5 de uma sequência de textos do mês de Julho fazem parte de uma série de podcasts sobre Ambiente e Cotidiano, disponíveis no link https://www.spreaker.com/show/ambiente-e-cotidianidade

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Publicado por: María Angélica Mejía Cáceres | julho 23, 2020

Como avaliar a informação que recebemos mediante as redes sociais.

Para ouvir este artigo.

Já no passado, o filósofo Theodor Adorno falou sobre a indústria cultural, naquela época incluia cinema, rádio, revistas e, em nossa atualidade entram as redes sociais, mas tudo ao serviço do capitalismo. O que isso significa? Que as pessoas mais poderosas usam estes meios de comunicação para nos manipular, para fomentar o consumo de um determinado produto e inclusive para nos indicar em quem votar. Mas, nem toda informação que recebemos é verdadeira ou avaliada pela ciência. Em alguns casos, pode ser uma informação verdadeira para um determinado contexto, mas que usam para confundir as pessoas. Por exemplo, o contexto que estamos atualmente de pandemia, mediante informação falsa distraem as pessoas dos verdadeiros impactos. E isto não é nada novo, podemos trazer para discussão que, há cem anos atrás, não se comunicava que existia uma nova doença em muitos países, até que a Espanha publicou uma informação sobre uma nova gripe, chamada gripe espanhola. Destaco que o nome não corresponde a origem, mas porque foi o primeiro país que comunicou a seus cidadãos o que estava acontecendo. Doença que também chegou na América Latina e com certeza no Brasil. Abaixo, segue uma descrição daquela época, escrita por Domingos Meirelles na Record TV do texto Análise: gripe espanhola foi além de resfriado ao atingir o Brasil em 1918:

“A velocidade do contágio e o número de infectados no Rio de Janeiro era assustador.  Só no dia 22 de outubro de 1918 registraram-se 920 óbitos  na cidade.  Não sabia-se o que fazer com tantos mortos e doentes ao mesmo tempo.  Os hospitais estavam superlotados, as pessoas morriam na rua, em igrejas ou dentro de casa. Os jornais estavam cheios de histórias comoventes”.

Mas, hoje em dia, ainda com um desenvolvimeno tecnológico melhor, que favorece o estudo sobre um novo vírus e o monitoramento de sua propagação, também encontramos informação distorcida. Como já falei, há muita informação falsa circulando, informação que em alguns casos pode ser até perigosa, para outros seres vivos ou para nós. Ou seja, gera impacto. 

Mas, quais são essas informações falsas?

Bom, a primeira delas podemos fazer referência sobre que a origem do coronavirus foi uma sopa de morcego. 

Mas, eu vi um vídeo de uma mulher asiática comendo, o vídeo é real.

O vídeo é real sim, mas é aqui que vamos a começar a dar umas dicas, para avaliar se a informação que recebemos é confiável ou não.

1. Data de produção da informação. Indagando sobre o vídeo, descobrimos que ele foi publicado em 2016, portanto, ele não tem uma relação direta com a situação atual.

2. Contexto. Segundo fontes, o coronavírus se originou na cidade de Wuhan, na China, mas o vídeo publicado é sobre Palau.

3. Objetivo da informação: este vídeo não tem um objetivo científico e educacional sobre os efeitos do consumo do morcego, mas torna conhecida a gastronomia de Palau.

4. Não há evidências científicas de que neste caso específico da Covid-19 tenha sido causado por um morcego, embora tenha sido identificado que eles são portadores de vários vírus.

Vamos mudar o exemplo: circularam informações sobre o uso do eucalipto para prevenir ou eliminar o coronavírus, supostamente o resultado de uma investigação da Universidade de Havana, Cuba.

1. Revisão da fonte: ahh, mas é uma imagem, um meme, uma foto, como fazemos? Esta informação está citando diretamente uma instituição, o que podemos fazer? Vamos à página da universidade para contrastar, pesquisamos artigos científicos que corroboram. Aqui, chamo atenção, não estou negando as propriedades do eucalipto nos tratamentos respiratórios, mas as informações que estamos recebendo, que, neste caso, é a de impedir o coronavírus e validá-la citando uma universidade.

2. Ainda não há evidências científicas para verificar quais ambientes o coronavírus não pode desenvolver-se.

Também descobrimos a venda de medicamentos como cura para o coronavírus, que não é uma vacina nem um medicamento que a Organização Mundial de Saúde tenha reconhecido como a solução para esse problema, e muitas outras informações falsas.

Ah, mas apenas ler informações não tem efeito, certo? Quanto essa informação gera impacto, gera tanto que, por exemplo, as notícias da origem do coronavírus por meio do morcego, geraram medo de animais. Viram um aumento, por exemplo, na Colômbia, doo abandono de cães e gatos, no Peru, queimaram morcegos, que desempenham um papel ecológico e nos protegem, por exemplo, de outras doenças como o zika, a dengue, comendo mosquitos.

Essa falta de informações oficiais está sendo substituída por informações falsas, por exemplo, sobre medicamentos que curam, gerando automedicação por pessoas, ajudando a gerar intoxicações ou outras doenças. Se esses medicamentos são tão eficientes, por que o problema ainda é atual em todo o mundo?

E até agora não falamos sobre a manipulação ideológica e política que pode ser feita pela mídia, mas isso será para um próximo episódio.

Portanto, antes de compartilhar qualquer informação, sempre verifique e dedique um tempo para confirmar se o que você deseja compartilhar é verdadeiro ou falso, se você tiver dúvidas sobre o conteúdo recebido, a melhor opção é não compartilhar. Lembre-se de que nossas ações, por menores que sejam, têm um impacto, positivo ou negativo. Portanto, desconfie.

Este é o espisódio 4 de uma sequência de textos do mês de Julho fazem parte de uma série de podcasts sobre Ambiente e Cotidiano, disponíveis no link https://www.spreaker.com/show/ambiente-e-cotidianidade

Versão em espanhol na segunda pagina.

English version in the third page.

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Publicado por: María Angélica Mejía Cáceres | julho 16, 2020

Como podemos ser mais sustentáveis?

Olhares sobre sustentabilidade através de uma discussão de Ambiente y Cotidianidad com o professor Marco Rieckmann, da Universidade de Vetcha.

Para ouvir este artigo,

O que é e porque é importante a sustentabilidade?

Um desenvolvimento sustentável, uma sociedade sustentável na qual se considera os aspetos ecológicos, sociais e econômicos, a ideia seria vincular a economia com um enfoque ecológico e também com o âmbito social, mas para mim o mais importante no contexto da sustentabilidade  é  considerar os limites dos recursos naturais, então, eu vejo como a base da sustentabilidade o meio ambiente e criar uma justiça, uma equidade para todos seres humanos, hoje e no futuro, e nessa base criar uma economia que funcione. 

Por que é importante a sustentabilidade?  

Eu penso porque já temos hoje em dia muitos problemas ambientais e sociais no mundo, como a mudança climática, como a pobreza, entre outros, por isso acho que tem uma necessidade muito grande de transformar a economia, de transformar a sociedade, por isso, vejo a sustentabilidade como algo muito importante.

Foto sobre o consumo de alimentos orgânicos. Foto por Ella Olsson em Pexels.com

Quais hábitos podemos incluir em nosso dia a dia que contribuem a ter uma vida sustentável?

Acho que aí tem muitos exemplos dos produtos que nós consumismos, a roupa, os alimentos, tudo o que consumimos. Obviamente podem ser produtos mais orgânicos, mais ecológicos, de comércio justo, por exemplo. Não sei, aqui na Alemanha, sempre é uma temática em torno ao café, cacau, chocolate, produtos que são produzidos de uma forma mais orgânica, mas também considerando os direitos dos trabalhadores, por exemplo. Então eu vejo isso como uma área, os produtos que compramos que sejam mais sustentáveis. Bom, também há o tema da mobilidade, eu penso que é uma parte que podemos fazer, utilizar mais os transportes públicos, a bicicleta e tudo isso. Considero uma área muito importante: a mobilidade e o transporte. E além do consumo dos produtos e da mobilidade, acho que também pode ser a construção e renovação de nossas casas, de nossos apartamentos, que materiais utilizamos? Também o tema de férias, se podemos ter férias mais sustentáveis ou menos sustentáveis. Utilizar avião ou não utilizar avião para as pessoas que tem essas possibilidades. Obviamente, tem que pensar também se é uma necessidade utilizar essas oportunidades ou não. É um tema muito importante também ver não só o consumo e as coisas que podemos fazer como consumidores, mas também perceber-nos como cidadãos. Podemos participar de petições, eleições, votações em todo o discurso público, então, me parece muito importante informar-nos e participar no discurso público, no debate político, isso também para mim é uma parte muito importante que podem fazer os cidadãos, para não somente mudar nosso consumo de jeito individual, mas também contribuir para mudanças políticas.  

Foto sobre participar nas movilizações sociais. Foto por Markus Spiske em Pexels.com

Finalmente, como podemos incluir nossa família nesta nova cultura?

Bom, eu acho que muitas dessas atividades a gente pode fazer individualmente, mas muito mais interessante, mais alegre e mais motivador pode ser se fizermos como família, como grupo, aí cada membro da família pode contribuir com alguma coisa. Nestes tempos que temos que ficar em casa, não podemos sair ou ao menos não saímos tanto, é um tempo bom para debater entre família, criar novas ideias, talvez mudar algo em nossos comportamentos e sermos criativos.

Faço agradecimento do professor Marco Rieckmann por sua participação e autorização de fazer a tradução para este episódio. 

Este é o espisódio 3 de uma sequência de textos do mês de Julho fazem parte de uma série de podcasts sobre Ambiente e Cotidiano, disponíveis no link https://www.spreaker.com/show/ambiente-e-cotidianidade

Versão em espanhol na segunda página e versão em inglês na terceira.

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Publicado por: María Angélica Mejía Cáceres | julho 9, 2020

Atividades para crianças e jovens.

Para ouvir este artigo.

Agora em tempos de coronavírus, muitos professores e pais de família tem se perguntado quais atividades podem fazer em casa. Neste episódio, vou propor uma atividade que eu já mesma fiz quando subministrava aulas de educação ambiental, e que considero que possa ser aplicada independentemente da idade. Esta atividade te permitirá desenvolver a criatividade, já que a criança poderá criar ou recriar imagens que olha na televisão, jornais, livros e no dia a dia. Eles poderão expressar também suas necessidades, problemas e ao mesmo tempo pensar em alternativas de solução. Poderão discutir temas de ecologia, também temáticas vinculadas à sociedade, tudo depende de suas escolhas.

Foto de capa do segundo episódio. Desenho María Angélica Mejía-Cáceres.

O que precisará? uma imagem de alguma pintura famosa, e sua explicação dada pelo autor ou por estudiosos da arte. Por exemplo, o grito de Edwar Much, nós podemos usar para todas as idades. Para as criancinhas, nós encontramos na internet algumas propostas onde ao invés de uma pessoa gritando, é um urso, ou também podemos encontrar outras imagens. Existe uma grande variedade de imagens. Também precisará de folhas brancas e cores. 

O que podemos discutir com a pintura? Esta nos permitirá discutir de acordo com nossas interpretações, por exemplo, o grito de Edwar Munch, poderíamos discutir características socioambientais. Poderíamos mostrar esta imagem para os jovens e perguntar: “O que nos diz a imagem?”, “O que significam as cores?”, “O que nos diz a expressão da imagem?” Depois, você pode pedir a construção de um texto sobre a relação homem-natureza. Posteriormente, você poderá dar sua explicação, mas lembre-se que isto exige uma leitura prévia do contexto em que foi realizada a imagem. Também, poderíamos comparar com outra pintura que mostre a natureza intocada como, por exemplo, aquela do quadro de Claude Monete, onde poderemos discutir a natureza sem contaminação. Desta maneira, nós poderíamos fazer comparações e perguntas como, por exemplo: “O que nos diz o céu em cada pintura?”, “Será que a cor laranja e obscura do grito poderíamos interpretar como contaminação?”.

Outra pintura, um pouco mais complexa e, portanto, para os mais velhos, é o tríptico Jardim das delicias de El Bosco. Esta imagem permitirá discutir desde conceitos biológicos como a simbiose, referenciada no segundo painel, na parte superior esquerda. Ali se pode observar uma similitude com a simbioses entre o homem e o animal do qual se alimenta, neste caso, um homem voando em companhia de um peixe.  A pintura composta por três cenários permite observar um olhar religioso da época (idade média), iniciando com a criação e finalizando com a ideia do infernal. Por outro lado, também se pode relacionar com outras formas mais contemporâneas, por exemplo, o segundo painel pode relatar o crescimento populacional e a replicação dos pecados capitais, nos quais se poderia incluir a sobre-exploração dos recursos naturais.  Já no painel final, no ângulo superior, há imagens similares à poluição e à contaminação do ar emitidas pelas fabricas.  É interessante refletir sobre as possibilidades do olhar do autor em 1500 e a similitudes com nossa realidade. 

Foto sobre a aplicação de atividade no laboratorio de Limnologia UFRJ. Foto: Laisa Freire.

Outra atividade para os mais velhos, por exemplo, é a visão em torno da arte para discutir a materialidade e espiritualidade, reconhecendo como temos habitado e como está nosso ser interior. Para isto, podemos mostrar a imagem de Frida Kalho, autorretrato de 1953 ou pês para que os quero. Podemos perguntar e refletir sobre: “Como foi a vida de Frida Kalho segundo a Imagem?”, “Como a concepção de Kalho de seu habitar, transcendendo a cultura mexicana, apesar das dificuldades da época?”. Se descobrimos que eles não conhecem a pintora, poderíamos explicar sobre sua vida também.

Bom, até aqui o exercício tem sido mais interpretação, agora será o momento de desenhar. Vamos pedir que desenhem algum problema ambiental que eles tenham olhado ou vivenciado perto de sua casa ou escola. Isto nos permitirá discutir sobre os problemas ambientais e possíveis soluções em nosso dia a dia para diminuir este problema. Para os mais velhos, podemos incluir perguntas sobre o rol do estado neste problema. 

Bom, aqui deixei só algumas ideias que podem desenvolver emcasa, deixa-me comentários sobre o que acharam deste episódio, se você fez as atividades e como foi a experiência. Este episódio baseou-se na atividade 1 e 9 do livro ciência, cultura e educação ambiental: uma proposta para os educadores. Bom, até um próximo episódio.

Foto do livro em que baseou-se a atividade. Foto: María Angelica Mejía-Cáceres

Este é o espisódio 2 de uma sequência de textos do mês de Julho fazem parte de uma série de podcasts sobre Ambiente e Cotidiano, disponíveis no link https://www.spreaker.com/user/12293190/episode-2-atividades-para-criancas-e-jov

Versão em espanhol na página 2.

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Publicado por: María Angélica Mejía Cáceres | julho 2, 2020

¿Qué nos dice los desechos de nuestra casa?

Foto de la carátula del programa podcast Ambiente y Cotidianidad. Diseño Allison Villaquirán.
Para escuchar este articulo.

A veces ignoramos los desechos, desperdicios o basuras de nuestro hogar, pero en realidad podemos hacer una lectura vinculada a la estructura o sistema, a la salud, a la cultura y al ambiente. En una sociedad donde no se ofrecen los servicios básicos, como es el agua, se genera la necesidad de consumir agua mineral o embotellada. Esta situación nos permite hablar de la falta de capacidad política de ofrecer los derechos básicos de todo ser humano, la falta de control de las plantas que potabilizan el agua, además que es una cuestión que está fuertemente vinculada al saneamiento.

Por otro lado, nos permite discutir sobre la diferencia de clases, será que todas las personas tiene el recurso económico de comprar agua mineral? Recordemos que No solo para beber sino para preparar alimentos es necesario tener agua potable. Así como, quienes son más vulnerables a tener enfermedades por falta de agua potable ?

Foto sobre los residuos del hogar

(Foto: María Angélica Mejía Cáceres)

Y es aquí donde podemos hacer vínculo con la otra dimensión planteada salud. Podemos empezar explicando que la falta de agua potable puede generar enfermedades como cólera, fiebre tifoidea, shigella, poliomielitis, meningitis, hepatitis, diarrea. Pero, que más nos dice nuestros desechos sobre la salud ? En un hogar donde la mayoría o una grande proporción de desechos son botellas de gaseosa en cualquiera de sus presentaciones, nos indica que la ingesta de azúcares es muy alta. Lo que genera sobrepeso u obesidad y este a su vez aumenta el riesgo de diabetes, problemas cardíacos, infarto, cáncer y otras enfermedades y causa problemas sociales y psicológicos. Tiempo atrás la diabetes tipo 2, era una enfermedad propia del adulto, pero hoy en día, lamentablemente, hay niños y adolescentes que la padecen. Además de otras enfermedades como osteoporosis, caries dental, problemas cardíacos entre otros. 

La cultura, pero como ? 

Siendo colombiana viviendo con un francés, apareció un nuevo desecho en mi caneca, adivinan que es ? Si botellas de vino. En la cultura colombiana no es común acompañar la comida con vino sino con jugos naturales, y los vinos se usan en una especial ocasión, a diferencia de la cultura francesa en la cual el vino participa tanto de un almuerzo normal como de una cena especial. 

                              Foto sobre los residuos de acuerdo a    
                              la cultura (Foto: MAMC)

.

No solo indica nuestro consumo sino el impacto posterior. Nuestro mayor desechos son material orgánico ? Podemos usar estos como compostagem, reutilizar algunas partes de algún vegetal nos permitirá construir nuestra propia huerta.. tenemos botellas de vidrio? Estas son posibles reutilizar, ya sea por nosotros mismos o por las empresas.. tenemos mucho plástico ? Para nadie es un secreto que deberíamos cambiar este material… pero enalgunos casos se nos es casi imposible… el sistema nos lleva a su consumo, pero siempre hay puntos de quiebre, usa tu propia bolsa reutilizável, dejando de lado aquellas bolsas plásticas pequeñas, escoge vegetales y frutas que no sean empacadas innecesariamente.. dejemos la pereza de lado, igual debemos de lavarlos para quitar los químicos, y cortar ennuestro gusto, así que evita estos empaques innecesarios que nos han querido vender. 

Y si pensamos en separación de basura vuelve y aparecen las dimensiones, a veces nuestra ciudad no cuenta con un sistema de separación, sino es así, realizemos nuestra parte, así estaremos ayudando también a los recicladores. Si, estoy haciendo una invitación a una acción individual, pero sin olvidar que es el Estado que debe crear un sistema que contribuya a esto. 

Así que, que dice la basura de tu hogar ?

Este es el episodio 1 de una secuencia de textos del mes de julio y son parte de una serie de podcasts sobre Ambiente y Cotidiano, disponibles en el enlace: https://www.spreaker.com/show/ambiente-y-cotidianidad

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Publicado por: Rodrigo Felix | junho 25, 2020

Ventos do Rio São João

Capa do filme Ventos do Rio São João. Foto registrada em uma regata disputada pelos atletas da Escolinha de Vela Rio São João realizada na Lagoa de Imboassica em Macaé (RJ) (Foto: Rodrigo Felix; Arte: Pablo Nascimento)

Após realizar a disciplina de cinema e educação ambiental em 2018, no curso de pós-graduação em Ciências Ambientais e Conservação da UFRJ, e participar da elaboração do filme “O Que é Científico”, a ideia de fazer algo a mais com o cine documentário, não saiu da minha cabeça. Através da inscrição em uma nova disciplina em 2019, para realizar práticas interdisciplinares, toda aquela empolgação com o cinema novamente me energizou. Como produto desta última disciplina, os alunos foram orientados a produzir um trabalho independente do seu estudo de doutorado, no entanto, ainda dentro da temática do programa.

Diante disso, procurei elaborar um roteiro para um projeto audiovisual e um artigo de divulgação junto com a colaboração da Maria Silvina Bevilacqua, do Rafael Costa e da Renata Bacellar. Neste roteiro buscamos abordar um alerta sobre a degradação ambiental do Rio São João, em Casimiro de Abreu (RJ), uma vez que este rio já vem sendo estudado dentro do contexto de qualidade de água e conservação das comunidades biológicas há algum tempo por pesquisadores do Instituto NUPEM-UFRJ e outras universidades. 

Eu e Silvina, já cientes da existência de um lindo projeto socioambiental envolvendo uma escolinha de vela neste rio, inserimos no contexto do roteiro uma abordagem sobre o quanto a mitigação de impactos e a preservação ambiental são também fundamentais para a manutenção de uma atividade cultural e esportiva na localidade. Diante disso, construímos uma história destacando a íntima relação das pessoas (dos jovens aos mais idosos) com o rio, com enfoque naqueles que vivem às margens do mesmo e permaneceram conectados com a vela. Além disso, não deixamos de mostrar a importância do projeto para a formação cidadã e para a geração de sonhos nas crianças e adolescentes em risco social que participam da escolinha.

Foto registrada no Rio São João (Casimiro de Abreu – RJ) durante um treinamento para uma regata. (Foto: Rodrigo Felix)

Nesta jornada de roteirização que culminou na produção do filme, destacamos a percepção das pessoas envolvidas no projeto com as modificações ambientais provocadas no Rio São João, e o valor da prática da vela para fortalecer a conexão com a natureza deste ambiente. Durante a produção, ficou evidente como é sensível a percepção das crianças frente a poluição do rio, e como isso as afeta emocionalmente devido a sentirem que o Rio São João faz parte delas e de suas famílias.

Este sentimento de pertencimento, me traz a memória o dito “Ko au te awa, ko te awa ko au”, que significa “Eu sou o rio, o rio sou eu. Essa frase foi eternizada pelo povo Maori, indígenas tradicionais da Nova Zelândia, e entrou em evidência para todo o mundo durante a luta pelo reconhecimento dos direitos do rio Whanganui. Inclusive o Anderson Gripp, também autor deste blog, nos brindou a algum tempo atrás com um post bem bacana sobre o assunto.

Sem mais demoras, acho que o legal deste post é o leitor tirar um tempinho para assistir ao filme. Se trata de um curta-metragem de 29 minutos chamado Ventos do Rio São João: Valores e Culturas de Uma Escola de Vela. Ele foi produzido em 2019 e contou com a minha direção e edição, com a colaboração da Maria Silvina Bevilacqua na produção e com a parceria da Silvina, do Rafael Costa e da Renata Bacellar na roteirização e nas entrevistas. O filme se encaixa na temática de cidadania ambiental e aborda saberes e cultura(s) de uma comunidade envolvida com a realidade ambiental do Rio São João. O filme foi pensado para o público-alvo formado por crianças, adolescentes, gestores de recursos hídricos, tomadores de decisão, universitários, população local, comitê de bacias, agentes públicos, velejadores e investidores filantrópicos. O filme pode ser assistido no YouTube através da janela abaixo. Não deixem de conferir esse importante projeto socioambiental!

Ventos do Rio São João: Valores e Culturas de Uma Escola de Vela
Foto da identidade visual da escolinha registrada em uma regata na lagoa Imboassica (RJ). (Foto: Rodrigo Felix)
Publicado por: Gabriel Genovez | junho 11, 2020

A vida e as ideias de Aleksander Von Humboldt sob olhar do pós-pandemia

            Nascido em Berlim no final do século XVIII, o grande cientista alemão Aleksander Von Humboldt, é um dos principais responsáveis pela atual visão holística da natureza. Autor de importantes obras, como: “Narrativa Pessoal” e “Kosmos”, inspirou o pensamento científico e artístico sobre a natureza de maneira intensa até meados do século XX.

Aleksander Von Humboldt. (Stieler, 1943)¹

INFÂNCIA

            Descendente de uma família com grande poder político e econômico, Humboldt era filho de um oficial do exército e neto de industriais.

         Apesar de suas condições abastadas, Alexander e seu irmão, Wilhelm, tiveram uma infância difícil. Em 1779, morre aos 59 anos o pai de Aleksander, deixando os irmãos Humboldt aos cuidados da mãe – Maria Elizabeth Von Colomb. Elizabeth custeava aos filhos uma educação iluminista, baseada na compreensão do mundo através da razão e da liberdade. No entanto, diferente do pai de Humboldt, sua mãe não demonstrava nenhum afeto emocional aos filhos. Segundo alguns biógrafos, como Andrea Wulf, esta característica da relação entre mãe e os dois filhos foi decisiva para a formação da personalidade de Aleksander e de Wilhelm na vida adulta.

            A rigidez da educação imposta por Elizabeth era muito angustiante para Aleksander, pois diferentemente do seu irmão, sentia-se extremamente inquieto em meio aos livros. Por isso, sempre que possível, fugia para o campo para desenhar plantas e animais, pois na natureza encontrava tranquilidade.

         Quando adulto Aleksander dizia que durante sua infância estava entre pessoas que o amavam, mas não o compreendiam.

FORMAÇÃO

         Ao final do século XVIII, a Prússia (nação que ocupava a porção central do território europeu) era regida pelo rei Frederico II, conhecido pelo seu amor à arte e ao conhecimento. Os crescentes investimentos do rei na reforma educacional, resultaram na formação de um forte polo de conhecimento, em que os Estados Germânicos possuíam mais universidades e bibliotecas do que os demais Estados Europeus.

          Apesar do generoso cenário científico alemão, Humboldt transpirava seu sonho de visitar terras distantes. No entanto

, Elisabeth, tinha o desejo que seus filhos ingressassem na carreira pública do Império Prussiano. Assim, ao completar 18 anos, Aleksander foi enviado para universidade de Frankfurt an de Oder (na época uma pequena cidade às margens do rio Oder) para estudar administração governamental e economia política.

    Seus estudos em Frankfurt não duraram muito, pois se transferiu rapidamente para a Universidade de Göttingen e em seguida para a Universidade de Hamburgo – até hoje um grande centro econômico e a principal cidade do norte da Alemanha. Em Hamburgo formou-se em Finanças e Economia. Posteriormente, ingressou na Escola de Mineração de Freiburg, onde concluiu seus estudos em apenas oito meses – normalmente concluído em três anos. Seu desempenho excepcional o fez ser nomeado, aos 22 anos, como inspetor de mina e nesta condição viajou por todo Estado Germânico e, assim, pode aprofundar seus estudos em zoologia, botânica e principalmente geologia. Além disso, ao aceitar o cargo público, Aleksander realizava o desejo de sua mãe, que era ver seu filho prestando serviço para o Estado Prussiano.

A BUSCA POR UMA GRANDE EXPEDIÇÃO

         Em cinco anos como inspetor de mina, Aleksander já havia viajado por grande parte do território prussiano e publicado vários artigos em diversas áreas do conhecimento, sempre às mantendo de forma separada, ou seja, de maneira disciplinar. Após ter explorado grande parte de sua região natal, sua angustia por não viajar para terras distantes aumentava. Porém, todo esse cenário mudou ao final do ano de 1796, com a morte de sua mãe.

         Com relatam os biógrafos, Aleksander não ficou abatido com a morte de sua mãe, pois como declarou em uma carta, eles eram “desconhecidos um para o outro”. Diante disso, finalmente sentiu-se livre para desligar-se das funções que exercia junto ao Estado Prussiano, requerendo assim, a sua exoneração do cargo. Logo iniciou os preparativos em busca de sua grande viagem, afim de realizar o seu grande sonho.

         Inicialmente, Humboldt viajou à Paris a fim de conseguir embarcar para as colônias francesas. No entanto, devido à falta de recurso do governo, seus planos foram frustrados.  Apesar de não conseguir viajar, foi em Paris que Aleksander conheceu o botânico Aimé Jacques Bonpland, com quem teceu rapidamente uma forte amizade.

     Após diversas tentativas de viajar para fora da Europa, Humboldt e Bonpland, com respectivamente aos 30 e 26 anos, conseguem permissão para embarcar para as colônias espanholas, desde que financiassem seus custos na viagem. Provido de sua vasta herança, Aleksander aceitou a proposta e logo viajaram para as terras que o tornaram um dos mais admiráveis cientistas de todos os tempos.

A EXPEDIÇÃO LATINO-AMERICANA

       A expedição de Aleksander e Bonpland pelo continente americano se iniciou na cidade venezuelana de Cumaná. A paisagem tropical com uma rica biodiversidade, fascinava os jovens naturalistas a cada novo espécime encontrado. Foram tantas coletas de plantas e animais, que rapidamente lotaram seus baús. Além da coleta dos espécimes, Humboldt registrava características geográficas associadas à cada item amostrado – temperatura, iluminação, latitude, longitude etc.

     Durante seu percurso pela terra latino-americana, Humboldt teve a oportunidade de visitar uma região na Venezuela que era uma das terras agrícolas mais prósperas das colônias do Império Espanhol. No entanto, diferentemente do que esperava, o importante lago da cidade – conhecido como Lago de Valência – chamou a atenção do jovem cientista, pois o volume de suas águas estava muito reduzido e isso vinha ocorrendo ao longo dos anos de maneira muito veloz.

                Preocupados com o rebaixamento do nível do lago de Valência, moradores do vale suspeitavam que houvessem canais subterrâneos que drenavam o lago. Mas, a partir de anotações que Aleksander fez durante suas excursões na região, ele pode deduzir que os desvios de córregos que alimentavam o lago e o desmatamento de florestas com o objetivo de “limpar o terreno”, resultavam em danos intensos ao meio ambiente. Com base nessas observações, Humboldt desenvolveu sua ideia pioneira sobre o impacto do homem sobre a natureza, pois a ação dos lavradores afetava intensamente os ecossistemas, o que ensejava um impacto direto sobre os moradores do vale.

      Apesar dos diversos aprendizados dos jovens cientistas, o marco mais importante da expedição foi a escalada ao vulcão Chimborazo no Equador – descrito por Humboldt como o “Monstruoso Colosso”.

       A visão de cima do “Monstruoso Colosso”, trazia a memória de Alexander todas as plantas e formações rochosas que havia observado ao longo de sua longa e muito difícil viagem. Pois assim como os diferentes padrões observados pelos espécimes ao longo da escalada do vulcão, a distribuição das espécies que ocorriam na Europa e na América do Sul, apresentava influência direta de fatores abióticos (não vivos). A relação intrínseca entre fatores bióticos e abióticos, resultou na visão “humboldtiana” da natureza em que todas as forças naturais são interligadas e interdependentes.

        A fim de externalizar sua nova visão sobre a natureza, Aleksander começa a esboçar uma ilustração do Chimborazo relatando a distribuição das plantas ao longo da gradação das características abióticas. A pintura é conhecida como Naturgemälde (A pintura da natureza) – sendo uma forma totalmente inovadora de divulgar dados científicos.       Diferente de tudo já publicado na época, Naturgemälde mostrava a importância de características do ambiente na ocorrência das espécies botânicas, assim, apresentava de forma simples como as forças da natureza se influenciavam de forma recíproca.

A pintura da natureza. (Bonpland & Humboldt, 1807)²

AS IDEIAS DE HUMBOLDT NO PERÍODO PÓS-PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

       A visão Pré-Humboldtiana da natureza, sustentada desde de Aristóteles (368 a.C.–348 a.C.), observava o meio natural de maneira desconexa ao homem, afirmando que as plantas e os animais estavam a serviço da humanidade. Estas ideias foram ainda mais consolidadas através das obras de Francis Bacon e Rene Descartes, que defendiam a ideia de a natureza deve ser dominada pelo homem. Com isso, diante de uma sociedade baseada no consumo de bens, a perspectiva utilitarista sobre os recursos naturais é cada vez mais enraizada sobre a sociedade.

    O consumismo e o aumento da densidade populacional, resultam no aumento da necessidade da extração de recursos naturais. Insta salientar que, grande maioria da população mundial pressupõe veementemente que os recursos da natureza são infinitos, e tal constatação é extremamente preocupante.

       A demanda cada vez maior pela aquisição de bens e serviços, intensifica a invasão de habitats para extração dos recursos – principalmente em regiões tropicais. E com isso, enseja o aumento da aproximação do homem a animais silvestres, aumentando assim a exposição a possíveis organismos patogênicos.

       Um estudo desenvolvido no Imperial College London, identificou que entre os anos de 1960 e 2004, cerca de 200 doenças em humanos surgiram a partir do contato com animais silvestres (Jones et al., 2008)3. Esses números tendem a crescer ao longo dos anos, com relação direta da redução de habitats naturais e as mudanças que o ser humano causa à natureza.

     Esse cenário é extremamente preocupante, pois assim como o COVID-19 está paralisando o mundo, novas doenças podem emergir a qualquer momento.

        A percepção do homem como parte da natureza, traz a responsabilidade de restabelecer o equilíbrio com a biodiversidade, pois o atual modelo de sociedade está sendo ecologicamente predatório. E esse cenário, mostra a incongruência da concepção que os recursos naturais estão a serviço do homem e acentua a percepção de Humboldt, do quão o homem é interligado e interdependente à natureza.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

2 Bonpland, A. ; Humboldt, A. (1804). Ideen zu einer Geographie der Pflanzen nebeneinem Naturgemälde der Tropenländer. Disponível em: 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Zentralbibliothek_Z%C3%BCrich_-_Ideen_zu_einer_Geographie_der_Pflanzen_nebst_einem_Naturgem%C3%A4lde_der_Tropenl%C3%A4nder_-_000012142.tiff . Acesso em 18 abr. 2020.

Helferich, G. (2005). O Cosmos de Humboldt: Alexander Von Humboldt e a viagem à América Latina que mudou a forma como vemos o mundo. Tradução de Adalgisa Campos da Silva. Rio de Janeiro: Objetiva.

3 Jones, K. ; Patel, N. ; Levy, M. ; et al. (2008). Global trends in emerging infectious diseases. Nature, v.451, p.990–993.

1 Stieler, J. K. (1943). Alexander Von Humboldt. Pintura, tinta óleo sobre tela, 107 x 87 cm. Disponível em:
<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stieler,_Joseph_Karl_-_Alexander_von_Humboldt_-_1843.jpg> . Acesso 18 abr. 2020.

Wulf, A. (2016). A invenção da natureza: a vida e as descobertas de Alexander Von Humboldt. Tradução de Renato Marques. 1º ed. São Paulo: Planeta, 2016

Publicado por: matheus.vieiras | maio 28, 2020

E essa energia aí? É limpa?

A energia é um dos principais motores da sociedade moderna. Ela é necessária para se criar bens com base em recursos naturais e para fornecer muitos dos serviços que nos beneficia. A energia está presente em todos os setores da sociedade. Ela faz-se presente desde a hora que levantamos de nossas camas pela manhã, até a hora que voltamos a nos deitar a noite. Na maioria das vezes, decorrente de um ato quase automático de acender uma lâmpada, ligar o chuveiro para tomar um banho quente ou até mesmo o computador que você utilizará por várias horas durante o seu dia, não lembramos do caminho que esse bem tão necessário percorre até chegar em nossas tomadas.

O gráfico de barras abaixo indica que quanto mais sofisticada a vida e maior sua qualidade, maior a necessidade de consumo de energia. Do homem primitivo, que não conhecia o fogo, até o homem tecnológico, o consumo diário cresceu de 2000 kcal para quase 230.000 kcal, em 1 milhão de anos. Esse aumento foi progressivo, acompanhando o refinamento da tecnologia desenvolvida pela humanidade para modificar o meio ambiente em seu benefício. Os recursos energéticos disponíveis na Terra, porém, são limitados. Conciliar esse fato com as necessidades humanas é um grande desafio a ser enfrentado pela ciência moderna, independentemente das administrações e das ideologias.

Figura 2- Estágios de desenvolvimento e consumo de energia per capita do homem primitivo ao homem tecnológico. Fonte: Piqueira e Brunoro (2019)

O mundo possui uma matriz energética composta, principalmente, por fontes não renováveis, como carvão, petróleo e gás natural. Fontes renováveis como solar, eólica e geotérmica, por exemplo, juntas correspondem a menos de 2% da matriz energética mundial. Já no Brasil, cerca de 67% de sua matriz elétrica é gerada basicamente em usinas hidrelétricas.

A energia hidrelétrica vem a partir da obtenção de energia elétrica por meio do aproveitamento do potencial hidráulico de um rio. Para que esse processo seja realizado é necessária a construção de usinas em rios que possuam elevado volume de água e que apresentem desníveis em seu curso. A energia hidrelétrica é reconhecida como uma fonte de energia primária renovável, ou seja, tem como principal característica a origem direta da natureza. Por isso, ela pode ser aproveitada sem que se esgote ao longo do tempo.

O grande potencial hidrelétrico brasileiro representa uma indiscutível vantagem comparativa em relação às matrizes elétricas adotadas por outros países. O Ministério do Meio Ambiente do Brasil reconhece a energia produzida em hidrelétricas como “uma fonte abundante, limpa e renovável, de utilização alternativa”.

Apontamentos entre as vantagens e desvantagens do uso de energia hidrelétrica

A principal vantagem é, sem dúvida, ser uma fonte de energia renovável, que no Brasil continua sendo mais barata do que as demais energias limpas (solar, eólica e proveniente das marés). A água represada pode ser usada na irrigação de plantações próximas à usina e na regulação da vazão do rio.

As desvantagens do uso desse tipo de energia superam as vantagens, pois permeia negativamente uma gama de aspectos sociais, físicos, químicos e principalmente ambientais. Alguns de seus danos são reconhecidamente irreparáveis!

Os impactos sociais estão principalmente relacionados com o alagamento de grandes áreas. A inundação dessas áreas provoca o êxodo de populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas ou comunidades tradicionais que precisam ser deslocadas para áreas mais distantes. Esses povos são duplamente afetados pelas construções de usinas hidrelétricas, uma vez que boa parte de sua renda familiar vem de atividades extrativistas como a pesca.

As principais alterações físicas e químicas ficam por conta das alterações no microclima do entorno das barragens, tais como: variações na umidade relativa do ar, nos ciclos e quantidade das chuvas, no sistema de ventos, etc.

A variação da turbidez da água em períodos durante e pós tempestades, devido a ressuspensão de sólidos na coluna d’água, diminui a entrada de luz na água e altera a produção primária de fitoplâncton e de macrófitas submersas. Como consequência, a quantidade de oxigênio dissolvido na água pode diminuir muito, comprometendo toda a vida aquática. Além disso, ocorrem alterações contínuas na temperatura, oxigênio dissolvido e pH da água quando não ocorre desmatamento prévio da mata ciliar antes da inundação.

Perdas da flora e da fauna nativas, tanto aquática como terrestre, também ocorrem. Os reservatórios se tornam barreiras físicas que impedem processos de migrações sazonais de peixes para se reproduzir durante a piracema. Além disso, já é consenso na ciência que hidrelétricas atuam como facilitadores no estabelecimento de espécies exóticas que podem causar desequilíbrios em ecossistemas de toda a bacia hidrográfica.

A vegetação natural também sofre com o processo de inundação. Boa parte dessas áreas inundadas possuem grande potencial para uso agropecuário ou são áreas de mata ciliar florestadas que abrigam uma grande riqueza de espécies da fauna e flora. Além disso, a vegetação ciliar inundada diminui o sequestro de carbono e aumenta a emissão de gases do efeito estufa.

Podemos pensar em sustentabilidade e produção energética ao mesmo tempo?

A resposta é sim! Mas, devemos ter em mente que a obtenção de energia sempre gera algum tipo de impacto ambiental, seja em grande ou pequena proporção. Mesmo considerando as hidrelétricas como sendo uma fonte de “energia limpa”, do ponto de vista ambiental, não pode ser considerado uma ótima solução ecológica, pois interferem drasticamente no meio ambiente e na vida das pessoas que vivem à margem dos rios.

Com um bom planejamento integrado de recursos, o governo pode realizar progressivamente uma transição do atual sistema energético e propor um planejamento para cortar subsídios destinados às fontes de energia que geram mais impactos ambientais, garantindo incentivos para fontes energéticas mais sustentáveis, como a energia solar e eólica. É dever do Estado estimular o desenvolvimento científico de políticas tecnológicas inovadoras, com investimentos e incentivos à inovação.

Fontes bibliográficas:

Arantes, C.C., Fitzgerald, D.B., Hoeinghaus, D.J., & Winemiller, K.O. (2019). Impacts of hydroelectric dams on fishes and fisheries in tropical rivers through the lens of functional traits. Current Opinion in Environmental Sustainability, 37, 28-40.

Bizawu, S. K., & de Sousa Soares, C. N. (2019). Energia renovável: O impacto na usina de furnas. Revista da AJURIS, 45(145), 251-266.

Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Matriz Energética e Elétrica. Disponível em: <http://epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica&gt;

Khan Academy. Impactos socioambientais das usinas hidrelétricas. Disponível em: < https://pt.khanacademy.org/science/8-ano/fontes-de-energia/produzindo-energia-eletrica/a/impactos-socioambientais-das-usinas-hidreletricas&gt;

Ministério do Meio Ambiente (2006). Caderno setorial de recursos hídricos: geração de energia hidrelétrica

Piqueira, J.R.C., & Brunoro, C.M. (2019). ENERGIA: uso, geração e impactos

Portal Solar. Fontes de Energia Renováveis: Tudo o que você precisa saber. Disponível em: <https://www.portalsolar.com.br/fontes-de-energia-renovaveis.html>ambientais. CEP,1525.

Publicado por: Claudio Marinho | maio 14, 2020

Em Casa. Tudo Limpo e Liberado. Mas do ralo pra baixo…

Os produtos de limpeza e sanitização, são importantes aliados para o combate a contaminação de patógenos presentes por toda parte (Ver figura a seguir). Estes produtos são extremamente diversos, apresentando uma série de substâncias químicas, de origem animal, vegetal ou sintéticos. Hoje temos produtos pra todo tipo de sujeira ou contaminação. Por isso, apresentam um amplo espectro de ação no ambiente. Então, depois de finalizarmos nossas tarefas de limpeza e/ou descontaminação, ao abrirmos a torneira, ralo abaixo estes produtos seguem seu caminho. E aí? Para onde estão indo? Qual controle sobre seu destino final? Bom. Deveriam ser encaminhados para estações de tratamento de esgoto (ETE). Mas, segundo a Agencia Nacional de Águas (ANA), “Como muitos municípios não possuem tratamento de esgotos adequado ou sequer disponibilizam o serviço para sua população, o lançamento desses efluentes nos corpos hídricos comprometem a qualidade e os usos das águas, causando implicações danosas à saúde pública e ao equilíbrio do meio ambiente.” Por isso, vamos dar uma olhada nas principais substâncias presentes nos produtos de limpeza e desinfecção, e os impactos causados ao meio ambiente.

SITIO DE INTERACAO

Fonte:https://books.google.com.br/books?id=v4RDwAAQBAJ&pg=PA189&lpg=PA189&dq=inativa%C3%A7%C3%A3o+de+sais+quatern%C3%A1rios+de+am%C3%B4nio+por+materia+org%C3%A2nica&source=bl&ots=QuKZsdaHK0&sig=ACfU3U24mkGTMca3J4TeNo3KOZ4gTLPPWQ&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjn2e-YsbPpAhX5EbkGHQY-DSEQ6AEwAnoECAkQAQ#v=onepage&q=inativa%C3%A7%C3%A3o%20de%20sais%20quatern%C3%A1rios%20de%20am%C3%B4nio%20por%20materia%20org%C3%A2nica&f=false

– Sabões e detergentes: Conhecidos como tensoativos, por reduzir a tensão superficial da água, apresentam ácidos graxos derivados de óleos e gorduras, soda cáustica, além de sais diversos. Originariamente conhecido como reação de saponificação, historiadores relatam sobre a produção de sabão através da mistura de gordura de origem animal e cinzas. Depois foram sendo aperfeiçoados os processos, sendo utilizados álcalis mais efetivos, sendo o mais comum a soda cáustica (hidróxido de sódio), reagindo com óleos ou gorduras de origem animal ou vegetal.

SAPONIFICACAO (1)

Reação de saponificação.

Para solucionar problemas com relação a ação de sabões em água dura (ricas em sais de cálcio e magnésio), onde não conseguem fazer espuma, foram criados os detergentes sintéticos. Mas, em geral, os detergentes apresentavam uma menor biodegradabilidade (ação dos microrganismos quanto a decomposição dos compostos na natureza). O que proporcionava seu  acumulo nos corpos d´água, favorecendo a produção de grandes quantidade de espuma.

ESPUMA

Figura: Espuma de detergente nas águas do rio Tiête.

(Fonte: https://docplayer.com.br/68239122-Saboes-e-detergentes.html)

Por isso, foram criados detergentes que apresentam uma maior biodegradabilidade no meio ambiente (ver figura a seguir). Mas além da biodegradabilidade, outro aspecto relevante, é que os sabões utilizam matéria prima renovável, os óleos e gorduras, apesar de serem agentes tensoativos menos eficazes.

REACAO DE BIODEGRADACAO

Reação de Biodegradação aeróbica do Alquilbenzeno sulfonato linear (LAS) (Fonte: file:///C:/Users/claud/Downloads/31068.pdf)

Outro evento relevante refere-se ao processo de eutrofização artificial (aporte de nutrientes que leva ao aumento da produção de matéria orgânica, via formação de algas) destes mesmos corpos d´água. Em função do uso de compostos ricos em fósforo, como os tripolifosfatos, utilizados nos sabões em pó. O enriquecimento por fósforo leva a proliferação de algas. Tais algas podem provocar uma série de problemas, como o aumento da produção de matéria orgânica, aumentando o consumo de oxigênio, além da produção de substâncias tóxicas e/ou indesejáveis. Lembram da geosmina? (https://limnonews.wordpress.com/2020/01/18/agua-de-geosmina-vai/)

TRIPOLIFOSFATO

Figura: Tripolifosfato

(Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422001000500019).

O aumento do consumo de oxigênio nos corpos d´água tendem a levar estes ambientes a anaerobiose, ou seja, ausência de oxigênio. Em condições anaeróbicas ocorre a produção de gases como, H2S (sulfeto de hidrogênio) e NH3 (amônia) e CH4 (metano). Sendo este último um dos principais gases estufa.

O aporte de sabões e detergentes promovem alterações na acidez da água, alterando o metabolismos do ambiente, além de influenciar o equilíbrio dos compostos  químicos. Como são substâncias tensoativas, provocam também a modificação na tensão superficial da água, uma importante característica da água, para alguns organismos que vivem na superfície dos corpos d´água. A diminuição da tensão superficial impede que estes organismos se desloquem na superfície da água.

 

– Sais Quaternários de Amônia: São substâncias produzidas através da substituição dos átomos de hidrogênio (H) do íon amônio (NH4+) por radicais orgânicos arilas ou alquilas (Rn). Estes compostos apresentam ampla utilização para preparação de cosméticos, fármacos e desinfetantes, podendo apresentar ação detergente, umectante, germicida, emulsificantes e antissépticos. Como sua ação germicida pode ser inativada pela presença de matéria orgânica, em geral, apresenta uma baixa toxicidade no meio ambiente. Mas apresenta ação tensoativa, o que pode provocar efeitos sobre a tensão superficial dos corpos d´água.

 

– Água Sanitária: De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), água sanitária conisiste em: “Soluções aquosas à base de hipoclorito de sódio ou cálcio, com teor de cloro ativo entre 2,0 a 2,5% p/p, durante o prazo de validade (máximo de 6 meses). Produto poderá conter apenas hidróxido de sódio ou cálcio, cloreto de sódio ou cálcio e carbonato de sódio ou cálcio como estabilizante. Pode ter ação como alvejante e de desinfetante de uso geral.” Em função de seu baixo custo e sua eficiente ação germicida, a água sanitária tem sido uma solução utilizada em tempos de pandemia. Mas sua ação só é eficiente quando diluída corretamente, ou seja, 25ml para um litro de água. O uso indiscriminado de água sanitária pode provocar uma série de impactos nos corpos d´água. Em função de sua ação oxidante, pode atuar de duas formas: (1) danificando a parede celular ou a proteína dos organismos; (2) reagindo com a matéria orgânica presente nos corpos d´água, formando uma série de substâncias tóxicas.

Dentre estas substâncias tóxicas, temos os trihalometanos (THM) e as cloroaminas.

THMA

CLOROAMINAS

B

Formação dos THM (A) e das cloroaminas (B). (Fonte: Meyer 1994 Caderno de Saúde Pública.)

É importante ressaltar algumas alternativas para reduzir os impactos ao meio ambiente, provocados pelos produtos de limpeza e/ou de higenização, como:

  • Utilizar com moderação. Observe as orientações quanto a quantidade. O exagero não garante melhoria na eficiência, pelo contrário, podemos inibir a ação das substâncias quando utilizadas em excesso;
  • Ação física, ou seja, remoção da sujeira através do uso de esponjas, escovas, palhas de aço e outros utensílios. O uso de produtos químicos auxilia a remoção da sujeira, mas a ação física remove a maior parte do material;
  • Uso de água quente. O aumento da temperatura auxilia na remoção de matéria orgânica, principalmente aquelas aderidas a superfícies;
  • Uso de produtos alternativos, a base de substâncias como suco de limão, bicarbonato, vinagre, álcool e amônia, entre outros. Segue algumas das “receitas” sugeridas por Instituições de Ensino e Pesquisa, que além de serem mais corretas ecologicamente, em função do baixo custo, auxiliam na redução do orçamento.

Receitas de Produtos de Limpeza Ecológicos ou Caseiras:

https://ifrs.edu.br/feliz/wp-content/uploads/sites/18/2018/11/Apostila-produtos-de-Limpeza-grupo-Francine.pdf

https://www.fca.unesp.br/Home/Extensao/GrupoTimbo/RECEITASDEPRODUTOSDELIMPEZAECOLOGICOS.pdf

https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/6468/1/21128059.pdf

http://www.ufcg.edu.br/revistasaudeeciencia/index.php/RSC-UFCG/article/viewFile/171/108

https://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arquivos/prod_limpeza.pdf

https://idec.org.br/em-acao/em-foco/produtos-de-limpeza-ecologicos-ajudam-o-bolso-do-consumidor-e-o-meio-ambiente

Então não se esqueça. Precisamos nos preocupar com a condição de higiene porta pra dentro. Mas vamos minimizar os impactos causados com o que vai ralo a baixo. Não apenas no manuseio dos produtos de limpeza em nossos domicílios. Mas também pela consciência política, buscando mudanças na gestão pública quanto a questões de saneamento e meio ambiente. Já comentamos sobre a falta de Estações de Tratamento de Esgoto? E muitas das estações instaladas estão inoperantes. Por isso, nossas atitudes não podem estar dissociadas de questões sociais, econômicas e ambientais, senão, ralo a baixo vai também, nossa dignidade e nosso futuro num planeta com hábitos mais sustentáveis.

 

Links relacionados:

http://atlasesgotos.ana.gov.br/

http://www.abq.org.br/cbq/2012/trabalhos/5/1571-10278.html

https://www.chemax.com.br/quaternario-amonio

https://www.ufmt.br/hujm/arquivos/ab4e9cdaa4867a9a9a935a270a69a0c9.pdf

https://limnonews.wordpress.com/2020/04/04/ta-limpo-mas-ta-liberado/

http://portal.anvisa.gov.br/anvisa-esclarece?p_p_id=baseconhecimentoportlet_WAR_baseconhecimentoportlet&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&_baseconhecimentoportlet_WAR_baseconhecimentoportlet_assuntoId=16&_baseconhecimentoportlet_WAR_baseconhecimentoportlet_conteudoId=0&_baseconhecimentoportlet_WAR_baseconhecimentoportlet_view=detalhamentos

https://www.uniube.br/eventos/entec/2011/arquivos/quimica2.pdf

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422001000500019

 

 

Publicado por: Juliana Felix | abril 30, 2020

O Ecoturismo aliado à preservação

Nas últimas décadas, com o acesso a novas tecnologias, o mundo tornou-se ainda mais conectado. Nesse sentido, as atividades turísticas ganharam ainda mais espaço e vêm apresentando vasto crescimento. O território brasileiro é um exemplo claro de como um determinado ramo do turismo tem ganhado força. Por ser provido de inúmeras riquezas naturais, o Brasil, um país tão heterogêneo em suas paisagens e de dimensões continentais, é um dos destinos mais procurados para a realização do ecoturismo.

            O ecoturismo ou turismo ecológico, possui inúmeras definições baseadas nos diferentes setores envolvidos na realização de suas atividades. De modo que conceitos emitidos pelos mais distintos segmentos da sociedade podem possuir intenções subjacentes além do que a mera interpretação textual indicaria (PIRES, 1998). Muitos conceitos têm intenções mercadológicas, o que os tornam maculados. Há também um grande número de definições e interpretações muito distintas. Contudo, existem pontos em comum dentre as várias definições, como o apreço à cultura, a participação da comunidade e a valorização do meio ambiente (KLEIN, 2011). De modo geral, o ecoturismo pode ser descrito como o ramo do turismo que é desenvolvido com base no patrimônio natural e cultural de uma localidade. No qual a exploração turística do meio ambiente é conciliada com a formação de uma consciência ecológica dos visitantes e da comunidade local, além de promover a conservação e o mínimo impacto ao ecossistema.

            Entretanto, o íntimo contato com a natureza e o excesso de visitantes trazem também impactos ambientais em alguns locais de visitação turística. Muitos, inclusive, irreversíveis. A extração de estalactites e estalagmites de grutas e cavernas para serem utilizadas como objeto de decoração pessoal; rasuras e desenhos em rochas com o objetivo de marcar a passagem do turista por ali e a contaminação de corpos hídricos pelo uso de protetor solar, sabonetes e repelentes são exemplos dos impactos negativos causados pelo turismo a essas áreas.

          Porém, essa não é a realidade de grande parte dos locais que se dedicam a realização do ecoturismo, uma vez que a atividade necessita cumprir um conjunto de normas, além de garantir a difusão de informações e conceitos que irão permitir ao visitante a compreensão da importância dos respectivos ecossistemas, assim como o dano cultural e ambiental que podem causar. Deste modo, o turista não apenas terá uma experiência contemplativa, mas também educativa e com viés conservacionista. Como dito por Salgado (2007, p. 38) “As atividades mais avançadas de ecoturismo incluem um trabalho de educação ambiental, com ajuda de guias especializados. O desenvolvimento de roteiros e programas diferenciados a vários tipos de ambientes, quando associado à transmissão de um conjunto organizado de informações e conceitos, leva com relativa facilidade ao aprendizado. Nesse caso, o grande legado deixado ao turista consiste na compreensão da ecologia local e consciência da importância de se preservar o ambiente natural, assim como a história e a cultura dos lugares de visitação.” Sendo assim, o ecoturismo quando associado à educação ambiental pode ser uma importante ferramenta de conservação, assim como, em conjunto à comunidade é capaz de impulsionar a economia e o desenvolvimento da região de forma sustentável.

Bons exemplos

RPPN Buraco das Araras

Buraco das Araras. Fotografia de Juliana Felix.
Arara Vermelha. Fotografia de Michael Gwyther-Jones via Wikimedia Commons

A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Buraco das Araras é um exemplo importante de como o ecoturismo pode ser transformador. Localizada no município de Jardim em Mato Grosso do Sul, a dolina é um local de sociabilização de araras vermelhas residentes do local e de outros fragmentos florestais. Por serem aves sociais, as araras passam as primeiras horas do dia e o fim da tarde nas encostas da dolina, enquanto a temperatura não atinge alta elevação. Além disso, o buraco é de extrema importância, pois no período reprodutivo é o local onde ocorre o acasalamento e a nidificação de algumas delas. No passado, o lugar era considerado um “lixão”, isto é, a população despejava todos os tipos de objetos indesejáveis na cratera, como por exemplo pneus. Ademais, carros roubados e “depenados” eram descartados ali, assim como corpos humanos devido a disputas de terra. A população da região também era pouco conscientizada e com frequência realizavam a caça de araras por diversão ou com objetivo de aprimorar a pontaria de seus tiros. Algo que também prejudicou e alavancou a deterioração do ecossistema foi a disseminação de um mito que dizia ser impossível acertar com um disparo de arma de fogo a parede do buraco. Em 1986, a propriedade que abrigava a cratera foi comprada por Modesto Sampaio com o objetivo de realizar atividades pecuárias. No entanto, em 1996 o proprietário trocou a pecuária pelo ecoturismo. Durante esse período, ele realizou toda a recuperação da área, inclusive com ajuda do Exército Brasileiro, que auxiliou na retirada do lixo. O curioso é que grande parte do lixo pôde ser retirada, exceto uma Brasília (não, não era amarela) branca. E que em épocas de seca, a água do lago recua e expõe o carro.
As araras apesar de nomearem o buraco não são os únicos animais do rico ecossistema, nele há tucanos, gaviões, curicacas, jacarés, rãs, pequenos mamíferos e insetos, entre muitos outros. A flora também sofreu processo de recuperação, as árvores típicas do cerrado foram disseminadas, pois seus frutos são um importante recurso para as araras e consequentemente para outros seres vivos. Com o fim da pecuária, a reserva passou a servir de abrigo a muitos outros seres vivos. Pois a região no entorno do fragmento florestal foi extremamente degradada pela agropecuária. O que pode ser visto por imagens de satélite obtidas pelo Google Earth.

Imagem de satélite da RPPN Buraco das Araras via Google Earth.

Além, de toda a importância desse fragmento à flora e fauna, o ecoturismo da reserva é responsável pela geração de renda a muitas famílias, há também a exposição e venda de obras dos artesãos locais que mantém uma face da cultura local viva. Como diz o proprietário Modesto Sampaio:

“Tiro o sustento da família sem destruir. Gero empregos e conheço gente do mundo todo.” (retirado do portal G1, 2013)

Gruta do Lago Azul

            A Gruta do Lago Azul é outro bom exemplo de como o ecoturismo pode ser um instrumento de preservação. A gruta localizada no município de Bonito, Mato Grosso do Sul, recebe este nome porque abriga em seu interior um lago de águas cristalinas e que assume uma coloração azulada. Acredita-se que a cor se deva ao processo de reflexão da luz solar, além de outros fatores como os minerais presentes na água e a localização da gruta. Os guias informam que ela teria sido descoberta em 1924 por um indígena Terena. No entanto, a área onde a gruta se encontra foi propriedade privada até ser tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1978 como Monumento Natural, passando então a pertencer integralmente ao instituto. Anteriormente a isso, a gruta era frequentada por invasores da propriedade que tinham o objetivo de mergulhar em suas águas, mas também vandalizavam a gruta retirando estalactites e estalagmites para uso pessoal, como relatado anteriormente sobre os impactos ambientais da visitação. As águas cristalinas de tom azulado da gruta dão a falsa impressão ao visitante de que não há grande profundidade. Entretanto, o máximo de profundidade alcançado foram 87 metros e até o momento não se sabe o quão fundo pode chegar. A descoberta só foi possível por meio de uma expedição franco-brasileira realizada por pesquisadores em 1992. Mas essa não foi a única descoberta, em suas águas foram descobertos fósseis como o de uma preguiça-gigante e de um tigre dentes-de-sabre.  Peter Toledo, paleontólogo em entrevista ao programa Fantástico disse: “Existem outras grutas, outras grutas com fósseis. Ali pode ser um ponto importante para gente conhecer melhor um pouco da história da biodiversidade brasileira.” No presente, o local continua sendo um importante ecossistema para muitos seres vivos, incluindo pequenos crustáceos (um camarão albino) que só foram encontrados ali e que fazem parte de uma biodiversidade única e ainda pouco explorada, embora necessite ser rigorosamente preservada. As visitas são controladas e somente pode ocorrer a visitação contemplativa com o limite máximo de 15 pessoas por grupo e um pouco mais de 300 por dia. Todas as pessoas são acompanhadas por guias e limitadas a um local específico que não há contato com a água do lago. Antes da regulamentação, a gruta era vandalizada e esse cenário só pôde mudar com a instituição de normas associadas à educação ambiental.

Foto de Ludmila Culpi, 2017. Via Trip Advisor.

A população

Como discutido anteriormente, uma face importante do ecoturismo é a valorização da população e o seu desenvolvimento de forma sustentável. O ecoturismo também é responsável por gerar renda em locais onde grande parte do trabalho é voltado à agropecuária e que, por consequência, produz um impacto muito grande ao desmatar para plantar extensas fileiras de soja ou para simplesmente ter capim para o gado. Isso representa uma degradação de numerosos hectares que anteriormente eram ocupados pela vegetação nativa. Desse modo, grande parte da flora típica do cerrado sofreu uma drástica redução em suas populações. No entanto, uma medida que não põe fim ao problema, mas o ameniza foi a criação de pequenos negócios voltados a difusão de frutos oriundos de árvores frutíferas do cerrado. Isto é, existem inúmeras frutas desse bioma desconhecidas de todo o restante do Brasil e do mundo, conhecê-las é um grande negócio para a população. Pois investem na fabricação caseira de sorvetes, doces e sucos dos frutos tão distintos e que passam a ser conhecidos pelos visitantes. Um exemplo de fruto é a guavira, que em Bonito, no Mato Grosso do Sul, possui até festival, época em que as árvores frutificam massivamente. Há também a famosa jaracatiá, uma fruta onde normalmente é feito sorvete e com a polpa mais externa do tronco da árvore é feito um doce com sabor semelhante a coco. Apesar de ser invasiva a retirada da polpa, a árvore não sofre grandes danos, pois a cultura local estabelece que logo após a retirada da casca e feita a extração da polpa, a casca rígida da árvore é novamente inserida no local e vedada com argila, passado certo período, os cidadãos locais afirmam cicatrizar, além de impedir que a árvore seja alvo de insetos e fungos na região fragilizada. Existem inúmeras outras frutas muito diferentes e com sabores únicos e que também servem de alimento a muitos animais. A exploração sustentável dessas árvores garante que a culinária local não seja brutalmente desfalcada de seus frutos típicos, além de gerar renda a muitas famílias e com isso, evitar a sua derrubada e seu futuro desaparecimento.

Árvore de Jaracatiá. Fotografia de Sementes Caiçara.
Fruto de Jaracatiá. Fotografia via Green me.

Os exemplos se concentram nos locais que eu tive a experiência de conhecer e conversar com os moradores e guias. Por isso, agradeço a eles as histórias dos locais de visitação.

Referências

PIRES, Paulo dos Santos. A DIMENSÃO CONCEITUAL DO ECOTURISMO. Turismo – Visão e Ação, [s. l.], v. 1, n. 1, p. 75-91, 1998. Disponível em: http://files.zaqueuhenrique.webnode.com/200000822-201bf20906/A%20DIMENS%C3%83O%20CONCEITUAL%20DO%20turismo.pdf. Acesso em: 22 mar. 2020.

KLEIN, Fernando Machado et al. Educação ambiental e o ecoturismo na Serra da Bodoquena em Mato Grosso do Sul. Soc. nat. (Online), Uberlândia, v. 23, n. 2, p. 311-321, Aug. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-45132011000200013&lng=en&nrm=iso. Acesso em 22  Mar.  2020.  https://doi.org/10.1590/S1982-45132011000200013.

SALGADO, C. M. M. Uso da informação no Desenvolvimento do território turístico de Bonito/MS, 2007. Disponível em: http://www.cpap.embrapa.br/teses/online/DST39.pdf. Acesso em: 22 mar. 2020. 

Reportagem G1, seu Modesto. Disponível em: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2013/12/com-direito-lendas-buraco-das-araras-e-passeio-imperdivel-em-ms.html. Acesso em 24 mar. 2020.

Reportagem ao Fantástico, gruta do lago azul. Disponível em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/07/fantastico-visita-lagoa-proibida-que-abriga-fosseis-de-preguica-gigante.html. Acesso em 24 mar. 2020.

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