Publicado por: Sorana Karenina | maio 9, 2019

Piscininha do Fósforo

Nome bem sugestivo e divertido, mas do que será que trata essa tal piscininha?

A princípio, tudo começou com uma disciplina da graduação “Ecologia de águas doces”, da UFRJ, onde esse grupo que vos escreve, se conheceu por escolher um projeto em comum que seria desenvolvido durante a disciplina de campo, o tal projeto do FÓSFORO.

Bom, falando em ambiente de águas doces, o fósforo é um nutriente limitante, sendo, em excesso, o principal responsável pelo processo de eutrofização. O aumento da concentração de fósforo altera a estrutura das comunidades aquáticas e seu funcionamento (aumento da produtividade primária) causando um efeito que chamamos de mudança de estados alternativos, caracterizado por alterações no ambiente aquático que passa de translúcido para o que chamamos de eutrofizado.

A partir dessa informação, o questionamento a ser respondido era “Há uma relação linear (ou sigmóide, por exemplo) entre a concentração de fósforo e as alterações nos ecossistemas aquáticos? “.. dan… dan.. dan.. com isso o objetivo principal do grupo foi “Avaliar a relação entre a concentração de fósforo e a estrutura e o funcionamento de ecossistemas aquáticos.”

Tudo tranquilo até aqui. Em encontros pré-campo, cada aluno escolheu o projeto que queria fazer e assim foi alocado em algum dos grupos (eram 4 grupos, cada um com perguntas diferentes relacionadas ao ambiente de água doce). Após a definição dos grupos, ainda antes do campo, os alunos receberam a bibliografia apropriada para a realização dos experimentos. Durante a semana da disciplina que ocorreu toda na REGUA (Reserva Ecológica de Guapiaçu), no interior do Rio de Janeiro, algumas aulas mais gerais foram ministradas com o intuito de passar mais algumas informações que ajudassem no decorrer do projeto.

Um detalhe muito importante ainda não dito, foi que a montagem dos experimentos relacionados a cada projeto foi feita pela equipe de professores e monitores antes da turma ir a campo. Isso ocorreu para que os “ecossistemas” formados tivessem tempo suficiente para maturar e assim pudéssemos observar  os resultados pretendidos. Para o nosso projeto, foram cheias 10 caixas de água (ou piscininhas, como chamamos desde o início) e nelas diferentes concentrações de fósforo foram inseridas. O projeto teve o seguinte desenho experimental:

exp

Chegou o grande dia, dia de abraçar nossas piscininhas. Saímos da UFRJ em direção ao campo na REGUA, com duração de uma semana. Durante exatos 7 dias tínhamos que definir a forma de coleta de material, analisar os dados obtidos, escrever o relatório final, apresentar os resultados do trabalho e entre todas essas tarefas ainda tínhamos palestras e aulas para assistir. Além de claro, comer (em momentos de quase sempre muita descontração) e dormir (ou tentar, no pouco que sobrou). Uma semana um tanto quanto intensa, mas abraçamos o projeto e a rotina seguiu das 5 da manhã (escolha de horário do grupo para ter acesso exclusivo ao material do laboratório, com isso também surgiu o nome do grupo no whatsapp “Milagre da Manhã” nosso alter ego) até … , bom, até ninguém mais aguentar ficar de olho aberto rsrsrsrsr.

O objetivo da disciplina era ter uma experiência de imersão completa em um experimento científico, desde a elaboração de um projeto até sua execução, coleta, análise e apresentação…  e que experiência!

Muitos altos e baixos seguiram nesses 7 dias, sono, cansaço físico e mental, muita troca de experiência, conhecimento e informação, dados que não soubemos explicar direito e outras que estavam muito claros. Enfim, o relatório saiu das discussões e de muito sono, ops, trabalho em grupo e tudo foi apresentado.  Apesar dos contratempos, o aprendizado foi imenso e recompensador. Uma disciplina inteiramente de campo pode realmente mudar perspectivas. Quem diria que esvaziar “piscininhas” ás 5 da manhã seria tão divertido.

.Desenho sem título

Superior da esquerda para direita: 1 – Paulo Vilardo, Raquel Capella, Joseph Ferro (Mestre e Monitor da equipe), Ana Lima, Sorana Karenina. 2- Professor Vinicius Farjalla 3- Modelo Joseph Ferro. Inferior da esquerda para direita: 1- Dread, ops, Prof Leandro Sabagh 2- MELHOR GRUPO – fundo: Paulo, Sorana e Ana. Na frente: Beatriz  e Raquel.

Por: Ana Luiza Lima, Beatriz Lima, Paulo Vilardo, Raquel Capella e Sorana Karenina.

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Publicado por: BIRNFELD, C. Vanessa | abril 16, 2019

LEITURA CRÍTICA DAS IMAGENS MIDIÁTICAS NO CONTEXTO AMBIENTAL

Mediante ao exaustivo uso e exploração das imagens como recurso de divulgação, comercialização e informação, a imagem midiática se destaca por ter maior abrangência de público e utilização, sendo assim dialoga com o público, ou ao menos se espera que sim.

 

Paulo freire considera o diálogo como um fenômeno atribuído a capacidade humana. “se nos revela como algo que já poderemos dizer ser ele mesmo: a palavra. Mas, ao encontrarmos a palavra, na análise do diálogo, como algo mais que um meio para que ele se faça, se nos impõe buscar, também seus elementos constitutivos” (FREIRE, 2005, p.89).

Portanto, só se é livre, se houver o diálogo na prática na perspectiva transformadora e não restrita somente ao ato de conversar. Na educação, a dialogicidade é vista por Paulo Freire como uma potente ferramenta para libertar. Não somente na educação, mas nas relações humanas e sociais é um fenômeno libertador.                                                           

A dialogicidade é um termo criado por Paulo Freire em sua teoria que tem como essência principal da educação como a um ato libertador, pois o diálogo fundamentado na palavra é considerado como fenômeno humano, pois é natural do homem se comunicar, dialogar entre si no intuito de “pronunciar o mundo”, transformar a realidade e não alienado apenas ao ato instintivo de conversar.

Um ambiente transformado se dá a partir de trocas de experiências, e trocas positivas acontecem a partir do diálogo. Compreensão, interpretação permitem que o acesso a informação seja possível, ou melhor, ao que se é dito e consequentemente permite que se obtenha o saber. E falando em ambiente, questões ambientais e sustentabilidade a Educação Ambiental tem um papel efetivo na transformação social, uma vez que contextualizada com os pensamentos contemporâneos que sejam comprometidos com a justiça ambiental e com o respeito à diversidade.                                                  

Sendo assim, a educação ambiental para ser disseminada e transformadora é necessário que ocorra a dialogicidade, ou seja, um diálogo significativo com trocas de conhecimento, informação e experiências entre os agentes para que os fenômenos ocorram de forma assimilável e que proporcione resultados compreendendo que seja positivo provocando mudança de conduta e crenças em relação ao ambiente que se vive. Exercer o diálogo nas relações sociais, é muito mais do que uma escolha sensata, mas sim um ato de amor.                                                                   

Destaco algumas imagens abaixo que a dialogicidade é restrita, uma vez que não transmite a principal ideia, ou seja, o que a realidade ambiental tem expressado.


Figura 1 –  Imagem com projeção da construção do Porto com a seguinte manchete: “A construção do Terminal Portuário em Macaé já tem uma estimativa de inicio

 

Figura 2 – Movimento Macaé Porto já

 


Figura 3 – Pessoas da cidade participando do movimento

Essas três figuras refletem a força popular em torno da construção do Porto no município de Macaé. Há um movimento massivo em torno dessa perspectiva com uma publicidade que reforça que a construção do Porto trará oportunidades para todos e desenvolvimento a cidade de Macaé-Rj. Quantos jornais de infuência noticiando a vinda do Porto como o desenvolvimento que o município de Macaé necessita e apontando como vilões aqueles que se posicionam contra a construção do Porto.      Mediante a esses tipos de reportagem e a exploração midiática em torno da construção do Porto em Macaé, vale analisarmos se de fato há a dialogicidade, ou melhor, todos que repetem essa mensagem “Macaé Porto Já” sabem do que se trata? Tem consciência dos problemas ambientais e que fazem parte de um conflito ambiental? É muito provável que não tenham essa consciência de que estão trilhando um caminho  delicado no meio de conflitos ambientais severos desconsiderando aspectos relevantes de políticas púlicas, como políticas ambientais e os impactos ecológicos que estão em jogo.                                                                                      

O professor Reinaldo Bozelli no Projeto Pólen e que fez parte na organização desse trabalho que tinha como missão a formação de educadores ambientais no estado do Rio de Janeiro afirma que  a seguinte análise:

“Pensar a ação do ser humano, que lança mão de sua tecnologia mais avançada para explorar o petróleo e o gás de que todos precisamos, é perceber que ela se dá produzindo modificações no ambiente que, para serem entendidas, necessitam também de conhecimento ecológicos. Trata-se de uma busca por encontrar em entender padrões de organização dos sistemas biológicos, que são muito complexos, e como estes reagem às intervenções. Essa questão é central à preocupação social com o ambiente natural. Como uma etapa importante, mas que não se esgota em si mesma, precisamos entender como ele é, funciona, para que possamos viver com ele e nele sem destruí-lo.” (BOZELLI, 2010)

É altamente perigoso, sendo assim irresponsável assumir uma posição ou construir uma representação social diante a uma publicidade midiática e imagética ou notícia com informações rasas sobre um determinado assunto.                                                       

Partindo da lógica de que as pessoas somente compreendem acontecimentos reais ou eventos discursivos e são capazes de desenvolver ideias e formar opinião se elas tiverem conhecimento mais geral em relação a tais acontecimentos. Infelizmente na maioria das vezes a comunicação utilizada pelos recursos midiáticos são elaborados para não acontecer a dialogicidade ocultando informações valiosas que o povo deveria ter consciência. Essa é a forma que algumas organizações, instituições e veículos de comunicação utilizam para articular sobre a  quem deve informar e a quem não deve informar e o que eles querem vender.

Portanto, defender que se construa um Porto no Município de Macaé, no mínimo deve ter consciência dos seus impactos nos recursos naturais da cidade. É sabido que a cidade vem enfretando há tempos problemas consideráveis com a água, alagamento e especulação imobiliária. Deve se pensar, primeiramente em enfrentamentos para essas questões prioritariamente. Este texto não vem se posicionar contra ou a favor da construção do Porto, mas salientar quais as questões prioritárias que estão envolvidas nesse processo e que a população não deve ser passiva, mas sim protagonista nessas decisões, mas para isso é necessário ter conhecimento das questões de cunho socioambiental que é demasiadamente conflituosa e complexa.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

Literatura citada:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. Paz e terra, 42 ed. 2005.          TRISTÃO, Martha. Educação Ambiental: abordagens múltiplas. As dimensões e os desafios da educação ambiental na contemporaneidade. 2ª ed., Revista Ampliada. 2012, p. 233   DIJK, Teun a. V. Cognição, Discurso e interação. São Paulo. Editora Contexto. 3 ed. 2000 BOZELLI, R., SANTOS, F. L, LOPES, A., LOUREIRO, C. Curdo de Formação de Educadorfes Ambientais: a experiência do Projeto Pólen.Macaé: NUPEM/ UFRJ, 2010

Publicado por: Letícia Azevedo | maio 30, 2019

CADÊ O BICHINHO QUE ESTAVA AQUI?

É evidente que o ser humano tende a achar que é a espécie que domina o planeta. Talvez isso se dê pela complexidade da mente humana, ou por acharmos que evoluímos mais que outros seres vivos. Entretanto, estudos mostram que, quantitativamente, o número de espécies de Cordados (um grupo que inclui todos os vertebrados juntamente com alguns outros organismos) é cerca de 20x menor que o número de espécies de insetos existentes. Sendo assim, dá pra imaginar que esses pequenos indivíduos muito presentes em qualquer ambiente, no dia a dia, têm algum papel importante na manutenção da vida, né!? 

GRÁFICO DO NÚMERO DE ESPÉCIES CONHECIDAS NO PLANETA E SUAS PROPORÇÕES. 
IMAGEM RETIRADA DO MUSEU DE ZOOLOGIA VIRTUAL. FONTE: Grimaldi & Engel, 2005. 

Os insetos são peças importantíssimas de um sistema que garante equilíbrio em qualquer ecossistema. Eles possuem funções como: compor teias alimentares em variados níveis tróficos, polinização, reciclagem de nutrientes, produção de compostos muito utilizados, controle biológico de outras populações, etc.  Seguindo essa lógica, percebe-se que precisamos manter esses bichinhos em ambientes saudáveis. Contudo, muitas pesquisas têm sido feitas porque as populações de insetos estão declinando. Existem algumas causas para isso, e elas têm relação com a influência antrópica. Dentre elas, destacam-se o alto número de pesticidas na agricultura e o aquecimento global.  

Não há muita divulgação acerca desse assunto tão relevante, mas estima-se que o planeta esteja no rumo da 6º extinção em massa, e a falta desses pequenos, que muitos chamam de pragas e costumam matar, é capaz de causar um colapso. Muito tem se discutido sobre os prejuízos causados pelo sumiço de abelhas. Mas é válido ressaltar que isso está acontecendo em todas as ordens de insetos. É preciso lembrar também que muitos insetos, como alguns coleopteras (besouros) e odonatas (libélulas) passam parte do desenvolvimento da vida na água, sendo assim, são extremamente dependentes do meio aquático. Se há alteração nas populações desses organismos, não só os ecossistemas terrestres são afetados, mas também os aquáticos.  

Esse problema gera um efeito em cascata na interface terra-água, uma vez que tanto o ecossistema terrestre, quanto o aquático desequilibram. A redução nas populações desses indivíduos adultos (terrestres) culmina na redução desses indivíduos imaturos (aquáticos).  

Ambos animais citados acima são predadores. Isso quer dizer que se alimentam de outros organismos aquáticos, e, por isso, são capazes de controlar populações. Tirando uma peça chave da teia trófica aquática, as populações das presas desses bichos tendem a aumentar muito. Odonatas, por exemplo, são predadores de larvas de mosquitos, sendo alguns desses, transmissores de doenças, e nessa ótica, observa-se um exemplo de como são importantes no controle biológico. 

Por outro lado, eles servem como alimento de outros predadores maiores, como alguns peixes, que comem macroinvertebrados aquáticos. Isso quer dizer que, caso deixem de existir, as populações dessas outras espécies passam a declinar, porque faltará alimento. E é preciso lembrar como os peixes são importantes em diversos aspectos. 

LARVA DE COLEOPTERA PREDANDO NINFA DE ODONATA 
Foto por: Letícia Azevedo

Esse distúrbio nas comunidades envolvendo insetos está acontecendo no mundo inteiro. Logo, é um problema global e que precisa de maior destaque, já que, seja de forma direta ou indireta, todos precisamos desses e outros insetos. São primordiais para que haja estabilidade na natureza, tendo em vista suas funções e participação nas cadeias alimentares. Dessa forma, é necessário lembrar que, mesmo sendo pequenos e, muitos estando distantes de nós (como esses que vivem em lagoas/riachos), precisamos nos preocupar com eles e cuidar desse planeta, visto que é o único que temos. 

 

Publicado por: Claudio Marinho | maio 4, 2019

ÁGUA: A OBRA-PRIMA DO UNIVERSO.

Com o objetivo de explicar a natureza da matéria, na Grécia antiga, no século V a.C., o filósofo Empédocles, propôs a teoria na qual tudo que existe no universo seria composto por quatro elementos, ou seja: terra, fogo água e ar. Mais conhecido como a “Teoria dos Quatro Elementos”. Mas, através da descoberta da existência dos átomos, proposta de forma rudimentar, inicialmente na Grécia antiga, mas consolidado séculos depois, foi possível explicar como a matéria é constituída. Dentro deste quadro, o “elemento” água é o que mais se aproxima desta proposta inicial. Pois na verdade, a água é uma substância, diferente dos outros “elementos”, que são constituídos por uma série de misturas de substâncias, ou liberação de energia, como: terra (minerais, compostos orgânicos, entre outros), ar (oxigênio, nitrogênio, vapor d´água e uma série de outros gases), além do fogo constituído não por substâncias, mas sim o resultado de uma reação exotérmica que libera luz e calor.

Empedocles

Empédocles (http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=17)

A água é uma substância química constituída por 2 átomos de hidrogênio (H) e um átomo de oxigênio (O). Ou seja, este “elemento” primitivo será o mesmo, em qualquer lugar.  Pode ser pura ou com presença de materiais em suspensão (partículas de solo, animais ou vegetais) ou dissolvido (sais ou substâncias orgânicas), podendo até apresentar uma determinada coloração, diferente de sua condição original, incolor. Além de estar presente nos três estados físicos da matéria, dependo das condições de temperatura e pressão. Tudo isso é possível em função das propriedades extremamente particulares da água. Sendo assim, podemos observa-la, dissolvendo ou transportando materiais por toda parte, tanto na natureza como nos seres vivos.

agua

Molécula de água

Além disso, a água tem uma relevância destacada nas diversas seitas e religiões em nossa sociedade. A água simboliza a purificação, sendo considerada como peça central em várias cerimônias religiosas, simbolizando o renascimento para um novo ser, através de um encontro com Deus. A água seria um meio de contato com a espiritualidade. Um dos maiores exemplos disto é a relação do hinduísmo com o rio Ganges, localizada no norte da Índia. Ele possui cerca de 2.500 km de extensão, e é um dos principais rios do subcontinente Indiano, e um dos maiores do mundo em volume de água, é considerado fonte de purificação da alma, apesar da qualidade de suas águas. 

Rio Ganges

Rio Ganges. (http://tvbrasil.ebc.com.br/os-rios-e-a-vida/episodio/ganges-um-rio-sagrado-para-os-hindus)

As religiões conferem também um papel fundamental da água na criação. Vejam dois exemplos:

1) “E Deus criou da água todos os animais; e entre eles há os répteis, os bípedes e os quadrúpedes. Deus cria o que Lhe apraz, porque Deus é Onipotente. ” (Alcorão 24:45).
https://profkarinensinoreligioso.blogspot.com/2014/10/a-criacao-do-mundo-islamismo.html

2)      Versículos de Gênesis da Bíblia:
Disse também Deus: “Encham-se as águas de seres vivos, e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento do céu”.
Assim Deus criou os gran­des animais aquáti­cos e os demais seres vivos que povoam as á­guas, de acor­do com as suas espécies; e todas as aves, de acordo com as suas espécies.
https://www.bibliaon.com/genesis_1/

Uma das principais hipóteses aceitas pela ciência, com relação ao surgimento de vida no nosso planeta, coloca a água em posição de destaque. Junto com dióxido de carbono, metano, sulfeto de hidrogênio, amônia e dióxido de nitrogênio, além de raios ultravioletas e descargas elétricas. Estas condições propiciaram, a formação de aminoácidos, RNA e DNA. Estas substâncias certamente se formaram em condições oceânicas próximas a fontes hidrotermais em oceanos primitivos onde havia um ambiente mais favorável a. Nesta grande sopa, teriam surgido organismos simples, procariontes, capazes de realizar quimiossíntese, ou seja, que sintetizam matéria orgânica através de reações de substâncias inorgânicas, sem a necessidade de luz.

(vidahttps://netnature.wordpress.com/2016/07/28/a-atmosfera-primitiva-e-a-origem-da-vida/)

Ela é uma substância essencial na formação da vida. Não conhecemos vida sem a presença de água. Por isso, na busca por sinais de vida pelo universo, buscamos a presença de água. Recentemente, foi encontrada água, muita água.   Astrônomos descobriram uma quantidade de água jamais observada no Universo. Isso ocorreu a uma distância de mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra, onde foi observada uma quantidade de água equivale a 140 trilhões de vezes todo o volume de água nos oceanos de nosso planeta.( http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/07/cientistas-encontram-maior-quantidade-de-agua-do-universo.html), Esse volume de água está sob a forma de vapor, em volta de um quasar chamado APM 08279+5255. Um quasar é o núcleo de uma galáxia, confinado num espaço pequeno, em relação à sua massa, que abriga um buraco negro. Nesse quasar específico, há um buraco negro com 20 bilhões de vezes a massa do Sol.

Bom. Qualquer que sejam nossas convicções, não podemos negar a importância e o encanto das águas. Ela nos alimenta, diverte, encanta, relaxa, purifica. Celebramos a vida ao bridarmos com um copo d´água. E Por Que não a protegemos? Nossa relação é útil e não a valorizamos de fato. Apesar dos discursos, profanamos rios, mares e lagos, com impurezas de todos os tipos ou através de intervenções desastrosas. Além do desperdício desta substância fantástica e preciosa. Mas ainda há tempo de valorizarmos de fato essa verdadeira “Obra-prima do Universo”.

Water: The Masterpiece of the Universe.

In order to explain the nature of matter in ancient Greece, in the 5th century BC, the philosopher Empedocles, proposed the theory in which everything in the universe would consist of four elements, namely earth, fire water and air. better known as “The Four Elements Theory”. However with the discovery of the atom, initially proposed in ancient Greece, and consolidated centuries later, it was possible to explain how matter is constituted. Within this scenario, the “water element” is the closest to this initial proposal. Actually, water is a substance, unlike other “elements”, that consist of a series of mixtures of substances, or energy release, such as: earth (minerals, organic compounds, among others), air (oxygen, nitrogen, water vapor, and several other gases), as well as the fire consisting not of substances but as the result of an exothermic reaction that releases light and heat.

Water is a chemical substance made up of two hydrogen atoms (H) and one oxygen atom (O). Which means that this primitive “element” will be the same, anywhere. It may be pure or in the presence of suspended matter (soil, animal or plant particles) or dissolved (salts or organic substances), and may even have a certain coloration, different from its original, colorless condition. Besides being present in the three physical states of matter depending on temperature and pressure conditions. All of this is possible because of the extremely particular properties of water. Thus, we can observe it, dissolving or transporting materials everywhere, both in nature and in living beings.

In addition, water has a prominent relevance in the various sects and religions in our society. Water symbolizes purification, being considered as the centerpiece in various religious ceremonies, symbolizing the rebirth to a new being, through an encounter with God. Water would be a way of contact with spirituality. One of the greatest examples of this is the relationship between Hinduism and the Ganges River in northern India. It is one of the major rivers of the Indian subcontinent, and one of the largest in the world in terms of water volume, considered a source of soul purification despite the quality of its waters.

Religions also play a fundamental role of water in creation. Here are two examples:

1) “And God created all the animals out of the water; and among them are the reptiles, the bipeds, and the quadrupeds. God creates what pleases Him, because God is Omnipotent. “(Quran 24:45)
https://profkarinensinoreligioso.blogspot.com/2014/10/a-criacao-do-mundo-islamismo.html

2)Verses of Genesis of the Bible: God also said, “The waters of living things are filled, and the birds fly upon the earth, under the firmament of heaven.”

Thus God created the great aquatic animals and the other living creatures that populate the waters, according to their species; and all the birds, according to their kind.
https://www.bibliaon.com/genesis_1/

One of the main hypotheses accepted by science, regarding the emergence of life on our planet, puts the water in a prominent position. Along with carbon dioxide, methane, hydrogen sulfide, ammonia and nitrogen dioxide, plus ultraviolet rays and electric discharges. These conditions led to the formation of amino acids, RNA and DNA. These substances were certainly formed under oceanic conditions close to the hydrothermal vents in primitive oceans where there was a more life-friendly environment (https://netnature.wordpress.com/2016/07/28/a-atmosphere-primativa-ea-origem- of life/). In this great soup, simple prokaryotes organisms, have developed and were capable of performing chemosynthesis, meaning that they synthesize organic matter through reactions of inorganic substances, in the absence of light.

Water is an essential substance in the formation of life. We do not know life without the presence of water. Therefore, searching for signs of life around the universe, we look for the presence of water. Recently, water, a lot of water was found. Astronomers have discovered an amount of water never seen in the Universe. This occurred at a distance of more than 12 billion light years from Earth, where it was observed an amount of water equals 140 trillion times the entire volume of water in the oceans of our planet. This volume of water is in form of vapor, around a so-called quasar APM 08279 + 5255. A quasar is the nucleus of a galaxy, confined in a small space relative to its mass, which contains a black hole. In this particular quasar, there is a black hole 20 billion times the mass of the Sun.

Well, whatever our convictions may be, we can not deny the importance and charm of the waters. It nourishes, entertains, enchants, relaxes, purifies. We celebrate life by clinging to a glass of water. And why do not we protect it? Our relationship is useful and we do not really value it. Despite the speeches, we profane rivers, seas and lakes, with impurities of all kinds or through disastrous interventions. Besides the waste of this fantastic and precious substance. But there is still time to really appreciate this true “Masterpiece of the Universe”.

Publicado por: casanovacla | abril 25, 2019

“A chuva cai e a rua inunda”… mas inunda mesmo!

Em um post deste blog, a Profa. Aliny Pires usou parte deste título para escrever sobre as mudanças climáticas e seus principais efeitos para as teias tróficas aquáticas. Faço uso de seu título para dar outro enfoque aos efeitos das chuvas: o social, político, de planejamento público e financeiro. Como o Msc. Ricardo Catarina em seu post chamado “Águas de Março: estamos prontos?” enfatizo aqui um aspecto prático das chuvas nas grandes metrópoles, relembrando alguns aspectos históricos. As chamadas “chuvas de verão” que aconteceram no Rio de Janeiro nas últimas semanas – deixando um saldo considerável de mortos, feridos e um enorme prejuízo financeiro para o poder público – de longe trouxeram “promessa de vida pro meu coração”(1), como dizia o poeta.

A última chuva ‘terrível’ que acometeu a cidade do Rio de Janeiro ocorreu na segunda -feira, entre os dias 08 e 09 de abril de 2019, levando a cidade a um nível de alerta máximo durante alguns dias, de acordo com a Defesa Civil. As enxurradas foram tão fortes que atingiram em cheio desde o coração da elite abastada carioca (a zona sul) e o coração dos trabalhadores e pobres de regiões por hora menos protagonistas das novelas da Globo. A chuva caiu e caiu muito e já haviam previsões de caos… chuvas anteriores na cidade do Rio já haviam deixado um ônibus soterrado e destruição pela cidade. O sistema de alerta da prefeitura do Rio de Janeiro esperava chuva, mas não tanta, e nem em tão pouco tempo.

De acordo com o prefeito Marcelo Crivella a “Essa é uma chuva completamente atípica” , porém como os cariocas já estão mais que acostumados suas consequências não foram tão atípicas assim. Como comenta a historiadora e professora da UFRJ, Andrea Casa Nova Maia:

“A história do Rio de Janeiro se confunde com a história das suas enchentes. As inundações ocorridas devido aos fortes temporais de verão, desde muito provocam tragédias na urbe, com desabamento de casas, alagamento de ruas, destruição do comércio, problemas de transporte, doenças, falta de comida e outras mazelas que, muitas vezes, incluíam a morte de alguns cidadãos”.(2)

As consequências das chuvas fortes para os grandes centros urbanos brasileiros são tão conhecidas que alguns passos são, por vezes, tomados na tentativa de minimizar os estragos, através de obras de planejamento urbano para, por exemplo, o escoamento de águas pluviais e aumento do volume das águas de rios imponentes que atravessam essas cidades. Alguns se lembram que o prefeito Eduardo Paes inaugurou 3 “piscinões” nas zonas central e norte da cidade do Rio de Janeiro (Praça da Bandeira, Praça Niterói e Praça Varnhargen). Esses ‘piscinões’ somam quase 100 milhões de litros de capacidade e você já deve estar se indagando: “Mas é litro demais! Porque não funciona tão bem?”. Ótimas perguntas com inúmeras explicações, porém a mais óbvia é: falta o contínuo planejamento e aplicação de políticas públicas para garantir o bom funcionamento dessas obras iniciais. Os ‘piscinões’ utilizados para minimizar os prejuízos das chuvas ou o enchimento dos rios da capital não recebem a manutenção adequada uma vez que os investimentos não são (i) repassados e/ou (ii) nem sequer realizados. E isso, claro, não acontece apenas com os ‘piscinões’ mas também com políticas de contenção de encostas e outras ações para o controle de enchentes.

 

"Piscinão" sob a Praça Varnhagen na Tijuca

“Piscinão” praça Varnhagen, Tijuca – “Piscinão” utilizado para captação de água pluvial e fluvial oriundas do Rio Maracanã em caso de enchente ou chuvas fortes. Fonte: Clarice Casa Nova

"Piscinão" Praça Niterói

“Piscinão” Praça Niterói, Maracanã – “Piscinão” para captação de águas pluviais e fluviais do Rio Joana sob a Praça Niterói (próximo a radial Oeste). Fonte: Clarice Casa Nova

"Piscinão" Praça da Bandeira
“Piscinão” da Praça da Bandeira, Centro – “Piscinão” para captação de água pluvial oriundas de enchentes e chuvas fortes na capital. Fonte: http://www.prefeitura.rio

 

Vale ressaltar, ainda, que a própria ocupação territorial da cidade do Rio de Janeiro foi (e continua sendo) extremamente irregular, o que contribui para a ocorrência histórica das enchentes. Em uma viagem por entre mapas hidrográficos antigos (disponíveis aqui) podemos observar que, já no centro da cidade houve a ocupação de uma área predominantemente de manguezal, com a supressão de rios de grande/médio porte, como o rio Maracanã, o rio Joana e o rio Comprido – todos desaguavam na Baía de Guanabara no chamado Saco de São Diogo (nomes datados do fim do século XVIII).

Saco São Diogo 1796

Imagem da região central da cidade do Rio de Janeiro em 1796, enfatizando o complexo do mangue da Baía de Guanabara e o Saco São Diogo.

“Coincidentemente”, três séculos depois, foi necessário construir os tais “piscinões” para evitar que algumas áreas adjacentes a esses rios fossem inteiramente lavadas pela força de seus rios encobertos e chuvas exacerbadas por mudanças antropogênicas (climáticas e do uso do solo). Talvez então, um outro poeta estava certo (tentando romantizar essa história toda):

“E quem sabe então o Rio será, alguma cidade submersa, os escafandristas virão explorar sua casam seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos”. (3)

Por fim, fica uma dica para os curiosos da limno-história e hidro-geografia do Rio de Janeiro e outras capitais mundiais:

http://riocidadesubmersa.blogspot.com/

Referências e citações:

(1) Canção de Tom Jobim – ‘Águas de Março’.
(2) Maia, Andrea Casa Nova. Imagens de uma cidade submersa – o Rio de Janeiro e suas enchentes na memória de escritores e fotógrafos. Escritos, v. 11 (6), 247- 274.
(3) Canção de Chico Buarque – ‘Futuros Amantes’.

The rain falls and the city floods… indeed it floods

In a post in this blog, Profa. Aliny Pires used part of this title to write about climate change and its main effects on aquatic food webs. However, I make use of her title to give different  emphasis to the effects of rainfall: social, political, public and financial planning focus. Just as Msc. Ricardo Catarina in his post from two years ago I’ll try to emphasize other aspects of rainfall in urban regions, revisiting an historical point of view. The so-called “summer rains” that took place in Rio de Janeiro in recent weeks, leaving a considerable number of dead, wounded and a huge financial loss to the public power, have by far brought “promessa de vida para o meu coração” (1), as the poet once sang.

The last “terrible” rain that the city of Rio de Janeiro experienced occurred on Monday, April 8th 2019 taking the city to a maximum level of alert according to the Civil Defense. The floods were so strong that they hit hard the heart of Rio’s elite (the southern zone) and the heart of the workers and poorest regions and less protagonists areas of Globos’s novels. The rain fell and fell a lot and there were already predictions of chaos … previous rains in the city of Rio had already left a buried bus and destruction throughout the city. Rio de Janeiro’s City Hall warning system was expecting rain, but not so much, and in such a short time.

According to Mayor Marcelo Crivella, “This is a completely atypical rain” but as the Cariocas are already more than accustomed their consequences were not so atypical. As the historian and professor of UFRJ, Andrea Casa Nova Maia comments:

“The history of Rio de Janeiro is confused with the history of its floods. Floods due to strong summer storms have long caused tragedies in the city, with homes collapsing, flooding of streets, destruction of commerce, transportation problems, illnesses, lack of food and other problems that often included death of some citizens “. (2)

The consequences of heavy rains for large Brazilian urban centers are so well known that some steps are sometimes taken in an attempt to minimize the damage, through urban planning constructions, for example, in order to decrease or even control rainwater runoff and volume increase of the waters of major rivers that cross these cities. Some remember that the mayor Eduardo Paes inaugurated 3 “runoff pools” in the central and northern zones of Rio de Janeiro (Praça da Bandeira, Praça Niterói and Praça Varnhargen) – Figures 1 to 3 above. These pools capacity could reach more than 100 million liters of capacity and you should already be asking yourself: “But it’s too many liters! Why diddn’t it work so well? ” Great questions with many explanations, but the most obvious is: the lack of continuous planning and implementation of public policies to ensure the proper functioning of these initial works. Infrastructure used to minimize rainfall losses or stop the flooding of the rivers of the capital do not receive proper maintenance since the investments are (i) not well distributed and / or (ii) not even invested in the first place. And this, of course, does not happen only with the ‘pluvial pools’ but also with slope containment policies and other actions to control floods.

It is also worth mentioning that the territorial occupation of the city of Rio de Janeiro was (and continues to be) extremely irregular, which contributes to the historical occurrence of floods. In a reminicence trip within old hydrographic maps (available at https://www.wdl.org/en/search/?q=rio+de+janeiro#801) we can observe that, already in the center of the city, there was an occupation of a predominantly mangrove area, with the suppression of large / medium-sized rivers, such as the Maracanã River, the Joana River, and the Comprido River, all of which flowed into the Guanabara Bay in the so-called Saco de São Diogo (names dating from the end of the 18th century) (see figure numer 4 above).

Coincidentally, three centuries later, it was necessary to construct such “pools” to avoid that some areas adjacent to these rivers would be entirely washed away by the force of their covert rivers and rains exacerbated by anthropogenic changes (climatic and land use). Maybe then, another poet was right (trying to romanticize this whole story): “E quem sabe então o Rio será, alguma cidade submersa, os escanfandristas virão explorar sua casam seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos”.

Finally, there is a tip for the curious of the limno-history and hydro-geography of Rio de Janeiro and other world capitals:

http://riocidadesubmersa.blogspot.com/

References and citations:

(1) Tom Jobim – ‘Águas de Março’.
(2) Maia, Andrea Casa Nova. Imagens de uma cidade submersa – o Rio de Janeiro e suas enchentes na memória de escritores e fotógrafos. Escritos, v. 11 (6), 247- 274.
(3) Chico Buarque – ‘Futuros Amantes’.

Toda palavra tem uma origem e significado, a palavra Ecologia, por exemplo, vem do grego, representando a junção das palavras Oikos (que pode ser traduzida como “casa”) e Logos (que pode ser traduzida como “estudo”). Ou seja, Ecologia significa “o estudo da casa”, representando o segmento da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e destes com o meio no qual habitam. Mas todas as palavras estão sujeitas a mudanças na sua interpretação ao passar do tempo. O termo “ecológico”, que indica uma referência à Ecologia, com o passar do tempo foi sendo utilizado para designar algo que respeite o funcionamento natural do ecossistema. Entretanto, tem se tornado cada vez mais comum o uso comercial do termo para identificar determinados produtos. Você já deve ter percebido que quando vai às compras, os mercados vão lhe oferecer uma “ecobag”, as lanchonetes estão substituindo seus canudos descartáveis por “canudos ecológicos” e até seus amigos devem ter sugerido que você trocasse a tradicional purpurina do carnaval pelo “ecogliter”. Mas afinal, o que faz um produto ser ecológico?

Teoricamente para um produto ser considerado verdadeiramente ecológico é preciso manter uma cadeia produtiva que não altere o funcionamento dos ecossistemas, além de ser possível sua total degradação após o término de sua vida útil. Essas características são impossíveis de atingir em escala comercial e diversas nomenclaturas e conceitos foram criados e adaptados. Com isso, hoje em dia os produtos podem ser: “ecológicos”, “verdes”, “sustentáveis”, ou simplesmente “eco-amigáveis” (tradução direta de eco-friendly). Embora uma definição específica varie entre os diversos termos, de maneira geral, esses produtos seriam caracterizados pelo maior compromisso com a preservação da natureza e com a redução do impacto no meio ambiente quando comparado a produtos tradicionais, associado a preocupação da preservação dos recursos naturais para as gerações futuras.  Entretanto, a percepção de que um produto não causa, ou mesmo diminua, algum impacto sobre o meio ambiente é convidativa para uma parcela dos consumidores preocupados com as questões ambientais. Sendo assim, algumas organizações buscando lucro, acabam investindo mais tempo e dinheiro anunciando que são eco-amigáveis do que realmente implementando práticas ecologicamente corretas e efetivas. Podemos citar como exemplo a lavagem de toalhas de alguns hotéis: é dada ao hóspede a possibilidade de não ter sua toalha trocada diariamente, mas o processo de lavagem não tem comprometimento com redução do consumo de água e utiliza produtos de limpeza que ao atingir os corpos hídricos impactam o ambiente. O benefício ambiental de não lavar algumas toalhas é muito menor que o lucro obtido pelo hotel, que passa a percepção de beneficiar o meio ambiente. Esse tipo de marketing ficou conhecido “lavagem verde” (tradução livre de Greenwashing). Então, em um mundo mais preocupado com o rótulo e as vendas, ser considerado eco-amigável é suficiente para consumirmos esses produtos sem culpa?

De modo geral, todo consumo está associado a algum impacto ambiental, seja por consumo de matéria-prima para produção do produto, seja por descarte de resíduos. Por esses motivos, cabe a nós compreender isso e adotar práticas que realmente tenham um menor impacto ambiental, ao invés de consumir produtos “eco-amigáveis” indiscriminadamente. Um bom começo é adotar a política dos 5 R’s (Repensar, Reduzir, Recusar, Reciclar, Reutilizar). Repensar seus hábitos de consumo é fundamental para fugir do falso rótulo eco-amigável e de fato alcançar algum benefício ambiental. Antes de tomar uma decisão ou comprar um produto repense levando em conta seus impactos para o meio ambiente, sua utilidade, sua durabilidade e seu descarte. Muitas vezes é o nosso impulso de compra que transforma itens desnecessários em produtos da moda; vide os “canudos ecológicos”; tirando o caso de pessoas com deficiência, a maioria da população poderia beber direto no copo e não incentivar a produção em massa de um produto supérfluo. E por falar em copo, será que precisamos de um novo “ecocopo” todo evento que vamos? Ou podemos reduzir o nosso consumo? Não seria melhor reutilizar qualquer copo que já tenhamos em casa, uma vez que cumpre a função de copo, e não incentivar mais extração de matéria-prima comprando um novo? E se podemos reutilizar objetos, por que não recusar novas sacolas plásticas no mercado e evitar itens com excesso de embalagens? Você sabia que muitas vezes podemos colar a etiqueta do preço direto nos vegetais que compramos. No final também precisamos dar destino adequado aos resíduos que geramos. Nesse sentido podemos reciclar parte do material (reaproveitar parte das matérias primas) que seria descartado no lixo comum e levado a um aterro sanitário. Entretanto, é preciso lembrar que mesmo um produto feito com material reciclado tem uma pegada ambiental (ex. emissão de gases estufa durante o transporte, consumo de água para lavagem, etc.).

O efeito cumulativo do nosso consumo sobre o meio ambiente continuará existindo, mesmo quando optamos por produtos eco-amigáveis. Só não podemos nos deixar levar pelas propaganda das empresas capitalistas que visam o lucro acima de qualquer coisa. O eco é pop, mas sem critério, não poupa ninguém.

5-Rs-da-sustentabilidade-na-moda-min

Diagrama dos cinco Rs (Repensar, Reduzir, Recusar, Reciclar, Reutilizar).
Diagram of the five Rs (Rethink, Reduce, Refuse, Recycle, Reuse).
Imagem adaptada de Bem Trilhado.

Every word has an origin and meaning. The word Ecology, for example, comes from the Greek language, representing the junction of the words Oikos (which can be translated as “house”) and Logos (which can be translated as “study”). Summarizing, Ecology means “the study of the house” and represents the segment of Biology that studies the relations of the living beings between themselves and these with the environment in which they inhabit. But all words are subject to changes in their interpretation over time. The term “ecological”, which indicates a reference to Ecology, has been used over time to designate something that respects the natural functioning of the ecosystem. However, the commercial use of the term to identify certain products has become increasingly common. You may have noticed that when you go shopping, markets will offer you an eco-bag, restaurants are replacing their disposable straws with “eco-straws” and even your friends may have suggested you switch from the traditional glitter to the “eco-glitter “. But after all, what makes a product Eco?
Theoretically, for a product to be considered truly ecological it is necessary to maintain a productive chain that does not alter the functioning of the ecosystems and its total degradation after the end of its useful life must be possible. These characteristics are impossible to achieve on a commercial scale and several nomenclatures and concepts were created and adapted. As a result, products nowadays can be: “ecological”, “green”, “sustainable” or simply “eco-friendly”. Although a specific definition varies among the various terms, in general these products are characterized by a greater commitment to the preservation of natural resources for future generations and the reduction of their impact on the environment when compared to traditional products. However, the perception that a product does not cause, or even diminish, any impact on the environment is inviting to a portion of consumers concerned about environmental issues. Thus, some organizations are seeking to make a profit by advertising that they are eco-friendly, rather than actually implementing environmentally friendly and effective practices. We can cite as an example the washing of towels in some hotels: the guest is given the possibility of not having his towel changed daily, but the washing process has no commitment with reduction of water consumption and uses cleaners that affect the environment when they reach water bodies. The environmental benefit of not washing a few towels is much less, than the profit earned by the hotel with perception of benefiting the environment. This type of marketing is known as “greenwashing”. So, in a world more concerned with labeling and sales, would being considered eco-friendly enough to consume these products without any guilt?

In general, all consumption is associated with some environmental impact, either by consumption of raw material for the production, or by waste disposal. For these reasons, it is up to us to understand this and to adopt practices that actually have a lower environmental impact, rather than indiscriminately consuming “eco-friendly” products. A good start is to adopt the 5 R’s policy (Rethink, Reduce, Refuse, Recycle, Reuse). Rethinking your consumer habits is the key to getting away from the fake eco-friendly label and actually achieving some environmental benefit. Before making a decision or buying a product, rethink taking into account its impact on the environment, its usefulness, its durability and its disposal. Often our buying is what impulse unnecessary items into fashionable products; like the “eco-straws”; apart from people with disabilities, most of the population could drink straight from the cup and not encourage mass production of a superfluous product. Moreover, do we need a new “eco-cup” every event we go? Or can we reduce our consumption? Would not it be better to reuse any cup that we already have at home, since it fulfills the function of cup, and not encourage more extraction of raw material by buying a new one? In addition, if we can reuse objects, why not refuse new plastic bags on the market and avoid items with excess packaging? Did you know that we can often stick the price tag direct on the vegetables we buy. In the end, we also need to give appropriate destination to the waste we generate. In this sense, we can recycle some of the material (reuse part of the raw materials) that would be discarded in the common waste and taken to a landfill. However, it should be remembered that even a product made from recycled material has an environmental footprint (e.g. greenhouse gas emissions during transport, consumption of water for washing, etc.).

The cumulative effect of our consumption on the environment will continue to exist, even when we opt for eco-friendly products. We just cannot get carried away by the propaganda of capitalist enterprises that aim for profit above anything. The Eco is pop, but an Eco label is not enough.

Publicado por: Thaís Pimenta de Almeida | fevereiro 14, 2019

Vamos falar de Ciência Cidadã?!

Você sabe o que é Ciência Cidadã ou Citizen Science? Nas Ciências Naturais, desde o início do século XIX já existiam relatos de amadores, naturalistas e curiosos que se aventuravam em observações e coletas de registros, dados, e mesmo espécimes em diferentes ecossistemas. Todo o material obtido destas incursões em ambiente natural era levado a alguns centros especializados para ser analisado e catalogado. Nascia, então, os primórdios da pesquisa participativa e também do que, atualmente, denomina-se Ciência Cidadã. Embora a formalização do conceito de “Ciência Cidadã/ Citizen Science” e sua consequente divulgação só tenham ocorrido a partir de meados dos anos 1990, a prática em si é muito mais antiga e tradicional.

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Iniciativas de Ciência Cidadã da Blue Change. Fonte: http://www.sibbr.gov.br/cienciacidada/projetos/bluechange/

A definição do termo refere-se ao atendimento das necessidades e das relações entre cidadãos e a ciência, de modo que a sociedade possa entender e aprovar os procedimentos e o caminho que a ciência percorre. Trata-se, então, de um processo participativo, em que estes cidadãos estão engajados junto à dinâmica de investigação e pesquisa e podem, por sua vez, fazer parte da tomada de decisões neste âmbito. É, primordialmente, uma aproximação entre voluntários e pesquisadores profissionais em prol de um mesmo objetivo científico.

Os modelos de Ciência Cidadã existentes em vários locais do mundo, inclusive no Brasil, contam com uma rede de voluntários que dedicam parte de seu tempo livre à coleta de diversos dados. As informações coletadas podem ter naturezas diversas, mapeamento de espécies, monitoramento de paisagens e ecossistemas, padrões de migrações de espécies, ocorrência de fenômenos climáticos e alterações de paisagens são alguns exemplos de contribuições. Estas informações são repassadas e avaliadas por grupos de pesquisadores profissionais e então podem entrar para uma base de dados que posteriormente será analisada, e mais uma vez, repassada para a sociedade. Ou seja, temos um ciclo em que o feedback dos dados coletados irá fazer parte de processos decisórios e de gestão, do qual a sociedade como um todo é beneficiada.

O emprego da abordagem de Ciência Cidadã tem muitas outras vantagens. Além de fomentar a comunicação e coprodução entre vários atores sociais, é também uma metodologia transdisciplinar, justamente por que conecta diferentes áreas e disciplinas com a tomada de decisões, o sistema político e de gestão. Permite também, independente da idade do usuário, o intercâmbio de conhecimentos e a popularização da ciência, de suas metodologias e resultados, sobretudo, práticos. Outro importante benefício, principalmente em tempos de cortes de gastos, é a ampliação tanto espacial, quanto temporal da coleta de dados realizadas por voluntários. Atualmente, a maneira mais comum de coletar e repassar estas informações ocorre por meio de softwares e aplicativos, os quais viabilizam que voluntários possam enviar os dados de vários locais e a qualquer hora, sendo necessário somente acesso a internet e aparelhos comportem os sistemas operacionais.

No cenário brasileiro, existem diversos projetos com iniciativa participativa. Na plataforma do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) é possível conhecer vários destes projetos atuantes no campo de Ciência Cidadã, e inclusive, participar deles! Para os organismos terrestres, existem iniciativas relacionadas à observação de aves (“Eu vi uma ave usando pulseiras?!”, “Wiki Aves”, “Cidadão Cientista”), mamíferos (“OIAA ONÇA”; “ZOOPE”), polinizadores (“Guardiões da Chapada”) e vetores de doenças (“AeTrapp”). Outros projetos buscam informações sobre ambientes e organismos marinhos, como baleias e golfinhos (“Brydes do Brasil”, “Blue Change”, “Onde estão as baleias e os golfinhos?”). O “EXOSS” coleta registros de meteoros, enquanto que o “ECOA” trabalha com reflorestamento e restauração em comunidades tradicionais e assentamentos. A variedade de projetos é grande, assim como a oportunidade de participar de algum deles.

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Exemplo de fotografia de ave usando anilha/pulseira feita por voluntário da iniciativa Eu vi uma ave usando pulseira?! Fonte: http://www.sibbr.gov.br/cienciacidada/projetos/euviumaaveusandopulseira/

Os projetos de Ciência Cidadã também possuem alguns desafios, como a formação de novos perfis de voluntariados, o estabelecimento de parcerias e a motivação destes voluntários a longo prazo, bem como impasses de protocolos para coleta de dados. Por outro lado, cooperação com instituições e setores da sociedade podem criar boas oportunidades para que este tipo de abordagem seja alavancada, sanando as possíveis falhas de sistemas e processos. As iniciativas de Ciência Cidadã podem maximizar a diversidade dentro da pesquisa científica, de modo a estimular formas de pensamento mais holísticas e integradoras, a fim de que todos os participantes possam comunicar suas expectativas, conhecimentos e crenças em processos de tomada de decisão, gestão e conservação. Dessa forma, além de expandir a sensibilização com causas ambientais, a Ciência Cidadã pode também colmatar lacunas na complexa tríade Ciência-Sociedade-Tecnologia.

Literatura citada
Bonney, R. et al. 2009. Citizen science: a developing tool for expanding science knowledge and scientific literacy. BioScience, 59(11), 977-984.
Chase, S. K.; Levine, A. 2018. Citizen science: exploring the potential of natural resource monitoring programs to influence environmental attitudes and behaviors. Conservation Letters, 11(2), 1-10.
Eitzel, M. et al. 2017. Citizen science terminology matters: Exploring key terms. Citizen Science: Theory and Practice, 1-20.
SiBBr – Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. Disponível em: <http://www.sibbr.gov.br/cienciacidada/&gt;.
Publicado por: Sorana Karenina | novembro 15, 2018

Você conhece mesmo o Rio de Janeiro?

Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, conhecida por seus monumentos e marcos, bastando perguntar sobre ela para lembrar das belíssimas praias de Ipanema, do Leblon e do Arpoador, das belezas guardadas na Floresta da Tijuca, no Jardim Botânico e no PARNASO, da agitação da Lapa, do samba, do Cine Odeon, da Praça XV, Marielle Vive! Opa, temos também memórias de resistência em um lugar chamado Baía de Sepetiba, que pode não estar na memória de muitos, mas também é uma região de luta e resistência da nossa cidade. Então, vamos lá?

baiaImagem 1 – Área industrial da Baía de Sepetiba

A Baía de Sepetiba como podemos observar no mapa, abrange vasta área industrial e bairros bem próximos das mesmas. Um exemplo é Sepetiba, localizado na Zona Oeste, região marcada pelo descaso quanto à política públicas, possuindo 56.575 habitantes (IBGE/2017), sendo importante para todo o equilíbrio ecológico da região, abrigando muitas espécies de animais e sendo fonte de sustento para população local. Entretanto, como vivemos numa sociedade de consumo, na qual cada vez é mais comum países desenvolvidos veem o Brasil como uma oportunidade de implantar suas indústrias muitas vezes infringindo  leis regulamentadoras voltadas ao meio ambiente e social, causando desastres.

Um exemplo de empresa é a a ThyssenKrupp, Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), empresa de produção de aço, e uma das lutas mais emblemáticas de enfrentamento do modelo desenvolvimentistaQue desde a sua implantação tem causados muitos descasos como contaminação das águas por metais pesados, a morte de diversos animais marinhos, além de impactos socioambientais como a “chuva de prata”, a impossibilidade da pesca artesanal, a exposição à doenças – confirmadas por pesquisas realizadas por pesquisadores da FIOCRUZ e da UERJ – e as perdas culturais e de pertencimento dos moradores ao local, graças as   identidade dos moradores pelo local mudanças física na região com a chegada da indústria.

Além da TKCSA causar esses danos , algumas mudanças físicas da Baía de Sepetiba começaram em 1962, com a instalação da Companhia Mercantil Industrial Ingá, que despejava os lixos tóxicos na baía, mesmo após sua falência em 1998, de modo que os metais se espalharam por toda a baía, sendo necessária uma dragagem de toda a área para tentar reverter a situação, o que seria extremamente caro e traria consequências negativas ambientalmente.

ingaImagen 2 – Ingá Marcantil – Uma Baía de poluição

Com todos esses acontecimentos, a região entorno de Sepetiba tem sido chamada de “zona de sacrifício”, um termo utilizado pelos movimentos de justiça ambientalpara locais com concentração de instalações que causam graves danos e riscos ambientais, podendo ser aplicada a áreas de moradia de populações de baixa renda,  Mesmo que historicamente a baía de Sepetiba tenha sido a base econômica de diversas comunidades residentes, graças ao pescado usado para subsistência , o intenso desenvolvimento industrial da região resultou na sua poluição, que prejudicou essa base econômica pesqueira e inibiu o turismo. Em contrapartida, a chegada e falência de indústrias na região contribuiu para a precarização das relações de trabalho e para a redução das oportunidades de emprego e renda, aumentando os índices de violência e desemprego, dentre outras questões sociais.

Dentro de tantas problemáticas que empresas vem causando a região da Baía de Sepetiba, muitas lutas também vem sendo travadas desde o início da instalação das empresa que podemos acompanhar através de uma linha do tempo, no site http://paretkcsa.org/ , além de todas as atualizações políticas, movimentos sociais, reportagens e vídeos.

Ficaremos por aqui, esperamos que tenha conhecido um pouquinho da região que abrange a Baía de Sepetiba, e se não fomos muito claras, indicamos fortemente que assista esse curto vídeo de 15 min, que surpreendentemente contém relatos de pessoas que de fato podem falar sobre a região que moram, com mais propriedade do que alguns de nós.

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Assista – Trelica MASTER colorido

Motivação para essa pesquisa:

Eu, Mariana, aluna de Iniciação Científica do laboratório de Limnologia cheguei com o questionamento para Sorana e Luiza “Na região que morava (Sepetiba), sempre foi muito abandonada, por que não pesquisamos trabalhos científicos relacionados à qualidade da água do município?”.

Elas toparam essa empreitada, mas nos deparamos com muitos problemas que deveriam ser conhecidos pela comunidade acadêmica dessa forma mudando totalmente a pergunta inicial. Então pesquisamos em 3 diferentes frentes (Social, ambiental e política), os acontecimentos na região e apresentamos em 3 seminários, um para cada tema.

A repercussão foi enorme, satisfatória e agradecemos a participação de todos que assistiram os seminários e nesse momento a você que leu esse pequeno trabalho porém com grande impacto pessoal.

Forte abraço!!!

Luiza Oliveira da Costa, Mariana R. Angelo de Oliveira e Sorana K.A.F. de Lima

Publicado por: Ricardo Catarina | novembro 1, 2018

Meu mundo desabou!!! A terrível tragédia dos Gerridae.

English version at the end in “Leia mais…”.

 

Imagine ter a capacidade de caminhar sobre a água?

Imaginou? Seria uma experiência muito legal não acha?

Agora vamos pensar na possibilidade de que você afundou e não conseguiu mais realizar essa proeza, devido a algum tipo de substância que jogaram nesse local onde você estava. Não seria tão legal assim concorda???

Bem, isso pode acontecer com alguns organismos que dependem da superfície da água para viver.

Quer conhecê-los???

Vem que eu te mostro!!!!

Dia a dia nós utilizamos e despejamos inúmeros litros de produtos de limpeza pelo esgoto, que de maneira geral é jogado sem tratamento diretamente em corpos aquáticos, como por exemplo, uma lagoa, um rio ou até mesmo nos oceanos. Um dos produtos mais utilizados e mais comuns em nossa rotina são os detergentes, que possuem características surfactante ou tensoativos (Resumidamente é capacidade de quebrar a tensão superficial da água, você poderá entender melhor sobre esse assunto clicando aqui).

Esse efeito dos detergentes na água pode prejudicar não somente nós seres humanos pela poluição, como também pode prejudicar inúmeros outros seres vivos que possuem todo o seu ciclo de vida na água. Por incrível que pareça, existem muitos seres que utilizam essa película de água para diversas atividades como dispersão, sustentação, obtenção do seu alimento e até algumas estratégias de sobrevivência.

Dentro desta abundante fauna que nosso planeta engloba, os hemípteros da infraordem Gerromorpha (Conhecido também como Inseto-jesus ou Aranha-d’água, clique aqui para maiores descrições do grupo) (fig. 1) se sobressaem no quesito adaptação à vida sobre a água. Você pode não dar nenhum crédito para esse pequeno inseto, mas por incrível que pareça, até robô de Gerridae existe (clique aqui para ver a reportagem).

Figura 1 – Gerridae sobre a lâmina de água. Sua capacidade de locomoção sobre a superfície da água faz com que ele seja um excelente modelo para estudo de diversas áreas, como por exemplo, biologia, engenharia e robótica.

Sim, o mundo dos gerrídeos é a superfície da água devido a sua incrível capacidade de se deslocar sobre ela, e o mundo deles pode desmoronar com essas substâncias que quebram a tensão superficial da água. Gerrídeos são importantes na natureza atuando como meso-predadores, isto é, pode se alimentar de outros organismos controlando suas populações ou ser predado por predadores de topo.

Pouco se sabe sobre os impactos do despejo de detergentes nesses organismos, então para que possamos compreender melhor esses efeitos com o intuito de gerar conhecimento, e que, também possa ser uma contribuição na conservação de ambientes aquáticos, nós alunos do curso de pós-graduação da UFRJ realizamos um pequeno experimento resultado de uma disciplina de campo.

O experimento foi realizado na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), uma reserva particular sem fins lucrativos localizada no município de Cachoeiras de Macacu-RJ. Nossa hipótese eram que as substâncias iriam afetar a sustentação, a locomoção e até mesmo o comportamentos dos gerrídeos. Para que pudéssemos avaliar essas respostas com clareza, nós definimos a partir de testes anteriormente realizados, três concentrações de detergentes (0,2 ml/L, 2 ml/L, 20 ml/L) diluídos em potes o qual chamamos de mesocosmos (fig. 2). Além das três concentrações, também utilizamos um pote apenas com água chamado de controle afim de simular o ambiente natural sem o impacto das substâncias. A água e os insetos foram coletados de uma lagoa artificial local para que não houvesse variação de organismos de diferentes grupos taxonômicos e que não houvesse influência nas respostas caso utilizasse água de uma outra fonte.

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Figura 2 – Mesocosmos utilizados no experimento. Bandeja de aclimatação (branca) no centro e recipientes em volta com as diferentes concentrações de detergentes para os ensaios.

Ficou claro que a menor concentração (0,2 ml/L) foi capaz de afetar a locomoção dos gerrídeos e também seu comportamento. Como resposta comportamental, 80% dos gerrídeos limparam suas pernas afim de retirar as impurezas que poderiam prejudicá-los, ressaltando que esse comportamento só foi possível pois sua sustentação sobre a lâmina d’água não foi prejudicada. Entretanto, essa redução temporária de sua locomoção pode acarretar em uma susceptibilidade maior à predação, e ao mesmo tempo, uma redução em sua taxa de alimentação. Esse resultado não foi possível de ser avaliado em concentrações maiores devido a perda de sustentação dos organismos.

Já para as concentrações maiores (2 ml/L e 20 ml/L), 90% dos gerrídeos perderam sua sustentação levando-os ao afundamento total ou parcial na coluna de água. O afundamento parcial nós levamos em conta o afundamento com uma possível volta a superfície onde apenas 10% sofreram esse efeito. Os motivos da morte não foram testados devido as limitações do trabalho, mas acreditamos que tanto o afogamento quanto as substâncias químicas foram responsáveis por levar os organismos á óbito.

Ficou claro que baixas concentrações podem afetar a locomoção e o comportamento dos gerrídeos, concentrações intermediárias e altas afetaram a sustentação levando ao afogamento ou a possível volta do organismo a superfície, deixando-o mais susceptíveis à predação. Nesse segundo caso, poderia ocorrer um desbalanço de nutrientes do ecossistema aquático para o terrestre, uma vez que seriam alimento fáceis para aves.

Esses resultados nos alertam de como a poluição pode afetar cadeias tróficas e a vida de alguns organismos, reforçando que é necessário um empenho maior no tratamento de esgoto e cuidados na conservação de ecossistemas aquáticos para que o mundo dos gerrídeos, e consequentemente o nosso, não seja destruído.

Para obter a versão completa do trabalho, entre em contato pelo e-mail ricardo.andrade.c@ufrj.br.

Autores do trabalho: Iamê de Sá, Murilo Bitar, Rafael Lira, Ricardo Catarina.

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Publicado por: rbozelli | outubro 18, 2018

Um limnólogo na floresta/A limnologist in the forest

English version at the end in “Leia mais…”

Na floresta? Não seria no lago ou algo parecido? Para alguns pode ser estranho. Para outros com certeza é estranho. Muitos  sequer sabem o que é um limnólogo, esse pesquisador das águas continentais. Esse ser ávido por conhecer  a estrutura e o funcionamento, a vida, presente nos rios, nos lagos, nos brejos, no úmido, enfim, onde a água é feição dominante. Desta forma não poderiam imaginá-lo em lugar algum. Já os que sabem o que faz um limnólogo,  dificilmente o veriam na floresta. Isso porque de longa data temos na ciência a prática de separar, separar e separar de novo. Assim, terra é terra. Água é água. E o lugar do limnólogo é na água. Ou ao menos deveria ser.  O que faria então um limnólogo na floresta? Talvez esteja perdido, talvez passeando, diria um mais afoito. Nem perdido, nem passeando é o que quero narrar. Embora ambas as experiências possam ser enriquecedoras, existem outros motivos que podem levá-lo a entrar na floresta, como buscar remotos cursos d’água (igarapés) por entre pirambeiras para coletar amostras. Então, se a floresta tem igarapés, tem água e também é um lugar para o limnólogo. E no Laboratório de Limnologia da UFRJ, com muita frequência os pesquisadores calçam botas e perneiras, capacetes, luvas e óculos para se embrenhar na mata, e com segurança alcançar o ponto de amostragem. É normal que sejam caminhadas longas, seguramente sempre morro abaixo para chegar ao destino. Se a singularidade e beleza do ambiente extasia, o retorno preocupa e desafia, pois é preciso vencer a gravidade, com a mochila carregada de amostras.

 

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Limnólogos lutando contra a gravidade

Isso faz com que a nova trilha a percorrer (decisão nada trivial) seja sempre um misto de perguntas e certezas na cabeça do limnólogo na floresta. Serei capaz? Já fiz outras trilhas. Estou preparado? Vai ser muito cansativo? O novo exige empenho. Será bonito este lugar? O que verei de novidade? Gostaria de ver tanta coisa. Tem cobra? Tem caba (marimbondo)? E a onça? E se chover? E os mosquitos? E os carrapatos? A diversidade da floresta é surpreendente, incomoda e captura. A grandiosidade da floresta amedronta e desafia. Sempre impõe limites. A floresta nunca se mostra totalmente, mas tampouco se esconde. Sempre reserva surpresas.

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A floresta surpreende. “Ostras” na floresta?  Fruto de Aspidosperma obscurinervium, uma árvore da família das Apocynaceae

Prá mim, um limnólogo, alguém da água, mais que para qualquer outra pessoa, mostra minha pequenez, esvaziando-me a mente dos conhecimentos aquáticos; e ainda como faz para qualquer um esvazia-me a mente e também o peito dos atropelos do dia-a-dia. E ao pensar em nada, ainda que ofegante e tropeçando pela trilha, ao esvaziar-me de tudo que me satura, posso perceber um mundo que eu não via. Um mundo que outros já haviam narrado, por exemplo quando alguém disse que a floresta é mais que um amontoado de árvores ou o ribeirinho que me avisou que Deus é grande, mas o mato é maior. Assim tem acontecido pra mim, agora quando entro na floresta. É sempre diferente, é sempre deslumbrante, é sempre transformador. E também aqui me ajuda algo que o filósofo dizia e já me ajudava ao ser limnólogo: Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Eu nunca entro duas vezes numa mesma floresta, disto estou certo agora. E esta certeza não consegui sozinho. Talvez seja mais fácil compreender que o rio muda, afinal é um ecossistema dinâmico por natureza. E a floresta? Embora as árvores não se movam como andam, nadam ou voam os animais, Peter Wohlleben, em A vida secreta das árvores, mostrou-me que a distinção entre planta e animal é arbitrária e se baseia na forma como o organismo se alimenta… No fim das contas, a única diferença além dessa diz respeito ao tempo de processamento de informações e sua conversão em ações… Às vezes imagino que teríamos mais consideração pelas árvores e por outros vegetais se tivéssemos certeza de que em muitos aspectos eles são semelhantes aos animais. Ele vai além ao procurar demonstrar que as árvores da floresta são seres sociais… Desde então, caminho pela floresta como por uma avenida movimentada de uma grande cidade, por entre seres que respeito e observo, que me veem e se interessam por mim. Vazio de mim, posso encher-me do todo que me rodeia. Um limnólogo na floresta está numa jornada de busca de água, lama, organismos para seu labor e se atento e livre, numa jornada que pode transcender a rotina do cotidiano para mostrar-lhe a verdadeira razão de habitar esse planeta: irmanar-se em fraternidade universal com toda forma de vida, a cada uma respeitar, a cada uma proteger. Eu diria que um limnólogo caminhando por uma trilha na floresta deveria estar meditando.

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